O QUE FAZER?

Imagem do Jornal ELPAIS.COM

A razão de uma grande maioria pobre que vive em um país rico está na essência equivocada deste pensamento dos homens públicos e na falta de percepção do homem comum.


POLÍTICA - Nos últimos dias a imprensa agenda em suas páginas o escândalo de Brasília, que envolve o Governador democrata do Distrito Federal, José Roberto Arruda – que antes passou pelo PSDB e agora é o ilustre representante do DEM. O grande problema das coberturas midiático é exatamente focar em um único lugar, sem estrategicamente (acredito) observar a estrutura como um todo. A sensação que se tem é a do bode expiatório, ou seja, se este alguém for retirado do poder o problema está resolvido. Entretanto, com esta visão não haverá avanço na política e o sistema - político, econômico e social - continuará do mesmo jeito.

O Jornal Estado de São Paulo, desde domingo (6/12) destaca em sua matéria principal, o título: “Patrimônio de Arruda cresceu mais de 1.000%”. Certamente esta é a condição de muitos representantes brasileiros há séculos, e possivelmente continuará sendo até que a sociedade tenha consciência dos seus direitos e necessidade de participação. Pois, conforme o diário paulista: "Acossado por denúncias de corrupção e filmado recebendo dinheiro vivo no escândalo do "mensalão do DEM", o governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda, tem hoje um patrimônio que, em apenas sete anos, cresceu 1.060%. Nas declarações apresentadas à Justiça Eleitoral, em 2002 e 2006, a soma dos bens do governador não passava de R$ 600 mil. Agora, o patrimônio real da família Arruda, só em imóveis, em Brasília, acumulou um valor de mais de R$ 7 milhões."

Exemplos como estes são vistos muito perto, não precisa ir à Brasília. Comum, afinal, imaginar que alguém ficará rico quando entrar para a política, se acaso ascender ao poder e obtiver o resultado apregoado faltou-lhe inteligente, não poderia ser sequer um verdadeiro representante popular. Em resumo, política se torna um lugar de poder e riqueza, o que não é verdade, absolutamente. A razão de uma grande maioria pobre que vive em um país rico está na essência equivocada deste pensamento dos homens públicos e na falta de percepção do homem comum. Entretanto, como venho insistindo há mudanças ocorrendo nesta estrutura, devido aos movimentos na base da pirâmide. Se vai demorar ou não é está é outra conversa.

TROCAS PERIGOSAS


JORNALISMO - A utopia de uma sociedade participativa ao que parece vai se materializando mundialmente, com reflexos nos países em desenvolvimento como o Brasil. Entretanto, se o próprio sistema capitalista permite o aumento de percepção do homem sobre a realidade, ao torná-lo consumidor de bens para a informação, há uma força contrária, no sentido de estruturar o espaço social para não fugir de um controle determinante. O fim da obrigatoriedade do diploma de jornalismo vem nesta direção.

Como o Supremo Tribunal Federal entendeu de forma equivocada que o documento poria em perigo a liberdade de imprensa, cabe agora ao parlamento brasileiro analisar e votar a retomada do direito a expressão pela sociedade. A rigor, não há dúvida de que se os donos das grandes empresas de comunicação passam a definir os critérios de escolha de quem é jornalista, evidentemente que a informação será privatizada sem o posicionamento daqueles profissionais formados nos espaços universitários, o qual cabe zelar pela ética e conhecimentos das relações sociais, espaços culturais e democracia, de fato.

Visível, no entanto, a definição política de alguns parlamentares que se posicionam em favor dos proprietários dos grandes conglomerados de informação, como foi o caso de senador que defendeu a manutenção do fim da obrigatoriedade do diploma em votação de PEC no Senado Federal. Atitude que pressupõe interesse de visibilidade nos grandes jornais e revistas brasileiras, num processo de negociação que visa atender interesse destas corporações. Assim, em resumo, determinados políticos de direita ortodoxa, defensor de uma sociedade individualista em detrimento do coletivo, reage à participação efetiva da sociedade nos espaços públicos, estrutura pelo qual, acredita, o manterá no poder de maneira perene.

Leia mais:

noticias.terra.com.br
Correio Braziliense

DEM, EIS O EFEITO BORBOLETA

A rigor, mexer na base da pirâmide, possível com o avanço capitalista, pode significar efeitos na estrutura global.

POLÍTICA DO ESCÂNDALO - A crise que ocorre no setor econômico mundial, de alguma forma, se instalou no sistema de representação social de maneira geral. Na realidade, numa sociedade em que a economia é a vedete e protagonista do palco em que os atores se movimentam, a sua instabilidade gera abalo em todo universo com reflexos prolongados. Entretanto, estas rupturas não ocorrem por acaso, se há mudanças nas lógicas de negociações, principalmente, na base da pirâmide, formada pelo grosso da sociedade, inevitavelmente, o efeito será sentido no topo, com graves consequências. No Brasil, por exemplo, os partidos políticos que sustentam ideologicamente o pensamento liberal, de fato, parecem perder a hegemonia e sentem abalos na sua estrutura.

A vitória de Barack Obama, nos Estados Unidos, a intransigência de países como Irã e Coréia do Norte aos interesses de nações hegemônicas mundiais, além do crescimento econômico da China, um país com modelo socialista, revelam um processo de negociação em que não se pode apostar em vencedores e vencidos. A globalização virou uma faca que corta dos dois lados: permite as muitas classes socais se dialogarem para movimentos muito rápidos. Em contrapartida, Estados ricos ganham agilidade na difusão de conhecimento nas periferias. Uma guerra de discursos e com reflexos na manutenção da ordem.

A América Latina, serve como análise, pois, continua formando governos populares, embora haja reações, aqui e ali, de enfrentamentos institucionais e manutenção temporária da estrutura. O Brasil, a exemplo, do que vem ocorrendo na região, promove mudanças substanciais no espaço político, com queda de partidos tradicionalmente de direita. Como saída tentam negociações e fazem junções com agremiações de esquerda. Com isso a ideologia partidária perde seus relatos e uma nova paginação se estabelece. Assim a adequação se efetiva com base nos interesses econômicos, com linguagem que se aproxima do popular. Aqueles que tentaram evitar o diálogo e persiste no poder de decisão autoritária perderam, ao longo do tempo, a capacidade para o enfrentamento e simbolicamente o poder.

Neste instante, no cenário da política brasileira, os Democratas (antigo PFL), partido de direita ortodoxo, desloca-se do centro em virtude das dificuldades de mudanças de modelo, que paradoxalmente o faz existir. O escândalo envolvendo o governador do Distrito Federal complica mais ainda a frágil situação do partido, que nem sempre esteve preocupado com escândalos.

O PSDB que nasceu com a proposta da social democracia, sendo que no governo defendeu os interesses da hegemonia econômica global, passa por dificuldades em virtude do pragmatismo que não serve ao momento, depois de sucessivas crises do modelo financeiro. Mudar o discurso, seria muito complicado, arriscaria perder a própria identidade.

Além destes partidos, que se fazem representativos e à frente da política brasileira, restam o PMDB - que se mostra um misto de todos os matizes, portanto, inatingível, pois qualquer bandeira lhe cai bem - e o PT do presidente da República, com popularidade histórica, com direito a papel principal em filme, o qual provoca filas nas grandes salas de cinema.

A pergunta que sobressai é: será que os petistas entenderam os anseios da opinião da maioria ou descobriram uma nova artimanha para estar no poder? A rigor, mexer na base da pirâmide, possível com o avanço capitalista, pode significar efeitos na estrutura global.


video

Aos navegantes PUCantes

A sociedade da tecnologia e o sonho de liberdade*

Um ponto precisa ser destacado neste mundo da tecnologia: as ferramentas que permitem estender as informações aos mais longínquos territórios, potencialmente, poderão servir de base para formação da capacidade de pensamento e participação social. Desta forma, este blog PUCantes se mostra fundamental neste sentido, pois deverá ser um lugar de trocas de informações, momentâneas, para despertar do espírito crítico, que, de alguma forma, está sem lugar nesta sociedade do consumo e interesses apenas individuais.

Se um dia todos nós estivemos a mercê das grandes empresas de comunicação, monopolizadas, entretanto, na atualidade as novas tecnologias da informação permite – embora haja severa exclusão - a liberdade da busca de novas mediações para as trocas de conhecimento e discussões, para a inserção na esfera pública. A ilusão de um mundo distante das mazelas, devido ao novo formato de comunicação, seria uma maneira muito otimista de ver as coisas. Afinal, vivemos em um sistema que há disputas num campo de lutas, cujas estratégias de poder hegemônico servem a interesses particulares. Mas nada mais importante do que o uso da comunicação on-line para relações ubíquas para uma sociedade mais livre e democrática.

Com a certeza que espaços como este será uma tônica da juventude nestes tempos chamados de pós-modernos nos leva a imaginar alternativas para mundo melhor, com igualdade, solidariedade, fraternidade, justiça e paz. Além do que as transformações podem e devem ser idealizada a partir da força dos estudantes, cheio de energia e força para querer um mundo melhor.

Suceeeeeeeeeeeso ao blog e parabéns à turma de jornalismo. Serei também leitor freqüente e colaborar.

* Texto publicado no Blog PUCantes dos estudantes de Jornalismo da PUC/GO, no endereço: http://pucantes.spaceblog.com.br/

Derrubaram o muro?

O muro foi ao chão, mas paradoxalmente seus limites não desapareceram, a crise continua. Como derrubá-lo de fato? Eis a questão.


Política - Definitivamente é exagerada a publicidade midiática sobre a queda do muro de Berlim, na Alemanha, o qual dividia a parte ocidental capitalista e oriental socialista. O fato é gerador de notícias, pois se trata de uma data que trouxe transformações sociais e marcou a política mundial. Entretanto, o exagero e o ângulo tratado certamente distorcem os fatos e ocasiona a perda de memória em uma sociedade carente de informação, que se afaste dos interesses econômicos, simplesmente. O muro do comunismo caiu, mas isto que não quer dizer que a sociedade rompeu obstáculos que põem de lados opostos vidas em condições diferentes de sobrevivência. Não cabem comemorações, mas reflexões profundas.

Há muros entre Estados Unidos e México, primeiro mundo e outros mundos. Educação e analfabetismo continuam dividindo milhões de seres humanos que pouco discernem a realidade em se que vivem, de maneira profunda, pois são alvejados por uma formação somente da imagem centralizada. Fartura e miséria continuam sendo a pedra de toque de uma sociedade que vive na mitologia positivista da natureza, sem se dar conta que a falta de alimento passa pelas lógicas políticas e econômicas, sobretudo. Infelizmente, o capitalismo, quase sempre em crise, não pode dispor de um momento para sua reflexão – com olhar nas pequenas fendas - sobre a necessidade de igualdade e democracia, que resultem em qualidade educacional, formação de identidade e desenvolvimento econômico para os diversos países do mundo, seja no Iraque ou na Iugoslávia.

Como comemorar um evento que não ofereceu exatamente o que se esperava: um mundo melhor? O que há de fato é um único sistema que por isso entrou em crise, levando ao colapso de sua própria realidade apregoada, a solidez. Cabe lembrar-se da necessidade de reparo de um muro constantemente, ou senão ele vai ao chão. Os limites precisam fazer sentido, ou então a fazê-lo entender.

O muro de Berlim perpassa a realidade social como um todo, não se trata de uma definição imposta de um sistema político e econômico centralizado. O socialismo é também social, que se foi desastroso para a civilização se fez uma maneira da busca de milhares de pessoas por alternativa, embora não encontrada. As conseqüências são inevitáveis, como bem sabe os alemães. A derrota é de toda uma sociedade que não conseguiu chegar a alternativas para uma realidade que agrada nem sempre a todos.

Um muro não pode separar o mundo, mas das formas de pensar e ser. A sua queda leva a crises, que traz novas buscas e novos enfrentamentos, permanentemente. As guerras continuam como se vê seus reflexos todos os dias. A notícia torna-se fundamental para se conhecer e entender a história, mas não se deve confundir informação com interesses ideológicos e propaganda. O muro foi ao chão, mas paradoxalmente seus limites não desapareceram, a crise continua. Como derrubá-lo de fato? Eis a questão.

O Limite do Público

Será que o espaço em público significa outra coisa que liberdade e diferenças? O privado tudo e o público o limite.

Comportamento
- Polêmica a parte, o caso do princípio de linchamento da aluna da Universidade Bandeirantes de São Paulo evidencia os limites intransponíveis de mudanças nas estrutura da sociedade na contemporaneidade. Ora, o fato de uma aluna ir a aula de roupa provocante não deveria causar transtornos a uma sociedade que deveria estar acostumada com a lógica moderna de publicidade. A rigor, todos os dias somos bombardeados com mulheres semi-nuas ou peladas no vídeo. Evidentemente que na academia não se trata do mesmo espaço do comércio de produtos, quase sempre com imagens apelativas. Entretanto, a sala de aula passa pelas imbricado mundo sociedade extra-classe.

Em resumo, os muros continuam intransponíveis nas relações sociais, a partir de uma elite cultural. Talvez na rua a moça passasse despercebida, o que não ocorre em uma universidade particular paulista, de uma cidade vista como comospolita e avançada cultural e economicamente. A mulher, desta forma, somente para citar um ponto deste mundo dirigido pelas lógica dominantes se especializa em preconceitos que definem de cima para baixo uma sociedade conservadora e moralizadora. Uma realidade não vista, porém existente não somente no Brasil, portanto, uma globalização que reage contra as diferenças. Mas cabe uma análise de onde vem tais definições? Pois o comportamento da juventude Uniban extra-classe deve ser distoante desta realidade. Será que o espaço em público significa outra coisa que liberdade e diferenças? O privado tudo e o público o limite.

Apostas políticas

Na política, é bem verdade, nada está resolvido até que se conheça o vencedor, após a abertura das urnas. Mesmo assim, persistem as dúvidas.

POLÍTICA - As eleições de 2010 definitivamente chegaram e o embate se dá na mídia, nos outdoors, na calada da noite, com aproximação de grupos políticos e nos bastidores. Efetivamente, as pedras estão sendo lançadas com os jogadores apostos. Entretanto, há algumas ressalvas, José Serra não demonstra condições para aglutinar o partido em torno de si, além de suscitar dúvidas em seus partidários. Os caciques do PSDB e Dem. parecem não confiar na capacidade do governo paulista em desbancar a máquina do governo federal que apóia, e faz campanha para Dilma Rousseff.

A dúvida faz com que Aécio Neves, governador popular e midiático de Minas Gerais, apareça nos jornais pressionando a alta cúpula tucana pela vaga do partido às eleições a presidência. A rigor as ações dos peessedebistas não são aparentes, afinal, o liberalismo tem muitos adeptos no Brasil, entre a classe empresarial, incluindo os donos de meios de comunicação, o que torna difícil uma leitura clara da realidade, se usando os veículos de comunicação. Será que ainda haverá mudanças no cenário político, apesar do jogo em andamento? Na política, é bem verdade, nada está resolvido até que se conheça o vencedor, após a abertura das urnas. Mesmo assim, persistem as dúvidas.

Em Goiás, continua a discussão em torno de Henriques Meirelles, que poderá ser o candidato ao governo do estado, apesar da candidatura demarcada por Íris Rezende. Se em algum momento havia certeza dos postulantes ao cargo, de fato, o quadro não se mostra evidente. Os jogadores estão aí e exercendo sua capacidade para fazer política e reunir votos. Mas nada parece resolvido.

A moralidade e a ordem

Estranho o não repúdio pelas propagandas de cervejas, pelas apresentadoras de programas infantis, de humor, que estão todos os dias na tela da TV, e "no meio deste povo".

COMPORTAMENTO
- Um mundo pós-moderno, uma sociedade que avilta o preconceito e a ordem, a partir dos valores conservadores e com sentimento de multidão. Certamente são pontos que surgem no caso do quase linchamento da uma estudante de turismo da Universidade Bandeirante de São Paulo (Uniban), na região do ABC. Ao trajar roupas muito curtas gerou "movimento" dos universitários que avançaram em ataque contra a moça, a qual somente com a proteção da polícia pôde sair do lugar.

Se fosse em uma praça pública, sem dúvida seria uma ação que mereceria análise detida (talvez nem ocorresse o caso), mas considerando se tratar de um espaço universitário torna a questão mais complexa, devido à formação de uma comunidade que deveria conhecer o direito das pessoas a liberdade de escolhas, de comportamento. Evidentemente, sem invadir o espaço ao que o outro tem direito. Certamente este não foi o caso.
Neste sentido, notoriamente o mundo da moda está cada vez mais levando a mulher a ousar em seus trajes, que as tornam sexualmente mais provocativas e com partes do corpo à mostra. Algumas vezes exageradas outras apenas ressaltam a beleza que possuem. Todavia, vivemos em uma sociedade em que há dúvidas sobre os limites, pois a regra midiática significa ousadia.

O mundo fechado dos velhos tempos de outrora perdeu espaço para uma nova realidade em que se expor tornou-se um lugar permitido, se não na rua de maneira visível, na internet, nas revistas, mesmo naquelas ditas sérias. As crianças e adolescentes convivem com sexualidade muito prematuramente, e o início da sexualidade começa muito cedo. As mudanças é o reflexo da ruptura de uma sociedade que avança contra os limites com mudanças de valores eternizados e ideologizados. Mas no caso de São Paulo parece que houve uma regressão no tempo, as roupas transparentes levaram ao desejo, a ofensa, ao repúdio e a perseguição que resultou em quase linchamento daquele representante do se vê nas mídias e é objeto de desejo. Estranho o não repúdio pelas propagandas de cervejas, pelas apresentadoras de programas infantis, de humor, que estão todos os dias na tela da TV, e "no meio deste povo".

Um caso como este que reúne jovens estudantes, de uma universidade da maior cidade do país, que aparecem na mídia com a intenção de linchamento de uma mulher sexy, a qual usa roupas sumárias, em pleno século da chamada pós-modernidade, chama a atenção e leva a dúvidas. A rigor, os estudantes que um dia foram revolucionários resolveram buscar a ordem de tempos dos limites conservadores? Afinal, de onde vem a nova ordem?

Não deveria dizer!

Indubitavelmente, determinados grupos têm mais condições de negociação que outros, mesmo considerando a força da opinião pública.

Política - A entrevista de Lula à Folha de S. Paulo causou comoção em todo país, devido às metáforas peculiares ao presidente. Afinal, qual a novidade para os homens que militam na vida política deste país sobre as negociações partidárias? A rigor, muitas delas vão contra os interesses públicos. Embora para o público o fato não seja publicizado, mas parece senso comum na sociedade as trocas de "gentilezas" que se tornam necessárias para a governabilidade no Brasil. Foge a ética, sem dúvida. homem comum sofre as conseqüências sobre este processo? Lógico. O que estanha é o barulho que se faz em torno de algo que se mostra transparente. Talvez a revelação assuste aqueles que não haviam se dado conta dos seus atos.

Disse Lula: “Qualquer um que ganhar as eleições, pode ser o maior xiita deste País ou o maior direitista, não conseguirá montar o governo fora da realidade política. Entre o que se quer e o que se pode fazer tem uma diferença do tamanho do Oceano Atlântico. Se Jesus Cristo viesse para cá, e Judas tivesse a votação num partido qualquer, Jesus teria de chamar Judas para fazer coalizão.” A metáfora denuncia a necessidade de trocas espúrias nas jogatinas políticas, o que certamente desagrada boa parte dos políticos brasileiros, mas desta análise não se pode descartar outros grupos que fazem usos da política para concentrar poder e obter benefícios particulares. Afinal, estado, economia e política são inseparáveis na formação da base de uma sociedade. Portanto, o assunto não se esgota na religiosidade brasileira.

Numa das últimas entrevistas concedidas o importante pensador Octávio Ianni afirmou que os presidentes se tornaram fantoches do poder econômico em todo mundo. Uma frase emblemática que nos leva a pensar sobre a discussão em torno deste assunto, certamente mais complexa, pois, indubitavelmente, determinados grupos têm mais condições de negociação que outros, mesmo considerando a força da opinião pública a exigir alternativas políticas – ou será isto apenas um sonho?

Afinal, a afirmação do presidente causa polêmica somente por desvelar uma realidade que, para alguns, não seria interessante ser discutido pela população eficientemente midiatizada.

ENERGIA DAS EMPRESAS

Soa estranha a afirmação de que a culpa é do governo na regulação das empresas toda vez que descobre algum rombo no bolso dos brasileiros. Afinal, onde está o respeito dos empreendedores com o cidadão? Caso que chama a atenção é a taxação a mais do consumidor feita pelas distribuidoras de energia elétrica. Segundo o jornal Folha de S. Paulo o valor cobrado indevidamente praticado desde 2002 chega a 7 Bilhões de Reais.

A questão a avaliar é: como os economistas e políticos liberais querem a redução do estado se os donos de empresas não conseguem entender ou fazer valer o honesto e legal? Evidentemente que não dá para generalizar, mas basta algum exemplo para imaginar que há um grande número de empreendedores que buscam brechas para somar faturamento com ganhos ilegais e obter lucros, mesmo que isto gere prejuízo para o homem desprovido de capital.

Sem dúvida cabe ao governo a regulação e punição. A omissão também leva a corroboração para o crime. Entretanto, precisa se avaliar que há falta de respeito pelo cidadão em várias instituições. Caso seja assim, será um salve-se quem puder. O crime torna-se banal, mas alguns se tornam criminosos e marginais.

Há dúvidas na política de Goiás

O que há, de fato, é o interesse do governo federal em impedir o avanço do tucano Marconi Perillo na política goiana.

POLÍTICA - Uma pergunta: as candidaturas ao governo do estado estão realmente decididas, mais uma vez polarizada entre Marconi Perillo e Iris Rezende? Diante dos movimentos de agentes políticos nas últimas semanas, algo deve estar sendo negociado para o surgimento de novidades, que podem levar a mudanças de cenário. Considerando que a política é dinâmica e nomes que aparecem na esfera regional se relacionam com outras instâncias, nada parece resolvido até aqui.

Importante lembrar que a grande proposta do PSDB, ao eleger o sucessor de Perillo, era exatamente formar palanque para 2010, entretanto, no movimento das pedras no tabuleiro, ocorreu um racha inevitável em função das dificuldades financeiras do estado, que ficou a mercê do governo federal, o qual usa os recursos econômicos como moeda de troca política. A entrada de Henrique Meireles para o PMDB não o tira inteiramente do páreo. A candidatura do presidente do banco central, neste momento parece improvável para alguns analistas, entretanto, não deve ser descartada rapidamente. O que há de fato é o interesse do governo federal, na pessoa do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em impedir o avanço do tucano Marconi Perillo na política goiana.

Por outro lado, a relação de Rezende com o governo federal vai além da aparência, pois a rigor, o PMDB está na base do governo e em dívida com Lula em função dos episódios envolvendo Sarney e Renan Calheiros, figura do alto clero da política e do partido, que obteve apoio do Palácio do Planalto, de maneira impopular. Se assim for há espaço para mudanças e novidades até as eleições em Goiás.

O PSDB precisa desbravar um território muito complexo diante da popularidade do presidente e idéias pouco conhecidas pela população brasileira na sua maioria, sobre um projeto liberal, o qual foi investido pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, que de alguma forma continua apregoando estes ideais em seus textos publicados pela imprensa. Diga-se de passagem, que gera dúvida de sua eficácia neste momento econômico global. José Serra continua alojado confortavelmente em São Paulo, e as próximas eleições dependem dos brasileiros de todos os estados, sobretudo, for do eixo Rio-São Paulo, que se tornam estratégicos.

Para os inimigos a imprensa

Caso contrário se confirmaria a velha máxima: para os amigos tudo e para os inimigos a imprensa

America Latina - A candidatura ao terceiro mandato de Álvaro Uribe, presidente da Colômbia, levanta uma questão complicada para a imprensa brasileira. Afinal, ao longo das semanas a imprensa não se mobilizou com criticas contra a intenção do colombiano em permanecer no poder de maneira perene, como foi o caso o caso quando outros presidentes latinos americanos apresentaram a mesma proposta.

Hugo Chaves recebeu uma saraivada de críticas todas as vezes que se pronunciava a respeito do assunto e agia nesta direção, a mesma, hoje, de Uribe. Ideologias a parte, trata-se de dois pesos e duas medidas, que demonstram claramente um projeto de sociedade estabelecido pelas empresas de comunicação, que, na contemporaneidade assume compromissos apenas econômicos sem levar em consideração os interesses sociais, a democracia e a liberdade de expressão fora das mídias.

Se há condenação sobre o rompimento democrático, quando um político assume o governo e quer se perpetuar indefinidamente no poder, o procedimento deveria ser o mesmo para todos os casos semelhantes. Caso contrário se confirmaria a velha máxima: para os amigos tudo e para os inimigos a imprensa.

As palavras ética, democracia e liberdade de expressão passam a ter um único significado: que tem mais condições de dizer aos outros o que é correto, sem na verdade, buscar entender as relações sociais, de maneira pragmática, e, de fato, honesta.

As armas da América Latina




As nações ricas jamais deixaram de lado o império das armas, sem as quais colocariam em risco sua força de persuasão.

Opinião - O internauta tem razão - conforme resultado de enquete deste blog. O Brasil não deve se endividar numa corrida maluca armamentista, em tempos de crises das grandes potências. Contudo, o mundo, apesar da busca aparente pelo diálogo, ainda passa pela força bélica, como forma de definir quem manda e quem deve obedecer, num quadro de diferenças de interesses e pensamento.

Neste sentido, chegou-se pensar que a eleição de Barack Obama, nos Estados Unidos, haveria de modificar as relações entre países periféricos e centro econômico, tendo os Estados Unidos como ícone. De fato, isto não ocorreu, o que denuncia de alguma forma as determinações das elites econômicas e políticas nos países chamados de democráticos, nas definições políticas.

As nações ricas jamais deixaram de lado o império das armas, sem as quais colocariam em risco sua força de persuasão. O que fica evidente na guerra do Afeganistão e no Iraque. As diferenças de interesses vão sempre colocar de lados opostos países e lideranças globais, que podem resultar em enfrentamentos e destruições.

A América Latina, embora, passiva diante do domínio da América do Norte parece não se conformar com a condição de quintal e começa a discutir, ainda de maneira tímida, a sua importância no cenário global. A causa disso advém de uma mundialização que aferrou mais os chamados centros de poder, resultando numa economia menos turbulenta, desta forma, uma vida mais confortável na periferia. A simples busca de engrossar a voz parece despertar preocupação, pois a Colômbia abriga e aumenta a participação dos Estados Unidos na região com sua força militar, numa estratégia política econômica.

Certamente, o Brasil não deve esquecer-se da situação de miserabilidade que vive grande parte da nação, entretanto, deve se defender dos grilhões. O sucesso desta empreitada, certamente, não pode estar nas armas, mas no diálogo e força de uma nação com igualdade social e crescimento econômico. A atenção, no entanto, é importante.

Um mundo de bonecos

Diante do espetáculo, a população de sua maneira lida com maestria neste mundo de bonecos que representam um teatro que diz respeito a todos hoje e amanhã.

Política - A cada dia a realidade fica mais complexa para ser percebida, pois saímos dos espaços visíveis para os discursos e aparências que não revelam as estruturas sociais, formadas em meio a uma trama que nos impede de ver um pouco além do necessário. Parece simplicidade demais imaginar que no mundo da política alguns precisam ser mocinhos e outros bandidos, numa eterna relação o bem contra o mal. evidentemente que se trata de definições, cujo objetivo é descortinar para uma visão pública conforme desejo de quem pode se apresentar para a sociedade, desvelando o seu discurso elaborado minimamente.

Muito estranho afirmar que o partido X deveria zelar pela ética, pelos interesses sociais, sem considerar as razões do poder e o jogo que se faz diuturnamente. Uma pergunta simples: o que está por trás das lutas constante no congresso brasileiro? Trata-se justamente da preocupação de determinados grupos políticos com bem estar social, ou a busca incessante é pelos benefícios do mandato?

O partido Y quando se diz ético não estaria neste momento oportuno usando apenas a retórica para desmascarar o adversário no sentido de avançar rumo a representatividade popular? Logo deverá vestir a mesma mascara que será denunciada por outros e, assim, prossegue a trama.

A rigor, a política não é apenas um lugar de homens eleitos, pois, neste território existem milhares de negociações que envolvem além de grupos sociais politizados, forças diversas participam dos embates no parlamento, que no final não atende a maioria que deveria dar base para a democracia. Muitas vezes, quem é sapo hoje se transforma em príncipe amanhã e o contrário também é verdadeiro, ao saber dos movimentos orquestrados e ensaiados.

Muitos intelectuais sabedores desta realidade, mais do que muitos – é o que se espera -, preferem jogar para a platéia a participar de fato dos embates, que podem proporcionar a percepção de uma realidade mais visível. Afinal, num mundo das imagens será melhor quem conseguir se apresentar mais vistoso. Entretanto, se esquecem do que leu e viu, enfim, não tem passado.

Finalmente, neste contexto, ser ético na aparência significa apenas entrar para o rol dos derrotados e sair de cena. Diante do espetáculo, a população de sua maneira, com maestria, neste mundo de bonecos que representam um teatro que diz respeito a todos, hoje e amanhã.

Marina Silva para a presidência

Imagem Revista Istoé - domingo 16/08/2009

Contudo, uma advertência, a atual senadora poderá ser apenas parte de uma estratégia da oposição de embolar o jogo eleitoral para a volta dos tucanos ao planalto.

Eleição - Intensifica a cada semana discussão da mídia em torno do potencial de Marina Silva, ex-secretária de meio ambiente do governo Lula - que deixaria o PT e se filiaria ao PV -, de ser candidata a presidência da república, evitando, assim, a polarização entre o tucano José Serra e Dilma Rousseff, então, candidata do PT. Entretanto, torna-se muito difícil uma análise séria, considerando as dificuldades de avaliar as causas que motivam a sociedade brasileira, neste instante, o que torna um fator importante numa campanha.

Em Pesquisa publicada pelo Jornal Folha de S. Paulo neste domingo (16) Marina Silva aparece com 3% dos votos dos brasileiros, ante Ciro Gomes (PSB) 16%, Dilma 16% e Serra 37%. Embora as eleições ocorram somente ano que vem, e a sociedade não colocou a questão na agenda do dia, os indicativos mostram que a campanha para a presidência terá nomes novos, dentro de uma realidade diferente dos pleitos passados, com nomes conhecidos nas disputas e grandes oscilações econômicas internas.

O que se vê neste momento é um operário-presidente com cerca de 70% de apoio popular que tem como candidata uma mulher militante de esquerda, envolta com uma doença grave, com estrutura e apoio para uma intensa campanha. Serra, político experiente, mas desconhecido do brasileiro, principalmente de baixa renda, visto como conservador e sem carisma. Longe de se apresentar como um representante com relações fora da capital paulista ou em outros países, numa consonância aos novos tempos de economia globalizada. Ciro Gomes, por sua vez, de humor instável ainda não sabe se sairá candidato pelo governo de São Paulo ou a presidência.

Marina Silva, contudo, se apresenta como uma boa novidade em função de sua história de vida e incansável luta pelo meio ambiente, com boa aceitação no exterior em função de suas nobres causas. A infância e dificuldade vivida pela ex-secretária pode ser a mesma de muitos milhares de brasileiros, o que deverá render-lhe votos. Contudo, uma advertência, a atual senadora poderá ser apenas parte de uma estratégia da oposição de embolar o jogo eleitoral para a volta dos tucanos ao planalto. A causa de defesa do meio ambiente ficará em segundo plano, deixando marcas profundas em sua brilhante carreira política, exatamente o que a diferencia dos políticos brasileiros, muitos deles envolvidos em escândalos e sem causas nobres.

Críticas de Lula

O caso Celg sem dúvida é uma mácula que atinge os representantes públicos locais e que continua sem os esclarecimentos necessários.

POLÍTICA - Os críticos do governo têm toda razão em afirmar que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva esteve, nesta quinta-feira (13), em Goiás para fazer política, apresentar o seu candidato Henrique Meirelles e jogar luzes sobre a candidata Dilma Rousseff e com poucas obras para serem inauguradas. Entretanto, alguns pontos precisam ser destacados: o ingresso na política do Banco Central retira do ostracismo a política goiana, que tem dois rivais que dominam o jogo político do estado há anos, impedido o surgimento de novas lideranças.

Não seria por pura acaso a inserção de novos nomes neste cenário absolutamente centralizado entre algumas figuras conhecidas. Ademais, o caso Celg sem dúvida é uma mácula que atinge os representantes públicos locais e sem esclarecimentos necessários, sendo a conta paga pela população que de fato não participou da festa, que certamente ocorreu.

Na relação com o governo de Lula, Marconi Perillo não foi habilidoso, preferiu jogar tudo em marketing próprio durante o escândalo do mensalão que atingiu diretamente o atual governo, imaginando que poderia atingir destaque nacional. Afinal, a mídia brasileira evidenciava o desenrolar dos fatos, e os personagens ganhavam notoriedade. Não atingiu o objetivo e o governo congelou a mágoa para a eternidade. Na política, por parecer estranho, mas é preciso lisura nas disputas. José Serra, embora faça oposição de quando em quando aparece ao lado do presidente brasileiro. O PSDB, por sua vez não consegue promover uma oposição de sucesso, talvez pelas dificuldades dos integrantes do partido bons guardiãs da coisa pública.

Iris Rezende mostrou habilidade, se aproximou do governo e consegui trânsito fácil em um governo popular que atinge bons resultados na economia nacional. Se não for o candidato ao governo goiano deverá se beneficiar da relação próxima ao governo petista. Mesmo considerando que isto possa criar divisões dentro do PMDB, a exemplo do que ocorre em nível nacional.

Mas o presidente tocou numa ferida que não dolorosa – um discurso estratégico para atingir os adversários: o caso Celg. Afinal, quem são os responsáveis pela dívida? Para onde foi o dinheiro desviado? Seria possível alguém que gastou ilegalmente o dinheiro da estatal continuar como líder político do estado, seja ele quem for? São perguntas difíceis de responder. Entre os políticos do estado parece que há pouco interesse para o tema.

Saída de Sarney da presidência não resolve a falta de moralidade no Congresso

Imagem Revista Istoé - 09/08/2009

OPINIÃO
- Em enquete feita por está página sinaliza que o brasileiro tem um visão muito nítida de que a solução do Congresso não está na retirada de um nome - a velha estratégia do bode expiatório.

Possivelmente o Senado reflete a estrutura em que a sociedade está assentada, ou seja, nas relações de interesses particulares que se espalham nas esferas de representação pública.

A rigor, os escândalos não são privilégios do legislativo, pois certamente atinge o setor privado e diversos órgãos públicos.

Desta maneira, a realidade é inerente as determinações do homem em sociedade, que poderá, de alguma forma exercer influência para mudanças indispensáveis no sistema representativo. Ademais, muitos dos que estão no poder passam pelo crivo do eleitor.

Não é fácil assim, mas caso não haja liberdade de escolhas, não há também democracia, a qual se torna apenas uma palavra sem efeito.

Problemas da democracia

Na realidade, na política, o que não se vê é mais importante do que é explícito.

Política - As atuais disputas no Senado Federal, de alguma forma, demonstram os problemas da democracia na sociedade contemporânea. A princípio os enfrentamentos são inevitáveis num espaço em que a ordem é estar no poder, no comando da estrutura sob a qual gravita a esfera pública. Considerando que a política e a economia estão interligadas na organização do espaço social, as autoridades que aparecem nos meios de comunicação, como sendo os responsáveis pela corrupção, são na verdade a ponta de um iceberg que esconde a base que não se podem ver nitidamente, imersa nos discursos e atitudes dos agentes políticos e sociais.

Historicamente, Sarney não começou na vida pública nesta gestão e serviu aos propósitos de interesses da sociedade em determinado momento, pontualmente, quando o Brasil deixou o governo militar para a democracia, após a morte de Tancredo Neves. Aliado de partidos conservadores e criticado por partidos que cobravam mudanças na estrutura social, que, de fato, não ocorreu. Se de fato, pode dizer que a política tem papel importante na formação da sociedade José Sarney, Renan Calheiros e muitos outros têm seu quinhão nesta empreitada, afinal foram eleitos por seus estados por muitas legislações, e sendo destaque no congresso devido o conhecimento dos espaços que o poder concede, assim, com destaque entre os colegas.

Somente para ficar em um exemplo, Fernando Henrique Cardoso, na presidência da República conviveu com o apoio explícito de Antonio Carlos Magalhães, outro nome que passa para a história. Em algum momento chegou-se a conjecturar que ACM seria mais que apenas um parlamentar próximo do governo, mas que exercia influência na condução do País. Ou seja, o presidente sociólogo entendeu que não seria possível governar sem o apoio dos grandes nomes da política – até mesmo da economia brasileira e mundial -, mesmo maculados por atitudes anti-éticas.

Muitos analistas políticos criticam a postura de um governo que sendo de esquerda deveria demonstrar distanciamento de determinadas figuras conhecidas do congresso brasileiro, entretanto, não avaliam que na "democracia" a política exige negociação a todo instante, o que deve ser feito por todos os eleitos, sob pena de não conseguir se estruturar no poder – gestão que não é feito por apenas uma pessoa ou um grupo. Desta forma, na essência um governo tem várias cores e matizes que o torna não um corpo único, mas um misto de participações e apoios, os mais diversos. Neste sentido, com olhos no futuro se estabelece os enlaces agora, mesmo que isso represente a perda de valores construídos e aceitos pela sociedade.

Na realidade, na política, o que não se vê é mais importante do que é explícito. A mídia tem o seu papel: participa deste jogo tornando visível aquilo que interessa a efetivação do discurso que faz parte, mesmo conhecendo todo o debate. No jornalismo, os estudiosos conhecem esta estratégia de domínio como sendo agendamento.

Política da Hipocrisia

Charge Pública pela Folha de S. Paulo - 31/07/2009

Na tentativa de evitar a Guerra Mundial, um seu general disse que era chegada a hora da política e ele respondeu: "abomino a política". O ser autoritário é sempre amargurado com a política: o move a força como solução e, para alcançá-la, veste-se do ressentimento, da inveja, do puritanismo, como uma máscara para esconder a hipocrisia.

José Sarney em artigo publicado pela Folha de São Paulo - 31/07/2009

Guerra na América Latina

Embora não esteja claro, há apenas rumores, mas parece evidente que a maior proximidade da Colômbia com os Estados Unidos poderá resultar em militarização da América Latina. A informação partiu do próprio presidente Lula em reunião com empresários em São Paulo Sobre a logística bélica do país da América do Norte na região, o que cria um grande desconforto. Afinal, plano do governo de Barack Obama é instalar no território colombiano arsenal militar em três áreas.

Considerando, que a Venezuela vem se armando militarmente com compras de equipamentos da Rússia e Irã não se deve esperar muita tranqüilidade para os países do sul. A diferença ideológica entre EUA e Hugo Chaves não é de hoje, com guerras verbais que se arrastam durante o seu longo governo.

O que é de estranhar, entretanto, é o fato de Obama, em seu discurso de campanha, apregoar exatamente a redução das guerras violentas promovidas por George Bush. A verdade é que, como já foi dito nesta página, nem sempre quem está no pode tem mando de fato.

Disputa de espaço no PMDB

As discussões são inevitáveis na política, entretanto, em determinados momentos há muito mais que simplesmente definição de rotas.

POLÍTICA - Como ocorre no Brasil, em Goiás o PMDB é um partido sem ideologia definida. São diversas linhas de pensamento, sem definir um perfil comum entre os grupos. Desta forma, vence quem tem mais carisma e consegue ter apoio popular e foca política. Neste momento, os peemedebistas iniciam uma batalha, que divide o partido, numa clara demonstração de forças entre quem está no poder e aqueles estão fora. Quanto mais determinadas personalidades aparecem na mídia, mais destaque e condições de reduzir o poder do adversário. Neste ínterim não há somente a participação de partidários locais, mas influências vêm de fora, da capital e do próprio partido.

As discussões são inevitáveis na política, entretanto, em determinados momentos há muito mais que simplesmente definição de rotas. Nestas circunstâncias, as intrigas fazem parte de estratégias, sobretudo, partidárias de enfraquecer composições que se mostram com chances de vencer. As brigas no PMDB são reflexos das eleições de 2010 que envolve Iris Rezende, Marconi Perillo e Henrique Meireles. Neste contexto, até mesmo aliados se tornam adversários, de maneira franca, sem esconder os seus propósitos.

Como exemplo, Valdivino de Oliveira é companheiro de primeira hora de Joaquim Roriz, peemedebista, ex-governador de Brasília e próximo de Iris Rezende. No entanto, está diante dos dissidentes do partido que tem como discurso aproximação do adversário dos peemedebistas no Estado Marconi Perillo. Cabe ressaltar, entretanto, a relação conflituosa em que vive o PMDB do Distrito Federal com o PT, que deverá compor com Rezende nas próximas eleições.

Nesta hora, cabem aos adversários ganhar pontos nesta briga, que se depender do grupo dissidente deverá durar tempo suficiente para ganhar terreno no partido. Possível que em curto prazo saia um final feliz, ou realmente o partido sairá rachado para as próximas eleições, tendo em seus calcanhares Henrique Meireles, com o apoio do Presidente Lula e do governador Alcides Rodrigues.

Atlético na liderança do brasileiro

Imagem Jornal O Popular

O Atlético Goiano demonstrando estar em boa fase vence mais uma vez, pelo placar de 3 x 0, e agora é o líder do campeonato brasileiro série B. Desta vez, o adversário foi o Duque de Caxias.

Para aqueles que imaginavam que a equipe de Goiás não teria condições de superar o Vasco da Gama e Portuguesa, favoritos, estão perplexo com o rendimento dos rubro-negros. Mais uma vez fica evidente que não são nomes de jogadores e fama da cidade sede da equipe que faz a diferença dentre das quatro linhas.

Já o Vila Nova não teve a mesma eficiência para superar a Ponte Preta. perdeu por 3 x 0, o que deve levar à mudanças na equipe. A grande torcida está irritada com o desempenho com o time.

Boas e más fases existem, vão e vêm. Desta forma, se depender da tradição a equipe logo deverá encontrar o caminho das redes.

Inimigo Público


Ainda pode ser considerado romântico os bandidos nos filmes em que não há nem bem nem mal.

o filme estrelado por Jonhnny Depp discorre sobre um tempo em que os mocinhos tinham poucos recursos para prender os bandidos que eram estatutos e destemidos.

Desprovido de tecnologia, como câmaras, inteligência, super-máquinas, a polícia, quase sempre corrupta tinha que se desdobrar para vencer o grande e, às vezes, vitorioso mal.

Tempo em que um bandido era endeusado pela sociedade, a comedida pelos corruptos, os responsáveis pela justiça.

O romance é a pedra do toque para dar luz ao lado humano daquele que aterroriza uma sociedade de ricos banqueiros.

Se a proposta é voltar ao passado romantico dos fora-da-lei, o Inimigo Público se apresenta como um bom filme, sem se preocupar com uma grande discussão. Vale a pena conferir.

Afinal, um tema conhecido, pois longe da ficção, o que não falta nos tempos atuais são os verdadeiros inimigos públicos.

O Teatro Político


Nos dias que passam, o Partido dos Trabalhadores faz-se de morto, com a certeza de que tremular as bandeiras agora significa apear do poder.

Política - A ideologia que sempre se mostrou marca de todos os partido, a cada dia se esvai diante das lutas pelo poder na sociedade moderna. Fora do olhar da sociedade, a guerra se avoluma e ganha quem conseguir se apresentar melhor no palco da representação. O que ocorre hoje no governo é sintomático, afinal, o partido do governo se submete às estratégias políticas como forma de se manter no comando, mesmo que para isso tenha de desdizer discurso anunciados ao longo de sua existência.

Num passado recente não seria possível imaginar que a esquerda fosse apoiar candidatos de direita, ruralistas, por exemplo. A direita fosse cooptar nomes da esquerda num jogo de resultados políticos e de grupos antagônicos. Nos dias que passam, o Partido dos Trabalhadores faz-se de morto, com a certeza de que tremular as bandeiras agora significa apear do poder.

José Sarney esteve ao lado dos militares, realizou um governo questionado pela eficiência, inclusive pelo PT, e é hoje apoiado pelo partido dos trabalhadores, pois de outra forma não teria o PMDB na base política da campanha de Dilma Rousseff – candidata de Luiz Inácio Lula da Silva. Mesmo longe das ideologias do partido, o presidente sabe das armadilhas da oposição contra um governo com alta popularidade, e que, por isso, poderá emplacar um nome desconhecido, sem os cacoetes de velhas lideranças da política brasileira.

A rigor, quais são honestamente os nomes capazes para assumir o governo de uma nação em desenvolvimento, em meio, a complexidade de um mundo em crises econômicas e movimentado pelas novas tecnologias da informação?

O mais cômico e trágico é que o Estado ganha importância na condução da sociedade, seja qual for, no sentido de evitar a desordem e o caos, inclusive no terreno financeiro. Desta forma, a luta se acirra, e partidos buscam uma estratégia conhecida: quem era adulado no passado por conveniência deverá servir como ponta de lança contra o governo atual, mesmo que reproduza, em essência, o comportamento de gloriosos tempos anteriores.

Pode ser paradoxal, mas este é o território da política partidária. Vence quem têm estratégias, mesmo considerando abrir mão da própria identidade para não dar a vez aos adversários, os quais, caso sejam vitoriosos certamente sofrerá, no futuro, com as mesmas armadilhas.

Mas restam salientar dois pontos importantes: não pode esquecer-se do povo que participa do teatro, afinal tem papel principal no espetáculo. É quem paga a conta e sofrerá pela trama dos personagens no poder. Finalmente, em meio a simulacros, muitos homens políticos mantém suas identidades. Sem generalizar.

Vitória goiana no futebol

Imagem - Jornal Estado de Minas

A determinação dos atletas e o interesse dos cartolas em não atrapalharem são fatores importantes para vencer.

Futebol - O time do Goiás vem ao longo do campeonato brasileiro dando mostrar que é possível enfrentar as grandes equipes brasileiras e se despontar na tabela da competição. Na vitória apertada contra o Atlético Mineiro, líder na classificação, por 1 x 0, deixa claro que no futebol não vale somente grandes investimentos em jogadores famosos. A determinação dos atletas e o interesse dos cartolas em não atrapalharem são fatores importantes para vencer.

A crônica esportiva brasileira afirma que a equipe goiana não é de chegada, ou seja, faz grandes apresentações, ocasionalmente, mais não reúne condições para se despontar na liderança de uma competição nacional. A palavra fica com jogadores e dirigentes, que precisam provar o contrário. Em alguns momentos, o destaque do time em uma competição serviu de vitrine para a venda de jogadores que se destacam no campeonato, com bons resultados de caixa para a diretoria e tristeza para os torcedores.

No final de semana, Vila Nova e Atlético Goiano também mostraram competência e passaram vitoriosos pelos adversários. O time campineiro segue na ponta do campeonato e vem se afirmando também como adversário do Goiás no estado. Caso consiga chegar à série A, poderá ser um forte representante dos goianos nas disputas nacionais. Talvez seja exatamente isso que tem motivado as vitórias do Goiás, que pode ter um concorrente no coração sofrido do torcedor do estado na elite do futebol brasileiro.

Cobertura
Neste final de semana até mesmo a Rede Anhanguera entrou em campo com transmissão direto do Mineirão, acompanhando a equipe do estado, o que poucas vezes ocorreu nos campeonatos recentes. Diferente da filiada da Globo em Minas Gerais, que cobre jogos importantes dos times do estado, com destaque para atlético e cruzeiro.

Bode expiatório, de novo

O senador Sarney certamente não é o primeiro a atacar os cofres públicos para interesses particulares


Política - A discussão sobre a crise no Senado volta novamente a levantar uma questão que sempre foi complicada para as pessoas de bom senso: a saída de um parlamentar resolve o problema político brasileiro? Afinal, ao longo da história, quantos homens eleitos sofreram críticas severas da imprensa e da população, sem, no entanto estabelecer uma ordem democrática no poder? De fato, ao que parece o problema não está exatamente, tão simplesmente em nomes, mas numa estrutura que continua privilegiando grupos que estão acima do interesse público.

Evidentemente que as críticas são necessárias e informar a opinião pública é indispensável, entretanto, cabe ressaltar a necessidade de se buscar discussões mais aprofundadas sobre os assuntos complexos como em casos que envolvem política. O senador Sarney certamente não é o primeiro a atacar os cofres públicos para interesses particulares, fato que se repete nos menores municípios brasileiros, sem punição, quase sempre, longe do olhar da grande imprensa. Renan Calheiros, nunca é muito lembrar, apesar das ainda recentes duras críticas da mídia e evidências de participação em enriquecimento com uso do poder parlamentar de maneira ilícita, continua no poder e dando as cartas.

Ademais, os nomes que aparecem nas páginas de jornais pegos em escândalos, muitas vezes, fazem parte de estratégias políticas de grupos que buscam atingir os adversários e galgar espaços no poder público. Passado o período de enfrentamentos por interesses, os antigos homens apedrejados passam a fazer parte das cúpulas que necessitam de apoio para enfrentar os novos rivais. Portanto, circunstancialmente a informação em excesso pode resultar em direcionar o olhar da opinião pública para determinados fins políticos momentâneos.

Além do mais, faz parte deste cenário o poder econômico, parceiro de primeira hora dos movimentos políticos, definidores de estruturas que privilegiam e geram resultados financeiros, advindos dos cofres públicos, com reflexos nos estados e municípios.

A solução está na formação de uma sociedade consciente que possa exigir o respeito com o público e a democracia - a qual deve atender a todos perenemente.

Velho tempo novo

A falta de tática dos tucanos levou Alcides a tomar decisões, pois em meio ao embate entre o ex-governador e o governo federal não restaria saída ao pepista.


Política
- Sem dúvida a atitude de Alcides Rodrigues foi contra o que se pensou muitos críticos políticos no início do governo pepista, que não somente vem se distanciando de Marconi Perillo, mas também sinaliza para a oposição ao PSDB, partido mais importante da base que elegeu o atual governador. Em Goiás a base do governo vem se desenhando com PT e PMDB.

Nos bastidores, no início deste governo, chegou-se a pensar na possibilidade de o tucano ser o governador de fato, enquanto Alcides seria apenas figurativo, como o foi enquanto vice. Verdadeiramente, isto não ocorreu, afinal, o que fica evidente é o endividamento do Estado deixado pelo governo anterior, numa condição de quase impossibilidade de administração. Em todos os setores os gastos denunciavam a falta de rigor na responsabilidade administrativa. Desta forma, não restaria alternativa a não ser a busca de apoio do governo federal e aproximação com a prefeitura. Havia, portanto, uma escolha de Alcides: aceitar a condição de servilismo à base marconista ou definir um governo com marca própria, mesmo considerando rompimentos.

A falta de tática dos tucanos levou Alcides a tomar decisões, pois em meio ao embate entre o ex-governador e o governo federal não restaria saída ao pepista. Teria que distanciar do senador, no sentido de viabilizar recursos indispensáveis da união para o Estado. A rigor, nenhum político no poder vai liberar recursos para adversários futuros, desta maneira, não havia alternativa. Com a aproximação entre Iris Rezende e PT, a rompimento com a sua base seria uma questão de tempo. Embora, em alguns momentos o atual governador se mostrou com dúvidas. Como em política não é possível estar o tempo todo no meu do caminho, a definição do grupo alcidista não tinha outra medida.

A Celg possivelmente seja o “tendão de Aquiles” de Marconi que deixou uma dívida impagável, embora não seja uma obra inteiramente sua, pois se trata de um endividamento que vem de longa data. Entretanto, não administrou os gastos da estatal que só fez aumentar. Sem condições de dar sustentação ao governador, Alcides foi obrigado a procurar os cofres da união.

Desta forma, os tucanos goianos convivem os resquícios do poder do tempo novo, mas sem possibilidade de rever as relações do período do governo. A definição dos resultados das estratégias de ambos os lados vai depender do eleitor em 2010. Há muitas discussões neste sentido.

DOENÇAS GLOBAIS

O mais intrigante, entretanto, é imaginar que a contaminação tem vindo dos países ricos. A mais grave delas é a financeira, a qual as nações do terceiro mundo aprenderam a conviver a duras penas.


Saúde - A gripe suína, como ficou conhecida, coloca em evidência a relação de proximidade que vive o mundo. Realmente Mcluhan tem razão: vivemos em uma "Aldeia Global". Uma doença que apareça em qualquer parte do mundo atingirá todo planeta em pouco tempo, caso não seja debelada radicalmente. Ou seja, a resolução de problemas que afeta uma comunidade não fica circunscrito a um lugar, mas os vizinhos devem se preocupar com a situação de todos. Desta forma, a concentração de riquezas em alguns países não é motivo para tranqüilidade plena, apesar de possuir localmente sistemas eficientes, seja na saúde, ou na economia.

Imaginar que os Estados Unidos são desenvolvidos cultural e economicamente, ao lado de países da Europa, não os livram das misérias sociais dos países de terceiro mundo, como já foram equivocamente chamados, em um passado não muito distante. Afinal, estamos todos em uma mesma aldeia. O grito de um certamente vai incomodar muita gente.

Uma doença se transforma em uma epidemia se não tratada rapidamente onde ela ocorre, ninguém está imune. Embora a pobreza não pegue por contato, mas os seus reflexos, na pós-moderna são contagiantes e globalizados. O México é hoje uma grande preocupação das comunidades milionárias, pois o espirro por lá já chegou a países que possuem competente sistema de saúde. Combater uma doença em um lugar não significa tranqüilidade definitiva, mas uma solução parcial, apenas.

O mais intrigante, entretanto, é imaginar que a contaminação tem vindo dos países ricos. A mais grave delas é a financeira, a qual as nações do terceiro mundo aprenderam a conviver a duras penas. Desta forma, estrategicamente conseguem viver com a falta do essencial, o básico, mas os seus reflexos podem ser perturbadores. Ao que parece, enfim, ninguém está a salvo das mazelas agora globais, menos ainda os historicamente abastados e felizes.

A Imprensa e a Lei

A rigor, os meios de comunicação passam a exercer função exageradamente grande para a formação do pensamento social.

Mídia - Como era esperado o Supremo Tribunal Federal derrubou, na íntegra, a Lei de Imprensa alegando ser antiga, de 1967, formulada por governo militar, e que não serve mais aos propósitos. Imbuídos do espírito da liberdade de imprensa, os representantes da justiça, entenderam que é preciso modernizar as formas de tratar a comunicação de massa, pois com o advento das novas tecnologias, a sociedade vive em tempos novos, uma nova realidade. Desta forma, tornam-se indispensáveis refazer suas diretrizes, que definem a esfera pública.

Alguns pontos precisam ser analisados de maneira detida, a começar pelo código civil, pois há a dúvida se será mesmo suficiente para dar conta do complexo território da comunicação pós-moderna, exatamente, a que fazem referência os defensores das mudanças. Afinal, nos dias atuais a comunicação se torna a base de construção da realidade, haja vista, a quantidade de informação que a sociedade recebe, sem ter condições de verificar in loco a sua veracidade. A rigor, os meios de comunicação passam a exercer função exageradamente grande para a formação do pensamento social. O que não quer dizer, evidentemente, capacidade para definir os rumos de uma sociedade. Entretanto, passa a ser uma ferramenta importante no espaço sistêmico.

Profissionalmente, o jornalismo está longe de ser de pouca importância, mas ao contrário, ao longo dos séculos tornou-se fundamental para delimitar o olhar social, a começar para a concepção de política, economia, cultura. Caso não fosse assim, não haveria tanta necessidade da justiça se preocupar com as mensagens jornalísticas e publicitárias no período eleitoral. Casos emblemáticos estão à volta, como, por exemplo, a vitória de Collor de Melo em 1989, que contou com o apoio explícito e escandaloso da Rede Globo de Televisão, com evidente edição do Jornal Nacional que dispensou mais tempo para o candidato vencedor, do PRN, e menos para o sindicalista Luiz Inácio Lula da Silva. Além do caso que, de tão escandaloso, virou livro: a Escola Base de São Paulo. O qual resultou na destruição de famílias inteiras por relatos falsos da mídia sensacionalista.

Evidentemente que pontos da Lei deveriam ser revistos, mas a definição de seu fim por completo, torna-se exagero e falta de conhecimento por parte dos representantes da justiça brasileira que, muitas vezes, perdem sua referência e embrenham por caminhos que macula a imagem de uma sociedade dita justa e democrática. Mídia não ser refere a jornalistas, pobres mortais, mas grandes empresas de comunicação com todo o seu poder de barganha, político e econômico.

A afirmação que se trata de uma Lei da era militar não se sustenta, pois se assim fosse, deveríamos rever a tomadas de decisões de Getúlio Vargas que deixou grande legado, contudo sendo embora questionado, não foram deletados da vida brasileira. Nos tribunais, possivelmente a confusão poderá levar a falta de transparência, o que, de alguma forma, norteia o ordem de partes do país.

Cotas para as universidades

Não é possível considerar capacidade intelectual com condições financeira, simplesmente.


Educação - O governo federal acena a cada dia para a inserção dos estudantes de escolas públicas nas universidades federais. Conforme editorial do Jornal Folha de S. Paulo, a Comissão de Constituição e Justiça da Câmara dos Deputados aprovou projeto que reserva 10% das vagas no ensino universitário público para pessoas portadoras de deficiência.

A rigor, há uma inversão de valores no ensino brasileiro que se arrasta há décadas, que, embora intrigante, não causou impacto na sociedade, talvez porque privilegie grupos sociais. O ensino fundamental público é ocupado por estudantes com poucos recursos econômicos, sendo que na universidade federal estudantes com maior poder aquisitivo são a maioria – principalmente nos cursos mais concorridos, como medicina, engenharia, direito. Desta forma, quem não tem condições de pagar a mensalidade para o ensino superior investe na graduação em uma escola particular, sendo que continua bancando, através de impostos, o ensino público. Desta forma, as cotas se apresentam como um meio de fazer justiça com grande parte da sociedade brasileira.

Considerando os 10%, caso passe pela burocracia do congresso brasileiro, serão 60% de cotas direcionadas para os estudantes de escolas públicas e pessoas com deficiência.

Sobre a perda de qualidade do ensino público, não parece ser exatamente a questão, considerando que não é possível considerar capacidade intelectual com condições financeira, simplesmente.

Link – Editorial Folha de S. Paulo - http://www1.folha.uol.com.br/fsp/opiniao/fz0105200901.htm

A Farra



Charge
- publicada pela Folha de S. Paulo, hoje (21 de abril), que retrata a farra com o dinheiro público, mesmo considerando o olhar da sociedade sobre as irregularidades cometidas por grupo de parlamentares.

Política e Realidade

Desta forma, as viagens aéreas com dinheiro público – uma das tradições da política autoritária e coronelista - reproduzidas em escândalos nos meios de comunicação de massa, não servem ao propósito de esclarecer os fatos.


Gastança - Não é de hoje a festa na política brasileira, que vem desde o surgimento do Brasil com uma burocracia que servia aos propósitos da metrópole em detrimento da sociedade tupiniquim que havia por estes lados. Esta farra com o dinheiro dos brasileiros não é nova e nem é um privilégios de brasileiros, afinal, a disposição de se apoderar dos recursos produzidos por uma nação faz parte de um sistema concentrador. Portanto, esta discussão sobre a gastança dos representantes do povo, com tanto barulho, serve apenas para preencher páginas de jornal e destacar pontos das mazelas sociais. Assim, mais desorienta do que informa a sociedade sobre os problemas estruturais existentes.

Uma hipocrisia imaginar que o dinheiro dispensado pela política brasileira é usado de maneira sempre honesta. Os donos de jornais, empresários, intelectuais e pessoas medianamente pensantes sabem que o dinheiro público serve a outros fins que não somente os interesses sociais. As trocas de favores entre líderes políticos tornaram-se uma tradição do país, mesmo considerando que são milhões de reais que engordam bolsos de uma classe social e promove a pobreza de milhões. Quem não quiser enxergar isso tem toda a liberdade de viver alienado diante de uma realidade de marginalização de indivíduos não funcionais, que não podem deixar de ser percebidos em ruas e avenidas urbanas.

Os jornalistas e um grupo seleto de empresários, por exemplo, conhecem bem os trâmites do poder, pois vivem numa relação permanente com a política, ao ponto de alguns deles serem responsáveis pela eleição de candidatos desconhecidos, pouco confiáveis, desonestos e populistas. Evidentemente, que cada qual serve aos interesses das circunstâncias de organização dos ideais de sociedade, definidos por um centro gerador de conhecimento, conforme estrutura que se queira.

Desta forma, as viagens aéreas com dinheiro público – uma das tradições da política autoritária e coronelista - reproduzidas em escândalos nos meios de comunicação de massa, não servem ao propósito de esclarecer os fatos, embora contribua para dar visibilidade à condução do espaço público por seus líderes eleitos. Destaca, entretanto, apenas pontos do iceberg, sob o qual está uma realidade que deveria ser tratada de maneira a formar uma sociedade democrática, ou seja, que a informação não fosse simplesmente sobre os reflexos, mas que iluminasse o que está por trás do que é informado superficialmente.

Se o procedimento continuar logo teremos mais páginas de jornal, como uma novela que mistura ficção e realidade, sem haver condições de se avaliar o espaço vivido de cidadãos que acreditam no futuro e na liberdade.

Curta - O Poder de Brasília

Aniversário - Brasília completa hoje 49 anos, sendo inaugurado pelo mineiro Juscelino Kubitscheck em 21 de abril de 1960. Embora seja a capital federal projetada e idealizada para ser funcional e a cidade do poder, no centro do país, carrega em torno de si a pobreza e as diferenças de renda peculiares ao Brasil.

A começar pela diferença que há entre Brasília e a região do entorno. A primeira com seus altos salários, sendo que a condição de vida de seus ilustres moradores, salvo exceção, está entre as melhores, perdendo apenas para São Paulo. Entretanto, as cidades da região convivem com a violência e a pobreza de pessoas que buscam aproveitar da riqueza da capital.

Parabéns para os brasilienses e brasileiros que comemoram o aniversário de sua capital, entretanto, não se podem esquecer das mazelas existentes, muitas delas pela omissão dos representantes das comunidades sociais que usufruem das festas perenes na cidade do poder.

Irís Rezende e os ônibus

A sociedade dá o seu recado, primeiro com barulho, depois o silêncio e finalmente o resultado.


Sociedade - Estranha a forma como a prefeitura de Goiânia concede aumento para o transporte coletivo para a capital. Afinal, o preço pago pelo usuário já está alto demais com o valor de R$2,00 e agora terá que desembolsar R$2,25. Um dos bilhetes mais caros do Brasil, numa capital que não está entre as mais ricas do país. Ainda a implantação do sistema City bus, com passagem no valor de R$4,50 está longe da capacidade de gastos de uma minoria da cidade, pois se avaliado numa relação de custos e benefício o carro é mais econômico do que transporte implantado. Um projeto que possivelmente não atingirá o resultado que se espera: reduzir o número de veículos no centro da metrópole. Medidas que podem refletir na popularidade do chefe do executivo que se apresenta candidato às eleições de 2010.

Como em política, os segredos não são midiatizados e o que é revelado para o público, muitas vezes, tem interesses partidários, o fato é que a atitude de Rezende vai de encontro com os interesses políticos de seu grupo. Afinal, o prefeito tem uma larga trajetória no estado que misturam altos e baixos. Está numa grande fase de aceitação popular, entretanto, não se pode esquecer-se de acenar para o público que também sofre com a crise econômica, não somente os empresários - neste caso do setor de transporte urbano.
O sinais são visíveis não somente para a oposição, mas para a coletividade. Durante a semana vários manifestações no centro de Goiânia e nas instituições acadêmicas, com enfrentamento entre estudantes e Polícia Militar, contra o aumento exagerado e fora de sintonia com o momento em que vive a economia mundial. A sociedade dá o seu recado, primeiro com barulho, depois o silêncio e finalmente o resultado.

Obrigatoriedade do diploma

O fim da obrigatoriedade, caso ocorra, deverá levar a formação de um grande exército de reserva de profissionais e, por conseguinte, a perda da visão ética que norteia a comunicação, que interage com a opinião pública.


Jornalismo - Nesta quarta-feira (1º) o Supremo Tribunal Federal decide a manutenção ou revogação da Lei de Imprensa e obrigatoriedade do diploma de jornalista para exercer a função. Uma decisão que envolve mudanças significativas na estrutura social, mais do que muitos imaginam. O que parece ser algo simples, apenas mais uma votação da justiça, na realidade representa a abertura de uma discussão que envolve toda sociedade brasileira: a comunicação de massa e a liberdade de informação. Evidentemente, que as grandes empresas do setor são favoráveis e pressionam neste sentido para o fim a exigência do documento. Apesar de não deixar claro seus objetivos fica evidente a busca da organização do jornalismo que atenda os seus interesses filosóficos, éticos e econômicos.

Verdade, que as entidades que representam a categorias lutam para manter uma reserva de mercado, o que não diferencia das outras profissões regulamentadas, como direito e medica, por exemplo. No entanto, tão fundamental para a democracia está à comunicação mediada de ser gerida por profissionais capazes de entender todo o processo comunicativo que envolve a relação com o poder político e econômico e o espaço público. Não seria demais afirmar que a estruturação de uma sociedade, seja moderna ou pós-moderna, passa pela comunicação social, com participação efetiva dos meios indispensáveis. A rigor, não é possível imaginar, na contemporaneidade, o homem viver sem a mediação dos veículos e das novas tecnologias da informação. Entretanto, a liberdade está intrinsecamente ligada a estas mediações.

Possível imaginar que a sociedade se forma culturalmente a partir da comunicação que ela estabelece no seu interior, portanto, a determinação da ordem passa pela difusão das mensagens que serão também reproduzidas pelos indivíduos. A maneira de tratar esta informação condiz com a ordem que irá se estabelecer. Neste sentido, as empresas de comunicação passam a ganhar mais poder do que antes, pois terá condições a partir de suas definições de sistema social, definir o discurso reverberado.

O fim da obrigatoriedade, caso ocorra, deverá levar a formação de um grande exército de reserva de profissionais e, por conseguinte, a perda da visão ética que norteia a comunicação, que interage com a opinião pública. Perde a maioria da sociedade que passa a estar mais a mercê da ética traçada pelos donos de grandes impérios da imprensa brasileira.
Considerando que ao longo das últimas décadas há mudanças substanciais no sistema social, a busca imperiosa pela revogação da obrigatoriedade do diploma faz parte de uma estratégia de manutenção de uma ordem que, certamente, faz parte desta luta social para a existência de uma estrutura que se entende questionável e muitas vezes injusta.

Metáforas populares

Em resumo, entretanto, o posicionamento do presidente é simplificador de uma realidade que vai mais além do que se percebe e se pode ver.


Política - Difícil imaginar as dificuldades dos grupos líderes na ordem social de entender as "gafes" do presidente. Há vários lados que precisam ser avaliados quando Luiz Inácio Lula da Silva diz que a crise é “culpa dos brancos de olhos azuis”, a começar pelo interesse do presidente de mandar recados para as classes pobres brasileiras, que ao longo de séculos é informada que os ricos têm classe e cor de pele. Aqui se destaca a escravidão imposta a população africana e a um grande número de pessoas sem pátria – mesmo sendo brasileiros - que não participam do poder econômico. Portanto, o comentário tem endereço e audiência e, verdade, causa muito mal-estar entre os colonizadores e escravagistas, dos tempos passados e presentes.

Numa outra linha, há um choque nos detentores do poder econômico global, ao apresentar advertência em relação ao posicionamento que o governo brasileiro assume no poder. Assim, se estabelece um enfrentamento com determinados grupos nacionais, representantes de interesses financeiros globais, os quais revidam com um contra discurso. Neste sentido, cabem argumentos os mais diversos como discriminação, pobreza de espírito, incapacidade de argumentação, etc. Verdade, que, nesta luta pelo poder, ganha mais condições de se estabelecer quem tem mais competência para constranger os adversários publicamente.

A mídia repetiu a afirmativa do governo durante todo dia desta quinta-feira (27), com repercussão nas rádios e televisão, e os jornais impressos continuam com as críticas. A rigor, o posicionamento demonstra as lutas que acirram em um momento de crise. O posicionamento do presidente merece ser criticado se vai de encontro às lógicas traçadas previamente numa visão de ordem mercantilista, mesmo considerando a necessidade de avaliar que a crise é global e financeira, advinda de alguns países europeus e Estados Unidos, ou seja, de um mercado ordenador do sistema social.

Em resumo, entretanto, o posicionamento do presidente é simplificador de uma realidade que vai mais além do que se percebe e se pode ver. Mas bem perto está as chagas vivas de uma crise que mexe com a estrutura que sustenta um sistema que tem fissuras, que, entretanto, deverá sofrer mudanças abruptas ou não conforme os discursos difundidos.

Política sem realidade

A análise do governador é simplista e simplificadora demais para alguém que faz uso do poder de representação de um estado.


Política - "Só fala em candidatura neste momento quem não tem trabalho a fazer." Com esta frase o Governador Alcides Rodrigues discursa para a sociedade do estado para dizer que vai continuar indefinido – em cima do muro, acenando para todos os lados – neste momento de composição política para as eleições de 2010. Bem se sabe que política se faz todos os dias, independentemente do que se tem a fazer. Terminada uma eleição, começa-se outra imediatamente. Caso não seja assim, o melhor que se tem a fazer é exatamente buscar outro meio de sobrevivência, não o de representação social.

A análise do governador é simplista e simplificadora demais para alguém que faz uso do poder de representação de um estado. Certamente, os grupos empresários sabem bem que o discurso de Alcides não condiz com a realidade, muito menos as lideranças políticas goianas. Então qual é o propósito? A opinião pública, por sua vez, está mais politizada do que pode imaginar o governador, ainda mais considerando que as ações do estado não condiz com os interesses de transparência que se espera do timoneiro que se fez popular justamente no bojo de uma boa campanha eleitoral.

O governador Alcides Rodrigues, ainda tem um grande caminho a percorrer para convencer a sociedade sobre sua real capacidade de governar e fazer política, por isso, deveria evitar as frases prontas e sem relação com a realidade social.

Movimentos políticos em Goiás

O que fica claro é a falta de capacidade de políticos goianos de mudar seu discurso e propostas, mesmo considerando as novas perspectivas sociais e econômicas globais.


Eleições - Apesar de alguns nomes definidos para as eleições de 2010 para o governo de Goiás, o cenário continua obscuro, mas os movimentos políticos que se apresentam desenvolvem estratégias já conhecidas, envelhecidas. O processo está sendo desencadeado como princípios que remontam uma estrutura que faz parte das práticas das lideranças do estado. Os grupos econômicos goianos começam a sinalizar os apoios para campanhas políticas no sentido de resguardar seus interesses e idéias sobre o cenário social.

Torna-se imprescindível notar que a capital Goiânia faz parte de uma busca pela prioridade de uma ordem política e econômica para o estado, considerando que a antiga capital, Cidade de Goiás, estaria sob o poder das lógicas partidárias rurais, o que impediria o desenvolvimento capitalista apregoado por grupos econômicos brasileiros. Desta forma, seria indispensável à mudança das lideranças do estado, cujo objetivo seria a inserção do capitalismo liberal na ordem das discussões e práticas sociais. Na verdade, o estado ainda mantém sua base no agronegócio, entretanto, com a força ainda emergente do setor econômico produtivo, que movimentou o mundo principalmente na virada do século. Certamente, o governo de Fernando Henrique Cardoso representou bem este ideal quando esteve no poder. Por isso, continua sendo ouvido e apoiado por um grande número de pessoas de destaque no Brasil, inclusive em Goiás.

Pontualmente, os dois postulantes ao cargo de Governador, Íris Rezende de Marconi Perillo trabalham com perspectivas diferentes do cenário social. A visão de realizador do primeiro pode objetivar o apoio de grande número de eleitores principalmente da periferia, sendo apoiado pelos petistas, hoje com grande importância na esfera federal. Por outro lado está o tucano que se aproxima da classe empresarial que travam batalhas por um estado na ordem econômica, com uma economia liberal. Por isso, o slogan já envelhecido "tempo novo". A rigor, devido aos novos tempos de crise, com o liberalismo sendo questionado, o novo já se tornou velho. Contudo, o ideal progressista continua na mente urbana dos empresários, políticos e de um grande número de pessoas da classe média.

Nesta disputa vem outro nome, o de Henrique Meirelles, que acaba agregando dois pontos importantes dos ideais goianos: o liberalismo estrutural sonhado pelos empresários, a força da militância do PT - com lastros políticos entre os empresários - e a força de um presidente popular.

Assim, embora não haja nada definido, muito longe disso, já é possível reconhecer as diferentes táticas dos participantes do jogo político. O que fica claro é a falta de capacidade de políticos goianos de mudar seu discurso e propostas, mesmo considerando as novas perspectivas sociais e econômicas globais.

Retrocesso da globalização

Certamente outros movimentos em sentido contrário, alimentado pela estratégia de controle, devem ser lançados, a não ser que definitivamente caminhamos para uma nova realidade econômica e social, o que é pouco provável.


Sociedade - Um tema pouco analisado nestes tempos, apesar da grave crise global, é exatamente a retomada do princípio regional. Se nos anos 90 na pauta da imprensa e literatura estava a globalização social e econômica inevitável, hoje a discussão são as mudanças no comportamento do sistema, em uma aldeia global. Como as tecnologias permitiram o avanço do contato entre seres humanos dispersos no espaço, este mesmo movimento permitiu a delimitação das fronteiras, afinal, a busca de concentração de riquezas em alguns países desmereceu a capacidade de percepção do homem no seu espaço de vida.

Portanto, países tidos como centrais - algumas nações européias (como Inglaterra, França e Alemanha), Estados Unidos e Japão - vêm ao longo dos últimos anos perdendo status de grande potências que dominam de maneira absoluta o planeta, para dar espaço a novas formas de tratar o poder, sobretudo, econômico. Neste momento, diante da crise, os países em desenvolvimento conseguem ter condição financeira melhor do que países dominantes do século passado. Evidentemente, que isso não quer dizer que o Brasil passou a ser um império, longe disso. O fato é que as nações se organizam internamente na definição de seus líderes, no sentido de evitar um estado de submissão eterna.

Estes movimentos podem ser sentidos na América Latina, por exemplo, quando os presidentes eleitos fogem ao modelo desenhado pelas grandes nações hegemônicas. Na realidade não se trata de salvadores da pátria, mas grande parte da sociedade passou a ter conhecimento da realidade, mesmo que de maneira ainda pouco transparente, mas o suficiente para entender minimamente o processo de empobrecimento e angústia, diante de um quadro de servilismo. Talvez daí surja o rompimento no Brasil com forças políticas que no passado permitiam esta ligação entre uma sociedade pobre, dentro de uma estrutura, que ligasse o país às nações centrais e desenvolvidas, de maneira subserviente. De fato, é um processo que precisa ser analisado e que vem emergindo de maneira latente.

A desglobalização ocorre, indubitavelmente. Importa saber, entretanto, quais são as estratégias daqueles que acostumaram com o poder global, remanescente do século XV, para evitar a perda do controle, da ordem. Certamente outros movimentos em sentido contrário, alimentado pela estratégia de controle, devem ser lançados, a não ser que definitivamente caminhamos para uma nova realidade econômica e social, o que é pouco provável.

Terceira via em Goiás


Eleições 2010
- Neste blog se fez uma pesquisa para saber em qual candidato os internautas votariam. Os nomes colocados, em ordem alfabética, foi os de Íris Rezende, Henrique Meirelles, Marconi Perillo e Ronaldo Caiado. No final, constatam-se alguns pontos importantes, que, entretanto, serve apenas para sinalizar uma tendência. Poucas participações na pesquisa, o que evidencia a dúvida de muitos sobre os candidatos postos – a ainda pouca audiência do blog - , principalmente aqueles que defendiam bandeiras e agora se mostram em dúvida sobre sua viabilidade.

Íris Rezende passa a ter mais apoio, neste momento, seguido de Henrique Meirelles. Marconi e Caiado não tem votos nesta pesquisa. O atual prefeito aparecer como destaque para 2010 não é nenhuma novidade, entretanto, a presença de Meirelles sinaliza para uma terceira via para Goiás. Afinal, Rezende está em evidência e candidato, sendo que o atual ministro de Lula aparece apenas sorridente na mídia, sem demonstrar claramente suas pretensões para o ano que vem. Então é aguardar para ver. Ficar de olho é importante, principalmente os políticos desatentos com a opinião pública.

Governo e ética

Desta forma, em meio a denúncias obscuras, um estado com pouco avanço na resolução de seus eternos problemas político e econômico, as chances de uma terceira via aparecer e ganhar o apoio popular se tornam cada vez maiores.


Política - Realmente falta transparência na Assembléia Legislativa do Estado de Goiás. Toda vez que se propõe fiscalizar, o que seria o papel da instituição, esbarra nas determinações do governo e conivência dos deputados. Isto significa dizer que o executivo tem a prerrogativa de suas ações sem o olhar atento deste poder, cujos membros foram eleitos para exercer a função que deveria ser a de representar a democracia e os interesses da sociedade. Não é exatamente o que vem ocorrendo, afinal foram várias denúncias encerradas estrategicamente, sem muito debate, entre elas os gastos com a educação e a dívida da Celg. Esta última uma negativa de CPI fílmica, porque os discursos pareceram uma a torre de babel, onde se fala de tudo e não nada – pelo menos convincente.

Por outro lado, o próprio governador deixa de usar de sua força política para enfrentar os grandes problemas do estado, evidentemente comuns, para se dedicar a apagar incêndios que iniciam a cada semana, o que ocorre desde o início deste governo. O melhor seria que as dúvidas sobre os gastos com o dinheiro público não existissem, mas como não é esta a realidade, cabe ao governador usar da transparência para dizer aos eleitores o que de fato ocorreu. Esconder não é uma boa saída nem para os políticos de plantão e menos ainda para a sociedade que sabe das conseqüências da crise econômica global com reflexos locais.

O que se apresenta, em resumo, são: um legislativo que faz gastos desproporcionais sem, no entanto, exercer a sua função de legislar e fiscalizar e um governo que repete as fórmulas falsas de um discurso que encobre os erros políticos, por isso, frágil aos olhos da opinião pública. Desta forma, em meio a denúncias obscuras, um estado com pouco avanço na resolução de seus eternos problemas político e econômico, as chances de uma terceira via aparecer e ganhar o apoio popular se tornam cada vez maiores.

Capitalismo ameaçado


Na realidade, o capitalismo vem há décadas com dificuldades para se manter. O seu erro não está na falta de interesses político em manter sua estrutura, mas advém das mudanças inevitáveis na organização social.

Economia - Os líderes globais da economia, política e cultural estão preocupados com as novas medidas tomadas pelo novo presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, em especial, o símbolo do atual sistema. A estatização de bancos, o distanciamento dos afagos com a imprensa e com um olhar direcionado aos pobres que o elegeram são o suficiente para imaginar que o capitalismo estaria sendo ameaçado. Com a crise o grupo seleto de milionários teve perdas substanciais dos seus patrimônios, sem obter ajuda esperada pelos governos locais e em especial no país americano. Uma surpresa para quem está acostumado ao apoio e dinheiro farto emprestado de pai para filho – recursos públicos, diga-se de passagem.

Na realidade, o capitalismo vem há décadas com dificuldades para se manter. O seu erro não está na falta de interesses político em manter sua estrutura, mas advém das mudanças inevitáveis na organização social. São muitos séculos de acúmulos de capital por parte de apenas uma minoria, enquanto milhares estão descapitalizados vivendo à margem do sistema social, numa periferia em que não chega as grandes inovações tecnológicas modernas. Portanto, um mundo de recursos publicizados para uma vida melhor, mas restam apenas migalhas para milhões. Quando não a falta plena do básico, que seria garantido numa sociedade verdadeira, sem as prerrogativas do objeto, que vale mais do que o ser humano.

A própria vitória de Obama está nesta direção, ou seja, culmina com o interesse não-alienado da população em participar das benesses que o sistema que produz, mas exclui demasiadamente. Não é possível imaginar a vitória de alguém de perfil - considerando a origem do presidente estadunidense, que agrega os valores dos marginalizados - sendo simplesmente o desejo de uma elite econômica. Trata-se, a rigor, de um movimento social – porque não dizer global - que num primeiro momento se mostrou pouco provável.

Contudo, o capitalismo está longe de seu fim. A gritaria faz parte de um jogo de cena que serve para as lideranças demonstrarem sua capacidade de aglutinação e luta em prol de seus grandes interesses. O sistema continua, mas mudanças passam a ser inevitáveis, seja a curto ou a longo prazo. De fato, entretanto, há tensões que levam a rupturas importantes para menos exclusão e mais igualdade social. Neste campo muitas lutas devem ocorrer.