Pesquisas em questão

Devemos pontuar que ao longo destas eleições as pesquisas apresentaram resultados muito estranhos numa análise objetiva, pois não é possível empresas chegarem a números tão díspares, considerando o mesmo lugar de amostras, mesmo avaliando as metodologias de cada empresa.

Charge publicada hoje pelo jornal FSP
ELEIÇÕES - Faltando um dia para as eleições, o instituto goiano, em matéria publicada pelo Jornal O Popular, aponta grande vantagem de Marconi Perillo (51,9%) contra Íris Rezende (43,6%), ou seja, uma margem de 8,3% à frente quase na hora do voto. Mas o que chama a atenção é que a pesquisa não consegue motivação para análises interna do diário, sequer os jornalistas da empresa faz qualquer menção aos números que são, teoricamente, definidores de quem será o governador do Estado. Chega-se a pensar que há confusão entre editores e jornalistas que não querem se arriscar em abarcar dados que não corresponderiam a realidade eleitoral.

No jornalismo existe um termo que define bem propostas mirabolantes de determinadas pessoas na política, o chamado balão de ensaio. Assim, quando alguém quer entender ou mudar as convicções da sociedade, sobre algum tema, faz algum jornalista amigo publicar uma matéria, que tenha repercussão e agende as outras mídias. Ou seja, coloca em debate um assunto. No caso da pesquisa, pode levar, aqueles que têm um pensamento formado na definição de seu voto, a ficar em dúvida sobre a diferença que separam dois postulantes a um cargo público. Em muitas circunstâncias alguns eleitores podem se decidir em acompanhar o consenso, ou seja a maioria, o chamado efeito do voto útil. Considerando a seriedade do Serpes este último levantamento não retrata esta análise aqui aventada.

Entretanto, numa comparação com os demais institutos, os números se mostram destoantes, pois na quarta-feira o Jornal O Popular publicou pesquisa do IBOPE que apresentava literalmente empate técnico: 46% Marconi e 45% Íris. Como as amostras são de apenas três dias de diferença os levantamentos apontam para posicionamentos diferenciados. Em essência o IBOPE percebeu crescimento de Rezende e queda de Perillo, enquanto que no Serpes a queda do tucano está na margem de erro, que é 3,1 pontos percentuais. É preciso cautela nestas horas, principalmente para aqueles que são formadores de opinião.

Devemos pontuar que ao longo destas eleições as pesquisas apresentaram resultados muito estranhos numa análise objetiva, pois não é possível empresas chegarem a números tão díspares, considerando o mesmo lugar de amostras, com atenção nas metodologias de cada empresa. No final, depois da apuração das urnas, a realidade aparecerá, com o devido questionamento, e a população saberá qual instituto tratou a opinião pública com respeito. Talvez a credibilidade valha mais do que interesses ideológicos e financeiros.

Mídia em debate

Volta o debate social sobre a formação dos conselhos de comunicação que será responsável pela acompanhamento dos meios de comunicação, com iniciativa de alguns estados brasileiros. A idéia não é nova, pois apesar da resistência da empresas, a discussão está em voga por longo período, entretanto, sempre impedido de tramitar no congresso nacional.

A conferência de Nacional de Comunicação (Confecom), a qual em reuniu pessoas ligadas a sociedade civil, profissionais e empresas entenderam a necessidade trabalhar para a qualidade da informação do país, concentrada nas mãos de poucos empresários que mantém conglomerado de mídias.

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Valor do voto dos pobres

Com muito tempo de atraso. Mas um bom texto deve ser preservado por tempo suficiente para fazer lembrar determinados debates que são importantes na sociedade. Ainda mais que os casos de injustiça no Brasil perduram por séculos e precisam ser, no mínimo, discutidos.

Abaixo o artigo da Psicanalista Maria Rita Khel, que faz dura crítica a exclusão social, o qual rendeu-lhe demissão do Jornal Estado de São Paulo que, em editorial, defendeu apoio da empresa ao candidato do PSDB José Serra, ainda no primeiro turno.

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SERPES OPONTA DIFERENÇA TUCANA

Na realidade, a publicação de pesquisas deve ocorrer nos próximos dias, quando será possível aferir com mais precisão a condição dos dois candidatos.

PESQUISA ELEITORAL - As pesquisas eleitorais geram enormes desconfianças entre os eleitores e críticas as mais diversas entre os postulantes ao governo do estado. Em Goiás o mais tradicional instituto de pesquisa, o Serpes, vem sendo alvejado por denuncias da campanha de Íris Rezende (PMDB), por afirmar que a empresa presta serviços a Marconi Perillo (PSDB) e, por isso, não teria isenção o suficiente para realizar e divulgar intenção de votos neste segundo turno. Por outro lado, os tucanos a cada rodada, comemoram os números publicados pelo jornal O Popular, com diferença que se mantém, com vantagem para o senador.

Na publicação deste sábado, com amostras colhidas entre os dias 19 e 22, mais uma vez Perillo permanece na dianteira na corrida ao governo do estado com 9,9% dos votos, faltando apenas nove dias para as eleições. Contudo, o resultado indica crescimento do peemedebista e queda do tucano. A diferença na pesquisa anterior era de 11,5%, portanto, uma redução de 1,6%, com margem de erro de 3,1%.

Os números são divergentes dos institutos de pesquisa IBOPE e Vox Populis que asseguram uma diferença de 4%, com empate técnico, sendo todas divulgadas na semana passada. O que demonstrava transferência de votos de Vanderlan Cardoso (PR) para Rezende, com reflexo na campanha presidencial. Como o Serpes é mais "conservador" em sua metodologia é possível que a medição destas empresas também demonstrem uma redução ainda maior, nas próximas publicações.

Conforme a empresa de pesquisa goiana, o peemedebista avançou na capital, aumentando sua diferença de 4% para 9,9%; e no entorno de Brasília Rezende consegue reduzir a distância de Perillo, caindo pela metade, de 30% para 17,6%. Lugares com grande densidade eleitoral. Com exceção de Goiânia, o tucano leva vantagem em todas as regiões, conforme o Serpes, embora com oscilações.

Na realidade, a publicação de pesquisas deve ocorrer nos próximos dias, quando será possível aferir com mais precisão a condição dos dois candidatos neste momento crucial para se decidir qual será o próximo governo dos goianos.

Despedida

A semana esteve movimentada com o caso Paulo Beringhs e TBC, cuja despedida ao vivo do jornalista de seu programa de entrevistas, se espalhou por todo país, sendo reproduzido pelas novas mídias e tradicionais, capitalizado pela campanha de Marconi Perillo. Um jogada arriscada do apresentador que afirma ter dignidade diante do interesse do colega de empresa que prefere manter o emprego.

A disposição para a integridade de um profissional de imprensa deve ser preservada, mas não deve atingir a honra de outro jornalista, sem direito ao uso da palavra, com resposta inaudível e ausência de imagem.

Sobre o fato da censura da entrevista de Perillo vale questionamento e discussão, mas a despedida tão radical, ao lado de Demóstenes Torres (DEM), pode levar a desconfiança da população e imprensa dos interesses reais de Beringhs ao ser informado pelo Jornal Folha de S. Paulo, como membro do PSDB.

SEMANAS DECISIVAS EM GOIÁS

O que se deve fazer é esperar ou agir. O jogo não terminou e somente se encerra depois do fechamento das urnas.

POLÍTICA - As eleições em Goiás entram nas últimas semanas com acentuada indefinição de quem será o próximo governador, pois conforme apontam os institutos de pesquisas, neste momento, há uma redução da diferença entre Marconi Perillo (PSDB) e Íris Rezende (PMDB). Hoje a diferença pode estar entre 12% a 4% em favor do tucano, dependendo da metodologia trabalhada pelos pesquisadores, o que indica, de qualquer forma, crescimento do ex-prefeito e queda do senador, se verificada a tendência dos números do primeiro turno.

Importante ressaltar que as pesquisas registram um momento de posicionamento social, sem descartar a sinalização política de cada levantamento, conforme aproximação com determinado partido. Não há, de fato, isenção neste território da política. Feitas as ressalvas dois pontos a serem analisados. Primeiro que a campanha a presidência deverá ter reflexos no estado.

Desta forma, o crescimento de José Serra (PSDB) e Dilma Rousseff (PT) poderá fazer oscilar os números das pesquisas em Goiás. Afinal, o eleitor sabe que muitos recursos que chegam aos municípios vêm da União. Os projetos propalados podem não sair do papel caso ( como metrô, por exemplo) não consiga passar pelos trâmites políticos de Brasília.

Em segundo, para alguns analistas políticos seria impensada a transferência de votos tanto do governo federal, quanto de Vanderlan Cardoso (PR), terceiro colocado no primeiro turno. Será? A rigor, o olhar sobre a sociedade carece de fórmula menos simples, como se os reflexos se repetissem a cada eleição.

Em essência, o Brasil não conheceu um presidente com tanto carisma e com grande aceitação entre a maioria da população de baixo poder aquisitivo como Lula, além do mais, qual seria a aposta em Dilma Rousseff sem o apoio do presidente? Alguns tucanos de altas plumagens imaginaram, antes do início da campanha que o teto para a petista com os símbolos do governo seria de 40%. Faz muito tempo que ultrapassou este patamar.

O discurso (em tom de crítica) de Alcides Rodrigues, sendo vice governador e parceiro de Perillo por dois mandatos, não pode ser descartado. Afinal, o candidato apoiado por ele conseguiu fazer pesar a balança para a realização de segundo turno. Simbolicamente Cardoso pode carrear votos.

Neste momento, José Serra admite que sua campanha está sem fôlego (e discurso), não consegue fatos novos que o mantenham no imaginário coletivo. Por outro lado, pode-se perceber crescimento de Rousseff, a qual passou por momentos difíceis para desvencilhar da agenda aborto, que vai rondá-la até o último dia das eleições. Quem ganha com o avanço da candidata de Lula é Íris Rezende que aparece ao lado da petista desde o primeiro turno. Marconi Perillo, por seu turno, depois de esconder Serra, agora usa sua imagem para sucesso e insucesso, conforme o desenrolar das eleições.

Se por um lado pesa contra Íris Rezende a sua idade já avançada e a imagem de indiferente ao moderno, Marconi Perillo não conseguiu mudar a pecha de autoritário e concentrador, o que de alguma forma assusta lideranças políticas e eleitores. Nas entrevistas nos veículos audiovisuais deixa transparecer dificuldade de diálogo com jornalistas. Talvez seja um problema, em especial, dos tucanos e democratas ao lidar com a imprensa, apesar do forte apoio que recebem dos donos das empresas de comunicação, em grande parte.

A rigor, chegou a hora de os eleitores se posicionarem, apesar das incertezas. Mesmo aqueles que já se decidiram, podem na última hora mudar de comportamento, como ocorreu no primeiro turno para governo de Goiás e presidência. Desta maneira, o que se deve fazer é esperar ou agir. O jogo não terminou e somente se encerra depois do fechamento das urnas.

No Vox Populis Dilma Aumenta Vantagem

Pesquisa do instituto Vox Populis publicada pelo jornal O Estado de Minas aponta que Dilma Rousseff (PT) aumentou sua vantagem na corrida eleitoral em 12% em relação a José Serra (PSDB). Agora a petista tem 51% contra 39% do tucano.

Considerados apenas os votos válidos, ou seja, sem os brancos, nulos e indecisos, a petista, que tinha 54% alcançou 57% neste novo levantamento, ao passo que Serra caiu de 46% para 43%. A margem de erro é de 1,8 ponto percentual para mais ou para menos.

Na última pesquisa, realizada nos dias 10 e 11 de outubro, a vantagem era de oito pontos: Dilma tinha 48% e Serra 40%. Os votos brancos e nulos permaneceram em 6% e os indecisos passaram de 6% para 4%.

DECISÃO POLÍTICA DOS VERDES

A política não é um lugar de compadres, há os embates e os discursos construídos de parte a parte, cujo objetivo de determinados acenos, muitas vezes, é de obter resultados, mesmo que no final haja perdas de ideias e valores de partidos e pessoas.

ELEIÇÕES - O anúncio de independência de Marina Silva e o PV, oficializado hoje (18) já era esperado pelos analistas políticos e imprensa de todo o país, pois a senadora encontrou abrigo em um partido, cuja cúpula construiu nestas eleições relações fortes com o PSDB, afinal, um dos símbolos do partido o ex-petista Fernando Gabeira disputou o governo do Rio de Janeiro com apoio também de José Serra (PSDB). Aliás, uma situação desconfortável para a base que carrega ideologias partidárias, com visão de um partido que defende a preservação do meio ambiente, que não tem uma simbiose perfeita com o liberalismo tucano, colocando no mesmo espaço capitalismo, consumo e recursos naturais.

Numa análise simples é possível chegar à conclusão que os votos da candidata do PV, com quase 20 milhões, na sua maioria foram transferidos para os tucanos neste segundo turno, que saiu dos 30% para mais de 40%. Como neste contexto a imagem de Marina teria importância como representatividade, sua ausência no palco manterá os índices de Serra. Uma estratégia pensada pelo "novo" Gabeira, que saiu da campanha fluminense com reprovação dos eleitores, já no primeiro turno, o qual apóia publicamente a decisão do partido e ratifica parceria com os tucanos.

A política não é um lugar de compadres, há os embates e os discursos construídos de parte a parte, cujo objetivo de determinados acenos, muitas vezes, é de obter resultados, mesmo que no final haja perdas de ideias e valores de partidos e pessoas. O que não deve ser tratado como regra geral, mas as simulações e propostas absolutamente vazias estão na boca de grupos políticas no cotidiano, sem consistência. Neste sentido, Marina Silva pode ter errado na sua decisão, pois o que a mantém com condições de enfrentar uma nova eleição com condições de vitória seria o seu posicionamento em defesa da ética e ideais que resultem no bem-estar da sociedade, ou seja, resguardar sua força de liderança, perante um público de competência intelectual e religiosa.

Por outro lado, o crescimento inesperado da senadora no final do primeiro turno, deve-se fortemente à campanha religiosa que gerou incertezas sobre a posição de Dilma Rousseff (PT) no que se referem a suas crenças, o que se soma as críticas da oposição insistente de partes dos meios de comunicação brasileiros em rede fomentados pela mídia paulista. O maior beneficiado foi José Serra que conseguiu um segundo tempo, mesmo sem avançar nos números já percebidos pelas pesquisas.

CURTAS

Política em rede

POLÍTICA - Na política a semana começo quente na rede on-line, são milhares de emails enviados para eleitores plugados na internet. Há, entretanto, aumento considerável do número de mensagens de partidários, que apoia Dilma Rosseff (PT) inclusive com participação de intelectuais.

No que se refere ao movimento religioso, nos últimos dias os textos enviados muitos são desfavorável ao candidato José Serra (PSDB), em virtude da tomada de posição de partes de igreja que se posiciona contra ala religiosa que tentam não deixar sair do imaginário social o tema descriminalização do aborto.

A semana deverá render na internet, em especial, meio do qual não deve ser marginalizado neste processo, com o discurso de atender apenas uma pequena classe social. Não se pode esquecer que a informação é sistêmica e além de sugerir pautas para a grande mídia tem difusão na sociedade. Então é acompanhar e saber separar informação de denúncias infundadas.


Dois pesos e duas medidas

ESPORTE- A vitória do Atlético-GO o credencia a primeira página de esportes, com destaques nos jornais locais. Pois, diante de uma grande equipe brasileira, o Vasco da Gama, hoje (17) o time goiano não se intimidou e venceu por 2 a 0, no Serra Dourada, deixando a zona de rebaixamento.

Diferentemente, o Goiás não conseguiu o mesmo intento contra o Atlético-PR na sábado, quando foi derrotado por 2 a 1, fora de casa. Resultado que torna sua permanência na série A comprometida.

Sem dúvida o bairrismo no esporte - na defesa dos clubes e atletas regionais- seria uma maneira de valorizar os interesses da população do estado. Desta forma, cabe aos veículos a valorização das equipes de maneira equânime, entretanto, há editores que conseguem focar apenas uma equipe da capital, quando não times "estrangeiros".

INDEFINIÇÃO EM GOIÁS

Portanto, não há dúvida que é necessário esperar novas pesquisas e fatos que possam interferir no quadro de Goiás, mas longe de estar definido, como aponta a pesquisa Serpes.


 ELEIÇÃO REGIONAL - Em Goiás, conforme os números apresentados pelo instituto Serpes, publicados pelo jornal O Popular neste sábado (16) aponta vitória do candidato tucano Marconi Perillo com 56,1% dos votos válidos contra 43,9% de Íris Rezende. Entretanto, diante dos números do primeiro turno, é necessário ter cautela e esperar novos levantamentos para análise do processo eleitoral com mais clareza - importante resguardar a seriedade do instituto, mas as eleições levam suspeição a todos os quadrantes. Outro fato, que se deve considerar é o que se percebe na capital, com tendência para o peemedebista, talvez maior do que os dados mostrados pela empresa, entretanto, no interior tornam-se difícil a observação por falta de instrumentos.

Nesta reta final do processo, simbolicamente a adesão de Vanderlan Cardoso (PR) e Alcides Rodrigues (PP) à campanha de Rezende pode render uma melhor performance para os peemedebistas, entretanto, como se vê a base dos partidos Republica e Progressista, não na totalidade, aderiram à base tucana. Evidente que no Brasil a agremiação em si não tem grande importância na decisão do voto, mas sim o candidato. Se assim for Cardoso poderá fazer a balança pesar para Rezende. Mas será o suficiente para mudar os números? Tudo vai depender dos reais dados das pesquisas.

Notório, entretanto, avaliar que o candidato do PMDB tem como tendência movimentar grandes números de eleitores de menor poder aquisitivo e pessoas de mais idade, mas longe do ideal. Isso demonstra que a visibilidade que apresenta Rezende não ataca pontos específicos, os chamados grupos focais. Um erro.

Marconi Perillo tem favoravelmente o acirramento da campanha presidencial, com crescimento de José Serra e imagem de estadista, aquele capaz de mudar o perfil de um estado conservador político e economicamente. Entretanto, nesta briga com o atual governador não atingiu os objetivos traçados no final da campanha passada. Sua imagem foi arranhada e pesa sobre ele a pecha de autoritário e de pouco diálogo nos embates políticos, observação demonstrada até por aliados.

A percepção das empresas de comunicação de um político forte e um homem de marketing, entretanto, leva consigo o apoio estratégico de partes importantes da imprensa local e do interior. Uma ressalva, a imprensa é um espaço que deve ser valorizado com ética pelos governantes, contudo.

Portanto, não há dúvida que é necessário esperar novas pesquisas e fatos que possam interferir no quadro de Goiás, mas longe de estar definido, como aponta a pesquisa Serpes.

ESTABILIDADE PARA A PRESIDÊNCIA

A próxima semana será decisiva, contudo, o sentimento de êxito na campanha entre os populares é maior para Rousseff do que para Serra.

ELEIÇÃO PRESIDENCIAL - A pesquisa do Datafolha publicado neste sábado (16) desenha um quadro de estabilidade para a campanha presidencial, o que indica vitória de Dilma Rousseff (PT) neste segundo turno, com 47% contra 41% do tucano José Serra - importante, entretanto, cuidado com as pesquisas. Apesar de haver eleitores sem saber em quem votar - 8% antes eram 7%, representativo diante do acirramento -, e possibilidade óbvia de mudança de comportamento do eleitorado, mas não há sinal de oscilação significativo.

A rigor, mais uma vez deverá haver muitas abstenções e votos nulos, o que não deveria assustar os analistas políticos. Não havendo empatia com um ou outro candidatado é direito de cidadania não votar em ninguém, um sinal da insatisfação com os nomes postos. Natural e até necessário numa sociedade heterogênea.

Desta forma, a semana será movimentada com fatos novos, certamente, como ocorre numa campanha absolutamente partidarizada pelas empresas de comunicação, agora com a inserção de parte de religiosos, pertencentes aos redutos eleitores de Serra, principalmente São Paulo e região de Minas Gerais, de Aécio Neves (PSDB) – religião tem participação política, bom que se diga. Evidentemente, que os meios de comunicação têm importância neste processo, entretanto, como demonstrou seus interesses abertamente, sua força se reduz neste final de decisão, ficando a mercê de escândalos a serem publicizados e gerar incertezas.

Não há dúvida do intenso trabalho de jornalistas em busca de material a ser veiculado, capaz de vender jornais e jogar foco nas eleições, tanto melhor para as grandes empresas se for contra petistas, o que se mostra a tendência.

Sobre a religiosidade, apesar da valorização da mídia sobre os casos veiculados sobre escândalos, a fé religiosa sempre foi um ponto a ser observado pelos homens e mulheres da política, o que de alguma forma já deu tempo para a população entender o que está por detrás da discussão, os interesses políticos apenas.

A leitura que se faz é que José Serra não tem perfil de um exímio religioso e busca o tema apenas como forma de atrair o eleitor – a rigor Fernando Henrique Cardoso caiu nesta armadilha em 1985 em campanha para a prefeitura paulista, se mostrando cético quanto ao tema – qual seria de fato a posição de Serra na sua vida privada? Exemplo disso está na mudança de comportamento dos grupos de pessoas de alto poder aquisitivo que migrou para Dilma Rousseff, pois houve excessos do tucano no trato com os símbolos sociais, o que deixa perpassar falta de objetividade e discurso vazio.

A próxima semana será decisiva, contudo, o sentimento de êxito na campanha entre os populares é maior para Rousseff do que para Serra. Contudo, atenção será importante nesta reta final do processo eleitoral para a presidência.

PERGUNTAS RELIGIOSAS

Neste momento está em jogo, não exatamente a fé cristã, mas de fato a ordem sistêmica de modelo capitalista que passa pelo processo eleitoral. Não seria este um ato de desinformação?


ELEIÇÕES - A religião ganhou destaque neste momento eleitoral, talvez fazendo relembrar momentos históricos, em que o mundo recebia os primeiros lampejos da ciência derrubando mitos, os quais sustentavam crenças as mais diversas e pouco racionais. As rupturas nem sempre são simples, pois as estruturas assentam comportamentos e pessoas que por milhares de anos repetem os mesmos discursos. Neste momento, porém, a defesa religiosa da não-descriminalização do aborto é legítima e honesta, afinal, a discussão gira em torno da vida. Mas não estaria com o olhar somente para a ponta do iceberg, sendo o problema mais profundo, o qual não se vê com clareza?

Para os autores sistêmicos, a religião foi importante na consolidação do capitalismo, que afinal não pode sobreviver fora da ordem, a rigor, a segurança faz parte da estabilidade econômica, apesar do capitalismo mesmo estar sempre em crise, no sentido de atender as novas necessidades sociais, muitas delas criadas artificialmente. Uma sociedade alegre e feliz, portanto, passiva poderia ser um lugar tranquilo para o desenvolvimento econômico e manutenção da ordem vigente – sem dúvida excludente.

Embora, os homens e mulheres vivem em torno dos mitos, pois fazem parte da nossa realidade, não estão plenamente ordenados, o que gera sempre tensão, e deve ser controlada. Não seria o caso, então de possibilitar mais informações para que se possa, coletivamente, chegar a um posicionamento?

As imagens eleitorais são no mínimo irônicas, pois se tornou comum se deparar com fotografias dos tucanos José Serra, nos grandes jornais, e Marconi Perillo na imprensa local com ar de religiosos, ao lado de símbolos da Igreja. Por outro lado, Dilma Rousseff (PT) distante da crença, com olhar fixo no horizonte, enquanto que Íris Rezende (PMDB), se apresenta preocupado apenas com os movimentos políticos.

A mídia constrói o seu discurso sem trazer informações sobre a estrutura abaixo da superfície (do iceberg), o que poderá ocorrer depois das eleições. Neste momento está em jogo, não exatamente a fé cristã, mas de fato a ordem sistêmica de modelo capitalista que passa pelo processo eleitoral. Não seria este um ato de desinformação? O aborto e casamento gay necessariamente estão ligados as lógicas simplesmente religiosas? E o governo de um país se resume a apenas a estes temas? Não seria o caso de pensar que outros assuntos tem relação com os interesses religiosos, como por exemplo, a exclusão social, a fome, a miséria?

O grande risco que se corre é a valorização do símbolo em função apenas das lógicas de capitalismo que vão contra até mesmo a imagem de um mundo de inclusão. Sobre as questões apresentadas são realmente para serem pensadas e discutidas.

CAMPANHA ACIRRADA EM GOIÁS

Há dois caminhos para o ex-prefeito de Senador Canedo: apoiar Íris Rezende ou Marconi Perillo; ou ainda a alternativa da neutralidade. Sem dúvida, a última opção pode ser arriscada, estar em cima do muro nem sempre é a melhor saída, e os tucanos sabem disso.

POLÍTICA REGIONAL - As eleições em Goiás serão, neste segundo turno, pela imagem que se apresenta, acirrada, pois no final da fase anterior Marconi Perillo (PSDB) visivelmente perdeu fôlego e empolgação, por isso, não conseguiu avançar o suficiente para decidir o pleito antecipadamente. Num processo longo como é uma campanha eleitoral, em que as propostas muito se assemelham, ou seja, todos estão dispostos à bondade, sobressai aquele que apresenta condições para materialização das propostas de convencimento do eleitor. Neste caso os apoios políticos passam a ser fundamentais.

Nesse espaço, Íris Rezende (PMDB) leva vantagens, pois tem o apoio de três prefeituras importantes (Goiânia, Aparecida e Anápolis); mesmo que indiretamente, devido a pressões partidárias, terá o aceno de Alcides Rodrigues (PP) e o governo federal deverá aumentar sua presença no estado, afinal, agora Dilma Rousseff (PT) vai sair a campo em busca de visibilidade para o seu discurso, em todos os estados.

Marconi Perillo não está só evidentemente, a sua campanha terá o peso de boa parte das prefeituras de Goiás e José Serra se fortaleceu ao chegar ao segundo turno. O crescimento nas pesquisas (que continuaram sob as dúvidas do primeiro turno, em que fazem parte de uma estratégia comunicacional) do ex-governador paulista poderá beneficiar o senador, mas conforme o embate federal.

No que se refere à comunicação das campanhas, a vantagem vem sendo do PSDB no estado, e deveria ser uma preocupação dos peemedebistas se desejam sucesso nesta fase de muito embate. Não se comunica na contemporaneidade como se fazia na época das cartas e telégrafo. Informação tem tempo e data de vencimento, as pessoas se acostumaram às mensagens quase em tempo real, isto significa que quem informa primeiro tem mais retorno. Neste caso entram as respostas as acusações e denúncias.

Apoios no estado

Vanderlan Cardoso neste momento faz as contas para saber quais os reflexos de sua decisão agora terão no futuro. O que é uma análise legítima, pois conseguiu atingir o objetivo de se projetar no cenário político regional. Se Perillo é centralizador, Rezende não fez herdeiros políticos, além do que o PT deverá lutar duramente para a reeleição de Paulo Garcia em 2012. Então para que lado vai o PR? O governador Alcides Rodrigues deverá ter peso nesta decisão, afinal, Cardoso se destacou politicamente como resultado da disputa entre Rodrigues e Perillo. As relações partidárias com grupos são fundamentais para existência de um nome viável.

Dito isso, há dois caminhos para o ex-prefeito de Senador Canedo: apoiar Íris Rezende ou Marconi Perillo; ou ainda a alternativa da neutralidade. Sem dúvida, a última opção pode ser arriscada, estar em cima do muro nem sempre é a melhor saída, e os tucanos sabem disso.

ELEIÇÕES, RELIGIÃO E POLÍTICA

A dúvida agora é saber qual a tendência dos eleitores de Marina Silva, os quais podem ser influenciados pela liderança da senadora, embora, não seja uma conta exata – as escolhas também são particulares.

ELEIÇÕES PRESIDENCIAIS - As eleições para a presidência da república não se encerrou no primeiro turno, como se imaginava por grande parte dos formadores de opinião. Houve surpresa de um modo geral, pois na reta final Marina Silva (PV) conseguiu crescimento, que de alguma forma já era esperado em função da perda de energia de Dilma Rousseff (PT). O mar de sites políticos que movimentaram a internet nas últimas semanas sobre a descriminalização do aborto afirmando maldosamente ser apregoado pela petista surtiu efeito, afinal, existem símbolos que se cristalizaram na opinião da sociedade, o que pode incluir neste rol a defesa da tradição da harmonia familiar, a base religiosa. O excesso de informações negativas dos meios de comunicação de massa que em conjunto também gerou incertezas no eleitor da petista na hora da de depositar o voto nas urnas.

Marina Silva, com sua dedicação à campanha com discurso eticamente correto no que se refere ao meio ambiente e com imagem de boa família e religiosa conseguiu arrebanhar votos de parte dos indecisos. José Serra (PSDB), por sua vez, se manteve no seu patamar sem sinalizar mudanças na sua aceitação. A candidata do PV arremessou o ex-governador paulista no jogo, no apagar das luzes. Verdade que alguns estados em que as pesquisas sinalizavam vitória de Dilma, o tucano conseguiu chegar à frente, mas com diferenças pouco significativas, no geral.

A dúvida agora é saber qual a tendência dos eleitores de Marina Silva, os quais podem ser influenciados pela liderança da senadora, embora, não seja uma conta exata – as escolhas também são particulares. Afinal, o PV é um partido que tem com liderança representativa de Fernando Gabeira, que sai derrotado das eleições para o executivo do Rio de Janeiro para Sérgio Cabral (PMDB), de maneira sofrível. Talvez seja o reflexo de suas afirmações de “novo Gabeira” ex-petista, o qual estranhamente esteve em dois barcos apoiando também José Serra. Ou seja, há uma ruptura neste momento, pois não há consenso no partido sobre quem apoiar.

Considerando que na política, alguns nomes definem sua linha ideológica, como parece ser o caso de Marina Silva, alinhar-se aos tucanos pode significar a perda de lideranças dos seus eleitores no futuro, pois, pertenceu aos quatro do PT por longos anos, saudosamente lembrado por ela na campanha, o que torna a sua participação com Serra um risco para sua imagem de defensora do meio ambiente – afinal como relacionar liberalismo econômico e preservação do meio ambiente? - e pessoas excluídas do capital. Terá que se decidir.

Sem dúvida será uma campanha difícil para ambos os lados, pois se Dilma tem ao seu lado o presidente mais popular da história do Brasil, além de grande número de deputados, senadores e governadores eleitos, por outro José Serra tem ao seu lado grande parte dos meios de comunicação de São Paulo e Rio de Janeiro e muitas cidades em rede em outros estados brasileiros, que mais uma vez tentará impor ritmo na campanha presidencial.

Contudo, considerando o processo eleitoral no primeiro turno, o momento social vivido de rupturas de modelo econômico e político, a chance de vitória é da pestista Dilma Rousseff. Entretanto, devem-se aguardar os primeiros movimentos de campanha para se ter uma imagem mais clara do quadro eleitoral nesta fase.

VOTO E CONSCIÊNCIA

O que se espera dos novos representantes é ter competência para gerir a coisa pública, com zelo e justiça, com autoridade e nunca de maneira autoritária, excluindo o cidadão em benefício do homem de posses.

ELEIÇÕES - Finalmente, chegou o dia de o eleitor brasileiro comparecer às urnas e depositar o seu voto no representante que entender conveniente para si e para a sociedade. Em todos os textos tenho insistido na capacidade da comunidade fazer suas escolhas, com inteligência. Não há dúvida da intraquilidade vivida por homens e mulheres deste país, afinal, a abertura política é historicamente recente e conturbada por diversos interesses centralizados por famílias, que passam a definir autoritariamente os desígnios de milhões de pessoas. Contudo, votar significar participar de um processo que nem sempre se apresenta favorável a parte fragilizada no jogo de poder.

Efetivamente, as eleições não terminam neste domingo, pois em alguns estados ocorrerão segundo turno, como parece ser o caso de Goiás. Entretanto, mesmo que houvesse o término nesta data, a sociedade deve estar necessariamente politizada constantemente. De outra forma, a eleição seria apenas uma tarefa realizada de quatro em quatro anos. Nada mais equivocado.

O que se espera dos novos representantes é ter competência para gerir a coisa pública, com zelo e justiça, com autoridade e nunca de maneira autoritária, excluindo o cidadão em benefício do homem de posses. Ademais, os novos meios de comunicação permitem uma participação efetiva nas comunidades e no país. O crescimento econômico deve se iniciar de baixo para cima e não o contrário, pois, se assim fosse, o Brasil seria destaque desde sua descoberta. Um basta a uma nação de maioria pobre e desprovida de tudo e uma elite surfando na onda da riqueza globalizada.

Portanto, o voto deve ser consciente. Vamos lá.

> Números da corrida eleitoral em Goiás

Conforme pesquisa Ibope divulgdo pelo jornal O Popular hoje (2),  Marconi Perillo tem 40% das intenções de voto. Iris Rezende aparece com 35% e Vanderlan Cardoso 13%. A candidata Marta Jane, do PCB, tem 1%, e Washingon Fraga, do PSOL, não pontuou.


No que se refere aos votos válidos, Marconi tem 45% das intenções. Iris Rezende 39% e Vanderlan, 15%. Marta Jane aparece com 1% e Washington não pontuou.
 Indecisos, brancos e nulos somam 11%. A margem de erro da pesquisa é alto de três pontos percentuais para mais ou menos. A consulta foi realizada entre os dias 30 de setembro e 2 de outubro.

Ibope aponta para término das eleições presidenciais em primeiro turno

Diferentemente, dos resultados da pesquisa do Datafolha, que concentrou seu levantamento em apenas um dia (27), o Ibope, cujo trabalho foi realizado nos dias 25,26 e 27, apresenta números favoráveis a candidata Dilma Rousseff, e sinaliza a possibilidade de vitória da pestista ainda em primeiro turno.

A pesquisa Ibope aparece no blog do jornalista da própria Folha de S. Paulo, Fernando Rodrigues, publicado nesta quarta-feira, 29 de setembro de 2010.


Leia mais: 
Blog Fernando Rodrigues 
Veja: O Estado de S. Paulo

RETA FINAL SEM SURPRESAS

A rigor, este é um momento de aguerrida disputa, em jogo não está apenas a troca de nomes na política, mas de ordem sistêmica do país.

ELEIÇÕES - A campanha eleitoral chega à reta final seguindo a normalidade dos embates entre grupos políticos, entretanto, a disputa fora do quadro de visibilidade da disputa é efervescente, com alta temperatura. Serra (PSDB) sem energia e discurso - pois enfrenta um governo com alta popularidade – recebe o apoio da mídia, que por sua vez passa a exercer um papel que excede o que seria tão somente jornalismo, para defender um modelo de sistema social, sem rupturas, energizada a partir do eixo Rio-São Paulo, seguida pelas empresas de comunicação de outros estados, seguindo a linha de suas matrizes efetivamente, ou de onde boa parte dos meios retira o modelo e se agendam.

Sem dúvida será um grande espaço para pesquisa nas universidades brasileiras. De um lado, os tucanos com o forte apoio dos conglomerados comunicacionais, de outro o governo federal, com a força simbólica e governamental, de uma máquina que chega a todos o país.

Desta maneira, as pesquisas que se apresentam nesta reta final devem ser analisadas com cautela, como deve ser neste período, pois pode haver surpresas depois das urnas abertas. A rigor, este é um momento de aguerrida disputa, em que está em jogo não apenas a troca de nomes na política, mas de ordem sistêmica do país. Desta forma, Dilma Rousseff (PT) sinaliza para um Estado forte, inclusive com menos vigor dos meios de comunicação que abarcam todos os setores comunicacionais, sem se importar com os interesses nacionais e locais da audiência, por exemplo, como apregoado pelos movimentos social, explicitado pela Conferência Nacional de Comunicação (Confecom), a qual teve debates encerrados em Brasília no mês de Dezembro, com boicote dos empresários do setor.

O liberalismo, defendido por Fernando Henrique Cardoso e seguido por José Serra, que defende a leveza do Estado e a pujança da economia, parece não fazer parte das metas estruturantes da sucessora do PT ao palácio do planalto, Dilma Rousseff (PT), o que assusta parte dos grandes empresários que desejam fazer valer sua força para negociações no espaço global, principalmente com as grandes potências, mas sem a vigilância normatizante do governo federal. Para esta linha de pensamento a estatização seria um monstro a ser combatido. Não se trata simplesmente de liberdade de imprensa (empresa), esta existe sem sequer ser arranhada. Todo tem esta convicção, até mesmo os empresários de todos os matizes.

Outro fator a levar em consideração são as mudanças políticas promovidas pelos países da América Latina, com ascensão de governos com tendência à esquerda ou populares. Um dos alvos deste discurso liberal é Hugo Chaves, da Venezuela e Fidel Castro, de Cuba. Apesar da revista Veja anunciar o seu fim, numa capa história, cujo título dizia "Fidel, já vai tarde", o Castrismo continua lúcido e repetindo as mensagens do socialismo, assombrando os homens das lógicas econômicas como motor social.

A semana deverá ser movimentada nos meios de comunicação brasileiros, de norte a sul, mas a convicção é de que não haverá segundo turno para a Presidência da República, apesar das quedas apontas pelo instituto ligado ao jornal Folha de São Paulo, o Datafolha. Seria prudente aguardar outros números para se ter um quadro mais transparente.

Eleições em Goiás 

Em Goiás, o segundo turno parece ser inevitável. Afinal, nesta hora somente Vanderlan Cardoso (PR) consegue avanços na aceitação popular. Se Íris Rezende (PMDB) parou de cair no geral, Marconi Perillo (PSDB) não tem mais espaço para crescer, de maneira estruturada. Além do mais, é bom que se diga, não se deve esperar um segundo turno fácil, se ele vier. A prudência e caldo de galinha não fazem mal a ninguém, até mesmo para os jornalistas/editores.

ELEIÇÕES, CAPITAL E REGIÃO

Sem dúvida o interior em qualquer estado costuma ser mais conservador que as capitais, daí as diferenças nos números, mas tem um fator que não pode ser desprezado, mesmo em tempo de internet: as mensagens fora dos centros formam opinião mais lentamente.

ELEIÇÕES EM GOIÁS - Nestas eleições para o governo de Goiás um ponto chama a atenção em todas as pesquisas eleitorais: a capital, lugar em que os números são muitos diferentes no resto do estado. Em Goiânia, conforme números do Ibope divulgados pelo Jornal O Popular neste sábado (25), Íris Rezende (PMDB) mantém à frente com 40% (no estado 33%) dos votos seguidos por Marconi Perillo (PSDB), com 33% (43%) e em terceiro lugar Vanderlan Cardoso (PR) com 15% (12%).

Haveria, portanto, uma inversão dos resultados, com excelente desempenho do candidato republicano, que era absolutamente desconhecido no período anterior ao início da campanha. Sem dúvida, tem espaço para uma terceira via no estado que se mostra conservador para transformação política.

Afinal, onde estão as novas lideranças. Alguém pode dizer que “morrem” logo que surgem, pois a política é lugar de caciques, dinheiro e mídia. Talvez seja, mas de fato os novos nomes se escondem, mesmo diante dos anseios sociais. Eis uma verdade. Dito isso, com olhos nos números do instituto de pesquisa, os tucanos devem viver em grande desconforto, pois não conseguem mudar a tendência na cidade mais populosa e representativa, onde a população é mais bem informada devido à concentração de mídias.

Como sei que os leitores deste espaço têm paciência com este articulista, diria que, sem dúvida a população do interior em qualquer estado costuma ser mais "introspectiva" (observadora) que as das capitais daí as diferenças, mas tem um fator que não pode ser desprezado, mesmo em tempo de internet: as mensagens fora dos centros formam opinião mais lentamente.

No entanto, cabe uma ressalva: é um lugar de surpresas diante das dúvidas que vão ocorrendo nas famílias na reta final de uma campanha. Assim, a busca de notícias e opiniões nem sempre ocorre através das mídias, embora seja importante, mas não reina absoluta como se pensa. Então, qual seria a influência do presidente popular nas regiões fora da capital?

O trabalho de comunicação de Marconi Perillo se mostra mais eficiente do que a assessoria de Rezende, pois consegue atingir vários setores importantes, inclusive pessoas fora do círculo das notícias. Pode parecer estranho e pouco perceptível para um observador desatento, mas mesmo a estética do candidato diante das câmaras conta pontos para a decisão do eleitor.

Embora ainda, sem condições para uma análise segura, o segundo turno, a rigor, deverá se materializar considerando o movimento político no estado. Importante ressaltar que nestes dias o Serpes trará números que podem ser diferentes do Ibope, mas não solucionará as dúvidas, momentâneas. Seguindo este raciocínio já é hora de os candidatos reforçarem os discursos e pensar nos apoios, mais do que nunca, pois o tempo é curto e tudo pode acontecer.

Esta campanha não se resolverá no desmerecimento do adversário, mas de performance que convença o eleitor, conforme dúvidas que há sobre os candidatos, dois deles residentes na capital, de onde se governará para Goiás.

SINAIS DE SEGUNDO TURNO EM GOIÁS!

A decisão de Perillo de usar a imagem de Lula torna-se estranha ao considerar que o governo petista quer se mostrar um adversário ferrenho do candidato ao governo de Goiás

ELEIÇÕES EM GOIÁS - As eleições para o governo do Estado de Goiás continuam indefinidas, sem possibilidade de alguma análise de cenário sobre decisão no primeiro turno, se consideradas as dúvidas dos eleitores goianos nas pesquisas realizadas. Entretanto, com os movimentos dos candidatos podem-se fazer algumas conjecturas, com atitudes que sinalizam provavelmente como estão os bastidores. O aparecimento de imagens de Lula na campanha de Marconi Perillo (PSDB) indica que a presença do presidente junto com Íris Rezende (PSDB) na TV e no rádio pode estar gerando algum resultado na campanha. A rigor, a perda de votos, mesmo que mínima, do tucano, culminaria em um segundo turno, se observados os últimos números de pesquisas. Ademais as críticas de Perillo contra o peemedebista aumentou nos últimos dias no horário eleitoral.

Afinal, mesma estratégia tentou José Serra (PSDB), se apresentando ao lado do petista, o que no final não resultou em pontos para o ex-governador de São Paulo, além de muitas críticas dos adversários, o que foi sentida pela campanha serrista. A decisão de Perillo torna-se estranha ao considerar que o governo petista quer se mostrar um adversário ferrenho do candidato ao governo de Goiás. Numa leitura simplista, significaria o interesse do tucano de reduzir a força do discurso duro do presidente, o que poderia levar a entender que no futuro a animosidade seria amainada, na possível continuidade de um governo do PT. Mas não deixa de transparecer certo incômodo reverberado pelos marqueteiros da campanha do partido que mensuram popularidade diariamente.

Sem dúvida, em um segundo tempo quem mais teria a perder seria o PSDB, pois haveria de enfrentar o peso de três máquinas públicas juntas: prefeitura, palácio das esmeraldas e governo federal - com uma nada desprezível eleição já no primeiro turno de Dilma Rousseff (PT), caso de fato ocorra. Portanto, será um período de muitas movimentações dos adversários com ampla artilharia em direção a uma só campanha. A vantagem numérica obtida no primeiro turno pode não ser suficiente para uma vitória segura posteriormente.

Vale ressaltar, no entanto, que Marconi Perillo conta com o apoio de parte importante da mídia regional e de jornalistas que seguem os desígnios da direção das empresas, a exemplo do que ocorre no cenário nacional com a campanha de José Serra – importante ressaltar publicidade de livro sobre escândalo do BEG na Revista Veja desta semana, negativa a Íris Rezende. O que não deve ser desprezado em tempos de disputa acirrada como esta.

HISTÓRIA POLÍTICA DAS MÍDIAS

Cabe ressaltar que numa sociedade da informação o excesso de alguns grupos de comunicação, que concentram poder de difusão de notícias, deverá se tornar emblemático para uma sociedade que acredita na possibilidade de nascimento da democracia.

Excessos. Eis a palavra que resume a participação da mídia nestas eleições, com exceções importantes. A queda da pestista Dilma Rousseff na pesquisa do Datafolha (51% para 49%) - sendo que Serra atinge 28% (antes 27%) e Marina 13%(antes 10%) - parece significar um grito de vitória para editorialistas e empresários da comunicação, como se dissessem: "veja o que acontece com quem não segue as regras da grande mídia brasileira". Uma insanidade imaginar que um país deve seguir intelectualmente o que pensa o frio departamento financeiro destas grandes empresas. Um sofrimento e sentimento de impotência para uma sociedade que viveu longos anos de ditadura, com censura aos movimentos sociais e com meio de comunicação oficial.

As escolhas do setor nem sempre foram felizes, as quais causaram grandes danos para a sociedade ao longo da história do país - pelo que parece sempre colonizado. Apenas dois exemplos. A começar pelos governos militares que receberam o apoio de setores da sociedade civil e parte importante da imprensa brasileira, que se mostravam preocupados com os rumos do Brasil com o crescimento político dos trabalhadores, nos anos 60; não deverá ser esquecido. Mais adiante, nos anos 90, com o risco iminente da eleição de Lula, um sindicalista, um jovem até então desconhecido pelos eleitores se torna, graças à capacidade de mobilização de alguns grandes empresários midiáticos, presidente eleito. O qual anos depois sofre impeachment, que se tornou bode expiatório para os graves e insistentes erros políticos cometidos na recém democracia.

Sempre repetimos aqui a importância dos meios de comunicação para o desenvolvimento social e geração de conhecimento, entretanto, cabe ressaltar que numa sociedade da informação o excesso de poder de alguns grupos de comunicação, que concentram poder de difusão de notícias, deverá se tornar emblemático para uma sociedade que acredita na possibilidade de nascimento da democracia. Ao contrário de pensar em censura, os governos devem aumentar o número de pessoas com acesso à informação vinda de várias fontes, e não de redes que de um centro se dissemina para todos os territórios autoritariamente.

Ademais, a política não deve ser vista a partir de propostas centralizadas, mas da decisão de quem vive o cotidiano, no espaço de vida. Desta forma, ao que parece não haverá um segundo tempo para as eleições presidenciais no Brasil este ano.

NÚMEROS E INCERTEZAS

Em Goiás, o jornal O Popular traz em destaque o título: "vantagem de Marconi sobre Íris fica maior." Entretanto, deixou de ressaltar que a diferença entre o tucano e oposição diminuiu alguns décimos, em função do crescimento do candidato de Vanderlan Cardoso (PR)

POLÍTICA - As pesquisas eleitorais, de fato, geram dúvidas no eleitor e não é para menos, pois décimos no resultado final fazem diferença no sentimento de crescimento ou queda na percepção da opinião pública. Evidentemente que sobressaem motivações psicológicas conforme os números em si e como são expostos pelos meios de comunicação. Estão em jogo a empresa de pesquisa e a angulação feita pela imprensa. A rigor, a mídia nacional tem se mostrado - numa visão discursiva, de maneira explícita -, defensora do candidato do PSDB, José Serra ou a minimização do poder de Lula e seu partido, o que possibilitaria uma negociação em melhores condições durante a gestão petista.

Para tanto, basta observar as manchetes nos jornais paulista, os editoriais e comentários dos jornalistas/editores destes jornais, que de alguma maneira é seguida pela imprensa em outros estados, todavia, sem generalização radical. As redes de comunicação são mais propensas a passividade ao olhar do grande centro.

Os dados apresentados, neste momento, pelos institutos de pesquisas nacionais não são muito diferentes, apesar da luta ferrenha entre as empresas a princípio. Nesta disputa, sem dúvida, o Datafolha (empresa ligada a Folha da Manhã, que edita o jornal Folha de S. Paulo) impôs dúvidas sobre os seus resultados, pois com o passar do tempo se assemelha aos demais. Números que antes recebiam destaque no jornal paulista, agora, entretanto aparece de maneira menos aparente, pode-se imaginar mudança de comportamento para um crescimento do tucano. Ou seja, reafirmar a vitória de Dilma Rousseff (PT) no primeiro turno não é mais notícia, não promove impacto (...).

Pesquisas em Goiás

Em Goiás, o jornal O Popular traz em destaque em título: "vantagem de Marconi sobre Íris fica maior." Entretanto, deixou de ressaltar que a diferença entre o tucano e oposição diminuiu alguns décimos, em função do crescimento do candidato de Vanderlan Cardoso (PR) que sai de 9,3% para 11,1%. Em evidência a estabilidade de Marconi Perillo (PSDB) em 47,5% (47,3%) e queda de Íris Rezende (PMDB) com 33,5 (34,8%) em relação aos números do próprio instituto, publicado dia 11 de setembro. Com margem de erro de 3,1, haverá segundo turno ou não, portanto, sem definição.

Estranho, entretanto, os números apresentados na esfera federal condizente à campanha presidencial em que Dilma Rousseff (PT) tem 51% se mostra estabilizada, e o tucano cai de 27% para 25% em 10 dias, de acordo com o Ibope. No entanto, o Serpes detecta queda da petista em Goiás de 49,9% para 47% e crescimento do tucano que vai de 28,5 para 29,7, num período de sete dias. Desta maneira o Estado se desconecta do restante do país, pelo menos é o que demonstra o instituto goiano.

Ressalvando, a dificuldade de se analisar o processo eleitoral sem participar efetivamente dele, cabe ao eleitor e articulista mais incerteza, e são levados a buscar mais os meios de comunicação como forma de se conhecer a realidade momentânea. Entretanto, há uma certeza: as eleições em Goiás estão abertas, com ampla possibilidade de um segundo turno entre Marconi Perillo e Íris Rezende. Desta forma, Vanderlan Cardoso e Alcides Rodrigues se tornam fundamentais nesse processo. Na esfera federal somente fatos inusitados, não construídos pela mídia, para provocarem um segundo turno. José Serra, até este momento não conquistou a confiança do eleitor que vê seus votos serem transferidos para Marina Silva (PV).