A rede; indústrias para um mundo mais complexo

Portanto, estes são apenas os reflexos da organização de uma estrutura que começa a se desorganizar. Um ponto importante: o controle do social vai se tornando cada vez mais complexo. Ponto
 




Comunicação  – A atitude política tomada pelos países centrais, da Europa e os Estados Unidos, dão mostras claras dos novos tempos da Indústria da Cultura, que envolve entretenimento, informação e mensagens em tempo real. Na base da discussão está o fato da dificuldade dos Estados-nações em conseguir em dar fluxo ao seu material produzido, com eficiência econômica, em primeiro lugar, o que os tornam vulneráveis, com perdas de poder financeira das suas principais conglomerados de comunicação.

Por outro, a redução da força da difusão do saber social através de suas produções. Portanto, a relação entre o econômico e a comunicação está em sintonia com o poder e domínio. Sem novidades, portanto.

Notória a grande dificuldade de países conhecidos por sua força global investindo em sua organização política, no sentido de normatizar a internet, de maneira a preservar prioritariamente o econômico. Não se trata de interesse simplesmente de determinadas empresas, mas a estrutura de sociedades que dependem de suas indústrias de comunicação para difundir modelos de comportamentos. Pois, com o sistema capitalista atual sendo questionado, tornam-se necessárias atitudes rápidas de seus players.

A política que está em trâmite nestas nações gera conflitos com as indústrias modernas formadas especialmente por Google, Facebook, Microsoft, Twitter que embora americanas, veem oportunidades de negócios e faturamento minguados, com perdas de sua atração maior que é o sistema de acesso a programa, notícias, entretenimento e imagens comercializadas pelas tradicionais e seculares megaempresas. Não há dúvida, porém, que existem muitos “forasteiros” no meio desta negociação, quando sites “descolados” permitem download de materiais comercializados, mas gratuitamente.

Sociedade mais complexa

Na realidade, a internet constrói uma sociedade mais complexa, diante de informação ilimitada. Desde sua origem o direito autoral sofreu alterações em suas concepções, o que faz surgir uma nova forma de tratar os textos publicados e produções. Se continuar assim, haverá mudanças no cenário político e econômico internacional, com perdas sucessivas para populações cada vez mais conectadas.

A questão não termina por aqui, pois como exemplo, o Brasil tem apenas cerca de 40% de pessoas com acesso à rede. Agora imagine quando houver possibilidade para o mundo inteiro estar conectado?

Nesta nova sociedade da informação é preciso realmente, como sempre, pensar que a ordem social demanda poder e domínio de grupos sociais, os quais mesmo com modificação da sociedade não permitirão rupturas acentuadas neste quesito. Portanto, estes são apenas os reflexos da organização de uma estrutura que começa a se desorganizar. Um ponto importante: o controle do social vai se tornando cada vez mais complexo. Ponto.

Pinheirinho hoje, Parque Industrial faz aniversário

A política conservadora não teve dúvidas quem tinha razão, pois a capital do Estado não se pode deixar invadir pelo antissocial, portanto, a ordem é a maneira de evitar a perda de controle
 
Sociedade – A invasão da polícia na área conhecida como pinheirinho, domingo (22), na cidade de são José dos Campos em São Paulo, continua repercutindo amplamente nas mídias tradicionais e rede social. O favorecimento do prefeito da cidade, Eduardo Cury, do governador Geraldo Alckmin, ambos do PSDB, ao megainvestidor Naji Nahas, em detrimento de cerca de seis mil famílias, virou escândalo nacional. Uma realidade que Goiás conhece muito bem, pois em fevereiro de 2005, aproximadamente 12 mil famílias passaram pelo mesmo ato de violência na capital do Estado. No governo estadual na época estava Marconi Perillo (PSDB) e  na prefeitura Iris Rezende (PMDB).

Depois de vários dias de terror, usados como instrumento para assustar moradores, a política tomou a área conhecida como Parque Industrial, onde havia o residencial, denominado pelos moradores, de “Sonho Real”. Evidentemente, que a repercussão não teve o mesmo tom que se vê hoje, ocorrido no Estado paulista. Contudo, passará para a história como o maior campo de guerra brasileiro envolvendo polícia e sem teto.

Nestes dias as autoridades responsáveis pelo comando da invasão do terreno em São Paulo estão sendo hostilizadas por populares, que fogem dos eventos públicos, temendo constrangimento, ofensas e até violência física.

Sobre o caso, a justiça paulista se mostrou favorável à tomada da área, mesmo considerando o posicionamento contrário da justiça federal e do próprio do governo de Brasília. No final, a área se transformou em um campo de guerra, a exemplo do que ocorreu em Goiás. Prosseguindo neste raciocínio, cabem algumas comparações.

Na época parte da imprensa que se mostrou comportamento dúbio, com material que seguia o discurso de grupo da sociedade que defendia a ordem, sobremaneira. Entretanto, contrabalanceado o noticiário com informações sobre a angústia dos moradores em meio à desordem e o fim do sonho da moradia. Chegou-se na época a defender o argumento, publicado em jornais, de ser um movimento feito por especuladores de poder aquisitivo. Mas o que estava por trás da defesa de lideranças empresarias e parte da sociedade civil era o de que, se as invasões não fossem contidas, Goiânia se tornaria uma espécie de Rio de Janeiro das favelas.

Portanto, a força seria necessária para o bem de todos. A política conservadora não teve dúvidas sobre quem tinha razão, pois a capital do Estado não se pode deixar invadir pelo antissocial, portanto, a ordem é a maneira de evitar a perda de controle.

Se em São Paulo foram cerca de seis mil pessoas, em Goiás o número foi o dobro, aproximadamente 12 mil, mas com o mesmo fim, o favorecimento ao dono do terreno com dívidas a serem quitadas com os órgãos públicos. Assim, ao contrário das famílias que perambularam por lugares sem insalubres, com direito a doenças por umidade em ginásios poliesportivos, os proprietários da área resolveram suas pendências, ao que parece, de modo a favorecer lhes, como ocorre com o especulador paulista Nahas. Mas de fato, sobre o Parque Industrial, no que diz respeito às negociações com os devedores do Estado ainda continua sem muitas informações.

A pergunta que se faz é: haverá algum reflexo para a imagem dos políticos envolvidos no massacre paulista? Nas próximas eleições serão candidatos, com discurso social e receberá a credibilidade por parte do eleitor? Neste sentido, os resultados poderão ser sentidos na campanha a prefeitura da capital. Com José Serra (PSDB) Fora do páreo, aumenta-se as chances da oposição, neste caso capitalizado por Fernando Haddad (PT). O caso, portanto, não cessará durante o período eleitoral, especula-se.

O leitor fora de Goiás deve perguntar: quais foram as consequências do escândalo do Parque Industrial? A política continua a mesma, o caso passou para a história. Pois é.

O que dizer sobre o mutirama?

Comunicação é fundamental para dar segurança e tornar uma personalidade (re)conhecida. O obscurantismo não serve à política

Justiça – Em período eleitoral é notório o enrijecimento as denúncias de lados políticos, que se enfrentam e lutam pelo poder. Desta forma, uma obra capaz de oferecer resultados eleitorais para um torna-se perda de votos para o outro grupo, exigindo a busca de brechas que possam ofuscar os resultados esperados pelos empreendedores. A medida torna mais visível a ação dos postulantes a cargos públicos e mais pautas de denúncias na mídia. Neste sentido, até mesmo a justiça passa a ter mais participação nas páginas dos jornais. O caso mutirama, contudo, chama a atenção pelo excesso de críticas e irregularidades apresentadas pela oposição desde o início das obras.

Como já destacamos neste espaço a política é uma arte da representação de uma comunidade, considerando sua complexidade, o que exige comunicação e discursos (posicionamentos) que traga tranquilidade aos representados. Caso contrário, a falta de transparência momentânea pode se transformar em grande problema posterior, apesar de reconhecimento no futuro,  pós eleições – então tarde demais.

A participação da justiça permanentemente no questionamento sobre a aplicação de recursos na obra do mutirama causa dúvidas sobre a população, o que torna fundamental o esclarecimento do governo municipal, com certa rapidez. A demora em se pronunciar, sobre o assunto, aumenta mais as especulações.

As falas do prefeito Paulo Garcia por Twitter e de maneira cifrada, com imagens das obras em desenvolvimento, apenas respondem de maneira direta a poucas pessoas, do ciclo da rede social. A instituição precisa ter porta-vozes capazes de dar conta de esclarecer sobre os fatos denunciados, que sucedem na imprensa.

Embora se perceba que na política o embate está muito mais nos partidos, com respostas aos adversários, no ano eleitoral, seria producente dizer a opinião pública os procedimentos do empreendimento questionado, com o objetivo de transparente com a comunidade. Comunicação é fundamental para dar segurança e tornar uma personalidade (re)conhecida. O obscurantismo não serve à política.

Política brasileira e as classes sociais

O investimento em publicidade é fundamental em uma campanha, mas sozinha não decide o voto, pois o carisma, com a capacidade de comunicação, muitas vezes, feita diretamente com os grupos sociais, torna-se fundamental 














Análise políca – A política parece um território fácil de dominar, bastando para isso um partido forte, no poder, um discurso que se pareça inteligente e, evidentemente, muito recurso econômico e tudo está resolvido. Sem dúvida são pontos importantes a serem considerados, mas falta ainda avaliar a circunstancia social, o movimento das classes sociais e carisma, o que significa dizer competência para atrair pessoas para seus projetos. Neste sentido, condições financeiras se resolvem quando o postulante se apresenta com possibilidade de vitória.

A ideia de mito do passado, dos coronéis, pais dos pobres, de fato já ficou no tempo, com mudanças substanciais no campo político, quando milhares de pessoas passaram a ter liberdade de escolha e maior percepção da realidade que está submetida. Os meios de comunicação que serviram a regimes fechados, com ideologias que defendiam modelo social resistente, vão perdendo poder de definição de nomes que vencem eleições.

Como exemplo a últimas campanhas presidenciais, quando ficou evidente o apoio tucano dos grandes empresários da comunicação – com jornal defendo em seus editoriais José Serra (PSDB). No entanto, venceu Lula, posteriormente, Dilma, presidente que consegue hoje 59% de aprovação – Lula sai do governo com 85%. Com maior incidência das classes de menor poder aquisitivo nas questões políticas, portanto.

Desta forma, o investimento em publicidade é fundamental em uma campanha, mas sozinha não decide o voto, pois o carisma, com a capacidade de comunicação, muitas vezes, feita diretamente com os grupos sociais torna-se fundamental. A assessoria de comunicação, portanto, ganha terreno, com estratégia de aproximação com o eleitor e um discurso que seja de resolução dos problemas das novas classes sociais, “D” e principalmente “C”- como vem sendo discutido por intelectuais mundo afora-, isto também em Goiás.



Política local

Se Paulo Garcia (PT) e Marconi Perillo (PSDB) continuem em disputa pelo apoio da forte classe social de alto poder econômico podem estar na contramão da politica que se desenvolvem na ordem global e local, como se analisa – em disputa a prefeitura da capital, Goiânia.

Ainda cabe mais uma observação os tucanos sempre se posicionaram para o liberalismo econômico, talvez seja a razão pela qual o partido se fortalece em centros econômicos como São Paulo e tem perdas em outros estados de menor poder econômico. No entanto, os petistas, mesmo que não seja plenamente a realidade de grande número de partidários, existem em torno da classe trabalhadora.

Portanto, relacionado com as grandes lutas sociais. Os discursos políticos se relacionam com ideologias, e serão aceitos conforme circunstancias sociais.

Apesar das dificuldades de um terreno fechado e minado para o novo, ainda assim, novidades surgem. O que é bom.

Censura ou controle da internet?

Ademais, não se trata de comportamento a serem empreendidos somente em um país, mas nos diversas nações mundo afora. Em torno desta questão está a complexidade de uma comunicação em rede, por natureza não-autoral e subversiva

Comunicação em rede - Nos Estados Unidos dois projetos polêmicos percorrem o parlamento do país que objetivam o controle da internet, o Sopa – que visa o contra da pirataria na rede - e o Pipa - em defensa da propriedade intelectual. Não seria seguro acreditar que se trata de movimentos políticos que tendem a efeitos somente internos, atingindo os limites da nação norte americana, pois, a web é feita de ramificações, sem um centro efetivo, de tal ordem que os acessos dependem e são feitos de diferentes lugares.

Assim, no Brasil haverá reflexos da lei se aprovada nos EUA, como é o caso do fechamento do site Megaupload, com assinantes nacionalmente que não mais terá o serviço de download. Sucessivamente, o mundo vai sendo rastreado pelas grandes empresas de comunicação, as maiores perdedoras de uma internet livre. Afinal, são milhões de dólares que os megaempreendimentos de cinema, música e editoras de livros – para citarmos apenas alguns - em todo mundo. Importante acrescentar que são negócios que se ramificam numa política global. Portanto, ninguém escapa do controle financeiro.

Na realidade não se trata de censura, como vem sendo destacado pelas grandes novas empresas online, como Google, Facebook e Wikipédia, por exemplo, as mais prejudicadas com a medida. Em torno das disputas estão milhões de dólares para um lado e outro, pois com a retirada de endereços de sites, que permitem baixar material de produção, acarretará perdas para principalmente os motores de buscas da internet – resultando em diminuição de recursos recebidos da publicidade – a rigor, o jornalismo global está de olho nas medidas.

No que diz respeito aos internautas redução da liberdade de acesso a grande produção na rede, que ao longo do tempo deverá sofrer com mais restrição aos materiais publicados na rede, como os da informação de revistas e jornais. Seria uma forma de controlar a internet com base na estrutura econômica. Uma forma de manutenção da ordem vigente, com informações sendo disponibilizadas com alto preço, o que segrega milhares de pessoas, em favor das grandes corporações financeiras.

Estratégias comunicacionais

Em essência, em determinado período histórico as empresas de comunicação eram subsidiadas pelos governos das nações imperiais, mas com o advento da tecnologia, percebeu-se que a estratégia levava-se a prejuízos com o surgimento de mídias alternativas, as quais geravam formação de grupos com pensamento distintos dos grandes centros econômicos. Então, muda-se o comportamento com a liberalização de tecnologia para o aumento de meios de comunicação nos diversos países, mas sob o controle das nações imperialistas, que vendem tecnologias e linguagens. Como se vê ao perder o controle sobre o acesso as grandes produções fonográficas, cinematográficas e literárias o rendimento culminou com acentuadas perdas de capitais, tendo como resultados desemprego e pobreza nestes países.

Não se trata somente de censura, que a rigor nunca deixou de existir também na internet, seja na disseminação dos principais órgãos de comunicação, que estão na rede e são re-produzidos na web também, uma espécie de agendamento dos meios, efetiva-se o controle na base da estrutura econômica. Se assim for nada mais previsível que tal medida, que merece alarde no sentido de chamar a atenção da opinião pública, embora uma realidade há séculos. Ademais, não se trata de comportamento a serem empreendidos somente em um país, mas nos diversas nações mundo afora. Em torno desta questão está a complexidade de uma comunicação em rede, por natureza não-autoral e subversiva.


Perillo sem nome para enfrentar Garcia

Preciso que se coloquem as cartas na mesa e comecem as jogadas estratégicas, o que torna o jogo imprevisível, diante de uma opinião pública com comportamento político difícil de observar com antecedência


Foto Juventino Neto / Panoramio 
Eleições municipais – As campanhas municipais a partir deste mês ganham mais estrutura e debate em todo Brasil. Se na política as negociações partidárias nunca cessam, em ano eleitoral é razoável sua efervescência e investimento em nomes e projetos, principalmente nas grandes cidades, a rigor, nas capitais. Em Goiânia, chega-se a esse tempo sem definição dos nomes da oposição ao atual prefeito Paulo Garcia (PT), que de fato faz parte da estratégia da cúpula pestista de ter o seu representante no executivo municipal. Afinal, o partido dos trabalhadores está há três mandatos no Palácio do Planalto, como vice e governo em Goiânia, portanto, com a força da máquina federal e agora municipal nas mãos.

No momento a leitura que se faz é uma disputa entre o prefeito e Demóstenes Torres (DEM), sendo este o principal nome da oposição para o cargo de executivo. Entretanto, na dúvida do democrata de sair candidato, não há definição de quem estará no páreo no embate com o atual chefe do executivo municipal.  Nomes existem, a maioria sem expressão ou liderança capaz de sinalizar condições de enfrentar a missão. A busca no momento é ganhar a atenção do governador Marconi Perillo (PSDB), personagem importante nestas eleições contra a força de PT-PMDB.

Embora existam pesquisas publicadas sobre a popularidade dos candidatos na mídia local, com Torres à frente e com ampla vantagem, não significa que teria, caso fosse candidato, uma campanha fácil. A rigor, nem sempre quem sai com vantagem vence no final. Preciso que se coloquem as cartas na mesa e comecem as jogadas estratégicas, o que torna o jogo imprevisível, diante de uma opinião pública com comportamento político difícil de observar com antecedência.

Contra a oposição está a dificuldade do governo estadual em alguns setores, como saúde, rodovias e educação. Nesta última a discussão é infindável com os sindicatos dos professores sobre questões salariais e meritocracia. De fato, Perillo se define como um governo com administração vislumbrando o liberalismo, com prioridade à participação do menor estado nos empreendimentos e mais privatizações; segue a cartilha do partido.

Desta forma, na dúvida sobre a candidatura de Torres, o candidato de oposição terá que demonstrar sua capacidade de uma gestão que seja social e promova a qualidade de vida da população. Além de aglutinar politicamente. Difícil

No que diz respeito a Paulo Garcia, deve levar em conta o discurso conforme ideologia do PT, defendendo com prioridade o social, as famílias carentes, educação de qualidade e inclusiva e economia que favoreça os trabalhadores. Na contramão, a cidade possui atento grupo empresarial que tem força política e poder sobre investimento na campanha. Além de uma classe média conservadora, longe de uma visão de esquerda socializante. Neste quesito pontos para o PSDB. Portanto, a vida de um pestista em Goiana não é uma tarefa fácil no intuito de definir o seu discurso.

Além do mais a oposição já faz o discurso previsível, Garcia está mais preocupado com a beleza do centro da cidade a resolver questões sociais, como por exemplo, a condição das pessoas excluídas do centro da cidade; ou mesmo a facilitação de terrenos centrais para as grandes empresas imobiliárias. Assim, a parte fraca do atual prefeito candidato é o social, que rende muitos votos, mas perde adeptos da região central. Não é um jogo fácil para ambos os lados, com máquinas a serviço da situação e oposição. Um azarão seria inconveniente. Aguardar para ver.

Polícia e democracia

A resolução passa por outros caminhos, como por exemplo ações de assistência social ou mesmo distribuição de renda

 

Sociedade – Visivelmente em alguns estados brasileiros aumentou-se a intolerância contra pessoas em condição de marginalidade, que residem nos centros urbanos, principalmente nas grandes capitais, como é o caso de São Paulo e Goiânia. Não se trata de uma novidade, em decorrência da dificuldade de convivência entre integrados e não integrados ao sistema social. A rigor, os desconectados da ordem idealizada e estabelecida provocam suspeita e sofrimento ao dar visibilidade aos seus reflexos negativos, em quantidade. Melhor não ver, mas que transborda para o cotidiano.

Muito já se discutiu em séculos anteriores sobre as cidades dos excluídos em decorrência de doenças incuráveis, que ofereciam riscos à sociedade – com seres humanos obrigados ao confinamento. Certamente, na atualidade, apesar do avanço da medicina, o problema se agrava, não exatamente pelas enfermidades contagiosas, mas pela falta de política pública.

Se não se trata de medidas novas, diante dos recursos para a qualidade de vida, incluindo a medicina e riquezas produzidas, em decorrência das tecnologias, o aumento da exclusão está em sintonia com excesso de individualismo, desejo de riquezas centralizadas em grupos de poder, culminando com forças repressivas para a organização. No final resta observar a falta de democracia, o que depende de ações políticas, cujas lideranças sofrem pressões de grupos com status políticos e econômicos.

Assim, quando falta representação da coletividade, no sentido de observar as diferenças individuais, gerando preconceitos, sobra coação e mesmo autoritarismo.

Como se observa nas afirmações de especialistas retirarem de modo agressivo pessoas que se quer fora dos centros urbanos são ações inglórias, pois não é com armas simplesmente que resolverá o problema da exclusão social, que tanto assombra a ordem nas grandes cidades, aterrorizando a população que passam pelos centros ou vivem dele, com a exploração do comércio.

A resolução passa por outros caminhos, como por exemplo ações de assistência social ou mesmo distribuição de renda. Como já foi discutido amplamente por pessoas da área médica, a vida na rua distancia as pessoas da realidade vivida pela sociedade ordeira – enlouquece, se analisado de maneira rasteira. Ou seja, a inclusão pode ser a única forma para se minimizar problemas que, se continuar assim, será eterno e visível. Logo, a solução será a sempre o estado de guerra.

Fukuyama, classe média conservadora assegura o capitalismo

Longe do fim da história avaliada por Fukuyama, a história que se desenrola tem muitas rupturas a serem construídas. Como diz o próprio autor, as erupções estão ocorrendo.

Política Global – A revista estadunidense Foreign Affairs (negócios estrangeiros) trouxe um emblemático texto de Francis Fukuyama sobre o futuro do capitalismo, em tempos de dúvidas e incertezas, com os movimentos sociais, diante da aceitação da concentração de riquezas, que deixou de ser local para fazer parte de um sistema global.

Fukuyama que se mostra como um intelectual defensor da formação de uma sociedade com base nos atuais princípios econômicos, aos moldes da industrialismo global. Por outro lado, se insurge contra os ideais socialistas, evidenciando a certeza de um mundo separado pelas diferenças inevitáveis entre as classes sociais, independentemente das relações sistêmicas, embora a manutenção da ordem de desenvolvimento se condiciona as definições político-econômicas.

Se num primeiro momento foi possível acreditar que o capitalismo global seria o único lugar para a existência social, neste artigo esclarece que a economia mundial pode entrar em colapso, ante uma classe média empobrecida. Portanto, a salvaguarda do sistema estaria na condição, da política dos países centrais de levarem em conta os desejos dos trabalhadores, aqueles com razoável renda e pequenos empresários.

Em resumo, com o advento das novas tecnologias, que geram desemprego e, portanto, centralização econômica, haverá, conforme o pensador, uma crise social que atingirá as bases capitalista neste século. A solução estaria em distribuir renda com esta classe em específico, pois sendo conservadora, beneficiada pelo atual sistema, não abriria trincheiras contra a economia global. Mas sem vislumbrar resultados, diante da concentração econômica em torno de algumas famílias globais, a atual política global estará em risco.

A visão de Fukuyama se estende aos intelectuais de esquerda, ao afirmar que não conseguem defender bandeiras, promovendo mudanças sociais pragmáticas, com resultados para a sociedade contemporânea; sempre dependentes de teorias ultrapassadas como o marxismo, da era da revolução da massa operária. Sem discurso e apoio da classe média, sobra desconfiança sobre os acadêmicos socialistas, então fora do tempo da história.

A China, por sua vez, seria apenas um modelo político impossível de ser copiado por outras nações, devido sua cultura milenar e peculiar, de um Estado de grupos fortes no poder (comunismo), que permite a ascensão de grande números de pessoas, que querem se inserir no capitalismo ocidental.

Não seria justo e ético desqualificar o intelectual norte americano, que apresenta pontos importantes para discussão. Primeiro, a rigor, até mesmo os pensadores conservadores, defensores de um sistema econômico global, concordam com a fragilidade do capitalismo global na atuaidade, que cada vez mais se concentra e põe em risco seu modelo atual – baseado nas especulações financeiras e não produtivas.

Depois, analisar com precisão as diferentes culturas globais pode levar a erros catastróficos. Difícil encontrar acadêmicos sérios capazes de análises responsáveis sobre a cultura das populações, que sobrevivem fora dos limites dos grandes centros financeiros, cuja qualidade de vida se deteriora, mas não ao nível vivido por milhares de indivíduos em regiões como América Latina e África, para ficarmos em apenas dois exemplos.

O autor revela muito mais pelo que não diz, ao invés daquilo que joga luzes, de modo a tornar mais evidente a preocupação da academia dos países líderes (e até mesmo de nações periféricas), cuja base dá fluxo a ordem política atual.

Longe do fim da história, avaliada anteriormente por Fukuyama, a história que se desenrola tem muitas rupturas a serem construídas. Como diz o próprio autor, as erupções estão ocorrendo.

Cidades da informação!

No final, a simples reprodução da mídia dos grandes centros econômicos, não atende os anseios daqueles que passam a conhecer o Brasil globalizado
Surpreende a dificuldade de acesso à informação em várias cidades do interior do Brasil. Mesmo sem uma pesquisa é possível perceber que a população, em determinadas comunidades, ficam a mercê da televisão metropolitana, com alguns programas regionais, e das emissoras de rádios locais, as quais reproduzem programas nacionais de sucesso, sem investimento em material próprio, na maioria das vezes. A internet é um artigo de luxo, cuja velocidade ainda não chegou ao primórdio da chamada banda larga, mas com preços aviltantes, se considerados salários praticados e serviço oferecidos. Uma realidade pouco vista, em um país urbano de grandes metrópoles globais.

O interesse financeiro das empresas de tecnologia, como TV a cabo, artigo de luxo, não serve ao propósito de atender sequer a elite local, pois a falta de informações das operadoras sobre seus produtos é impensada. O sistema de atendimento ao cliente está longe de um país que cuida do bem-estar da população – o qual testamos pessoalmente e nos decepcionamos.

O computador, embora atenda número pequeno de pessoas, se reduz a um equipamento sem necessidade, afinal é preciso conhecer os seus códigos, ainda confuso na sua interação social, para grande número de pessoas. A juventude desfruta do fluxo cibernético de informações, mas com paciência, sem condições de acessar produtos da chamada indústria cultural – imagine os alternativos! -, devido à impossibilidade de downloads eternos.

Para quem vive nas capitais ou cidades polos, talvez não se atente para a falta de assistência de serviço público nas pequenos e até médios municípios deste país. Na era da tecnologia, a ideia de milhares de pessoas em rede ainda é apenas um sonho, que levará décadas para se materializar. Como se tudo conspirasse para a manutenção de um mundo sem transformações interiores, mas de determinações de fora para dentro.

A cultura própria extrapola os muros locais, e se disseminam pelos contatos físicos, na maioria das vezes. Mesmo sem condições para afirmações pontuais é possível avaliar que a desigualdade ainda persistirá por mais tempo, se considerar a perspectiva da informação. No final, a simples reprodução da mídia dos grandes centros econômicos, não atende os anseios daqueles que passam a conhecer o Brasil globalizado. Talvez esta seja uma das explicações para a perda de moradores de municípios brasileiros, principalmente os jovens, obrigados a inserirem-se ao moderno. Pois é.

A direita da esquerda

A direita dos partidos de esquerda é cada vez mais conservadora do que a esquerda dos partidos de direita. Vale a pena a observação

Visão política – Ao observar do início das campanhas eleitorais para 2012 há uma constatação possível, que olhada mais detidamente se mostra factível: as ideologias partidárias se desfazem rapidamente. Os partidos conhecidos como de esquerda abrigam lideranças tradicionalmente de direita, sendo que o contrário pouco ocorre, justamente pela participação mais efetiva do coletivo social nas relações políticas, na busca do que lhe favoreça. Há uma mistura entre comunista, capitalista, ruralista, num embaralhar com vistas aos resultados de poder (sobretudo, com base no econômico).

Em cidades do interior o candidato a prefeito surge das bases empresariais, da construção civil ou até mesmo de ruralistas, que assume candidatura em nome do partido dos trabalhadores, ou em legenda na teoria defende uma esfera pública popular ou socialista. As filiações de conhecidos nomes de organizações empresariais, ao se filiarem a este tipo de partido, se fazem merecedores de afortunadas festas de marketing, com participação de tradicionais lideranças, que se diziam de pensamento comunista. Um paradoxo, mas nem tanto.

Logo surge a certeza, não existe mais ideologia e os partidos pouco importam, pois a população vota em nomes (de sua representação), simplesmente. Na realidade, não é assim que se resolve. Os candidatos sempre se legitimam somente através dos partidos, sendo que as agremiações se sobrepõem aos nomes – numa estratégia sistêmica. Tanto é verdade que o cargo eletivo é do partido e não do candidato eleito, como se sabe, ratificado em lei. A existência de uma liderança sem partido inexiste, o qual está submetido as suas lógicas de pensamento, seja de direita ou de esquerda – ou centro.

Efetivamente, fora das aparências há uma disputa pelo poder que não passa pela legitimação dos eleitores (social), mas dos partidos e de suas lideranças e relações de poder, o que envolve sobremaneira o econômico. A satisfação dos membros dos partidos da esquerda, na contemporaneidade, está na condição de sua inserção aos valores de uma sociedade das trocas capitalistas, e não sociais.

Assim, no Brasil (especialmente no interior), parafraseando Fukuyama (defensor do fim da história, com a globalização do capitalismo): a direita dos partidos de esquerda é cada vez mais conservadora do que a esquerda dos partidos de direita. Vale a pena a observação.

2012, chegou

Final de ano é, de fato, tempo de balanço das atividades realizadas no período, com o propósito de novos ideais e definição de caminhos. Seja na política, na comunicação, nas relações pessoais, na economia. Pensar nossas ações e participação na sociedade torna-se, assim, um ato de responsabilidade e compromisso coletivo.

Embora, haja uma pausa para descanso e observações, aproveitamos para desejar aos leitores deste espaço muita vitalidade e energia, com vistas a 2012. Uma sociedade complexa exige reflexões permanentes e com diversidade de ideias.

Assim, cumprimentos sinceros. Brevemente  retornaremos com nossos  comentários no Debate.

OBS. Desejo de mais realizações em 2012. Ainda vale lembrar que será mais um ano de políticas efetivas para os cargos de representação pública.

Pessimismo e evolução

Reflexões



Intrigante entender o sistema social capitalista, quando se observa a sociedade e o conhecimento. Nas trocas de informações há um limite de observações que não vai além das lógicas vividas localmente no cotidiano, mesmo considerando os veículos de comunicação. No rigor das análises é possível avaliar que existe uma quantidade de imagens que se vê diariamente, não sendo possíveis outros contatos que não estejam neste quadro. Seria como se a felicidade existisse (na superficialidade) em compasso com a profundidade do que se pensa.

Neste sentido, deve-se aceitar que a passividade é sinônimo de alegria, enquanto o conhecer é razão para a perplexidade e pessimismo. Uma inversão, certamente – como querem aqueles que organizam os status sociais. Usando deste conhecimento, a difusão dos usos de bens torna a vida de milhares de pessoas melhores e “evoluídas”, sensivelmente – pelo que se apresenta. O possuir passa a ser a razão da existência, mesmo que sejam apenas aparelhos que servem como meros instrumentos para se viver plenamente, deste modo, a alegria do pouco conhecer, puro regozijo.

A aceitação se revela no ter o que está altura de um nível social, cujas classes sociais se formam conforme padrão estabelecido. Assim, cada qual se realiza no modo consensualmente aceito. A novela, o filme, o fantástico se revelam efetivando modelos e elevando o sonho de outros mundos, mesmo que impossíveis, mas existentes. Como se observasse o reflexo de uma imagem no fundo de uma caverna, embora real, mas impossível de chegar a ela, concretamente.

A construção da realidade, portanto, estaria na condição de oferecer conhecimento sobre diversos lugares, que na prática são reais, não apenas ficção de um sonho. A educação, mesmo burguesa seria uma forma a permitir fugir de um quadro e alcançar a plenitude da vida, mesmo que pessimista, a qual percebe a evolução e certamente a igualdade.

As novas tecnologias transformam as gerações que chegam, sendo mais próximas da educação formal, que induz observações mais amplas. As novas formas de comunicação, menos centralizadas, também poderão levar a outros caminhos. O capitalismo deverá se renovar para atender ao conhecimento complexo, ainda que tardio.

Núcleo da notícia mundial

O repórter tornou-se uma espécie de ser virtual, mas os interesses políticos são bem centralizados e localizados, talvez diga respeito à força de grandes impérios econômicos

 















Imprensa – Nos últimos anos houve uma clara mudança na quantidade de informações de diversos países do mundo, que passaram a ser jogadores políticos e econômicos, numa sociedade globalizada. Então, se os movimentos que ocorrem em grande número de nações dizem respeito à população espalhada em diferentes lugares – como é o caso das eleições na Rússia -, a notícia sobre esses assuntos pontuais passa a ser fundamental. Entretanto, numa análise rápida vai se perceber que existe um centro para a divulgação dos acontecimentos, formado por duas cidades – ambas de língua inglesa: Washington e Londres. O que torna a confiabilidade sobre o rigor da noticia questionável.

Quem assiste o Jornal Nacional, da Rede Globo – até mesmo lê os chamados jornalões como Folha e Estadão, nas matérias internacionais -, TV de maior audiência no Brasil, pode observar que a participação ao vivo do repórter dificilmente está no local dos fatos, mesmo considerando que a crise seja na Rússia, Irã, Iraque, Afeganistão ou China. As imagens trabalhadas são de grandes veículos de comunicação do país norte americano, em grande número, já transmitidas ou disponibilizadas compulsoriamente por agências.

Embora haja tecnologia suficiente para permitir colher detalhes dos acontecimentos há interferência da política do país em que se localiza o jornalista, ou mesmo a seleção do ângulo da notícia feita pelas próprias agências. Logo, pode-se entender que há um centro gerar de informação.

O repórter tornou-se uma espécie de ser virtual, mas os interesses políticos são bem centralizados e localizados, talvez diga respeito à força de grandes impérios econômicos. O que não quer dizer que os profissionais reproduzam tudo que vem das fontes oficiais ou de agências ligadas aos governos dos Estados Unidos e Inglaterra, especialmente, mas a seleção fica precária no sentido de comparar o que diz, de fato, um e outro agente, nos diferentes governos.

Como se vê, o mundo financeiro e político interferem na definição do que se fala na mídia, sobre os assuntos de países periféricos aos grandes centros econômicos. O Brasil não ficaria fora destas interferências. Talvez até mesmo haja a intenção de um pensamento comum global. Felizmente na sua vida prática e local está o telespectador, conhecedor das estratégias de poder e conhecimento.

Jornal Nacional da família brasileira

Os programas da ainda principal TV brasileira, uma das maiores do mundo, precisam estar à altura dos novos tempos da democracia e participação de uma nação latino-americana globalizada

 

Jornalismo – A visão que a direção do Jornal Nacional da Rede Globo tem da sociedade brasileira é muito parecida como uma grande família, na qual a TV carioca se torna um ente querido, seguida por todos. Uma espécie guia espiritual, responsável por influenciar a consciência de todos. De fato, esta atitude não seria exagerada se pensada há três décadas, mas com o desenvolvimento da educação, novas formas de se comunicar, não se pode duvidar que a nação tivesse outras referências para estabelecer suas relações no espaço social. O zelo com as despedidas de Fátima Bernardes, no telejornal dos Marinhos, demonstra como seus comunicadores veem o Brasil e os brasileiros.

A influência do jornalismo sobre a vida das pessoas é notória, entretanto, não pode desconhecer a capacidade de discernimento de uma sociedade já no século XXI, que não vive dependente de governos autoritários, como ocorreu nos anos de surgimento do JN. Aliás, somente pela audiência do programa aponta para outros lugares, diferentemente da época de chumbo. Talvez o editor chefe do jornal devesse observar a notícia tendo como espelho a realidade social, não como uma grande escola que deve evitar os maus exemplos que vai  perverter os telespectadores inocentes, colaborando com o caos. Verdade que a diferença de renda dos brasileiros permanece, entretanto, numa sociedade dinâmica.

Com as novas tecnologias da informação, que permitem mais agentes no processo de informação, o que se espera de um programa como o Jornal Nacional é mais jornalismo, com interpretações dos fatos, percebendo o espaço da ética e mais objetividade e menos partidarismo político. Os programas da ainda principal TV brasileira, uma das maiores do mundo, precisam estar à altura dos novos tempos da democracia e participação de uma nação latino-americana globalizada.

Enfim, Fátima Bernardes será sempre lembrada como grande profissional que noticiou acontecimentos importantes, ao lado do marido William Bonner. O Publicitário-jornalista que será sempre lembrado como aquele que vê o brasileiro com perfil de Homer Simpson, como fez questão de afirmar em entrevista; observa o telespectador como um indivíduo de consciência mediana, inserido na massa.

Jornalismo on-line e os novos caminhos

No final, não é possível saber para onde esta estrada vai dar, mas é notório que novos caminhos se apresentam, sem deixar ninguém indiferente

Comunicação - Após muitas leituras e debates em torna das mídias sociais e jornalismo, por parte do campo acadêmico e empresas de comunicação, é possível afirmar que está em curso processo emblemático de mudanças do suporte, os canais de mídias. Não se trata de afirmações: chegou o fim do jornalismo, tudo agora é somente rede social, estamos em um mundo absolutamente líquido.

Como há sempre mais formas de comunicação, através de novos meios, de fato haverá mais espaço para informações, o que deverá exigir mediadores qualificados para tratar questões complexas, neste sentido, o jornalismo ganha importância. A confiança da notícia está em meio à competência de observação e análise do profissional da comunicação – em qualquer canal, não somente os tradicionais.

Sem dúvida, o peso da participação maior do público influencia na forma de fazer jornalismo, de maneira que será necessário que as empresas de comunicação gerem notícias em diversos canais e ainda abra formas de ouvir e responder o leitor – muitas vezes em tempo real. O que é uma atitude fundamental para uma sociedade bem informada e ativa no processo social. Portanto, tanto empresa como jornalista devem observar os novos tempos das relações sociais.

Por outro lado, mesmo considerando que são muitas pessoas em rede, discutindo assuntos pertinentes a todos, com inclusão dos veículos de comunicação, chegamos não mundo ideal. A democracia passa por outras instâncias, dentre elas o aumento de oportunidades para comunidades obterem conhecimentos sobre a complexa do espaço em que vive, sobretudo, no campo da representação política – e evidentemente nas relações econômicas.

A rigor, os novos instrumentos da comunicação não servem somente aos cidadãos, mas também às instituições que tem grande poder de decisão em nome das pessoas – que de multidão passiva (o que se pensou) obtém condições para se apresentar como opinião pública. Portanto, não se trata de um falar, mas ter condições de participar, com esclarecimentos.

No final, não é possível saber para onde esta estrada vai dar, mas é notório que novos caminhos se apresentam, sem deixar ninguém indiferente. O controle da opinião pública será sempre uma tentativa, no sentido de manter uma ordem política que satisfaça nem sempre a todos.

Movimentos políticos sociais

Numa sociedade em movimento os desarranjos chegam a todos, de maneira muita direta 


Imagem Folha – Manifestantes fazem ato contra o governo egípcio na praça Tahrir, no centro do Cairo
Povo – As conclusões de grupos sociais, na voz da mídia brasileira, surpreendem pelas afirmações sem reflexões, apenas imbuídas de desejos de um mundo ideal, conforme cultura que se quer global. Ora, é um exagero afirmar que a população dos países árabes e norte da África, bem como do oriente médio, quando vai para as praças públicas em manifestação política, como é caso do Egito, estaria buscando a democracia ocidental. Afinal, do lado cá, os movimentos de jovens, em especial, também fazem parte da realidade de berços da civilização ocidental, como Europa e Estados Unidos. Há busca de liberdade, sobretudo.

Se as regiões em conflitos políticos passam por mudanças importantes depois de muitas lutas, pouco vistas pela mídia ocidental, esta é uma realidade global, que atinge inclusive a América Latina. Numa sociedade em movimento os desarranjos chegam a todos, de maneira muita direta. A defesa de um modo de cultura é direito de camadas da sociedade, mas não se deve imaginar que bastam afirmações para se chegar ao consentimento ou realidade.

Possível perceber que se há uma espécie embates sociais e institucionais para a ordem está em sintonia com a dinâmica da sociedade, que na atualidade convive com mais visibilidade, espaço de fala e fluxo de imagens, através de diversos instrumentos de comunicação. Os ocidentais, desenvolvidos, possivelmente não estarão a salvo dos movimentos, reagirão para fazer valer sua força no sentido de manter o seu equilíbrio como está, eternamente.

Goiás, política sem vozes

Talvez realmente, o sucesso do líder político estivesse na competência de se valer da criatividade e conhecimento da população que o elegeu, ouvindo o que tem a dizer, ao invés de importar paradigmas e fazer-se de surdo para a voz rouca da população

 
Política goiana – A política é o lugar para se construir a representação social, de maneira que, o cidadão não podendo estar presente em todas as decisões que lhe dizem respeito, elege alguém de sua confiança para decidir por ele. Nesta ordem trata-se da definição de uma maioria que faz a sua escolha, que deve ser respeitada pela minoria discordante. A democracia está longe de ser sinônimo de unanimidade, mas exige considerações com o público, o qual deve ser soberano nesta relação e não exatamente os interesses do representante. Desta forma, torna-se forçoso entender que as ações de um líder político deve ser o de estar em consonância com o representado. Isso sempre ocorre? A resposta é NÃO.

Exemplo claro ocorre em Goiás, Estado no qual pouco se vê a relação entre políticos e população, sendo que as determinações partem soberanamente do eleito, que após as urnas passa a ter condições à força, à determinações e decisões na solidão do poder constituído. Em resumo, se observado estas análises trata-se de centralização de poder, o qual evidentemente não pertence somente ao líder político, mas grupos que se beneficiam da simplicidade de eleitores que se esquecem dos seus direitos, imaginando que a realidade é exatamente essa, seja para político A ou B. De fato, o que é pior, tem razão, pois até mesmo os novos nomes que surgem não conseguem se diferenciar desta prática, mesmo considerando as propostas (partidárias) ideológicas distintas.

Sem generalizar, o que seria possível, deve-se observar o que ocorre em Goiás, pois, se fosse dado o direito à população sobre decidir sobre saúde pública ou terceirizada, muito possivelmente sua resposta seria: pública de qualidade. Afinal, como pensar a qualidade do serviço público exercido pelo privado? Os exemplos que se tem no Brasil neste quesito não são animadores.

Os motoristas que trafegam pelas rodovias goianas desejam a construção de pedágios, para uma rodovia de ótima qualidade, terceirizada? Certamente, que não, pois vai onerar o seu bolso e por consequência o da população que vive em país do transporte.

Meritocracia

Se fosse questionado sobre a qualidade da educação e serviço público goianos será mesmo que opção seria pela meritocracia, que de certo modo torna-se a individualização de um sistema, muito semelhante o que se propõe no sistema privado, no qual se tornar colaboradores concorrentes, com o objetivo de se produzir mais? Ou seja, como dizia Adam Smith (teórico do capitalismo), o garçom atende bem o seu cliente não exatamente pelo sentimento de amizade pelo bon vivant, mas pelo interesse particular em obter mais rendimentos pessoais. Uma espécie de individualização para os seus resultados. No final, formam-se grupos (de indivíduos) com interesses que servem aqueles que ditam as normas, pois se o objetivo é particular então deve-se atender o que se pede, aquele do poder. Um erro, principalmente na educação, que pressupões solidária.

Por último, será mesmo que Goiás teria condições de reproduzir modelo de política implantada em São Paulo, um Estado com forte economia Brasileira – idealizado por José Serra, Geraldo Alckmin e Fernando Henrique Cardoso? São realidades econômicas, sociais e culturais completamente distintas, ainda bem. Sem contar que a educação pública paulista é uma das piores do país, embora o PSDB esteja no poder há décadas.

Talvez realmente, o sucesso do líder político estivesse na competência de se valer da criatividade e conhecimento da população que o elegeu, ouvindo o que tem a dizer, ao invés de importar paradigmas e fazer-se de surdo para a voz rouca da população. Ademais, aqueles que nascem em meio a este modelo tem uma missão: ser diferente, pois ser igual deverá torná-lo menos um na história, de uma sociedade que é dinâmica e desacredita de seus líderes, apesar da obrigação sistêmica imposta de eleger alguém. Ruim para a democracia, problema para todos.

Perspectivas do jornalismo e as redes sociais

Artigo publicado em Observatório da Imprensa

Na contemporaneidade, pensar a comunicação social é analisar a importância das redes de computadores que integram as comunidades, numa relação global. Não se trata de desclassificar ou desconsiderar a mídia tradicional, entendendo-a como sem importância para o futuro – ou o fim do jornal impresso, como alguns apregoam, ou mesmo do jornalismo como o conhecemos nos tempos atuais. Entretanto, surge um agente que vai se ampliando em diferentes países, com mais ou menos intensidade. Assim, pode-se dizer que há um grande volume de informações, impensado anteriormente, disponível para grande parte da sociedade, a qual, há bem pouco tempo, não podia acessar os meios para o conhecimento dos fatos cotidianos. Em grande proporção, o jornalismo se espalha pelos diversos veículos, tornando os cidadãos sem lugar, locais ou de todos os lugares (globalizados). Dito isso, surgem questões inevitáveis: haverá algum tipo de mudança no comportamento da sociedade? A comunicação mudará, descentralizando as hierarquias sociais?

Não há dúvida quanto à modificação global no negócio de jornalismo, pois nos principais centros econômicos, substancialmente nos Estados Unidos e países europeus, houve queda no faturamento na última década – conforme noticiado pelos próprios jornais –, e cada vez mais acessos à internet, o que implica ainda se informar também através dos tradicionais meios de comunicação, mas em grande parte sem a necessidade de pagar pela informação, sempre disponível na rede. A busca pela forma de se estabelecer no mercado passa a ser uma atividade diária das mídias comerciais, especialmente o jornal impresso, que atinge um público mais informado e com poder aquisitivo. Certamente, deverá continuar a ser atendido pela atividade jornalística, indispensável no mundo moderno, sem abrir mão da confiabilidade. Além do mais, no Brasil, como exemplo, o jornal obteve aumento de circulação nos últimos anos, mesmo considerando as novas mídias.

Participação, contestação e soluções

Resta ainda entender, no meio de tanta informação, o que implicam estas mudanças da comunicação na sociedade moderna. A rigor, a democracia está em relação com os meios e a informação. Sem dúvida, o próprio jornalista está nesta conversão, pois como os fatos não se narram, se faz necessário um mediador. Entretanto, torna-se indispensável saber qual será o seu perfil diante das novas tecnologias, que permitem a um não-jornalista propagar mensagens informativas, gerando conhecimento para outras pessoas em diversos lugares – sobremaneira, para a comunidade.

Desta forma, a relação jornalista e fontes de informação muda substancialmente, devendo ser considerado permanentemente o homem no seu cotidiano e suas necessidades enquanto agente social. Logo, vão se tornando comuns os vários movimentos que se ampliam em diversos países, como se vê hoje na região do Oriente Médio, norte da África, Europa, Estados Unidos e América Latina; nações que passam a ser agendadas pelas mídias globais.

Nesta interação entre jornalista e “pessoas comuns” em rede, amplia-se a quantidade de informação, transformando potencialmente todos em produtores de conhecimento, o que tem reflexo na política, seja partidária ou social. A visibilidade dos líderes políticos ganha o espaço público, as transações econômicas se inserem no debate em diferentes plataformas de comunicação. As denúncias vão se tornando comuns para movimentos que se propagam nos mais importantes programas noticiosos locais e internacionais. Em resumo, as novas tecnologias tornam a sociedade cada vez mais complexa em um espaço de participação, contestação e soluções.

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[Antonio S. Silva é jornalista, mestre em Comunicação pela PUC/SP, doutorando pela UnB e professor]

Nem tudo é caso de polícia

Se houver consumo indevido de drogas ou de álcool que possa atrapalhar a terceiros ou atividades didáticas, cabe à própria comunidade universitária adotar regras e mecanismos de fiscalização que coíbam esse tipo de prática
   
Força do Estado – Os Estudantes da USP e reitoria, em São Paulo, vivem uma questão realmente complicada: se a polícia deve ou não ter parte do campus da universidade. A questão seria de analisar se há a necessidade do Estado – com seu aparato de repressão – fazer vigilância dos alunos das diversas faculdades, o que pressupõe, na visão dos discente, impedir a liberdade e cercear o direito a crítica e decisões políticas. Afinal, os uspianos sofreram repressão pelo estado militar nos anos de chumbo. Por outro lado, a reitoria, burocratizada, muito próxima do governo paulista, vê que a segurança passa pelo oficial, com regras bem definidas e previsíveis para quem as seguem passavimente. Uma espécie de manutenção do poder, contra a resistência.

Além do mais não há unanimidade entre os estudantes, pois a outra parte entende que a segurança deve ser do Estado, que os protegeria da violência urbana que chega ao campus – ou está dentro dele. Uma realidade que pode ser analisada como se fosse indispensável se ordenar para ter liberdade, em conformidade com uma segurança, com regras definidas pelo oficial.

Bem verdade, que não é este o cotidiano de uma sociedade em todos os lugares, mesmo nos grandes centros urbanos. A proteção que deveria chegar a todos, por uma questão complexa, não chega aos diferentes rincões ou grupos sociais. A universidade (acadêmica) não está fora das lógicas sociais, mesmo considerando a lembrada USP.

Desta forma, o impasse continua, e no final as duas partes devem ceder, mas, a rigor, os alunos fazem sua parte ao questionar se a razão social passa pela força coercitiva do Estado, com repressão. Possivelmente, a solução dos problemas urbanos e acadêmicos se relaciona diretamente com o coletivo, quem cabe decidir.


Mais análises:

Folha de S. Paulo – opinião

A USP deve manter o convênio com a Polícia Militar?

NÃO

Polícia para quem precisa

HENRIQUE S. CARNEIRO

A crítica à Polícia Militar na USP se refere a sua utilização contra estudantes ou contra grevistas. Se há um agressor, estuprador ou assaltante armado, a PM será acionada como em qualquer outro crime. Mas revistar estudantes, dar buscas em centros acadêmicos ou prender jovens que fumam maconha em gramados do campus é não só dar destinação errada para a PM como extrapolar suas supostas funções de proteger a comunidade.

No que se refere ao crime na USP, pretexto para o uso da PM contra os estudantes, se sabe que a melhor proteção é a própria coletividade atenta e uma guarda bem treinada, bem equipada e com confiança comunitária. Em geral, não há crimes contra a pessoa ou contra o patrimônio à vista de todos, em lugares bem iluminados e cheios de gente. Por isso, em lugares em que há fluxo de estudantes, a vigilância ostensiva não é tão necessária, mas, sim, em lugares ermos ou nas entradas e saídas da universidade. A polícia priorizar a repressão ao uso de maconha é errado, porque isso a torna uma patrulha de costumes anti-estudantil.

Em breve, poderão prender também as fotocopiadoras ou quem vender cerveja em festas? Se o objetivo maior deve ser a manutenção da tranquilidade social, a intervenção da polícia não pode ser o agente que venha justamente provocar a ruptura dessa paz.

Se houver consumo indevido de drogas ou de álcool que possa atrapalhar a terceiros ou atividades didáticas, cabe à própria comunidade universitária adotar regras e mecanismos de fiscalização que coíbam esse tipo de prática. Até mesmo um cigarro de tabaco aceso em locais fechados é proibido e a comunidade deve, corretamente, buscar impedir quem fume um cigarro não respeitando o interesse coletivo. Ou devemos deixar a PM resolver isso também?

O uso de cigarros ao ar livre em lugar retirado, seja de tabaco, de cravo ou de maconha, não afeta ninguém além dos seus usuários. É uma conduta tipificada na teoria do direito como isenta de qualquer princípio de lesividade. O bem-estar público não é afetado. Ninguém tem ameaçados os seus direitos nem há nenhuma violência em curso. A própria legislação vigente p já entende que o uso de drogas em si não deve ser penalizado.

O uso de drogas por jovens não pode ser tratado como um caso de polícia. Menos ainda num ambiente escolar, onde o diálogo e a busca de soluções negociadas e não violentas devem ser uma parte constituinte do projeto pedagógico. A melhor segurança é uma guarda universitária modelo, bem equipada e não terceirizada.

A terceirização compactua com trabalho superexplorado e mal qualificado e afasta os serviços de segurança da relação orgânica com a comunidade. Um guarda funcionário da universidade conhece melhor a comunidade e pode melhor ajudar a dirimir problemas, assim como identificar as ameaças à segurança e constituir uma rede de inteligência, comunicação, proteção e confiança comunitária.

HENRIQUE S. CARNEIRO é professor doutor do Departamento de História da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP.

Câncer de um presidente, a enunciação

O mesmo se poderia dizer de caso semelhante para um político visto como de direita clássica, as atitudes não seriam diferentes. O pensamento não se deve surgir forçosamente, mas no crivo da razão
  
Estratégias da política – A doença do ex-presidente Lula mexe nas expectativas do cenário político brasileiro, pois ao afastar-se da política um agente, enquanto está acamado, abre espaço para a oposição de tecer sua rede de relações, no sentido de interferir no atual governo, considerando a influência e participação da liderança fora de combate. De fato, neste universo não há emotividade para as enfermidades, mas tudo se soma no como obter resultado, de ambos os lados. Desta forma, o que parece ser algo temporário, vai se arregimentando rapidamente, o que exige movimentos dos agentes políticos, que passam se organizar. Evidentemente, que as lideranças são aquelas que podem se movimentar, considerando, sobretudo, que o político é um agente e não simplesmente um ser nas suas relações familiares e privadas.

Por mais que não se queira admitir em público, mas as discussões são evidentes, traçando caminhos diversos para as próximas ações. De fato, não há razão para acreditar que o ex-presidente está fora do espaço político, afinal, a medicina no seu avanço tem condições de vencer as mortais doenças do passado, permitindo vida saudável para os enfermos de diferentes classes sociais. Exemplos disso não faltam, mas não se sabe quais serão as prerrogativas do ator político posteriormente. Assim, não baste mente sã, mas o corpo é um instrumento de lutas duras, as quais exigem resistência.

Mas há que se destacarem dois pontos importantes. Primeiro, tornou-se forçoso reconhecer que os líderes que se posicionam a esquerda do sistema sofrem fisicamente na empreitada. Pois, se pode perceber a doença de Hugo Chaves na Venezuela, Fidel Castro em Cuba, Lula no Brasil, Dilma Rousseff durante a campanha presidencial – agentes atuantes em países da América Latina. Numa análise de reconhecimento, se observados os atores políticos mais evidentes não se vê enfermos do lado da defesa do sistema social atual (o establishment). Os presidentes das grandes potências se mostram sólidos e aproveitando suas aposentadorias, verdade, que no limbo.

Depois, surge a repudia, e de ambos os lados e na mídia, às críticas ao ex-presidente na rede social, como se a internet fosse um lugar de apenas um discurso. Exatamente a sua importância, faz parte do debate a fala de pessoas com visão inteiramente distintas, com participação efetiva ou não. Portanto, seria natural que houvesse satisfação por um lado, como tristeza por outro. Devemos observar a maioria, como se manifesta, pois se torna forçoso na democracia analisar o interesse das muitas vozes e não aqueles que gritam mais alto, ou tem instrumento para isso. O mesmo se poderia dizer de caso semelhante para um político visto como de direita clássica, as atitudes não seriam diferentes. O pensamento não se deve surgir forçosamente, mas no crivo da razão.

Ademais, as poucas vozes que aparecem na rede ganham ênfase na grande mídia que, mesmo que agendando como aspecto negativo, pode gerar conhecimento para a participação de uma comunidade inexistente, apresentada como maioria, que na verdade vai sendo criada. As estratégias fazem parte da enunciação.