TROCAS PERIGOSAS


JORNALISMO - A utopia de uma sociedade participativa ao que parece vai se materializando mundialmente, com reflexos nos países em desenvolvimento como o Brasil. Entretanto, se o próprio sistema capitalista permite o aumento de percepção do homem sobre a realidade, ao torná-lo consumidor de bens para a informação, há uma força contrária, no sentido de estruturar o espaço social para não fugir de um controle determinante. O fim da obrigatoriedade do diploma de jornalismo vem nesta direção.

Como o Supremo Tribunal Federal entendeu de forma equivocada que o documento poria em perigo a liberdade de imprensa, cabe agora ao parlamento brasileiro analisar e votar a retomada do direito a expressão pela sociedade. A rigor, não há dúvida de que se os donos das grandes empresas de comunicação passam a definir os critérios de escolha de quem é jornalista, evidentemente que a informação será privatizada sem o posicionamento daqueles profissionais formados nos espaços universitários, o qual cabe zelar pela ética e conhecimentos das relações sociais, espaços culturais e democracia, de fato.

Visível, no entanto, a definição política de alguns parlamentares que se posicionam em favor dos proprietários dos grandes conglomerados de informação, como foi o caso de senador que defendeu a manutenção do fim da obrigatoriedade do diploma em votação de PEC no Senado Federal. Atitude que pressupõe interesse de visibilidade nos grandes jornais e revistas brasileiras, num processo de negociação que visa atender interesse destas corporações. Assim, em resumo, determinados políticos de direita ortodoxa, defensor de uma sociedade individualista em detrimento do coletivo, reage à participação efetiva da sociedade nos espaços públicos, estrutura pelo qual, acredita, o manterá no poder de maneira perene.

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Correio Braziliense

DEM, EIS O EFEITO BORBOLETA

A rigor, mexer na base da pirâmide, possível com o avanço capitalista, pode significar efeitos na estrutura global.

POLÍTICA DO ESCÂNDALO - A crise que ocorre no setor econômico mundial, de alguma forma, se instalou no sistema de representação social de maneira geral. Na realidade, numa sociedade em que a economia é a vedete e protagonista do palco em que os atores se movimentam, a sua instabilidade gera abalo em todo universo com reflexos prolongados. Entretanto, estas rupturas não ocorrem por acaso, se há mudanças nas lógicas de negociações, principalmente, na base da pirâmide, formada pelo grosso da sociedade, inevitavelmente, o efeito será sentido no topo, com graves consequências. No Brasil, por exemplo, os partidos políticos que sustentam ideologicamente o pensamento liberal, de fato, parecem perder a hegemonia e sentem abalos na sua estrutura.

A vitória de Barack Obama, nos Estados Unidos, a intransigência de países como Irã e Coréia do Norte aos interesses de nações hegemônicas mundiais, além do crescimento econômico da China, um país com modelo socialista, revelam um processo de negociação em que não se pode apostar em vencedores e vencidos. A globalização virou uma faca que corta dos dois lados: permite as muitas classes socais se dialogarem para movimentos muito rápidos. Em contrapartida, Estados ricos ganham agilidade na difusão de conhecimento nas periferias. Uma guerra de discursos e com reflexos na manutenção da ordem.

A América Latina, serve como análise, pois, continua formando governos populares, embora haja reações, aqui e ali, de enfrentamentos institucionais e manutenção temporária da estrutura. O Brasil, a exemplo, do que vem ocorrendo na região, promove mudanças substanciais no espaço político, com queda de partidos tradicionalmente de direita. Como saída tentam negociações e fazem junções com agremiações de esquerda. Com isso a ideologia partidária perde seus relatos e uma nova paginação se estabelece. Assim a adequação se efetiva com base nos interesses econômicos, com linguagem que se aproxima do popular. Aqueles que tentaram evitar o diálogo e persiste no poder de decisão autoritária perderam, ao longo do tempo, a capacidade para o enfrentamento e simbolicamente o poder.

Neste instante, no cenário da política brasileira, os Democratas (antigo PFL), partido de direita ortodoxo, desloca-se do centro em virtude das dificuldades de mudanças de modelo, que paradoxalmente o faz existir. O escândalo envolvendo o governador do Distrito Federal complica mais ainda a frágil situação do partido, que nem sempre esteve preocupado com escândalos.

O PSDB que nasceu com a proposta da social democracia, sendo que no governo defendeu os interesses da hegemonia econômica global, passa por dificuldades em virtude do pragmatismo que não serve ao momento, depois de sucessivas crises do modelo financeiro. Mudar o discurso, seria muito complicado, arriscaria perder a própria identidade.

Além destes partidos, que se fazem representativos e à frente da política brasileira, restam o PMDB - que se mostra um misto de todos os matizes, portanto, inatingível, pois qualquer bandeira lhe cai bem - e o PT do presidente da República, com popularidade histórica, com direito a papel principal em filme, o qual provoca filas nas grandes salas de cinema.

A pergunta que sobressai é: será que os petistas entenderam os anseios da opinião da maioria ou descobriram uma nova artimanha para estar no poder? A rigor, mexer na base da pirâmide, possível com o avanço capitalista, pode significar efeitos na estrutura global.


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Aos navegantes PUCantes

A sociedade da tecnologia e o sonho de liberdade*

Um ponto precisa ser destacado neste mundo da tecnologia: as ferramentas que permitem estender as informações aos mais longínquos territórios, potencialmente, poderão servir de base para formação da capacidade de pensamento e participação social. Desta forma, este blog PUCantes se mostra fundamental neste sentido, pois deverá ser um lugar de trocas de informações, momentâneas, para despertar do espírito crítico, que, de alguma forma, está sem lugar nesta sociedade do consumo e interesses apenas individuais.

Se um dia todos nós estivemos a mercê das grandes empresas de comunicação, monopolizadas, entretanto, na atualidade as novas tecnologias da informação permite – embora haja severa exclusão - a liberdade da busca de novas mediações para as trocas de conhecimento e discussões, para a inserção na esfera pública. A ilusão de um mundo distante das mazelas, devido ao novo formato de comunicação, seria uma maneira muito otimista de ver as coisas. Afinal, vivemos em um sistema que há disputas num campo de lutas, cujas estratégias de poder hegemônico servem a interesses particulares. Mas nada mais importante do que o uso da comunicação on-line para relações ubíquas para uma sociedade mais livre e democrática.

Com a certeza que espaços como este será uma tônica da juventude nestes tempos chamados de pós-modernos nos leva a imaginar alternativas para mundo melhor, com igualdade, solidariedade, fraternidade, justiça e paz. Além do que as transformações podem e devem ser idealizada a partir da força dos estudantes, cheio de energia e força para querer um mundo melhor.

Suceeeeeeeeeeeso ao blog e parabéns à turma de jornalismo. Serei também leitor freqüente e colaborar.

* Texto publicado no Blog PUCantes dos estudantes de Jornalismo da PUC/GO, no endereço: http://pucantes.spaceblog.com.br/

Derrubaram o muro?

O muro foi ao chão, mas paradoxalmente seus limites não desapareceram, a crise continua. Como derrubá-lo de fato? Eis a questão.


Política - Definitivamente é exagerada a publicidade midiática sobre a queda do muro de Berlim, na Alemanha, o qual dividia a parte ocidental capitalista e oriental socialista. O fato é gerador de notícias, pois se trata de uma data que trouxe transformações sociais e marcou a política mundial. Entretanto, o exagero e o ângulo tratado certamente distorcem os fatos e ocasiona a perda de memória em uma sociedade carente de informação, que se afaste dos interesses econômicos, simplesmente. O muro do comunismo caiu, mas isto que não quer dizer que a sociedade rompeu obstáculos que põem de lados opostos vidas em condições diferentes de sobrevivência. Não cabem comemorações, mas reflexões profundas.

Há muros entre Estados Unidos e México, primeiro mundo e outros mundos. Educação e analfabetismo continuam dividindo milhões de seres humanos que pouco discernem a realidade em se que vivem, de maneira profunda, pois são alvejados por uma formação somente da imagem centralizada. Fartura e miséria continuam sendo a pedra de toque de uma sociedade que vive na mitologia positivista da natureza, sem se dar conta que a falta de alimento passa pelas lógicas políticas e econômicas, sobretudo. Infelizmente, o capitalismo, quase sempre em crise, não pode dispor de um momento para sua reflexão – com olhar nas pequenas fendas - sobre a necessidade de igualdade e democracia, que resultem em qualidade educacional, formação de identidade e desenvolvimento econômico para os diversos países do mundo, seja no Iraque ou na Iugoslávia.

Como comemorar um evento que não ofereceu exatamente o que se esperava: um mundo melhor? O que há de fato é um único sistema que por isso entrou em crise, levando ao colapso de sua própria realidade apregoada, a solidez. Cabe lembrar-se da necessidade de reparo de um muro constantemente, ou senão ele vai ao chão. Os limites precisam fazer sentido, ou então a fazê-lo entender.

O muro de Berlim perpassa a realidade social como um todo, não se trata de uma definição imposta de um sistema político e econômico centralizado. O socialismo é também social, que se foi desastroso para a civilização se fez uma maneira da busca de milhares de pessoas por alternativa, embora não encontrada. As conseqüências são inevitáveis, como bem sabe os alemães. A derrota é de toda uma sociedade que não conseguiu chegar a alternativas para uma realidade que agrada nem sempre a todos.

Um muro não pode separar o mundo, mas das formas de pensar e ser. A sua queda leva a crises, que traz novas buscas e novos enfrentamentos, permanentemente. As guerras continuam como se vê seus reflexos todos os dias. A notícia torna-se fundamental para se conhecer e entender a história, mas não se deve confundir informação com interesses ideológicos e propaganda. O muro foi ao chão, mas paradoxalmente seus limites não desapareceram, a crise continua. Como derrubá-lo de fato? Eis a questão.