A falta de tática dos tucanos levou Alcides a tomar decisões, pois em meio ao embate entre o ex-governador e o governo federal não restaria saída ao pepista.
Política - Sem dúvida a atitude de Alcides Rodrigues foi contra o que se pensou muitos críticos políticos no início do governo pepista, que não somente vem se distanciando de Marconi Perillo, mas também sinaliza para a oposição ao PSDB, partido mais importante da base que elegeu o atual governador. Em Goiás a base do governo vem se desenhando com PT e PMDB.
Nos bastidores, no início deste governo, chegou-se a pensar na possibilidade de o tucano ser o governador de fato, enquanto Alcides seria apenas figurativo, como o foi enquanto vice. Verdadeiramente, isto não ocorreu, afinal, o que fica evidente é o endividamento do Estado deixado pelo governo anterior, numa condição de quase impossibilidade de administração. Em todos os setores os gastos denunciavam a falta de rigor na responsabilidade administrativa. Desta forma, não restaria alternativa a não ser a busca de apoio do governo federal e aproximação com a prefeitura. Havia, portanto, uma escolha de Alcides: aceitar a condição de servilismo à base marconista ou definir um governo com marca própria, mesmo considerando rompimentos.
A falta de tática dos tucanos levou Alcides a tomar decisões, pois em meio ao embate entre o ex-governador e o governo federal não restaria saída ao pepista. Teria que distanciar do senador, no sentido de viabilizar recursos indispensáveis da união para o Estado. A rigor, nenhum político no poder vai liberar recursos para adversários futuros, desta maneira, não havia alternativa. Com a aproximação entre Iris Rezende e PT, a rompimento com a sua base seria uma questão de tempo. Embora, em alguns momentos o atual governador se mostrou com dúvidas. Como em política não é possível estar o tempo todo no meu do caminho, a definição do grupo alcidista não tinha outra medida.
A Celg possivelmente seja o “tendão de Aquiles” de Marconi que deixou uma dívida impagável, embora não seja uma obra inteiramente sua, pois se trata de um endividamento que vem de longa data. Entretanto, não administrou os gastos da estatal que só fez aumentar. Sem condições de dar sustentação ao governador, Alcides foi obrigado a procurar os cofres da união.
Desta forma, os tucanos goianos convivem os resquícios do poder do tempo novo, mas sem possibilidade de rever as relações do período do governo. A definição dos resultados das estratégias de ambos os lados vai depender do eleitor em 2010. Há muitas discussões neste sentido.
DOENÇAS GLOBAIS
O mais intrigante, entretanto, é imaginar que a contaminação tem vindo dos países ricos. A mais grave delas é a financeira, a qual as nações do terceiro mundo aprenderam a conviver a duras penas.
Saúde - A gripe suína, como ficou conhecida, coloca em evidência a relação de proximidade que vive o mundo. Realmente Mcluhan tem razão: vivemos em uma "Aldeia Global". Uma doença que apareça em qualquer parte do mundo atingirá todo planeta em pouco tempo, caso não seja debelada radicalmente. Ou seja, a resolução de problemas que afeta uma comunidade não fica circunscrito a um lugar, mas os vizinhos devem se preocupar com a situação de todos. Desta forma, a concentração de riquezas em alguns países não é motivo para tranqüilidade plena, apesar de possuir localmente sistemas eficientes, seja na saúde, ou na economia.
Imaginar que os Estados Unidos são desenvolvidos cultural e economicamente, ao lado de países da Europa, não os livram das misérias sociais dos países de terceiro mundo, como já foram equivocamente chamados, em um passado não muito distante. Afinal, estamos todos em uma mesma aldeia. O grito de um certamente vai incomodar muita gente.
Uma doença se transforma em uma epidemia se não tratada rapidamente onde ela ocorre, ninguém está imune. Embora a pobreza não pegue por contato, mas os seus reflexos, na pós-moderna são contagiantes e globalizados. O México é hoje uma grande preocupação das comunidades milionárias, pois o espirro por lá já chegou a países que possuem competente sistema de saúde. Combater uma doença em um lugar não significa tranqüilidade definitiva, mas uma solução parcial, apenas.
O mais intrigante, entretanto, é imaginar que a contaminação tem vindo dos países ricos. A mais grave delas é a financeira, a qual as nações do terceiro mundo aprenderam a conviver a duras penas. Desta forma, estrategicamente conseguem viver com a falta do essencial, o básico, mas os seus reflexos podem ser perturbadores. Ao que parece, enfim, ninguém está a salvo das mazelas agora globais, menos ainda os historicamente abastados e felizes.
A Imprensa e a Lei
A rigor, os meios de comunicação passam a exercer função exageradamente grande para a formação do pensamento social.
Mídia - Como era esperado o Supremo Tribunal Federal derrubou, na íntegra, a Lei de Imprensa alegando ser antiga, de 1967, formulada por governo militar, e que não serve mais aos propósitos. Imbuídos do espírito da liberdade de imprensa, os representantes da justiça, entenderam que é preciso modernizar as formas de tratar a comunicação de massa, pois com o advento das novas tecnologias, a sociedade vive em tempos novos, uma nova realidade. Desta forma, tornam-se indispensáveis refazer suas diretrizes, que definem a esfera pública.
Alguns pontos precisam ser analisados de maneira detida, a começar pelo código civil, pois há a dúvida se será mesmo suficiente para dar conta do complexo território da comunicação pós-moderna, exatamente, a que fazem referência os defensores das mudanças. Afinal, nos dias atuais a comunicação se torna a base de construção da realidade, haja vista, a quantidade de informação que a sociedade recebe, sem ter condições de verificar in loco a sua veracidade. A rigor, os meios de comunicação passam a exercer função exageradamente grande para a formação do pensamento social. O que não quer dizer, evidentemente, capacidade para definir os rumos de uma sociedade. Entretanto, passa a ser uma ferramenta importante no espaço sistêmico.
Profissionalmente, o jornalismo está longe de ser de pouca importância, mas ao contrário, ao longo dos séculos tornou-se fundamental para delimitar o olhar social, a começar para a concepção de política, economia, cultura. Caso não fosse assim, não haveria tanta necessidade da justiça se preocupar com as mensagens jornalísticas e publicitárias no período eleitoral. Casos emblemáticos estão à volta, como, por exemplo, a vitória de Collor de Melo em 1989, que contou com o apoio explícito e escandaloso da Rede Globo de Televisão, com evidente edição do Jornal Nacional que dispensou mais tempo para o candidato vencedor, do PRN, e menos para o sindicalista Luiz Inácio Lula da Silva. Além do caso que, de tão escandaloso, virou livro: a Escola Base de São Paulo. O qual resultou na destruição de famílias inteiras por relatos falsos da mídia sensacionalista.
Evidentemente que pontos da Lei deveriam ser revistos, mas a definição de seu fim por completo, torna-se exagero e falta de conhecimento por parte dos representantes da justiça brasileira que, muitas vezes, perdem sua referência e embrenham por caminhos que macula a imagem de uma sociedade dita justa e democrática. Mídia não ser refere a jornalistas, pobres mortais, mas grandes empresas de comunicação com todo o seu poder de barganha, político e econômico.
A afirmação que se trata de uma Lei da era militar não se sustenta, pois se assim fosse, deveríamos rever a tomadas de decisões de Getúlio Vargas que deixou grande legado, contudo sendo embora questionado, não foram deletados da vida brasileira. Nos tribunais, possivelmente a confusão poderá levar a falta de transparência, o que, de alguma forma, norteia o ordem de partes do país.
Cotas para as universidades
Não é possível considerar capacidade intelectual com condições financeira, simplesmente.
Educação - O governo federal acena a cada dia para a inserção dos estudantes de escolas públicas nas universidades federais. Conforme editorial do Jornal Folha de S. Paulo, a Comissão de Constituição e Justiça da Câmara dos Deputados aprovou projeto que reserva 10% das vagas no ensino universitário público para pessoas portadoras de deficiência.
A rigor, há uma inversão de valores no ensino brasileiro que se arrasta há décadas, que, embora intrigante, não causou impacto na sociedade, talvez porque privilegie grupos sociais. O ensino fundamental público é ocupado por estudantes com poucos recursos econômicos, sendo que na universidade federal estudantes com maior poder aquisitivo são a maioria – principalmente nos cursos mais concorridos, como medicina, engenharia, direito. Desta forma, quem não tem condições de pagar a mensalidade para o ensino superior investe na graduação em uma escola particular, sendo que continua bancando, através de impostos, o ensino público. Desta forma, as cotas se apresentam como um meio de fazer justiça com grande parte da sociedade brasileira.
Considerando os 10%, caso passe pela burocracia do congresso brasileiro, serão 60% de cotas direcionadas para os estudantes de escolas públicas e pessoas com deficiência.
Sobre a perda de qualidade do ensino público, não parece ser exatamente a questão, considerando que não é possível considerar capacidade intelectual com condições financeira, simplesmente.
Link – Editorial Folha de S. Paulo - http://www1.folha.uol.com.br/fsp/opiniao/fz0105200901.htm
A Farra
Política e Realidade
Desta forma, as viagens aéreas com dinheiro público – uma das tradições da política autoritária e coronelista - reproduzidas em escândalos nos meios de comunicação de massa, não servem ao propósito de esclarecer os fatos.
Gastança - Não é de hoje a festa na política brasileira, que vem desde o surgimento do Brasil com uma burocracia que servia aos propósitos da metrópole em detrimento da sociedade tupiniquim que havia por estes lados. Esta farra com o dinheiro dos brasileiros não é nova e nem é um privilégios de brasileiros, afinal, a disposição de se apoderar dos recursos produzidos por uma nação faz parte de um sistema concentrador. Portanto, esta discussão sobre a gastança dos representantes do povo, com tanto barulho, serve apenas para preencher páginas de jornal e destacar pontos das mazelas sociais. Assim, mais desorienta do que informa a sociedade sobre os problemas estruturais existentes.
Uma hipocrisia imaginar que o dinheiro dispensado pela política brasileira é usado de maneira sempre honesta. Os donos de jornais, empresários, intelectuais e pessoas medianamente pensantes sabem que o dinheiro público serve a outros fins que não somente os interesses sociais. As trocas de favores entre líderes políticos tornaram-se uma tradição do país, mesmo considerando que são milhões de reais que engordam bolsos de uma classe social e promove a pobreza de milhões. Quem não quiser enxergar isso tem toda a liberdade de viver alienado diante de uma realidade de marginalização de indivíduos não funcionais, que não podem deixar de ser percebidos em ruas e avenidas urbanas.
Os jornalistas e um grupo seleto de empresários, por exemplo, conhecem bem os trâmites do poder, pois vivem numa relação permanente com a política, ao ponto de alguns deles serem responsáveis pela eleição de candidatos desconhecidos, pouco confiáveis, desonestos e populistas. Evidentemente, que cada qual serve aos interesses das circunstâncias de organização dos ideais de sociedade, definidos por um centro gerador de conhecimento, conforme estrutura que se queira.
Desta forma, as viagens aéreas com dinheiro público – uma das tradições da política autoritária e coronelista - reproduzidas em escândalos nos meios de comunicação de massa, não servem ao propósito de esclarecer os fatos, embora contribua para dar visibilidade à condução do espaço público por seus líderes eleitos. Destaca, entretanto, apenas pontos do iceberg, sob o qual está uma realidade que deveria ser tratada de maneira a formar uma sociedade democrática, ou seja, que a informação não fosse simplesmente sobre os reflexos, mas que iluminasse o que está por trás do que é informado superficialmente.
Se o procedimento continuar logo teremos mais páginas de jornal, como uma novela que mistura ficção e realidade, sem haver condições de se avaliar o espaço vivido de cidadãos que acreditam no futuro e na liberdade.
Curta - O Poder de Brasília
Aniversário - Brasília completa hoje 49 anos, sendo inaugurado pelo mineiro Juscelino Kubitscheck em 21 de abril de 1960. Embora seja a capital federal projetada e idealizada para ser funcional e a cidade do poder, no centro do país, carrega em torno de si a pobreza e as diferenças de renda peculiares ao Brasil.
A começar pela diferença que há entre Brasília e a região do entorno. A primeira com seus altos salários, sendo que a condição de vida de seus ilustres moradores, salvo exceção, está entre as melhores, perdendo apenas para São Paulo. Entretanto, as cidades da região convivem com a violência e a pobreza de pessoas que buscam aproveitar da riqueza da capital.
Parabéns para os brasilienses e brasileiros que comemoram o aniversário de sua capital, entretanto, não se podem esquecer das mazelas existentes, muitas delas pela omissão dos representantes das comunidades sociais que usufruem das festas perenes na cidade do poder.
A começar pela diferença que há entre Brasília e a região do entorno. A primeira com seus altos salários, sendo que a condição de vida de seus ilustres moradores, salvo exceção, está entre as melhores, perdendo apenas para São Paulo. Entretanto, as cidades da região convivem com a violência e a pobreza de pessoas que buscam aproveitar da riqueza da capital.
Parabéns para os brasilienses e brasileiros que comemoram o aniversário de sua capital, entretanto, não se podem esquecer das mazelas existentes, muitas delas pela omissão dos representantes das comunidades sociais que usufruem das festas perenes na cidade do poder.
Irís Rezende e os ônibus
A sociedade dá o seu recado, primeiro com barulho, depois o silêncio e finalmente o resultado.
Sociedade - Estranha a forma como a prefeitura de Goiânia concede aumento para o transporte coletivo para a capital. Afinal, o preço pago pelo usuário já está alto demais com o valor de R$2,00 e agora terá que desembolsar R$2,25. Um dos bilhetes mais caros do Brasil, numa capital que não está entre as mais ricas do país. Ainda a implantação do sistema City bus, com passagem no valor de R$4,50 está longe da capacidade de gastos de uma minoria da cidade, pois se avaliado numa relação de custos e benefício o carro é mais econômico do que transporte implantado. Um projeto que possivelmente não atingirá o resultado que se espera: reduzir o número de veículos no centro da metrópole. Medidas que podem refletir na popularidade do chefe do executivo que se apresenta candidato às eleições de 2010.
Como em política, os segredos não são midiatizados e o que é revelado para o público, muitas vezes, tem interesses partidários, o fato é que a atitude de Rezende vai de encontro com os interesses políticos de seu grupo. Afinal, o prefeito tem uma larga trajetória no estado que misturam altos e baixos. Está numa grande fase de aceitação popular, entretanto, não se pode esquecer-se de acenar para o público que também sofre com a crise econômica, não somente os empresários - neste caso do setor de transporte urbano.
O sinais são visíveis não somente para a oposição, mas para a coletividade. Durante a semana vários manifestações no centro de Goiânia e nas instituições acadêmicas, com enfrentamento entre estudantes e Polícia Militar, contra o aumento exagerado e fora de sintonia com o momento em que vive a economia mundial. A sociedade dá o seu recado, primeiro com barulho, depois o silêncio e finalmente o resultado.
Sociedade - Estranha a forma como a prefeitura de Goiânia concede aumento para o transporte coletivo para a capital. Afinal, o preço pago pelo usuário já está alto demais com o valor de R$2,00 e agora terá que desembolsar R$2,25. Um dos bilhetes mais caros do Brasil, numa capital que não está entre as mais ricas do país. Ainda a implantação do sistema City bus, com passagem no valor de R$4,50 está longe da capacidade de gastos de uma minoria da cidade, pois se avaliado numa relação de custos e benefício o carro é mais econômico do que transporte implantado. Um projeto que possivelmente não atingirá o resultado que se espera: reduzir o número de veículos no centro da metrópole. Medidas que podem refletir na popularidade do chefe do executivo que se apresenta candidato às eleições de 2010.
Como em política, os segredos não são midiatizados e o que é revelado para o público, muitas vezes, tem interesses partidários, o fato é que a atitude de Rezende vai de encontro com os interesses políticos de seu grupo. Afinal, o prefeito tem uma larga trajetória no estado que misturam altos e baixos. Está numa grande fase de aceitação popular, entretanto, não se pode esquecer-se de acenar para o público que também sofre com a crise econômica, não somente os empresários - neste caso do setor de transporte urbano.
O sinais são visíveis não somente para a oposição, mas para a coletividade. Durante a semana vários manifestações no centro de Goiânia e nas instituições acadêmicas, com enfrentamento entre estudantes e Polícia Militar, contra o aumento exagerado e fora de sintonia com o momento em que vive a economia mundial. A sociedade dá o seu recado, primeiro com barulho, depois o silêncio e finalmente o resultado.
Obrigatoriedade do diploma
O fim da obrigatoriedade, caso ocorra, deverá levar a formação de um grande exército de reserva de profissionais e, por conseguinte, a perda da visão ética que norteia a comunicação, que interage com a opinião pública.
Jornalismo - Nesta quarta-feira (1º) o Supremo Tribunal Federal decide a manutenção ou revogação da Lei de Imprensa e obrigatoriedade do diploma de jornalista para exercer a função. Uma decisão que envolve mudanças significativas na estrutura social, mais do que muitos imaginam. O que parece ser algo simples, apenas mais uma votação da justiça, na realidade representa a abertura de uma discussão que envolve toda sociedade brasileira: a comunicação de massa e a liberdade de informação. Evidentemente, que as grandes empresas do setor são favoráveis e pressionam neste sentido para o fim a exigência do documento. Apesar de não deixar claro seus objetivos fica evidente a busca da organização do jornalismo que atenda os seus interesses filosóficos, éticos e econômicos.
Verdade, que as entidades que representam a categorias lutam para manter uma reserva de mercado, o que não diferencia das outras profissões regulamentadas, como direito e medica, por exemplo. No entanto, tão fundamental para a democracia está à comunicação mediada de ser gerida por profissionais capazes de entender todo o processo comunicativo que envolve a relação com o poder político e econômico e o espaço público. Não seria demais afirmar que a estruturação de uma sociedade, seja moderna ou pós-moderna, passa pela comunicação social, com participação efetiva dos meios indispensáveis. A rigor, não é possível imaginar, na contemporaneidade, o homem viver sem a mediação dos veículos e das novas tecnologias da informação. Entretanto, a liberdade está intrinsecamente ligada a estas mediações.
Possível imaginar que a sociedade se forma culturalmente a partir da comunicação que ela estabelece no seu interior, portanto, a determinação da ordem passa pela difusão das mensagens que serão também reproduzidas pelos indivíduos. A maneira de tratar esta informação condiz com a ordem que irá se estabelecer. Neste sentido, as empresas de comunicação passam a ganhar mais poder do que antes, pois terá condições a partir de suas definições de sistema social, definir o discurso reverberado.
O fim da obrigatoriedade, caso ocorra, deverá levar a formação de um grande exército de reserva de profissionais e, por conseguinte, a perda da visão ética que norteia a comunicação, que interage com a opinião pública. Perde a maioria da sociedade que passa a estar mais a mercê da ética traçada pelos donos de grandes impérios da imprensa brasileira.
Considerando que ao longo das últimas décadas há mudanças substanciais no sistema social, a busca imperiosa pela revogação da obrigatoriedade do diploma faz parte de uma estratégia de manutenção de uma ordem que, certamente, faz parte desta luta social para a existência de uma estrutura que se entende questionável e muitas vezes injusta.
Metáforas populares
Em resumo, entretanto, o posicionamento do presidente é simplificador de uma realidade que vai mais além do que se percebe e se pode ver.
Política - Difícil imaginar as dificuldades dos grupos líderes na ordem social de entender as "gafes" do presidente. Há vários lados que precisam ser avaliados quando Luiz Inácio Lula da Silva diz que a crise é “culpa dos brancos de olhos azuis”, a começar pelo interesse do presidente de mandar recados para as classes pobres brasileiras, que ao longo de séculos é informada que os ricos têm classe e cor de pele. Aqui se destaca a escravidão imposta a população africana e a um grande número de pessoas sem pátria – mesmo sendo brasileiros - que não participam do poder econômico. Portanto, o comentário tem endereço e audiência e, verdade, causa muito mal-estar entre os colonizadores e escravagistas, dos tempos passados e presentes.
Numa outra linha, há um choque nos detentores do poder econômico global, ao apresentar advertência em relação ao posicionamento que o governo brasileiro assume no poder. Assim, se estabelece um enfrentamento com determinados grupos nacionais, representantes de interesses financeiros globais, os quais revidam com um contra discurso. Neste sentido, cabem argumentos os mais diversos como discriminação, pobreza de espírito, incapacidade de argumentação, etc. Verdade, que, nesta luta pelo poder, ganha mais condições de se estabelecer quem tem mais competência para constranger os adversários publicamente.
A mídia repetiu a afirmativa do governo durante todo dia desta quinta-feira (27), com repercussão nas rádios e televisão, e os jornais impressos continuam com as críticas. A rigor, o posicionamento demonstra as lutas que acirram em um momento de crise. O posicionamento do presidente merece ser criticado se vai de encontro às lógicas traçadas previamente numa visão de ordem mercantilista, mesmo considerando a necessidade de avaliar que a crise é global e financeira, advinda de alguns países europeus e Estados Unidos, ou seja, de um mercado ordenador do sistema social.
Em resumo, entretanto, o posicionamento do presidente é simplificador de uma realidade que vai mais além do que se percebe e se pode ver. Mas bem perto está as chagas vivas de uma crise que mexe com a estrutura que sustenta um sistema que tem fissuras, que, entretanto, deverá sofrer mudanças abruptas ou não conforme os discursos difundidos.
Política sem realidade
A análise do governador é simplista e simplificadora demais para alguém que faz uso do poder de representação de um estado.
Política - "Só fala em candidatura neste momento quem não tem trabalho a fazer." Com esta frase o Governador Alcides Rodrigues discursa para a sociedade do estado para dizer que vai continuar indefinido – em cima do muro, acenando para todos os lados – neste momento de composição política para as eleições de 2010. Bem se sabe que política se faz todos os dias, independentemente do que se tem a fazer. Terminada uma eleição, começa-se outra imediatamente. Caso não seja assim, o melhor que se tem a fazer é exatamente buscar outro meio de sobrevivência, não o de representação social.
A análise do governador é simplista e simplificadora demais para alguém que faz uso do poder de representação de um estado. Certamente, os grupos empresários sabem bem que o discurso de Alcides não condiz com a realidade, muito menos as lideranças políticas goianas. Então qual é o propósito? A opinião pública, por sua vez, está mais politizada do que pode imaginar o governador, ainda mais considerando que as ações do estado não condiz com os interesses de transparência que se espera do timoneiro que se fez popular justamente no bojo de uma boa campanha eleitoral.
O governador Alcides Rodrigues, ainda tem um grande caminho a percorrer para convencer a sociedade sobre sua real capacidade de governar e fazer política, por isso, deveria evitar as frases prontas e sem relação com a realidade social.
Movimentos políticos em Goiás
O que fica claro é a falta de capacidade de políticos goianos de mudar seu discurso e propostas, mesmo considerando as novas perspectivas sociais e econômicas globais.
Eleições - Apesar de alguns nomes definidos para as eleições de 2010 para o governo de Goiás, o cenário continua obscuro, mas os movimentos políticos que se apresentam desenvolvem estratégias já conhecidas, envelhecidas. O processo está sendo desencadeado como princípios que remontam uma estrutura que faz parte das práticas das lideranças do estado. Os grupos econômicos goianos começam a sinalizar os apoios para campanhas políticas no sentido de resguardar seus interesses e idéias sobre o cenário social.
Torna-se imprescindível notar que a capital Goiânia faz parte de uma busca pela prioridade de uma ordem política e econômica para o estado, considerando que a antiga capital, Cidade de Goiás, estaria sob o poder das lógicas partidárias rurais, o que impediria o desenvolvimento capitalista apregoado por grupos econômicos brasileiros. Desta forma, seria indispensável à mudança das lideranças do estado, cujo objetivo seria a inserção do capitalismo liberal na ordem das discussões e práticas sociais. Na verdade, o estado ainda mantém sua base no agronegócio, entretanto, com a força ainda emergente do setor econômico produtivo, que movimentou o mundo principalmente na virada do século. Certamente, o governo de Fernando Henrique Cardoso representou bem este ideal quando esteve no poder. Por isso, continua sendo ouvido e apoiado por um grande número de pessoas de destaque no Brasil, inclusive em Goiás.
Pontualmente, os dois postulantes ao cargo de Governador, Íris Rezende de Marconi Perillo trabalham com perspectivas diferentes do cenário social. A visão de realizador do primeiro pode objetivar o apoio de grande número de eleitores principalmente da periferia, sendo apoiado pelos petistas, hoje com grande importância na esfera federal. Por outro lado está o tucano que se aproxima da classe empresarial que travam batalhas por um estado na ordem econômica, com uma economia liberal. Por isso, o slogan já envelhecido "tempo novo". A rigor, devido aos novos tempos de crise, com o liberalismo sendo questionado, o novo já se tornou velho. Contudo, o ideal progressista continua na mente urbana dos empresários, políticos e de um grande número de pessoas da classe média.
Nesta disputa vem outro nome, o de Henrique Meirelles, que acaba agregando dois pontos importantes dos ideais goianos: o liberalismo estrutural sonhado pelos empresários, a força da militância do PT - com lastros políticos entre os empresários - e a força de um presidente popular.
Assim, embora não haja nada definido, muito longe disso, já é possível reconhecer as diferentes táticas dos participantes do jogo político. O que fica claro é a falta de capacidade de políticos goianos de mudar seu discurso e propostas, mesmo considerando as novas perspectivas sociais e econômicas globais.
Retrocesso da globalização
Certamente outros movimentos em sentido contrário, alimentado pela estratégia de controle, devem ser lançados, a não ser que definitivamente caminhamos para uma nova realidade econômica e social, o que é pouco provável.
Sociedade - Um tema pouco analisado nestes tempos, apesar da grave crise global, é exatamente a retomada do princípio regional. Se nos anos 90 na pauta da imprensa e literatura estava a globalização social e econômica inevitável, hoje a discussão são as mudanças no comportamento do sistema, em uma aldeia global. Como as tecnologias permitiram o avanço do contato entre seres humanos dispersos no espaço, este mesmo movimento permitiu a delimitação das fronteiras, afinal, a busca de concentração de riquezas em alguns países desmereceu a capacidade de percepção do homem no seu espaço de vida.
Portanto, países tidos como centrais - algumas nações européias (como Inglaterra, França e Alemanha), Estados Unidos e Japão - vêm ao longo dos últimos anos perdendo status de grande potências que dominam de maneira absoluta o planeta, para dar espaço a novas formas de tratar o poder, sobretudo, econômico. Neste momento, diante da crise, os países em desenvolvimento conseguem ter condição financeira melhor do que países dominantes do século passado. Evidentemente, que isso não quer dizer que o Brasil passou a ser um império, longe disso. O fato é que as nações se organizam internamente na definição de seus líderes, no sentido de evitar um estado de submissão eterna.
Estes movimentos podem ser sentidos na América Latina, por exemplo, quando os presidentes eleitos fogem ao modelo desenhado pelas grandes nações hegemônicas. Na realidade não se trata de salvadores da pátria, mas grande parte da sociedade passou a ter conhecimento da realidade, mesmo que de maneira ainda pouco transparente, mas o suficiente para entender minimamente o processo de empobrecimento e angústia, diante de um quadro de servilismo. Talvez daí surja o rompimento no Brasil com forças políticas que no passado permitiam esta ligação entre uma sociedade pobre, dentro de uma estrutura, que ligasse o país às nações centrais e desenvolvidas, de maneira subserviente. De fato, é um processo que precisa ser analisado e que vem emergindo de maneira latente.
A desglobalização ocorre, indubitavelmente. Importa saber, entretanto, quais são as estratégias daqueles que acostumaram com o poder global, remanescente do século XV, para evitar a perda do controle, da ordem. Certamente outros movimentos em sentido contrário, alimentado pela estratégia de controle, devem ser lançados, a não ser que definitivamente caminhamos para uma nova realidade econômica e social, o que é pouco provável.
Terceira via em Goiás
Eleições 2010 - Neste blog se fez uma pesquisa para saber em qual candidato os internautas votariam. Os nomes colocados, em ordem alfabética, foi os de Íris Rezende, Henrique Meirelles, Marconi Perillo e Ronaldo Caiado. No final, constatam-se alguns pontos importantes, que, entretanto, serve apenas para sinalizar uma tendência. Poucas participações na pesquisa, o que evidencia a dúvida de muitos sobre os candidatos postos – a ainda pouca audiência do blog - , principalmente aqueles que defendiam bandeiras e agora se mostram em dúvida sobre sua viabilidade.
Íris Rezende passa a ter mais apoio, neste momento, seguido de Henrique Meirelles. Marconi e Caiado não tem votos nesta pesquisa. O atual prefeito aparecer como destaque para 2010 não é nenhuma novidade, entretanto, a presença de Meirelles sinaliza para uma terceira via para Goiás. Afinal, Rezende está em evidência e candidato, sendo que o atual ministro de Lula aparece apenas sorridente na mídia, sem demonstrar claramente suas pretensões para o ano que vem. Então é aguardar para ver. Ficar de olho é importante, principalmente os políticos desatentos com a opinião pública.
Governo e ética
Desta forma, em meio a denúncias obscuras, um estado com pouco avanço na resolução de seus eternos problemas político e econômico, as chances de uma terceira via aparecer e ganhar o apoio popular se tornam cada vez maiores.
Política - Realmente falta transparência na Assembléia Legislativa do Estado de Goiás. Toda vez que se propõe fiscalizar, o que seria o papel da instituição, esbarra nas determinações do governo e conivência dos deputados. Isto significa dizer que o executivo tem a prerrogativa de suas ações sem o olhar atento deste poder, cujos membros foram eleitos para exercer a função que deveria ser a de representar a democracia e os interesses da sociedade. Não é exatamente o que vem ocorrendo, afinal foram várias denúncias encerradas estrategicamente, sem muito debate, entre elas os gastos com a educação e a dívida da Celg. Esta última uma negativa de CPI fílmica, porque os discursos pareceram uma a torre de babel, onde se fala de tudo e não nada – pelo menos convincente.
Por outro lado, o próprio governador deixa de usar de sua força política para enfrentar os grandes problemas do estado, evidentemente comuns, para se dedicar a apagar incêndios que iniciam a cada semana, o que ocorre desde o início deste governo. O melhor seria que as dúvidas sobre os gastos com o dinheiro público não existissem, mas como não é esta a realidade, cabe ao governador usar da transparência para dizer aos eleitores o que de fato ocorreu. Esconder não é uma boa saída nem para os políticos de plantão e menos ainda para a sociedade que sabe das conseqüências da crise econômica global com reflexos locais.
O que se apresenta, em resumo, são: um legislativo que faz gastos desproporcionais sem, no entanto, exercer a sua função de legislar e fiscalizar e um governo que repete as fórmulas falsas de um discurso que encobre os erros políticos, por isso, frágil aos olhos da opinião pública. Desta forma, em meio a denúncias obscuras, um estado com pouco avanço na resolução de seus eternos problemas político e econômico, as chances de uma terceira via aparecer e ganhar o apoio popular se tornam cada vez maiores.
Capitalismo ameaçado
Na realidade, o capitalismo vem há décadas com dificuldades para se manter. O seu erro não está na falta de interesses político em manter sua estrutura, mas advém das mudanças inevitáveis na organização social.
Economia - Os líderes globais da economia, política e cultural estão preocupados com as novas medidas tomadas pelo novo presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, em especial, o símbolo do atual sistema. A estatização de bancos, o distanciamento dos afagos com a imprensa e com um olhar direcionado aos pobres que o elegeram são o suficiente para imaginar que o capitalismo estaria sendo ameaçado. Com a crise o grupo seleto de milionários teve perdas substanciais dos seus patrimônios, sem obter ajuda esperada pelos governos locais e em especial no país americano. Uma surpresa para quem está acostumado ao apoio e dinheiro farto emprestado de pai para filho – recursos públicos, diga-se de passagem.
Na realidade, o capitalismo vem há décadas com dificuldades para se manter. O seu erro não está na falta de interesses político em manter sua estrutura, mas advém das mudanças inevitáveis na organização social. São muitos séculos de acúmulos de capital por parte de apenas uma minoria, enquanto milhares estão descapitalizados vivendo à margem do sistema social, numa periferia em que não chega as grandes inovações tecnológicas modernas. Portanto, um mundo de recursos publicizados para uma vida melhor, mas restam apenas migalhas para milhões. Quando não a falta plena do básico, que seria garantido numa sociedade verdadeira, sem as prerrogativas do objeto, que vale mais do que o ser humano.
A própria vitória de Obama está nesta direção, ou seja, culmina com o interesse não-alienado da população em participar das benesses que o sistema que produz, mas exclui demasiadamente. Não é possível imaginar a vitória de alguém de perfil - considerando a origem do presidente estadunidense, que agrega os valores dos marginalizados - sendo simplesmente o desejo de uma elite econômica. Trata-se, a rigor, de um movimento social – porque não dizer global - que num primeiro momento se mostrou pouco provável.
Contudo, o capitalismo está longe de seu fim. A gritaria faz parte de um jogo de cena que serve para as lideranças demonstrarem sua capacidade de aglutinação e luta em prol de seus grandes interesses. O sistema continua, mas mudanças passam a ser inevitáveis, seja a curto ou a longo prazo. De fato, entretanto, há tensões que levam a rupturas importantes para menos exclusão e mais igualdade social. Neste campo muitas lutas devem ocorrer.
Miragem política
As negociações perpassam todos os matizes de pensamento, cujo resultado é a falta da lógica para o desenvolvimento social.
Política - Definitivamente o espaço política perdeu a lógica da realidade em que vive a sociedade. A esfera pública está cada vez mais secundária nas definições que se estabelecem no espaço representativo. No governo federal e no estado goiano o pensamento reinante está em desacordo com as lógicas do homem social. Os partidos deixaram de significar idéias para se tornar interesses de grupos hegemônicos, e, em determinados casos, sobressai o comando de um único líder, em torno do qual gravita um grande número de autoridades eleitas. Por conseguinte, milhares de pessoas não atingem os fins que deveriam o voto democraticamente deveria proporcionar.
No que se refere à Brasília, o Partido dos Trabalhadores acompanha a figura do presidente da república na definição de estratégias nas relações políticas, sem, no entanto, se valer das da consciência dos integrantes partidários que deveria seguir ideologia publicizada. No final, escondem-se os ideais para manter o pensamento focado no poder. As negociações perpassam todos os matizes de pensamento, cujo resultado é a falta da lógica para o desenvolvimento social. Neste contexto, a todo instante, o partido do presidente, sem se resignar, abre mão de cargos importantes no congresso para as estratégias de governabilidade, a qual parecer exigir a imersão no mundo das trocas políticas. Muitas vezes tem-se a impressão do teatro das marionetes.
Embora não seja a primeira vez, mas o congresso hoje é dirigido pelo PMDB, sendo os timoneiros José Sarney e Michel Temer, portanto, uma grande força que, de alguma forma, está na contramão dos votos dos brasileiros que entenderam ser o momento da “esperança vencer o medo”. Neste jogo entra em campo Jarbas Vasconcelos para dizer que o seu partido, o PMDB, é uma organização que se preocupa com as negociatas. Em resumo um partido de grupos que se volta para práticas escusas. Evidentemente, que por trás da gritaria estão as eleições de 2010 numa rede de envolvimento que terá reflexo futuros – o PSDB de José Serra interessa pelo bate-boca e mais divisões do maior partido no poder.
A rigor, independentemente das negociações, o que se tem é um congresso com grandes figuras que perenizam em Brasília. As mudanças tentadas pela sociedade não tem reflexo no congresso nacional, que marotamente vai construindo sua trama. Um filme que todos conhecem o final, afinal se repete há séculos.
Em Goiás também se torna emblemático a situação da Assembléia Legislativa que se esquiva de colocar a pública, o que seria no mínimo sensato, os desvios dos recursos da Celg, o que resultou numa dívida impagável. Conforme o Secretário da Fazenda Jorcelino Braga, as cifras chegam a 5,7 bilhões de Reais. Sem dúvida, a despesa será bancada pela sociedade. Portanto, os representantes do estado deveriam deixar transparentes os reais motivos de tantos gastos para um estado sem economias, e sendo escusas, os responsáveis devem ser conhecidos. Pois, quando se acoberta os erros políticos, certamente, alguém ganha, e não será o responsável pela conta, de fato. E o que é pior, continua com suas tramas partidárias em busca do poder libertador.
A posição do governador, sem dúvida é de desconforto, pois, sem dinheiro em caixa precisa negociar com os diversos partidos, buscar apoio na oposição e acenar para o governo federal. Na verdade uma saia justa, pois terá que acomodar em um único lugar interesses e ideologias as mais diversas. Muitas vezes fazer vistas grossas as reivindicações da população para atender exigências paroquiais. Ao final, torna-se um governo fragilizado sem linha ideológica imaginada pelo eleitor, este notoriamente secundário no processo de poder política e econômico, também no estado. Somente ganha destaque na hora de quitar as dívidas que, geralmente, têm altos custos, cujo reflexo se pode notar na saúde, educação, segurança, no trânsito, etc.
No mundo pós-moderno houve uma transformação dos lugares, as mudanças urgentes levam a pura miragem sem haver tempo para formar identidades, portanto a mercê das lógicas do simulacro de uma realidade que não pode ser vista estruturalmente, mas apenas miragens que se parecem com o real. Num universo como este vale tudo, até mesmo não valer nada.
Realidade política
A atitude dos parlamentares somente deixa obscura a condição política do estado que trata o dinheiro público como de ninguém, saído de máquina mágica.
Economia - 5,7 bilhões. Finalmente se tem o valor da dívida da Celg depois de muitas informações estrategicamente desencontradas. A divulgação dos números foi feita pelo Secretário de Fazenda do Estado Jorcelino Braga em entrevista ao jornal O Popular na edição de domingo (08). Um rombo para ninguém botar defeito e que demonstra a necessária apuração para saber para onde foi parar este dinheiro todo que saiu do bolso dos contribuintes goianos. Mas nesta terça-feira (10) a Assembléia Legislativa sinalizou recuo na implantação da urgente CPI para analisar o caso. A atitude dos parlamentares somente deixa obscura a condição política do estado que trata o dinheiro público como de ninguém, saído de máquina mágica.
Ora, dizer que o governador Alcides Rodrigues está preocupado em resolver o rombo da estatal e não quer discussões políticas que pode inviabilizar a empresa seria uma falta de bom senso no trato com a inteligência da opinião pública. A Celg está numa situação insustentável e precisa sanar suas contas o mais breve possível. O colapso no fornecimento de energia eficiência é iminente, a queda de energia se revela uma constante. Não será com cumplicidade e desonestidade que Goiás vem caminhar para frente. Se não houver informações claras sobre a estatal qual será a percepção da sociedade sobre os políticos que deveriam cuidar do bem público e que fez um rombo estratosférico? A rigor, qual é a posição das lideranças sociais, dos empresários, dos intelectuais?
Ao que parece, mais uma vez, os políticos goianos perdem a chance de serem transparentes, e o que é pior, aparecem com discursos vazios, que não resolvem o problema e ainda por cima faz aumentar a dúvida sobre a seriedade e sensatez da categoria na representação com ética da população. Caso não seja aprovada a CPI, o que parece o mais provável, não resta dúvida que a discussão social vai continuar, exatamente pela falta de estrutura da estatal que atinge a todos. No final haverá muitos políticos com sua biografia manchada com ou sem razão. As eleições de 2010 estão próximas, portanto, o caso deverá perdurar por mais tempo. Para muitos esconder a realidade debaixo do tapete parece não ser uma boa estratégia.
Movimentos radicais
No Brasil, são milhares de anos de proprietários espoliadores de terras públicas, grileiros e tomadores de glebas que legalmente foram aquinhoadas, mas imoralmente.
Política Agrária - Novamente o Movimento dos Sem-Terra está nas páginas dos jornais brasileiros que surge sempre com o olhar contestador do formador de opinião midiático. Na realidade, todos os movimentos sociais, que nascem do espaço social, deverão sofrer o repúdio daqueles que perdem pequenas partes do poder político e econômico. Os enfrentamentos são indispensáveis no sentido de permitir a igualdade social. A sociedade não pode ser apenas o lugar de uma ordem determinada, sem questionamentos que permite mudanças para certa igualdade e democracia.
Nada justifica as mortes no campo, numa luta que geralmente atinge pessoas desafortunadas. Se há radicalidades no MST não se deve esquecer que existe violência do outro lado, defensores do latifúndio, no que se refere a manutenção da hegemonia. No Brasil, são milhares de anos de proprietários espoliadores de terras públicas, grileiros e tomadores de glebas que legalmente foram aquinhoadas, mas imoralmente. Difícil imaginar que o congresso nacional, dirigido por várias autoridades que mantém grandes latifúndios, pudesse defender a redução das grandes propriedades. A rigor, questão que precisa ser discutida, pois a terra precisa atender o seu fim, não de capital, mas de produção. Mesmo que as plantações, que devem ocupar pequenas extensões, sirvam apenas para a subsistência de uma família, sem a lucratividade sacrossanta.
Há radicalidades nos movimentos sociais, sem dúvida, mas os atos reacionários vão além da simples razão, e que infelizmente estão fora das discussões das grandes mídias. Assim caminha a humanidade e o Brasil.
O Barco Brasileiro
Uma leitura rápida da atual conjunta deixa transparecer uma perenidade de alguns nomes no comando dos interesses da nação, nem sempre populares.
Política - No Brasil as movimentações políticas se mostram efervescente, como é de se esperar na sociedade que se quer democrática e participativa, entretanto, apesar dos enfrentamentos que se percebe, por trás se solidifica uma enorme hegemonia de alguns grupos que usam de diversos mecanismos, nem sempre legais, para se manterem no poder. A cada dia o dinheiro público se torna um recurso de ninguém, ou melhor, apropriado por alguns iluminados homens de castas sociais que perpetuam no poder. Uma leitura rápida da atual conjunta deixa transparecer uma perenidade de alguns nomes no comando dos interesses da nação, nem sempre populares. Parece que não há liberdade de escolhas, aceitar é a única saída, conforme as jogatinas entre paredes.
Ainda há as questões ideológicas que parecem nem existir. O que importa é a habilidade que resulta na arte de transparecer honestidade, a qual, a cada dia, se mostra menos real. Neste jogo, entra até mesmo o governo federal, que põe o pé em todas as canoas que trafegam os rios caudalosos de Brasília e se esquece que não definir rumos certos pode levar a lugar algum, mesmo considerando o desespero de uma sociedade sem saída. Difícil imaginar, por exemplo, um presidente que está acima de seu partido.
Afinal, a formação – ou viabilidade - de um homem político requer a união de várias mentes pensantes, no sentido de construir um consenso sobre a realidade defendida, ou projeto a tratar. Neste quesito o PT está fora das lógicas governamentais. Lula sozinho é o partido, situação que vem se materializando na América Latina. Entretanto, no Brasil há especificidades que não podem ser esquecidas, como, por exemplo, sua longa realidade de coronéis e as leis que servem a metrópole, ou o poder econômico.
O partido de oposição, o PSDB, sequer tem uma figura representativa que demonstre viabilidade política. José Serra é uma incógnita e Fernando Henrique Cardoso não tem notoriedade para enfrentar uma eleição, mesmo que quisesse. Aécio Neves não conta com o apoio partidário e não tem maturidade para estar na Presidência da República.
Neste ínterim, resta o crescimento do PMDB que joga no sentido de ser o partido que viabiliza o poder e, para tanto, exige o seu quinhão, independentemente de quem esteja no trono. O Brasil partidário e dominador, neste sentido, caminha, com o olhar nas massas, cujo princípio é alegrar os ignorantes. Entretanto, cabe destacar, o homem moderno – a maioria marginalizada - está a cada dia menos passivo e mais participativo.
