O príncipe e o palhaço

Necessário ressaltar a hipocrisia da defesa do mundo formal, alfabetizado que resulte num país moderno, considerando que boa parte de grandes empresários brasileiros e mundiais não concluíram um curso superior

EDUCAÇÃO - A discussão nesta semana é a participação do humorista e deputado Tiririca na comissão de Educação na Câmara dos Deputados. Desde sua eleição não sai dos noticiários, sempre na condição de ridicularizado, sendo que na realidade sobressai o temor que a sociedade tem pela invasão das mazelas da falta de respeito aos brasileiros que conviveram, muitos deles, na pobreza e na falta de conhecimento formal. Se analisado desta forma, o nobre deputado ganha ares de vitorioso, pois conseguiu superar todos os obstáculos e chegou à representação popular, mesmo fora das lógicas econômicas, excludente, muitas vezes.

De outro lado, chama a atenção do excesso de exposição do príncipe de Gales, Willian Arthur, da família real britânica, o qual aparece ao lado da futura princesa em todos os jornais e redes de televisão mundo afora. No Brasil, para a nossa sociedade tupiniquim qual a importância da família real da Inglaterra para tantas aparições e estímulo ao modelo monárquico? 

A sensação, no final, que é preciso valorizar o luxo e depreciar o lixo, mesmo considerando que o mundo vivo brasileiro é formado por problemas, os mais diversos que atacam principalmente as pessoas que vivem à margem deste processo formal, sobretudo, da ciência, que está muito longe de definir a verdade para a democracia e igualdade.

Necessário ressaltar a hipocrisia da defesa do mundo formal, alfabetizado que resulte num país moderno, considerando que boa parte dos grandes empresários brasileiros e mundiais não concluiu um curso superior, e estão na base da riqueza nacional e global. Muitos deles atingiram o rol dos mais ricos sem a necessidade de esquentar os bancos da escola, exemplo é o que não falta. Possível que cada um que lê este artigo conhece um destes ícones.

Desta forma, o deputado Tiririca já deu sua contribuição deixa claro que o rei está nu, sobretudo no que diz respeito à educação.

Globo não quer concorrência no Futebol

O melhor mesmo é o torcedor ter opção de escolha, na definição de qual televisão quer assistir os jogos de sua preferência

MÍDIA - A Rede Globo reclama da forma como está sendo conduzida a definição das transmissões do campeonato brasileiro para o triênio 2012-2014, e não participará da licitação dos direitos de transmissão. Entre os argumentos: o formato estabelecido pelo grupo dos 13  inviabiliza "assim qualquer perspectiva de um retorno compatível com os investimentos na compra dos direitos". Ou seja, somente interessa à emissora se houver exclusividades nas transmissões sem concorrência com as outras redes.

Mais adianta que vai negociar com os clubes separadamente (quebrando o acordo que a favorecia anteriormente, de fazer a oferta final depois de definidos os preços), pois, "chegarmos a um formato para a disputa pelos direitos de transmissão que privilegie a parte mais importante desse evento: o torcedor."
 
Dois pontos duas idéias: sua preocupação é com a viabilidade financeira (publicidade) e de outra o torcedor. Ao longo destes anos não foi exatamente o que ocorreu: a preocupação com o público, que muitas vezes foi obrigado a assistir jogos de disputas do  Rio Janeiro ou São Paulo, ou não assistir nenhuma partida em função da programação da rede. 

Tornou-se comum a reclamação das emissoras de rádio nas transmissões que precisam aguardar o término das novelas da globo para iniciar os jogos, sempre altas horas da noite, e para iniciar a transmissão. Desta forma, em primeiro lugar, estão os interesses financeiros, o que requer qualidade, indispensável no mundo digital. 

O melhor mesmo é o torcedor ter opção de escolha, na definição de qual televisão quer assistir os jogos de sua preferência.

  • O comunicado da emissora, divulgado nesta sexta feira:
Os dirigentes efetivamente preocupados com os legítimos interesses dos seus clubes e, acima de tudo, os torcedores são testemunhas dos volumosos investimentos que a Rede Globo tem feito ao longo desses anos, numa parceria pelo aprimoramento do nosso futebol, na busca de um espetáculo emocionante, com profissionalismo e qualidade.

Essa contribuição tem se traduzido no crescimento das receitas dos clubes, não só através das receitas obtidas com a venda dos direitos de transmissão, bem como com a comercialização de outros direitos, incluindo propaganda nos uniformes e publicidade nos estádios.

As exigências e modificações nos conteúdos das plataformas implicam na desestruturação de um produto complexo, que foi construído ao longo dos últimos 13 anos, inviabilizando assim qualquer perspectiva de um retorno compatível com os investimentos na compra dos direitos.

As condições impostas na carta-convite não se coadunam com nossos formatos de conteúdo e de comercialização, que se baseiam exclusivamente em audiência e na receita publicitária, sendo incompatíveis com a vocação da televisão aberta que, por ser abrangente e gratuita, é a principal fonte de informação e entretenimento para a maioria dos brasileiros.

Assim é, em respeito ao interesse do público, que a Rede Globo se sente impedida de participar desta licitação e pretende manter diálogo com cada um dos clubes para chegarmos a um formato para a disputa pelos direitos de transmissão que privilegie a parte mais importante desse evento: o torcedor.

Heródoto Barbeiro troca CBN e Cultura por Record News

Ele será o principal âncora do canal de notícias da rede, o Record News, que passará por grandes reformulações.

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O universo da TV em transformação

Uma centralização de poder econômico em detrimento do esporte e respeito ao telespectador. Neste sentido, a concorrência se torna importante para atender, em momento, os interesses da sociedade

MÍDIAS - As mudanças nos espaços comunicativos atingem globalmente os países, de modo que, as novas tecnologias e a inserção de mais empresas de comunicação no universo da informação, geram transformações no universo comunicativo, na informação. Dois fatos importantes que merecem destaque nos últimos dias: a "briga" entre Rede Globo e Rede Record pela transmissão do campeonato brasileiro de futebol para os próximos anos; e, a presença da Telesur, um canal de TV dirigida por sete países da América Latina, sem participação de direta do Brasil, a qual faz cobertura do movimento na Líbia e incomoda as grandes redes de televisão mundiais.

A inserção da rede religiosa Record vem ao longo dos últimos anos tomando importantes fatias de audiência da principal emissora brasileira, a Rede Globo, que está na liderança no segmento desde a década de 70, quando consegue melhorar sua qualidade de programas, cuja fundação se dá 1965, com rendimentos deficitários, mantida pelo sistema globo.

De fato, no final da década de 60, a empresa sofreu duras críticas ao receber verbas e ter como participante do empreendimento a Time Life, de origem estadunidense, parceria impedida por lei federal, mas que permitiu a sua estruturação e agradou o governo militar, o qual necessitava de um canal de comunicação que atingisse todas as regiões do país, a chamada integração nacional, com informações dos centros do poder. Desde então, a família marinho sofre com a pecha de seguidora fiel dos interesses da ditadura, a quem acompanha editorialmente até o encerramento da política linha dura, em 1985.

A Globo por muitos momentos foi criticada por participações em momentos decisivos da política brasileira, como as eleições de 1989, quando no final do segundo turno a TV de Marinho permitiu 30 segundo a mais para o candidato do PRN, Collor de Melo, em detrimento do petista Luiz Inácio Lula da Silva. Sendo que o Alagoano saiu vencedor do pleito. As brigas permanentes com o opositor Leonel Brizola no Rio de Janeiro, desafeto da empresa carioca. Além da famosa cobertura desastrosa das diretas já no início da década de 80, quando interpretou que os movimentos populares em prol da abertura política pela festividade do aniversário de São Paulo.

A Rede Record uma das mais antigas televisões brasileiras, pertencente ao bispo da Igreja Universal, Edir Macedo, sempre criticado pelas tradicionais empresas de comunicação, fez vultuosos investimentos no setor, cuja finalidade é se integrar a grande audiência do meio, e dos inúmeros fiéis. Pelo fato de serem duas empresas de grande capacidade financeira, com a melhoria da qualidade da programação de Macedo, há de fato, uma divisão da audiência nestes canais que também são ameaçados pelas novas mídias.

Sem dúvida, ao longo dos anos a Globo monopolizou o esporte brasileiro para suas transmissões, sendo que em muitos momentos não permitir ao público acesso aos jogos de suas equipes preferidas e nem possibilidade de outros canais de comunicação realizar a veiculação das partidas de futebol. Uma centralização de poder econômico em detrimento do esporte e respeito ao telespectador. Neste sentido, a concorrência se torna importante para atender, em momento, os interesses da sociedade.

Por sua vez a Telesur que surgiu em 2005, por uma iniciativa do presidente Venezuelano Hugo Chaves, consegue chamar a atenção das grandes redes de comunicação mundial, ao dar fluxo a informações que tem origem em vários países, inclusive dos Estados Unidos, cujo governo chegou a ventilar a possibilidade de boicotar suas imagens disponíveis na internet e canais fechados. Embora Chaves seja visto como utópico em seus socialismo e ditador pelos opositores, que são muitos, consegue com o apoio dos vizinhos da América Latina, inclusive do Brasil, incomodar as nações centrais. Afinal, a informação no século XXI ganha destaque nos espaços ideológicos, globais instáveis, e de mercado, em crise.

Estado empresa

Eis um processo de disciplina dos funcionários públicos, os quais atenderão, depois de formados, a determinados referenciais de empreendimentos - a empresa enquanto modelo. O trabalho já começou

ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA - O governador Marconi Perillo vem seguindo à risca a cartilha do tradicional PSDB, tornar o estado um sinônimo de atividade empresarial, mesmo considerando a característica da instituição de ser um órgão público, cuja essência está em atender as exigências sociais, a partir de formação de um quadro de funcionários estáveis. 

Assim, o objetivo é não deixar que os movimentos políticos, com alternâncias de cargos a cada quatro anos, afetem o desempenho dos interesses da sociedade. A meritocracia, ao contrário, significa que o funcionário público será escolhido a partir de um (outro) exame, mas cujos critérios foram estabelecidos pelos políticos empreendedores. 

Neste princípio de gestão, o governador sinalizou para a privatização de alguns órgãos estatais, proposta pela qual recebeu muitas críticas; os jornais destacaram ontem (19) a parceria entre a administração estadual e o Movimento Brasil Competitivo (MBC), cujo objetivo, fundamentalmente, é atender os anseios do sistema meritocrático empresarial. 

No site da instituição (http://www.mbc.org.br/mbc/novo/) pode-se ler: "o Programa Modernizando a Gestão Pública auxilia o Setor Público a aumentar a capacidade de investimento por meio de ações como treinamento do corpo gerencial e colaboradores." Dois pontos: Goiás será avaliado por administração externa ao espaço cultural regional; neste sentido será necessário o treinamento do corpo gerencial e colaboradores. 

Eis um processo de disciplina dos funcionários públicos, os quais atenderão, depois da formação, a determinados referenciais de empreendimentos - a empresa enquanto modelo. O trabalho já começou.

Necessário avaliar que o Brasil tem más lembranças de ingerência externa. No período da febre das administrações que acreditavam que os resultados primorosos viriam de autoridades competentes dos grandes centros desenvolvidos, não de funcionário tupiniquins. Fernando Henrique Cardoso, do mesmo partido do governador, viu sua popularidade cair quando a apostas do FMI no país afetou negativamente a economia brasileira. Até hoje o ex-presidente e a cúpula do partido evitam os temas privatização e envolvimento externo. 

Na realidade o Consenso de Washington, na década de 90 representou a aceitação de um processo imperialista, o que culminou com o esgotamento das propostas tucanas. Confirmado depois, pela imprensa e opinião pública, que os países que aderiram ao movimento econômico norte americano tiveram os piores resultados em suas economias.

De fato, não quer dizer que as ações de Perillo levarão ao mesmo fim de FHC, poderá ter resultados positivos, entretanto, os exemplos anteriores não são mesmo de otimismo. Afinal, "prudência e caldo de galinha não faz mal a ninguém", diz o provérbio.

Violência e poder

A violência não significa apenas ações diretas contra pessoas – que deve ser condenadas em uma sociedade organizada socialmente-, mas que retira perspectivas de milhares, que são marginalizadas forçosamente. Assim, atos violentos se disseminam, muitas vezes a partir do próprio centro de poder

VIOLÊNCIA - A semana foi marcada por três assuntos importantes e que merecem análise, sob pena de se tornarem apenas como registro. Com destaque pelo jornal O Popular o recebimento dos deputados estaduais de 15 salários, além de outros benefícios, que passam longe da realidade do trabalhador; Depois, a manutenção do poder tucano na Assembléia Legislativa de Goiás, que visivelmente se revela sem alternância, a oposição não se articula – ou não deseja se articular-, num processo que se centralizado em um só partido; Ainda, a prisão pela polícia federal de policiais que serão julgados por promover extermínio no estado. Apesar de assuntos distantes, nem tudo está solto como parece.

Imaginar a violência isoladamente é um grande erro da mídia e sociedade, pois não é possível entender que o homem tem na sua natureza o desejo pelo caos e desordem. Na realidade na sua essência as esferas públicas se ligam na formação do sistema social, de tal maneira que a política também é responsável pelas lógicas da violência, bem como o envolvimento centralizado do poder econômico.

Desta forma, a centralização política pode resultar em um processo viciado, que ao invés de governos republicanos tenhamos poderes autocráticos, de tal ordem que o espaço democrático se torna um somente simulacro.

As fotografias, diferentemente dos textos reproduzem com insistência os homens do poder que se repetem nas páginas dos jornais – muitas vezes em excesso de assujeitamento do homem da “informação”. Por parte do espectador, nem sempre com olhar de elogios, mas de resistência pelo excesso de poder, cujos resultados atendem, no final, grupos já definidos e conhecidos pela população. Desta forma, numa questão de lógica pode-se pensar que a democracia significa estar ao lado deste ou daquele personagem social.

A violência não significa apenas ações diretas contra pessoas – que deve ser condenadas em uma sociedade organizada socialmente-, mas que retira perspectivas de milhares, que são marginalizadas forçosamente. Assim, atos violentos se disseminam, muitas vezes a partir do próprio centro de poder.

Notoriamente, a democracia e o sistema social correm riscos no momento em que um "representante" do povo destaca que todos os salários que recebe são honestos, o que nos leva a pensar no legal que é imoral, uma extensão da violência que arremete ao permitido, mesmo fora da lei.

Nem tudo está solto, mas é verdade que tudo que é sólido se desmancha no ar.

O Mundo mudou!!

Na Alemanha, na França os presidentes se revezam no discurso de um mundo melhor depois que o povo sai às ruas clamando por liberdade política e igualdade, e, com efeito, atinge momentaneamente o seu objetivo – tudo resolvido a contento

Imagem de capa do jornal Folha de S. Paulo - sábado
GLOBALIZAÇÃO - O Jornal Nacional não deixou dúvida em sua edição de sexta-feira(12): o mundo agora efetiva a democracia, com a saída do presidente egípicio Hosni Mubarak. Em todos os países desenvolvidos vozes que afirmam a conquista das massas frente a um mal que está no poder há 30 anos, uma espécie de representante do mal extirpado do sistema. A população agora respira aliviado, pois todos os caminhos se direcionam para a igualdade e liberdade política.

Nos Estados Unidos, o presidente Barack Obama traz a mensagem de comemoração da saída do chefe da nação do Egito, que enquanto esteve no poder foi aliado dos norte americano e europeu, numa estratégia clara de manutenção do domínio sobre uma região, a qual convive com as diferenças e as guerras, um lugar que pode explodir a qualquer momento. Afinal trata-se de um território em que o petróleo jorra pela força da natureza e interessa ao mundo ocidental, capaz de vender a alma para manter a estrutura feudal, num capitalismo que dá sinal de cansaço e resistência.

Antes perder os anéis do que os dedos, todavia é necessário dizer isso em rede de televisão para não deixar dúvida sobre de qual lado o centro do pode econômico está, o do bem, ou seja, do povo, da massa – aqui já há contradição no discurso, pois como a massa pode ascender ao poder?

Na Alemanha, na França os presidentes se revezam no discurso de um mundo melhor depois que o povo sai às ruas clamando por liberdade política e igualdade, e, com efeito, atinge momentaneamente o seu objetivo – tudo resolvido a contento. Um teatro em que a platéia precisa acredita nas palavras de seus atores, que no instante seguinte faz as contas do que perdeu, como evitar mais problemas nos caixas e dar a volta por cima. Sem dúvida um momento delicado, pois neste contexto os movimentos demonstram potencialidade para mais levantes, e em qualquer lugar, agora ou depois. O poder está em alerta nesta fase de pessoas na rua aos gritos, aos milhões.

Difícil entender os lugares dos repórteres da televisão e as palavras usadas para ratificar uma verdade sempre conhecida: a democracia é o lugar mais precioso que deve ser conquistado. Em Jerusalém o alerta de que se esperam boas relações com o vizinho em mudança política. Os Estados Unidos nunca foram tão favoráveis as massas sublevadas, embora tenha depositado ao longo de décadas milhares de dólares para a manutenção da ordem egípcia, dinheiro que chega aos militares. Os países europeus acreditam que agora reina a paz em um mundo de relações complexas. Não haveria outro discurso.

Na verdade, Mubarak passou a representar, em alto e bom som o mal para permitir ao centro do poder econômico manter a ordem como antes. Paradoxalmente, na transformação nada se muda. A democracia deve ser a mesma desde o feudalismo, ou seja, de quem comanda a ordem mundial. As pessoas, e não as massas como repetem os atores, é que devem dizer. A rigor sinaliza mais uma vez potencial para exigir transformações no poder.

Concursados ou contratados?

As pessoas que participaram do concurso público não devem ser responsabilizadas e penalizadas por decisões administrativas que ferem a ordem da lei

CONCURSO - A discussão em torno da legalidade dos concursos públicos no estado de Goiás é absolutamente complexa, a qual precisa apontar para soluções rapidamente, sob pena de a justiça e governo ficarem maculados diante do olhar social com o argumento de que há interesses políticos de grupos centralizados. As pessoas que participaram do certame não devem ser responsabilizadas e penalizadas por decisões administrativas que ferem a ordem da lei, sendo que a justiça, na busca de salvaguardar o interesse público deveria observar os procedimentos das provas e processo legal antes da feitura dos exames.

O estranho, entretanto, é o anuncio no diário oficial do estado dos nomes dos aprovados para tomarem posse, mas que na transição política o processo é interrompido. Seria um excesso imaginar que o novo governo tenha interesses na instrumentalização de cargos públicos em favor de interesses eleitoreiros, ou seja, quanto mais funcionários dependentes dos favores dos políticos no poder, mas votos em benefício daqueles que estão no comando.

Infelizmente essa ainda é uma prática comum no Brasil, os chamados currais eleitorais, em que os líderes políticos usam do quantitativo de pessoas atreladas às benesses que o poder oferece para a permanência em cargos eletivos.

Portanto, esta situação é constrangedora para os funcionários que convivem com a dúvida sobre o direito do emprego obtido através de prova, no qual atingiram a nota necessária. Em essência, estado, por seu lado, não deve favorecer contratos em detrimento dos funcionários concursados, portanto, livres das amarras políticas dos governos em transição.

Um ponto que deve ser considerado em relação à gestão de Marconi Perillo (PSDB) é que não se trata de um novo governo, pois esteve no comando do Palácio das Esmeraldas por dois mandatos consecutivos, e Alcides Rodrigues (PP) fez parte de estratégia política do atual gestão de manutenção do grupo no estado. Neste sentido trabalhou intensamente para eleição do então vice-governador que conseguiu mudar os rumos de uma campanha a princípio sem visibilidade.

A rigor, Rodrigues contou na maior parte de sua administração com quadros pertencentes aos tucanos, como se pode imaginar, em resposta as estratégias definidas anteriormente. O rompimento, de fato, ocorreu já no final da gestão pepista. Portanto, se há problemas em Goiás, que de fato são muitos, são de responsabilidade de muitos que estão na atual política.

Heróis e vencedores

Segundo alguns liberais da imprensa, a nação asiática não chegaria à segunda potência econômica mundial se os pais aliviassem os filhos da rigidez nos estudos para uma boa formação, que resultará num profissional integralmente dedicado à produção

DISCURSO - Embora seja um contra senso imaginar que são necessários heróis para as grandes transformações, mas é notória a busca pelos meios de comunicação pelos líderes que fizeram movimentos de mudanças importantes. Seria uma forma de esvaziar a participação social nos processos de alternâncias econômicas e políticas no espaço social local e global. O exemplo recente vem do Egito, onde milhares de manifestantes pedem a saída de Hosni Mubarak, que está há 30 no poder que, estrategicamente, mistura sistema republicano com ditadura política.

Um dos responsáveis pela a insurgência política no país, tem nome, é Wael Ghonim, de 30 anos, diretor de marketing do Google para o norte da África e o Oriente Médio, quem usou as redes sociais para insuflar a juventude contra o atual governo. Um discurso vazio se analisado a partir do tempo que a população do Egito convive com uma política submetida aos interesses dos Estados Unidos e um sistema rígido e autoritário.

Não se trata de heróis, mas de um processo que vem se acelerando ao longo dos anos, que culminou na ação de milhares de insatisfeitos, inclusive como reflexo de enfrentamentos em outras nações vizinhas, cuja região nem sempre foi um lugar estabilidade política.

No final se trata de uma forma de deixar claro que não há racionalidade do público, o que não passa de um amontoado de pessoas respondendo ao comando de líderes bem intencionados. Seria insensato se não fosse uma maneira de formar opinião equivocada sobre o poder das pessoas de resistir ao domínio de grupos econômicos e políticos. Neste sentido, prevalece o ideal das minorias resistente em abrir mão das conquistas, mesmo que com o uso da força, apesar do movimento real no espaço público.

Se não bastasse, nos últimos meses com a inevitável ascensão da China no campo econômico global, os articulistas começam a analisar os modos dos de vida dos chineses que precisam ser seguidos. Dentre eles a determinação ao trabalho e a disciplina com os afazeres econômicos.

Os exemplos da educação e trabalho saltam os olhos. Segundo alguns liberais da imprensa, a nação asiática não chegaria à segunda potência econômica mundial se os pais aliviassem os filhos da rigidez nos estudos para uma boa formação que resultará num profissional integralmente dedicado à produção. Este mesmo discurso foi empregado para destacar a disciplina, em determinado intervalo de tempo, dos japoneses, americanos e ingleses.

O homem permanece sendo tratado como massa de manobra, com o uso do discurso do poder simbólico, ou seja, das palavras para a manutenção de sistemas que se transformam, cujas causas não podem ser vistas claramente.

Poder e comunicação

Se há concentração e domínio há resistência. Não seria outra coisa a atitude de um ambulante, Mohamed Bouazizi, de 26 anos, que oprimido pelo poder governamental se embeber de sorvente de tinta e atear fogo sobre si.

GLOBALIZAÇÃO - Não há dúvida que determinados assuntos caem na mídia e geram uma inflamada discussão, pois, os movimentos que ocorrem no norte da África e Oriente Médio diz respeito a uma sociedade globalizada, em decorrência de processos comunicativos que perpassam todas as comunidades. A refutação dos poderes das pessoas populares e fortalecimento do discurso do mais forte, continua nos temas do dia de milhares de jornalistas a serviço de uma democracia de governos e apenas industrial. Neste instante, vale até mesmo em utopia e defesa feita, equivocadamente, da eternidade de um sistema que necessita de cérebros iluminados para funcionar.

Portanto, a defesa de grupos eternos líderes e pessoas perenemente formatadas como massa, sem a capacidade de resistência. Evidentemente que se são apenas discursos com força de convencimento que há séculos torna real o martírio de muitos. Entretanto, é necessário pontuar que o processo de formação de conhecimento e poder leva tempo, e a cada giro da roda cronológica surgem novos poderes, o que exige emergir metodologias de poder, sem fim.

Independente da internet a evolução social é inexorável, pois passamos – na complexidade do coletivo - por monarquias e buscamos novos sistemas, com a fortificação do capitalismo, que precisa se renovar ano após ano para dar conta das exigências mutáveis das pressões, sobretudo, populares numa dinâmica de poderes.

Não foi a internet que reduziu o poder econômico e da ordem global dos Estados Unidos, e trouxe a China – com tradições comunistas - para o jogo de poderes globais, mas é o efeito da mutabilidade do pensamento do coletivo, que ao longo do tempo conhece os discursos que direcionam equivocadamente para a penitência e suplício. Todavia, não se deve esquecer que os meios de comunicação tem participação efetiva na formação discursiva tanto dominante, quanto de resistência, o que nos permite afirmar que o espaço comunicativo on-line agrega novos valores ao discurso e poderes sociais. Certamente, a roda sistêmica tende a girar mais rapidamente nestes tempos, o que exige mais discurso e mudanças para atender as resistências.

Não se trata de uma atenção deslumbrada aos novos meios de comunicação, simplesmente. Pois, como se sabe os inventores destas novas mídias estão sentados sobre o trono da economia global, o que não deve ser em função de uma busca de interesses sociais, mas efetivamente econômicos, com a boa vontade do universo publicitário, o qual por sua vez exige produção e consumo, de maneira frenética. Todavia, não é o que ocorre nas regiões com enfrentamentos políticos, que exige modificações nas lideranças ou dos próprios governos autocráticos e antidemocráticos.

Se há concentração e domínio há resistência. Não seria outra coisa a atitude de um ambulante, Mohamed Bouazizi, de 26 anos, que oprimido pelo poder governamental se embeber de sorvente de tinta e atear fogo sobre si. Em essência, o domínio está também na capacidade de se comunicar, e os sistemas, econômico ou religioso, são sustentados por poucos que tem tecnologia para o poder, mas permitem a explosão da comunicação no coletivo, como se vê.

Internet revolucionária?

Não se trata de perdas de identidade de cada nação, deverá ocorrer hibridização, mas não o suficiente para formar uma sociedade cuja política e cultural global sejam homogêneas

COMUNICAÇÃO - A internet vem ao longo dos últimos anos mexendo com a forma de organização da sociedade em vários sentidos. Desde a maneira imaterial de se relacionar, com corpos separados a distancias imensuráveis, até o espaço público, que de alguma forma acaba relacionando pessoas com culturas e políticas distintas. Se há críticas sobre a criação de um mundo do espetáculo, há a positividade de debates que ficariam circunscritos a um lugar, que efetivamente se espalha e reforça o direito de liberdade em países comandados por líderes truculentos e antidemocráticos.

Os países da África e do oriente médio sofrem com a disseminação deste novo modo de se comunicar, que independentemente da língua nativa, transpõe todas as fronteiras, desde os limítrofes da cada país e perpassam os muros religiosos, talvez as mais complexas para interações simbólicas. Como exemplo, o que ocorre no Egito, cujo presidente Hosni Mubarak está no poder há mais de três décadas, cujo sistema político impede a participação popular nas eleições, embora seja uma república - jovem sendo proclamada em 1953. Situação de confrontos que repete na Síria, país Árabe, do sudeste asiático, com movimentos democráticos populares que se disseminam pelas regiões.

Com o objetivo de impedir as reuniões e manifestações virtuais entre populares, o que culminam em enfrentamentos físicos, a internet foi o alvo de interrupções pelos governos encalacrados no poder, usufruindo de benefícios inimagináveis por quem procura liberdade. Mesmo sem os recursos on-line os ataques contra o sistema político não cessam, o que deverá resultar em queda das lideranças e início de transformações políticas e do sistema partidário – o que não se resolve em pouco tempo, bem verdade. Se analisadas nações arraigadas nas tradições religiosas as mudanças não são fáceis, mas o que chama mais a atenção é que até mesmo no hermético espaço da religiosidade há rupturas, se analisado no cenário das políticas sociais.

Não se trata de uma nova era, mas a emergência de uma sociedade que se comunica com rapidez e trocas efetivas de informações, levando inevitavelmente ao contágio com outras formas de organização e esferas públicas. Não se trata de perdas de identidade de cada nação, deverá ocorrer hibridização, mas não o suficiente para formar uma sociedade cuja política e cultural global sejam homogêneas. Ainda que sem uma análise mais meticulosa, vale à pena imaginar povos que se comunicam, o que gera implicações em todos os "quadrados".

Natureza da Comunicação

Enfim, como reação, a natureza que também precisa de espaço, alarga e reconstrói os seus caminhos em meio a vidas e sofrimento para uma sociedade que contemporaneamente se comunica em excesso, mas ainda carece de atentar para os saberes sobre o meio onde vive.


Se a princípio não se tinha a dimensão do tamanho do planeta, hoje com as novas tecnologias se sabe, em detalhes, o seu tamanho, com análises de projeção de futuro sobre a terra e o universo, muitas vezes explorado pelo cinema. Como a fala humana, ao longo do tempo, se desenvolveu a ponto de melhorar as trocas de saberes, na atualidade é possível ir além da simples percepção que falar seja uma ação apenas de indivíduos em busca da sobrevivência. Sobressai a certeza de uma comunicação que ocorre em todos os lugares, feita não somente por órgãos humanos (o corpo fala), mas através de signos, como é o caso da natureza. Se assim for, o meio ambiente sinaliza para a falta de diálogo entre pessoas e meio ambiente.

As catástrofes que ocorrem em diversos lugares, neste planeta, é a representação do estrangulamento do crescimento e progresso da sociedade, numa era chamada de pós-moderna ou pós-industrial. Diferentemente de uma lenta produção artesanal do século XVIII, chegamos, hoje, à produção em série, com máquinas inteligentes, cada vez mais veloz, cujo consumo se tornou exagerado e sem planejamento sobre o espaço ambiental. O resultado é a incapacidade da natureza de repor matérias primas, finitas. O esgotamento, então, torna-se inevitável.

Aliado a isso, o próprio movimento de um sistema vivo, que, conforme demonstra alguns pensadores, não estaria estático. Alguma mudança deveria ocorrer nas diversas trocas entre os seus diferentes elementos, provocando mudanças na condição de vida do homem, certamente muito frágil neste embate que se propõe dialógico, mas que pode se transformar numa grande batalha. Aqui não haverá vitórias consagradoras.

Um dos pontos que chamam a atenção da sociedade neste início de ano, com chuvas que se concentram em dias, portanto, com grande volume de água, é o processo irracional de construção de moradias nos grandes centros urbanos. A exemplo do que ocorreu com a chegada da industrialização desde sua origem na Europa, em grande parte dos países pelo mundo, as pessoas migraram para as regiões metropolitanas, as quais oferecem melhor condições de trabalho, formação e, paradoxalmente, qualidade de vida.

Na esteira deste movimento estão as estratégias dos empreendedores que precisam de mão-de-obra, com indústrias multinacionais edificadas nas cidades tecnologizadas, as quais arrebanham multidões em busca dos benefícios do mundo moderno, mas que dependem de condições financeiras para usufruir dos benefícios desta nova geração. No campo se instalou amplas empresas, que necessitam cada vez menos de trabalhadores, expulsa o homem de suas tradições e das grandes famílias. Expropriado do seu espaço, torna-o indivíduos de lugar nenhum.

Assim, alguns pontos precisam ser avaliados: sem lugar para morar e diante de baixos salários o que resta às pessoas são as regiões periféricas, nas encostas de rios, nos manguezais, em cima de palafitas, sobre as montanhas de lixo que se acumulam a céu aberto; a rica especulação imobiliária carece de mais terrenos, abarcando imoralmente até mesmo aqueles ambientalmente condenáveis à moradia; o asfaltamento das inúmeras ruas que surgem a cada dia impede a absorção da água pelo solo, o que forma grande rios dentro das áreas urbanas no período chuvoso; o lixo causado pelo consumo que precisa ser rápido, com materiais descartáveis e não biodegradável, se acumulam nos rios e lagos.

Enfim, como reação, a natureza que também precisa de espaço, alarga e reconstrói os seus caminhos em meio a vidas e sofrimento para uma sociedade que contemporaneamente se comunica em excesso, mas ainda carece de atentar para os saberes sobre o meio onde vive.

As mortes são aos milhares, cujas responsabilidades não estão somente da política, do Estado, das instituições, mas sobretudo no processo implementado pela ordem sistemática de riqueza, em nome do qual o ser humano – muitos por falta de escolha - se marginaliza cegamente. A ciência, consensualmente e cada vez mais, investe nervosamente na busca de resultados pragmáticos do desenvolvimento e não tem olhos para as tradições da vida em sua gênese.

A natureza tem o seu discurso e se comunica com energia. É preciso querer ouvir.

*Artigo deste autor publicado pela Revista Cromossomo Y, em fevereiro de 2011.

Uma questão de justiça

Não se deve pensar em estabelecer ordem que favoreça a minorias privilegiadas, que usa do temor da prisão em benefício da manutenção do modelo de grandes diferenças sociais

Nas últimas semanas alguns agentes políticos e da justiça levantaram uma discussão no mínimo intrigante: a prisão de pequenos vendedores (os aviõezinhos) de drogas para reduzir o tráfico. Conforme o argumento é preciso combater o crime no seu início para evitar o surgimento de novos líderes, os quais seriam difíceis de combater diante de seu poderio, estratégias e ligações no mundo da criminalidade. Sem dúvida uma sábia dedução, se considerasse a realidade vivida pela justiça e prisões brasileiras, que muitas vezes antes de ressocializar pessoas as torna mais conhecedoras dos caminhos da marginalidade e suas peculiaridades.

Infelizmente a prisão no Brasil (talvez no mundo) ainda merece grande debate, com pessoas realmente interessadas em melhorar a qualidade de vida das pessoas que encontram pela frente, como saída, o universo do crime. Não se trata de apenas desejar ocultar ou excluir da sociedade a ilegalidade, como se a sociedade conseguisse atingir a racionalidade divina da justiça e liberdade de escolha. Um problema que não somente brasileiro, mas que aflige as nações ditas desenvolvidas que preferem também ocultam suas prisões, e quando são mostradas pela mídia mascara sua realidade.

A prisão de adolescentes que fazem tráfego pelas esquinas das grandes cidades no Brasil ao invés de reduzir a formação de lideranças para a venda de drogas poderá resultar, ao longo do tempo, de mais disseminação das drogas, a permitir o aumento de seus representantes mais escolarizados. A rigor, é senso comum dizer que "a cadeia é um lugar de formar delinquência". Torna-se fundamental pensar na ordem social estabelecida que prefere ocultar ou eliminar os problemas de maneira abrupta e autoritária sem considerar a necessidade de oferecer condições para a igualdade e verdadeira justiça social.

Não se deve pensar em estabelecer ordem que favoreça a minorias privilegiadas, que usa do temor da prisão em benefício da manutenção do modelo de grandes diferenças sociais. O temor pela falta de representação da maioria pode levar a mais ilegalidade e o descrédito da própria justiça, que muitas vezes servem aos propósitos políticos de governantes, os quais vislumbram sua perenidade no poder, com discurso que apenas leva a desinformação e desejo inatigível, se considerados os sinais clarividentes.

Mídia e modalidades

ESPORTE - As primeiras rodadas do campeonato goiano chamam a atenção dos torcedores espelhados pelo estado, pois, evidencia a participação efetiva da imprensa da capital na glamorização das equipes da capital em detrimento das equipes do interior. Embora tal atitude não mereça elogia, torna-se trivial, repetindo sucessivamente os anos anteriores. Contudo, se faz necessário destacar os times regionais, no sentido de permitir a melhoria da qualidade do esporte das quatro linhas, nascimento de novos jogadores e visibilidade de Goiás no país e mundo.

Houve crescimento da modalidade nestes últimos anos é inegável, apesar do time esmeraldino descer para a série B do campeonato brasileiro, o que demonstra a dificuldade das equipes da capital em vencer os adversários dos municípios vizinhos, que dispõem de pouca estrutura, se comparados com os três de Goiânia.

Mas vale ainda uma ressalva, a quantos anda as outras modalidades esportivas do estado? No rádio, nos jornais e Televisão a ampla prioridade é para o futebol, com instensa cobertura, às vezes com mais destaque que o cenário político e econômico. O público do Basquete, o tênis, etc., merecem informações. Não seria um má idéia a criação de alguns quadros para diferentes modalidades nas emissoras radiofônicas e de TV. Certamente, assunto não falta e com interesse da audiência.

Homem e natureza

Evidentemente, que não se trata do fim dos tempos, mas a harmonia entre homem e natureza está no conhecimento, caso contrário nesta guerra a derrota da humanidade será inexorável, diante de sua fragilidade

MEIO AMBIENTE - As catástrofes causadas pelas chuvas no Brasil sempre despertaram discussões que giraram em torno de dois pontos: o político, com a pressão por liberação de verbas federais que resulte em minorar o desgaste da imagem das autoridades que não se preparam racionalmente para evitar as vítimas, ou minimizar o sofrimento posterior; e, a falta de estrutura do país para enfrentar os fenômenos da natureza, com medidas que visem retirar famílias de encostas, que estão ao alcance das enxurradas. Mas é preciso avaliar o Meio Ambiente como prioridade, a rigor, neste contexto quem deve ser salvo é o próprio homem.

As imagens, principalmente televisuais, e a consternação servem como medida de dar visibilidade aos problemas que diz respeito à sociedade que precisam de solução, de fato função da mídia. Entretanto, o que excede a proposta de informar, torna-se espetáculo que no final atende aos interesses particulares das empresas de comunicação em valorizar os horários nobres na busca de audiência e dividendos. Não forma opinião, mas apenas sensação em torno do tema (efeito de massificação), que, de fato, precisa de análise.

Na esfera política, fundamental para a resolução dos problemas, não deve ser vista como simples momento de enfraquecer os governos e seus partidos. Uma atitude de quanto pior melhor para se tirar proveito em vantagem de siglas partidárias que se estive no poder não faria diferente (ou não fizeram), por isso não obteve o voto popular.

Em suma, neste século precisa-se implementar uma meticulosa discussão sobre o Meio Ambiente, o que diz respeito não simplesmente a bichos na floresta Amazônica (como é feito por Globo Repórter) ou águas poluídas do Rio Tietê (nos jornais), na capital paulista, mas a inserção dos indivíduos na natureza, com esclarecimento, não em consonância com uma sociedade que valoriza efusivamente o consumo em detrimento do conhecimento, via de regra.

As enxurradas como se vê no Rio de Janeiro, atinge a todos, ricos e pobres, evidentemente com mais prejuízos materiais para os últimos que levaram boa parte da vida a construir o que é destruído em minutos. Desfaz-se um sonho e surge o abismo das diferenças sociais e atendimento público. Desta forma, uma discussão que aponte saídas para a conciliação entre homem e natureza nestes tempos modernos se transforma em uma questão de justiça social e humanidade.

A mídia e a política tem papel importante na formação e estruturação de um país não pela necessidade pelo consumo efêmero, mas de promover o bem-estar social a partir medidas que visem o respeito à natureza, que paradoxalmente não consegue dialogar com o capital. Assim, nos modelos vistos, onde há mais capitalismo a natureza perde terreno, o que exige cada vez mais tecnologias para suprir as necessidades básicas da sociedade. Um ciclo sem fim.

As grandes cidades não podem servir aos interesses imobiliários, mas a segurança de uma coletividade, menos ainda aos anseios partidários com loteamento em lugares de agressão à natureza, como encostas e matas nativas. As novas técnicas resolvem provisoriamente os obstáculos, mas logo vem o resultado. Evidentemente, que não se trata do fim dos tempos, mas a harmonia entre homem e natureza está no conhecimento, caso contrário nesta guerra a derrota da humanidade será inexorável, diante de sua fragilidade.

Governo e sua história política

Um governo tem origem e promessas que não devem ser esquecidas, nem pelos cidadãos e menos pela mídia, principalmente local

GOVERNABILIDADE - Nos dois primeiros mandatos do governador Marconi Perillo (PSDB) tentou-se promover um discurso de proximidade com o social, entretanto, depois de passar pelo senado e fazer oposição ao governo Lula, inicia o seu governo no estado com a filosofia do partido, o progresso a custa dos bens públicos, com sinalização para privatização da Ceasa, Celg e Iquego. Seria sensata a atitude caso não estive na contramão das ações dos governos latino-americanos e de muitos países desenvolvidos, preocupados com o excesso de liberalismo e a consequente submissão aos mercados financeiros.

O questionamento das dívidas do Palácio das Esmeraldas não é uma novidade, pois o seu ex-partidário, amigo e sucessor Alcides Rodrigues (PP) usou das mesmas análises ao declarar a falta recursos e rombos no caixa do governo, logo no início de sua gestão. Desta forma, não se trata de uma administração simplesmente nova, mas a continuidade de um projeto que somente sofreu rompimento nos últimos anos com as diferenças entre Rodrigues e Perillo. Até pouco tempo, o executivo era formado por grande parte de tucanos ligados ao ex-senador. Portanto, o que se espera o grupo eleito é a resolução de problemas que perduram num estado que mostra crescimento e riquezas, com política atabalhoada e muitas vezes confusa.

As diferenças entre Perillo e o governo federal faz parte das negociações políticas que não são bem sucedidas. No final saiu perdendo o tucano, pois agora está só num cenário complexo, no qual as jogadas precisam ser rápidas, e não é eficiente contar somente com força locais no sentido de atingir o crescimento econômico desejado e propalado. Certamente, o mais sensato é abrir canais de comunicação com políticos e opinião pública, e não formar um governo ilhado, sustentado por uma representação simbólica, com apoio de alguns empresários da comunicação. A pressão popular costuma ser grande quando os objetivos não são alcançados e quando a oposição descobre que há circunstância para agir e participar com sucesso no jogo político.

A aproximação com o governo de Dilma é fundamental para o êxito da gestão goiana, mas não é fechando as portas para negociações como a Celg, que teve o empenho do próprio presidente Lula e, de forma indireta, de Rousseff, que conseguirá abrir canais de comunicação. Há outro fator, a direção do PSDB está dividida entre São Paulo e Minas Gerais, cuja proposta que separa os jogadores é exatamente a de refundação do partido, o que certamente significa mudanças de rumos. Logicamente balizadas com novos modelos de gestões públicas, numa referência as causas sociais e sociedades globalizadas. Um governo tem origem e promessas que não devem ser esquecidas, nem pelos cidadãos e menos pela mídia, principalmente local.

Comunicação e cultura brasileira

 Na verdade, são as mensagens que formam o Brasil dos Brasis, com diferenças, às vezes sutis, mas reais e importantes, ainda que em tempos de rápida comunicação para formar massas

COMUNIDADE - A realidade muitas vezes é mais importante do que o progresso imediato, pois, o avanço tecnológico que pressupõe amplitude de conhecimento pode não significar uma vida melhor, ou talvez pior. Numa viagem rápida por cidades, cuja população convivemos permite-nos destacar a singularidade cultural para a existência do ser. Lugares em que a comunicação se efetiva a partir das trocas diretas, em que amigos e vizinhos trocam informações permanentemente, construindo realidades que perduram, mesmo que diante das novas ferramentas tecnológicas que exercem influência, mas não plenamente.

Se a emissora de rádio não sabe do que ocorre na cidade, cabe aos moradores as informações rápidas, como foi o caso de Coromandel (27.555 habitantes), em Minas Gerais. Com as enchentes das últimas chuvas que atingiu o rio que abastece a cidade, devido a falta de estrutura da empresa de abastecimento, os moradores amargaram a falta de água por mais de 24 horas, um caos. A secretária da emissora FM, a de maior audiência da cidade reproduziu a fala da fonte oficial; e o jornalista da emissora AM confessou não ter informações sobre as causas e o restabelecimento do serviço - mas ambas com informações nacionais em seus boletins e programação. A rigor, o que depende dos órgãos oficiais pouco funcionam, como é o caso da recuperação da primeira igreja fundada no município (foto acima) que há anos está em reforma e a instituição religiosa não sabe dizer como está o andamento do trabalho.

Se a mídia define o envolvimento entre casais de jovens de forma mais que liberal, no interior mineiro, a realidade não é bem esta. Os adolescentes se dividem entre grupos culturais de maneira muito visível para os estrangeiros, pois os barzinhos dos "afortunados", e talvez mais liberais, são percebidos pela música e pelas vestimentas, o mesmo ocorre com os demais. No final, a separação é apenas uma forma de expressão que levam a todos a construir o lugar, havendo um consenso que não se concretiza de maneira singular.

A vinda de unidade da Universidade Federal de Uberlândia movimenta famílias do município de Monte Carmelo (45.799 habitantes) que espera o crescimento econômico com a chegada de milhares de jovens de cidades vizinhas e distantes. Das mais de 45 cerâmicas da cidade, conhecida como capital da telha, restam apenas cerca de 20, o que causa preocupação aos moradores, acostumados com o mundo que o cerca, e reflexo do distante. As mudanças não devem ser grandes, mas promissoras.

Na cidade de Araguari, no estado de Tancredo Neves, um fato inusitado salta aos olhos. A população esperou por anos a reforma do principal prédio cultural do município, a antiga Estação Ferroviária (foto abaixo), dos tempos áureos de riqueza de uma economia que fervilhou diante do avanço da ferrovia que ligava o litoral ao centro do país. No entanto, depois de anos de burocracia e obra feita, o prefeito rapidamente mandou asfaltar as pedras de calçamento que davam acesso ao monumento, quebrando a harmonia do lugar. Ruas lisas e macias para o encobrimento da história local. Se não bastasse o chefe do executivo seguinte aproveita para pavimentar as ruas onde há os históricos paralelepípedos, nas vias restantes do centro da cidade.

Mas o que chama mais a atenção das cidades circunvizinhas é a duplicação da BR-050 que liga Uberlândia (600.285 habitantes) à ponte sobre o Rio Paranaíba na divisa entre Minas e Goiás, com vistas à Brasília, e que não deve prosseguir a partir dali. Com a palavra a participação dos políticos goianos. Os cerca de 30 Km que ligam as duas cidades levam à morte constantemente grande números de pessoas, devido as suas curvas perigosas e sem acostamento. Sem dúvida, o mineiro sabe o que quer e mais ainda o que não quer. A cidade araguarina passa por falta de nomes capazes de agradar os mais de 120 mil habitantes.

Assim, como Coromandel e Monte Carmelo, a juventude comunicativa e descontraída de Araguari e demais cidades segue o seu padrão cultural que, se não for conhecido, pode resultar em solidão e abandono para aqueles que vem de outros lugares, mesmo que próximos. Na verdade, são as mensagens que formam o Brasil dos Brasis, com diferenças, às vezes sutis, mas reais e importantes, ainda que em tempos de rápida comunicação para formar massas.

Ano Novo

Feliz Natal e prosperidade no ano novo

Na vida acadêmica, o final de ano é sempre de correrias e responsabilidades com grande número de alunos que encerram o período de estudos e concluem o seu curso, depois de muitos anos de dedicação. Desta maneira, em geral, os professores concentram suas energias, as poucas que ainda restam, na busca de atender com esmero os estudantes.

Desta maneira, a pouca participação neste espaço, o que no faz desculpar com aqueles que nos leem com certa frequência.

Aproveitando o fechamento do ano, tempo de festividades, para descanso, que entendemos merecido, mas por apenas alguns dias. Assim, sendo em janeiro estaremos atuante no debate sobre os vários temas que tentamos participar.

Nosso desejo de um Ano Novo de renovações e energia para um estado e país cada vez mais democráticos e humanos.

Agradecimentos sinceros aos importantes leitores dos textos deste blog.

Feliz Natal e prosperidade no ano novo.

Imoralidade?

Em determinados momentos, um surto de realidade assusta, afinal, o que se quer invisível aparece de maneira clara e cristalina. Não dá para esconder que o brasil precisa ser visto e tem vontade. Ponto.

POLÍTICA - O aumento nos salários dos parlamentares brasileiros criou mais uma vez um grande debate na mídia e nas ruas, o que mostra um paradoxo e talvez hipocrisia. Considerando que vivemos em uma sociedade da desigualdade absurda entre ricos e pobres, qual a razão do questionamento e da perplexidade, se de alguma forma há, de fato, uma política de hegemonia econômica entre grupos que usam o sufrágio para manter a atual conjuntura?

Se comparado ao salário mínimo, evidentemente que há excessos de rendimentos dos políticos do Congresso Nacional. Mas não se pode esquecer-se dos lobbies e "negócios" nas salas confortáveis de Brasília, na realidade mais humanitários do que os parcos e rendimentos mensais, muitas vezes desonestos.

O que gera muito desconforto é imaginar que o parlamentar que defende a estrutura financeira de mercado, cujo retorno geralmente atende a poucos, deveria zelar por uma gestão franciscana. Na realidade, o Estado tem a função importante de organizar as relações sociais a partir das lógicas capitais (pelo menos é o que está escrito tacitamente), o que pressupõe se beneficiar do que resulta da sua luta constante e diária. Se alguém resolver discordar, seria importante ouvir os argumentos, afinal, há sinais de mudanças na cena social, considerando a existência de uma sociedade mais consciente da realidade que a cerca.

Por outro lado, a imoralidade está na falta de respeito com a coisa pública, de tal ordem que seria necessário o parlamentar usar de seu cargo eletivo para obter resultados ilícitos em detrimento de preservar os interesses dos eleitores. Portanto, o salário dos senhores deputados e senadores devem ser compatíveis com o mercado, de sorte que permita uma gestão a mais próxima do cidadão.

O que falta ao Congresso Nacional brasileiro, e que não diz respeito a todos os parlamentares, é realmente defender os interesses públicos e não de empresários ou grupos políticos, com prerrogativas de manter uma ordem monárquica, considerando seus privilégios eternos, sem importância para o desenvolvimento e interesses sociais.

Deputado Tiritica

Parece imoral o excesso de visibilidade negativa que se dá ao deputado por São Paulo, pelo PR, Francisco Everardo Oliveira Silva, o artista Tiririca. Muito se falou, mas ainda não se consegue imaginar que o Congresso Nacional somente deve abrigar pessoas do alto clero, ou seja, com boa universidade, capaz de ler e entender grandes autores, de preferência defensor do status quo.

Ora, no Brasil tem brasis, com pessoas que vivem se virando para defender os seus interesses sem representação política. O ato de repúdio, se é este o pensamento preconceituoso, faz parte da política.

Infelizmente a mídia brasileira excede nos seus discursos de defensora dos bons costumes pouco republicanos. Em determinados momentos, um surto de realidade assusta, afinal, o que se quer invisível aparece de maneira clara e cristalina. Não dá para esconder que o brasil precisa ser visto e tem vontade. Ponto.

Sílvio Santos e Julian Assange

Dizer que aqui começa a era da comunicação, com indivíduos participantes, seria um exagero, mas pode ser o início de um debate importante sobre o conhecimento social da realidade, pois o sensacionalismo que vende não pode resultar em informação.

TELEVISÃO - A comunicação gerada pelas empresas de mídias merece uma ampla discussão nos dias de hoje, em função de capacidade do uso da desinformação para a desigualdade social e formação de um privilégio que, sob todos os ângulos, é injusto. Toda vez que se aborda o assunto entra em campo um pequeno número de pessoas influentes para disseminar o caos, sempre com o discurso que o mundo vai acabar ou coisa que o valha. Na realidade está o desejo de evitar fluxo maior de informação, que permita maior número de pessoas conhecer o universo em que vive, cuja rede de notícias interfere na vida de todos os cidadãos.

Os jornais trazem dois assuntos que merecem discussão neste domingo(12), se olhados pela lógica da informação: de um lado está o aniversário do apresentador de televisão Senor Abravanel, conhecido como Sílvio Santos, dono da rede de televisão SBT, que completa 80 anos, muitos deles vividos no palco televisual, fazendo rir milhares de pessoas em todo país - o reconhecimento pelo seu talento como apresentador e empresário, apesar da dificuldade financeira do banco Panamericano.

Por outro lado, está o australiano Julian Assange, que ganha notoriedade em todo o mundo em função de seu site Wikileaks, que divide as páginas policiais e de mídia, depois de fazer vazar centenas de documentos que atingem especialmente os Estados Unidos, o país líder da ordem global deste século.

Vale a pena uma reflexão, da utilidade das mídias ao longo de vários anos, sobretudo, desde a década de 50, quando do surgimento da televisão, e a realidade que se vive. Se em determinado momento os meios de comunicação serviram aos interesses dos partidos políticos no sentido de disseminação na sociedade de debates sobre as lideranças sociais, ao longo dos tempos os grandes jornais passam a assumir o papel de empresas com a única finalidade de obter altos rendimentos financeiros, levando milhares de pessoas ao prazer, cujo comportamento é sinônimo de alienação, sendo responsáveis em produzir e consumir desenfreadamente.

No que se refere à televisão brasileira, o SBT não está sozinha com a peculiaridade do espetáculo em primazia, pois a rede globo "esqueceu" de dizer para todo o país que havia, no começo dos anos 80, uma fervorosa luta pelas diretas-já, e que o governo militar no poder desde 1964 estava aos frangalhos, somente para ficar em um exemplo. Então a velha frase que marcou este tempo: o país vai mal, mas na globo vai muito bem.

A pergunta que sobressai neste instante é: com os novos meios de informação como ficará está ordem social de pequenos grupos que detem o poder de informar? A resposta está na luta fraticidade, cuja estratégia começa em afirmar que é preciso salvaguardar a liberdade de comunicação, sendo que os tradicionais meios de comunicação representam a essência de uma sociedade democrática.

Os Estados Unidos começaram a provar os efeitos do fluxo de informação imaterial, via internet. Não basta prender o seu idealizador, pois não se trata da competência de um homem, mas da potencialidade do novo meio, que surgiu paradoxalmente como instrumento de guerra.

Dizer que aqui começa a era da comunicação, com indivíduos participantes, seria um exagero, mas pode ser o início de um debate importante sobre o conhecimento social da realidade, pois o sensacionalismo que vende não pode resultar em informação.