Entre Goiânia e Brasília

Seria erro de estratégia deixar o senado com toda visibilidade que o cargo dá, considerando discurso bem aceito pela grande mídia conservadora, para estar na prefeitura de Goiânia – portanto, longe dos apelos do poder de Brasília 

 
Eleições municipais – Como a opinião pública já sabia Demóstenes Torres (DEM), finalmente, declarou que não será o candidato ao paço municipal de Goiânia para as eleições deste ano, deixando caminho livre para os postulantes tucanos apresentarem de fato suas candidaturas – sem um nome de peso, com destaque.

Embora não tenha afirmado, se imagina que o democrata neste momento sonha com projetos maiores, como a candidatura a Presidência da República em 2014, para a vaga de Dilma Rousseff (PT). Mas esta certamente não é toda a explicação, ainda mais com um partido esvaziado como é o do senador.

Inicialmente estar à frente em pesquisa eleitorais, meses antes do pleito, não diz muito coisa, a não ser pelo reconhecimento social por estar de posse de um cargo importante, que é o de Senador e boa visibilidade na mídia nacional, principalmente nos órgãos paulistas, que fazem oposição ao governo petista de Lula/Dilma. Quando a campanha entra em ritmo de disputa tudo pode acontecer, com denúncias, enfrentamentos, questionamentos e debates de ideias. Logo, não se ganha eleições na véspera.

Não há dúvida que os democratas precisam do senador goiano para tentar oxigenar o partido, com problemas de identidade, caminhando rumo ao ninho tucano, e cada vez mais. Caso não haja um candidato com discurso “aglutinador de lideranças” nas próximas eleições, torna-se quase insustentável a existência do DEM no cenário político brasileiro.

Talvez seja mesmo uma jogada eleitoral que definirá o destino da agremiação que já viveu seu apogeu ao lado dos tucanos, na presidência de Fernando Henrique Cardoso, quando havia no Brasil a figura representativa de Antônio Carlos Magalhães. Torres acredita ser o nome, assumindo este papel de aglutinador democrata, uma tarefa difícil.

Depois, seria erro de estratégia deixar o senado com toda visibilidade que o cargo dá, considerando discurso bem aceito pela grande mídia conservadora, para estar na prefeitura de Goiânia – portanto, longe dos apelos do poder de Brasília – e dependendo do apoio do governador Marconi Perillo (PSDB), no Palácio das Esmeraldas.

Pois, o tucano administra o Estado com olhos voltados para objetivos maiores, também, no horizonte o Palácio do Planalto. Pode-se imaginar que em pouco tempo haveria uma disputa entre dois nomes fortes, liberais, com possibilidade de inviabilizar a ordem política de grupo no Estado – a oposição agradeceria.

Assim, como é necessário o candidato da oposição ao prefeito petista Paulo Garcia ganhar as ruas, o tempo de Torres de publicidade em torno de seu nome chegou a fim. Sem dúvida o democrata fará falta nesta campanha, que se continuar assim, será mesmo mais para o silêncio, das jogadas intramuros, do que para discursos ideológicos, públicos, o do bom combate.

Modelo de privatização

A mídia não levantou muita discussão sobre o tema, por entender que os empreendedores que arrebanharam o quinhão pública são pessoas desconhecidas, e não representam grande fatia do mercado global


Estado do bem estar social - No fechamento da semana, depois de muitas notícias na mídia, sobre o processo de privatização dos aeroportos – Cumbica, Viracopos e Brasília – fica evidente que a medida desagradou grandes empresários brasileiros do setor, mídia e partes da opinião pública. Se o governo Lula (PT) negou qualquer negócio de venda de instituições públicas, Dilma Rousseff (PT), não levou tão a sério o debate ideológico.

Após a batida do martelo a notícia chamou a atenção: o governo obteve R$24,5 bilhões no negócio, com ágio estratosférico sobre o preço mínimo – mantendo 49% das ações para a União. Daí em diante a discussão ganhou força em ano de campanha.

Na política nada é seguro, apesar da alta popularidade de Dilma de 2014 nada se sabe, quando deverá disputar a reeleição para a presidência, e nos seus calcanhares está a copa do mundo no Brasil – com todos os seus apelos da mídia global. A oposição não deve deixar por menos caso haja algum fracasso, ainda mais considerando a visibilidade do evento.

Os aeroportos vem se mostrando um território difícil de organizar. Antes a segurança de evitar a pecha de incompetência do que a crítica do momento de privatista, o que será certo caso haja fracasso no setor, que agora passa para as mãos dos empresários – tornando difícil o discurso da oposição.

Contudo, a mídia não levantou muita discussão sobre o tema, por entender que os empreendedores que arrebanharam o quinhão pública são pessoas desconhecidas, e não representam grande fatia do mercado global. As empresas são modestas com experiência na administração de aeroportos em país como a Argentina. Então, no discurso dos grandes jornais liberais brasileiros se o governo abre mão da manutenção do poder do Estado, não atingiu o requisito básico: abrir as portas para os megainvestidores globais. Sem contemplação.

Por outro lado, parte dos petistas sofreu ao ouvir o grito dos tucanos jogando nas suas costas a marca de privatizador. Com a medida, o Partido mordeu a língua ao chamar os peessedebistas de entreguistas dos bens públicos por várias campanhas? A rigor, muita gente falando dos dois lados, num processo de cacofonia, para nenhuma análise precisa. Houve a privatização, o que vai dar ninguém sabe.

No final, a análise de que a política ideológica vai perdendo suas cores, de modo que as definições ocorrem conforme as circunstancias de poder. Depois, as decisões se efetivam mais no enfrentamento partidário do que exatamente a partir das análises da opinião pública. Muitas vezes o discurso vale mais do que as ações.

Embates políticos em Goiânia

Embora o que a mídia mostra em suas páginas ainda é apenas a ponta de um iceberg, cuja estrutura está o poder estadual, com ramificações nacionais. De lados opostos: Perillo e “novas” lideranças locais, mas ambos vislumbram política com lastro federal, cujo olhar está em 2014
 

Eleições – A campanha ao governo municipal em Goiânia está em pleno vapor neste começo de 2012, com jogadas eleitorais que ganham corpo e densidade. Os enfrentamentos partidários se mostram claros, com grupos destacando suas forças, de modo a definir suas armas para embate público. Matérias publicadas pelos jornais ainda não evidenciam o que está por detrás deste campo de luta.

Em essência, o mutirama vem se tornando a pedra de toque do processo político que se desenrola, tendo de um lado o interesse do candidato Paulo Garcia (PT), atual prefeito em demarcar as grandes obras e de outro lado Marconi Perillo (PSDB) em ofuscar o possível brilho das ações do poder municipal. No meio do processo, como sempre, as denúncias com ações da justiça e posicionamento da mídia, também entes político, por natureza.

Neste momento, o que menos importa, de fato, são as obras que se mostram irregulares, conforme apontado pelos jornais, mas sim a sucessão municipal. A rigor, não há política de um só nome, mas são grupos que se enfrentam para a tomada de poder ou se organizam com mais eficiência em torno da política local, que diz respeito ao futuro regional e até nacional.

Os fatos

O governador Marconi Perillo enfrenta não exatamente Garcia, o candidato com mais condições de vencer as eleições, mas está pressionado pelo partido para demarcar território na oposição ao governo federal, o que colocariam os peessedebistas em condições melhores para as próximas eleições em 2014. Assim, os tucanos precisam arrebanhar as principais cidades brasileiras, ações observadas bem de perto pelo governo petista que busca manter hegemônico o seu modelo de governo. Portanto, não se trata de uma eleição apenas localizada, a priori.

Outro ponto,  é a própria condição do governador de Goiás, que está numa situação de fragilidade política em função de ter às costas a pouca vontade do governo de Dilma Rousseff (PT) em conceder recursos para a oposição, sobretudo de Perillo, pessoa que tem a desconfiança do líder do partido, Luiz Inácio Lula da Silva – da própria presidente, como já relatou em discurso no passado. Os jornais favoráveis ao tucano tentam, com imagens, demostrar ao público, o imponderável: o diálogo entre o governador e governo federal é muito difícil. Cada qual em busca de se posicionar nos campos opostos.

Em Goiás

O grupo que apoia Paulo Garcia tem dura missão em Goiás: sinalizar condições reais de governar um estado de lideranças conservadoras. A rigor, o Estado que sustenta e dá visibilidade aos democratas, que se organizam em torno de discurso de direita e liberal econômico.

Neste momento, ao que parece, em decorrência das denúncias que atingem Paulo Garcia de maneira direta, a liderança petista goiana prefere o silêncio e acreditar que os resultados finais esclarecerão a realidade. O que não dizem, mas parece evidente, é o reconhecimento de que os tucanos não tem regras nas denúncias e tem muito poder em difundir informação, com apoio dos jornais locais, regionais e até mesmo nacionais – além de bom trâmite no judiciário. Pode não ser uma boa estratégia, o que hoje é apenas especulação pode se tornar fato amanhã, sem tempo para esclarecê-lo em tempo de formar a opinião público, se espera, positivamente.

Portanto, embora o que a mídia mostra em suas páginas ainda é apenas a ponta de um iceberg, cuja estrutura está o poder estadual, com ramificações nacionais. De lados opostos: Perillo e “novas” lideranças locais, mas ambos vislumbram política com lastro federal, cujo olhar está em 2014. O que se espera é que o eleitor não seja o grande perdedor deste embate duro que virá.

Educação e consumo

Na realidade, com estruturação do sistema social nos valores econômicos, com base no consumismo, a educação vai se tornando apenas instrumento para se chegar a um fim: a condição de consumidor

Escola – As pesquisas na área de educação no Brasil, que atestam a deficiência do ensino no país, não trazem novidades ao qualificar negativamente as crianças fora da escola, as notas aquém do desejável nas disciplinas de matemática e português, por exemplo. O ensino não se resume a sala de aula como faz crer o senso comum brasileiro, replicado por parte da grande mídia. A dinâmica da sociedade, no seu todo, tem influência substancial na formação para o conhecimento escolar.

Uma das análises pertinentes está na diferença de renda, em um país com poucos ricos e muitos pobres, estes vivendo à margem daquilo que o desenvolvimento tecnológico e social pode oferecer. Desta forma, quando se verifica a classe de melhor poder aquisitivo se observa uma condição melhor no aprendizado dos jovens no Brasil, mas também não atinge o ideal. Na realidade, com estruturação do sistema social nos valores econômicos, com base no consumismo, a educação vai se tornando apenas instrumento para se chegar a um fim: a condição de consumidor. A velha máxima do ter e não do ser. Mais vale os bens que possuem, do que a capacidade de pensar, criticamente.

Em resumo, se observa os efeitos das causas, sem chegar a base do problema. Nesta mesma batida está a ordem política que assola o país, o de governos que visam a redução do Estado e o aumento da normatização da economia pelos grandes empreendedores – a privatização do setor público, em essência. Assim não se tem a escola como formadora de pessoas para a reflexão, com capacidade de realizar cálculos eficientemente, redação com bom português; mas profissionais competentes para realizarem tarefas complexas, sim, todavia de maneira apenas especializada.

Na realidade, os homens de negócios que se destacam pela riqueza, nem todos, ou talvez boa parte, não obtém seus resultados financeiros em decorrência de seu tempo na escola, nas pesquisas acadêmicas. A rigor, pode se afirmar que riqueza monetária e educação nem sempre dialogam com facilidade. Contudo, o desenvolvimento de um país está correlacionado com o aprimoramento do ensino, o que requer professores qualificados, bem remunerados, politizados para a formação de pessoas também com visão política e com criticidade.

Resta saber se realmente o que se espera da educação como resultado é o de uma sociedade formada por pessoas pensantes, crítica ou apenas alunos consumidores de um modelo de sistema, prioritariamente com base no econômico. Se este último prevalecer, então não haverá outra realidade e os jornais terão muitas páginas para reproduzir o mesmo discurso.

Menos Política e Estado, mais empresas

A política e o Estado parecem o alvo de interesses particulares, sendo que a massa se faz somente coadjuvante de uma história conhecida
   
Privatização – No Brasil há dois assuntos complexos e que merecem atenção em virtude de seus reflexos na sociedade. O primeiro deles é a avalanche de informação sobre a ineficácia da instituição política. Diariamente os jornais repetem com insistência sobre a corrupção e incapacidade dos representantes sociais em lidar com os interesses sociais. No final temos a certeza que são todos corruptos. Depois, o excesso de publicidade em favor das privatizações em todos os setores, mesmo aqueles essenciais aos interesses públicos.

Neste momento a discussão em torno entrega do comando dos aeroportos brasileiros à iniciativa privada – já em fase de licitação. Seria a solução dos problemas modernos, mas que no final todos sabem: o brasileiro pagará a conta gorda para o bem de alguns grandes empreendedores.

Como se percebe uma coisa leva a outra, pois o ofuscamento da representação política chega à redução do tamanho do Estado, o que coloca a iniciativa privada no comando dos serviços essenciais, cuja ordem está no pagamento de tarifas e lucros, sem a interferência “direta” da sociedade.
Se a política não consegue representar os eleitores/consumidores, o mercado vem dando mostra de sua ineficácia para o desenvolvimento econômico e social.

Exemplos é o que não faltam, para ficarmos apenas em um está a produção de álcool no Brasil – uma lástima. Nos Estados Unidos as concessões arbitrárias dos governos liberais levaram a chamada “bolha inflacionária” e quebra econômica do país.

Sobre o transporte brasileiro, perguntas devem ser feitas. Por que não há preocupação com o transporte coletivo nos grandes centros urbanos e cidades do interior, com projetos eficientes. Nas mãos da iniciativa privada e ineficaz, problema que não se resolve; a rigor, trata-se de um sistema para as massas. Outro ponto, as rodoviárias, que apesar dos problemas de falta de acomodação, infraestrutura nenhum palavra; também um serviço prestado à massa.

Os aeroportos frequentados por uma classe privilegiada, que por muito tempo esteve reduzida a grupos de pessoas, pequenos, agora se transforma em problema, porque a massa começa a descobrir os voos, com viagens rápidas e baratas. A grita aparece com energia. Preciso, portanto, qualidade na prestação de serviço, com reclamações permanentes nas páginas do jornal – uma voz que merece eco na grande mídia. Como saída para a crise a fórmula mágica: retira o Estado e estabelece a participação das grandes empresas.

O resultado pode não ser satisfatório como a classe média espera.
Além do que, a venda de empresas como Telebrás e Vale do Rio Doce como se sabe não melhorou a qualidade da prestação se serviços e reduziu a desigualdade social, embora as riquezas e tarifas de serviços brasileiros estejam sempre sendo exploradas.

A política e o Estado parecem o alvo de interesses particulares, sendo que a massa se faz somente coadjuvante de uma história conhecida. Neste sentido, de fato, os representantes sociais na política precisam encontrar soluções.

Comunicar e valorizar a democracia

Portanto, a política inevitavelmente passa pelo processo comunicativo. Não saber disso é clara demonstração de ingenuidade e incompetência

Indústria cultural – Na política os meios de comunicação se tornam fundamentais no sentido de difundir conhecimento, o que alguns grupos políticos reconhecem e fazem uso. Desta forma, em ano eleitoral, as empresas do setor vão se organizando em torno dos partidos e agremiações, de maneira reverberar ou não determinados discursos que favorecem postulantes a cargo público. Ficar fora deste espaço é se reservar ao direito de se comunicar com a opinião pública, a qual sem informações não poderá emitir sua participação no espaço social.

Portanto, a política inevitavelmente passa pelo processo comunicativo. Não saber disso é clara demonstração de ingenuidade e incompetência. Os canais de comunicação, de todo modo, por por onde os eleitores obtém informação carecem de pautas, notícias. Em outras palavras discursos, posicionamentos políticos claros e honestos.

Não há dúvida que nas negociações há questões financeiras. Ora, mas são empresas que tem como meta resultados econômicos. Os donos dos grandes jornais repetem incessantemente que administram negócios e não fazem filantropia. Não é possível ter repórteres, produtores, editores que desfrutam de salários sem dinheiro em caixa. As verbas necessárias são provenientes da publicidade, do comércio e indústria.

Em editorial a Folha de S. Paulo ressaltou recentemente – quando analisa a pirataria na internet – que produções não dão em árvores; é preciso, portanto, de investimento.

A ingenuidade política coloca à sombra competências administrativas, boas intenções sociais e justiça social. Questões que passam pelos espaços públicos, pelo voto. Os partidos e candidatos sabem disso, mas poucos são os que atentam e tomam providência neste sentido.

Em Goiânia, vem de longe o debate sobre o cotidiano de uma imprensa semanal e diária movida pelo retorno econômico em prejuízo da informação de interesse público. Talvez seja mesmo falta de capacidade de se formar boas assessorias de comunicação, ou mesmo entendimento de candidatos de primeira hora sobre os mecanismos da indústria cultural. Eleição não se ganha no grito. As estratégias não ocorrem somente em ano eleitoral. Devemos pensar.

A rede; indústrias para um mundo mais complexo

Portanto, estes são apenas os reflexos da organização de uma estrutura que começa a se desorganizar. Um ponto importante: o controle do social vai se tornando cada vez mais complexo. Ponto
 




Comunicação  – A atitude política tomada pelos países centrais, da Europa e os Estados Unidos, dão mostras claras dos novos tempos da Indústria da Cultura, que envolve entretenimento, informação e mensagens em tempo real. Na base da discussão está o fato da dificuldade dos Estados-nações em conseguir em dar fluxo ao seu material produzido, com eficiência econômica, em primeiro lugar, o que os tornam vulneráveis, com perdas de poder financeira das suas principais conglomerados de comunicação.

Por outro, a redução da força da difusão do saber social através de suas produções. Portanto, a relação entre o econômico e a comunicação está em sintonia com o poder e domínio. Sem novidades, portanto.

Notória a grande dificuldade de países conhecidos por sua força global investindo em sua organização política, no sentido de normatizar a internet, de maneira a preservar prioritariamente o econômico. Não se trata de interesse simplesmente de determinadas empresas, mas a estrutura de sociedades que dependem de suas indústrias de comunicação para difundir modelos de comportamentos. Pois, com o sistema capitalista atual sendo questionado, tornam-se necessárias atitudes rápidas de seus players.

A política que está em trâmite nestas nações gera conflitos com as indústrias modernas formadas especialmente por Google, Facebook, Microsoft, Twitter que embora americanas, veem oportunidades de negócios e faturamento minguados, com perdas de sua atração maior que é o sistema de acesso a programa, notícias, entretenimento e imagens comercializadas pelas tradicionais e seculares megaempresas. Não há dúvida, porém, que existem muitos “forasteiros” no meio desta negociação, quando sites “descolados” permitem download de materiais comercializados, mas gratuitamente.

Sociedade mais complexa

Na realidade, a internet constrói uma sociedade mais complexa, diante de informação ilimitada. Desde sua origem o direito autoral sofreu alterações em suas concepções, o que faz surgir uma nova forma de tratar os textos publicados e produções. Se continuar assim, haverá mudanças no cenário político e econômico internacional, com perdas sucessivas para populações cada vez mais conectadas.

A questão não termina por aqui, pois como exemplo, o Brasil tem apenas cerca de 40% de pessoas com acesso à rede. Agora imagine quando houver possibilidade para o mundo inteiro estar conectado?

Nesta nova sociedade da informação é preciso realmente, como sempre, pensar que a ordem social demanda poder e domínio de grupos sociais, os quais mesmo com modificação da sociedade não permitirão rupturas acentuadas neste quesito. Portanto, estes são apenas os reflexos da organização de uma estrutura que começa a se desorganizar. Um ponto importante: o controle do social vai se tornando cada vez mais complexo. Ponto.

Pinheirinho hoje, Parque Industrial faz aniversário

A política conservadora não teve dúvidas quem tinha razão, pois a capital do Estado não se pode deixar invadir pelo antissocial, portanto, a ordem é a maneira de evitar a perda de controle
 
Sociedade – A invasão da polícia na área conhecida como pinheirinho, domingo (22), na cidade de são José dos Campos em São Paulo, continua repercutindo amplamente nas mídias tradicionais e rede social. O favorecimento do prefeito da cidade, Eduardo Cury, do governador Geraldo Alckmin, ambos do PSDB, ao megainvestidor Naji Nahas, em detrimento de cerca de seis mil famílias, virou escândalo nacional. Uma realidade que Goiás conhece muito bem, pois em fevereiro de 2005, aproximadamente 12 mil famílias passaram pelo mesmo ato de violência na capital do Estado. No governo estadual na época estava Marconi Perillo (PSDB) e  na prefeitura Iris Rezende (PMDB).

Depois de vários dias de terror, usados como instrumento para assustar moradores, a política tomou a área conhecida como Parque Industrial, onde havia o residencial, denominado pelos moradores, de “Sonho Real”. Evidentemente, que a repercussão não teve o mesmo tom que se vê hoje, ocorrido no Estado paulista. Contudo, passará para a história como o maior campo de guerra brasileiro envolvendo polícia e sem teto.

Nestes dias as autoridades responsáveis pelo comando da invasão do terreno em São Paulo estão sendo hostilizadas por populares, que fogem dos eventos públicos, temendo constrangimento, ofensas e até violência física.

Sobre o caso, a justiça paulista se mostrou favorável à tomada da área, mesmo considerando o posicionamento contrário da justiça federal e do próprio do governo de Brasília. No final, a área se transformou em um campo de guerra, a exemplo do que ocorreu em Goiás. Prosseguindo neste raciocínio, cabem algumas comparações.

Na época parte da imprensa que se mostrou comportamento dúbio, com material que seguia o discurso de grupo da sociedade que defendia a ordem, sobremaneira. Entretanto, contrabalanceado o noticiário com informações sobre a angústia dos moradores em meio à desordem e o fim do sonho da moradia. Chegou-se na época a defender o argumento, publicado em jornais, de ser um movimento feito por especuladores de poder aquisitivo. Mas o que estava por trás da defesa de lideranças empresarias e parte da sociedade civil era o de que, se as invasões não fossem contidas, Goiânia se tornaria uma espécie de Rio de Janeiro das favelas.

Portanto, a força seria necessária para o bem de todos. A política conservadora não teve dúvidas sobre quem tinha razão, pois a capital do Estado não se pode deixar invadir pelo antissocial, portanto, a ordem é a maneira de evitar a perda de controle.

Se em São Paulo foram cerca de seis mil pessoas, em Goiás o número foi o dobro, aproximadamente 12 mil, mas com o mesmo fim, o favorecimento ao dono do terreno com dívidas a serem quitadas com os órgãos públicos. Assim, ao contrário das famílias que perambularam por lugares sem insalubres, com direito a doenças por umidade em ginásios poliesportivos, os proprietários da área resolveram suas pendências, ao que parece, de modo a favorecer lhes, como ocorre com o especulador paulista Nahas. Mas de fato, sobre o Parque Industrial, no que diz respeito às negociações com os devedores do Estado ainda continua sem muitas informações.

A pergunta que se faz é: haverá algum reflexo para a imagem dos políticos envolvidos no massacre paulista? Nas próximas eleições serão candidatos, com discurso social e receberá a credibilidade por parte do eleitor? Neste sentido, os resultados poderão ser sentidos na campanha a prefeitura da capital. Com José Serra (PSDB) Fora do páreo, aumenta-se as chances da oposição, neste caso capitalizado por Fernando Haddad (PT). O caso, portanto, não cessará durante o período eleitoral, especula-se.

O leitor fora de Goiás deve perguntar: quais foram as consequências do escândalo do Parque Industrial? A política continua a mesma, o caso passou para a história. Pois é.

O que dizer sobre o mutirama?

Comunicação é fundamental para dar segurança e tornar uma personalidade (re)conhecida. O obscurantismo não serve à política

Justiça – Em período eleitoral é notório o enrijecimento as denúncias de lados políticos, que se enfrentam e lutam pelo poder. Desta forma, uma obra capaz de oferecer resultados eleitorais para um torna-se perda de votos para o outro grupo, exigindo a busca de brechas que possam ofuscar os resultados esperados pelos empreendedores. A medida torna mais visível a ação dos postulantes a cargos públicos e mais pautas de denúncias na mídia. Neste sentido, até mesmo a justiça passa a ter mais participação nas páginas dos jornais. O caso mutirama, contudo, chama a atenção pelo excesso de críticas e irregularidades apresentadas pela oposição desde o início das obras.

Como já destacamos neste espaço a política é uma arte da representação de uma comunidade, considerando sua complexidade, o que exige comunicação e discursos (posicionamentos) que traga tranquilidade aos representados. Caso contrário, a falta de transparência momentânea pode se transformar em grande problema posterior, apesar de reconhecimento no futuro,  pós eleições – então tarde demais.

A participação da justiça permanentemente no questionamento sobre a aplicação de recursos na obra do mutirama causa dúvidas sobre a população, o que torna fundamental o esclarecimento do governo municipal, com certa rapidez. A demora em se pronunciar, sobre o assunto, aumenta mais as especulações.

As falas do prefeito Paulo Garcia por Twitter e de maneira cifrada, com imagens das obras em desenvolvimento, apenas respondem de maneira direta a poucas pessoas, do ciclo da rede social. A instituição precisa ter porta-vozes capazes de dar conta de esclarecer sobre os fatos denunciados, que sucedem na imprensa.

Embora se perceba que na política o embate está muito mais nos partidos, com respostas aos adversários, no ano eleitoral, seria producente dizer a opinião pública os procedimentos do empreendimento questionado, com o objetivo de transparente com a comunidade. Comunicação é fundamental para dar segurança e tornar uma personalidade (re)conhecida. O obscurantismo não serve à política.

Política brasileira e as classes sociais

O investimento em publicidade é fundamental em uma campanha, mas sozinha não decide o voto, pois o carisma, com a capacidade de comunicação, muitas vezes, feita diretamente com os grupos sociais, torna-se fundamental 














Análise políca – A política parece um território fácil de dominar, bastando para isso um partido forte, no poder, um discurso que se pareça inteligente e, evidentemente, muito recurso econômico e tudo está resolvido. Sem dúvida são pontos importantes a serem considerados, mas falta ainda avaliar a circunstancia social, o movimento das classes sociais e carisma, o que significa dizer competência para atrair pessoas para seus projetos. Neste sentido, condições financeiras se resolvem quando o postulante se apresenta com possibilidade de vitória.

A ideia de mito do passado, dos coronéis, pais dos pobres, de fato já ficou no tempo, com mudanças substanciais no campo político, quando milhares de pessoas passaram a ter liberdade de escolha e maior percepção da realidade que está submetida. Os meios de comunicação que serviram a regimes fechados, com ideologias que defendiam modelo social resistente, vão perdendo poder de definição de nomes que vencem eleições.

Como exemplo a últimas campanhas presidenciais, quando ficou evidente o apoio tucano dos grandes empresários da comunicação – com jornal defendo em seus editoriais José Serra (PSDB). No entanto, venceu Lula, posteriormente, Dilma, presidente que consegue hoje 59% de aprovação – Lula sai do governo com 85%. Com maior incidência das classes de menor poder aquisitivo nas questões políticas, portanto.

Desta forma, o investimento em publicidade é fundamental em uma campanha, mas sozinha não decide o voto, pois o carisma, com a capacidade de comunicação, muitas vezes, feita diretamente com os grupos sociais torna-se fundamental. A assessoria de comunicação, portanto, ganha terreno, com estratégia de aproximação com o eleitor e um discurso que seja de resolução dos problemas das novas classes sociais, “D” e principalmente “C”- como vem sendo discutido por intelectuais mundo afora-, isto também em Goiás.



Política local

Se Paulo Garcia (PT) e Marconi Perillo (PSDB) continuem em disputa pelo apoio da forte classe social de alto poder econômico podem estar na contramão da politica que se desenvolvem na ordem global e local, como se analisa – em disputa a prefeitura da capital, Goiânia.

Ainda cabe mais uma observação os tucanos sempre se posicionaram para o liberalismo econômico, talvez seja a razão pela qual o partido se fortalece em centros econômicos como São Paulo e tem perdas em outros estados de menor poder econômico. No entanto, os petistas, mesmo que não seja plenamente a realidade de grande número de partidários, existem em torno da classe trabalhadora.

Portanto, relacionado com as grandes lutas sociais. Os discursos políticos se relacionam com ideologias, e serão aceitos conforme circunstancias sociais.

Apesar das dificuldades de um terreno fechado e minado para o novo, ainda assim, novidades surgem. O que é bom.

Censura ou controle da internet?

Ademais, não se trata de comportamento a serem empreendidos somente em um país, mas nos diversas nações mundo afora. Em torno desta questão está a complexidade de uma comunicação em rede, por natureza não-autoral e subversiva

Comunicação em rede - Nos Estados Unidos dois projetos polêmicos percorrem o parlamento do país que objetivam o controle da internet, o Sopa – que visa o contra da pirataria na rede - e o Pipa - em defensa da propriedade intelectual. Não seria seguro acreditar que se trata de movimentos políticos que tendem a efeitos somente internos, atingindo os limites da nação norte americana, pois, a web é feita de ramificações, sem um centro efetivo, de tal ordem que os acessos dependem e são feitos de diferentes lugares.

Assim, no Brasil haverá reflexos da lei se aprovada nos EUA, como é o caso do fechamento do site Megaupload, com assinantes nacionalmente que não mais terá o serviço de download. Sucessivamente, o mundo vai sendo rastreado pelas grandes empresas de comunicação, as maiores perdedoras de uma internet livre. Afinal, são milhões de dólares que os megaempreendimentos de cinema, música e editoras de livros – para citarmos apenas alguns - em todo mundo. Importante acrescentar que são negócios que se ramificam numa política global. Portanto, ninguém escapa do controle financeiro.

Na realidade não se trata de censura, como vem sendo destacado pelas grandes novas empresas online, como Google, Facebook e Wikipédia, por exemplo, as mais prejudicadas com a medida. Em torno das disputas estão milhões de dólares para um lado e outro, pois com a retirada de endereços de sites, que permitem baixar material de produção, acarretará perdas para principalmente os motores de buscas da internet – resultando em diminuição de recursos recebidos da publicidade – a rigor, o jornalismo global está de olho nas medidas.

No que diz respeito aos internautas redução da liberdade de acesso a grande produção na rede, que ao longo do tempo deverá sofrer com mais restrição aos materiais publicados na rede, como os da informação de revistas e jornais. Seria uma forma de controlar a internet com base na estrutura econômica. Uma forma de manutenção da ordem vigente, com informações sendo disponibilizadas com alto preço, o que segrega milhares de pessoas, em favor das grandes corporações financeiras.

Estratégias comunicacionais

Em essência, em determinado período histórico as empresas de comunicação eram subsidiadas pelos governos das nações imperiais, mas com o advento da tecnologia, percebeu-se que a estratégia levava-se a prejuízos com o surgimento de mídias alternativas, as quais geravam formação de grupos com pensamento distintos dos grandes centros econômicos. Então, muda-se o comportamento com a liberalização de tecnologia para o aumento de meios de comunicação nos diversos países, mas sob o controle das nações imperialistas, que vendem tecnologias e linguagens. Como se vê ao perder o controle sobre o acesso as grandes produções fonográficas, cinematográficas e literárias o rendimento culminou com acentuadas perdas de capitais, tendo como resultados desemprego e pobreza nestes países.

Não se trata somente de censura, que a rigor nunca deixou de existir também na internet, seja na disseminação dos principais órgãos de comunicação, que estão na rede e são re-produzidos na web também, uma espécie de agendamento dos meios, efetiva-se o controle na base da estrutura econômica. Se assim for nada mais previsível que tal medida, que merece alarde no sentido de chamar a atenção da opinião pública, embora uma realidade há séculos. Ademais, não se trata de comportamento a serem empreendidos somente em um país, mas nos diversas nações mundo afora. Em torno desta questão está a complexidade de uma comunicação em rede, por natureza não-autoral e subversiva.


Perillo sem nome para enfrentar Garcia

Preciso que se coloquem as cartas na mesa e comecem as jogadas estratégicas, o que torna o jogo imprevisível, diante de uma opinião pública com comportamento político difícil de observar com antecedência


Foto Juventino Neto / Panoramio 
Eleições municipais – As campanhas municipais a partir deste mês ganham mais estrutura e debate em todo Brasil. Se na política as negociações partidárias nunca cessam, em ano eleitoral é razoável sua efervescência e investimento em nomes e projetos, principalmente nas grandes cidades, a rigor, nas capitais. Em Goiânia, chega-se a esse tempo sem definição dos nomes da oposição ao atual prefeito Paulo Garcia (PT), que de fato faz parte da estratégia da cúpula pestista de ter o seu representante no executivo municipal. Afinal, o partido dos trabalhadores está há três mandatos no Palácio do Planalto, como vice e governo em Goiânia, portanto, com a força da máquina federal e agora municipal nas mãos.

No momento a leitura que se faz é uma disputa entre o prefeito e Demóstenes Torres (DEM), sendo este o principal nome da oposição para o cargo de executivo. Entretanto, na dúvida do democrata de sair candidato, não há definição de quem estará no páreo no embate com o atual chefe do executivo municipal.  Nomes existem, a maioria sem expressão ou liderança capaz de sinalizar condições de enfrentar a missão. A busca no momento é ganhar a atenção do governador Marconi Perillo (PSDB), personagem importante nestas eleições contra a força de PT-PMDB.

Embora existam pesquisas publicadas sobre a popularidade dos candidatos na mídia local, com Torres à frente e com ampla vantagem, não significa que teria, caso fosse candidato, uma campanha fácil. A rigor, nem sempre quem sai com vantagem vence no final. Preciso que se coloquem as cartas na mesa e comecem as jogadas estratégicas, o que torna o jogo imprevisível, diante de uma opinião pública com comportamento político difícil de observar com antecedência.

Contra a oposição está a dificuldade do governo estadual em alguns setores, como saúde, rodovias e educação. Nesta última a discussão é infindável com os sindicatos dos professores sobre questões salariais e meritocracia. De fato, Perillo se define como um governo com administração vislumbrando o liberalismo, com prioridade à participação do menor estado nos empreendimentos e mais privatizações; segue a cartilha do partido.

Desta forma, na dúvida sobre a candidatura de Torres, o candidato de oposição terá que demonstrar sua capacidade de uma gestão que seja social e promova a qualidade de vida da população. Além de aglutinar politicamente. Difícil

No que diz respeito a Paulo Garcia, deve levar em conta o discurso conforme ideologia do PT, defendendo com prioridade o social, as famílias carentes, educação de qualidade e inclusiva e economia que favoreça os trabalhadores. Na contramão, a cidade possui atento grupo empresarial que tem força política e poder sobre investimento na campanha. Além de uma classe média conservadora, longe de uma visão de esquerda socializante. Neste quesito pontos para o PSDB. Portanto, a vida de um pestista em Goiana não é uma tarefa fácil no intuito de definir o seu discurso.

Além do mais a oposição já faz o discurso previsível, Garcia está mais preocupado com a beleza do centro da cidade a resolver questões sociais, como por exemplo, a condição das pessoas excluídas do centro da cidade; ou mesmo a facilitação de terrenos centrais para as grandes empresas imobiliárias. Assim, a parte fraca do atual prefeito candidato é o social, que rende muitos votos, mas perde adeptos da região central. Não é um jogo fácil para ambos os lados, com máquinas a serviço da situação e oposição. Um azarão seria inconveniente. Aguardar para ver.

Polícia e democracia

A resolução passa por outros caminhos, como por exemplo ações de assistência social ou mesmo distribuição de renda

 

Sociedade – Visivelmente em alguns estados brasileiros aumentou-se a intolerância contra pessoas em condição de marginalidade, que residem nos centros urbanos, principalmente nas grandes capitais, como é o caso de São Paulo e Goiânia. Não se trata de uma novidade, em decorrência da dificuldade de convivência entre integrados e não integrados ao sistema social. A rigor, os desconectados da ordem idealizada e estabelecida provocam suspeita e sofrimento ao dar visibilidade aos seus reflexos negativos, em quantidade. Melhor não ver, mas que transborda para o cotidiano.

Muito já se discutiu em séculos anteriores sobre as cidades dos excluídos em decorrência de doenças incuráveis, que ofereciam riscos à sociedade – com seres humanos obrigados ao confinamento. Certamente, na atualidade, apesar do avanço da medicina, o problema se agrava, não exatamente pelas enfermidades contagiosas, mas pela falta de política pública.

Se não se trata de medidas novas, diante dos recursos para a qualidade de vida, incluindo a medicina e riquezas produzidas, em decorrência das tecnologias, o aumento da exclusão está em sintonia com excesso de individualismo, desejo de riquezas centralizadas em grupos de poder, culminando com forças repressivas para a organização. No final resta observar a falta de democracia, o que depende de ações políticas, cujas lideranças sofrem pressões de grupos com status políticos e econômicos.

Assim, quando falta representação da coletividade, no sentido de observar as diferenças individuais, gerando preconceitos, sobra coação e mesmo autoritarismo.

Como se observa nas afirmações de especialistas retirarem de modo agressivo pessoas que se quer fora dos centros urbanos são ações inglórias, pois não é com armas simplesmente que resolverá o problema da exclusão social, que tanto assombra a ordem nas grandes cidades, aterrorizando a população que passam pelos centros ou vivem dele, com a exploração do comércio.

A resolução passa por outros caminhos, como por exemplo ações de assistência social ou mesmo distribuição de renda. Como já foi discutido amplamente por pessoas da área médica, a vida na rua distancia as pessoas da realidade vivida pela sociedade ordeira – enlouquece, se analisado de maneira rasteira. Ou seja, a inclusão pode ser a única forma para se minimizar problemas que, se continuar assim, será eterno e visível. Logo, a solução será a sempre o estado de guerra.

Fukuyama, classe média conservadora assegura o capitalismo

Longe do fim da história avaliada por Fukuyama, a história que se desenrola tem muitas rupturas a serem construídas. Como diz o próprio autor, as erupções estão ocorrendo.

Política Global – A revista estadunidense Foreign Affairs (negócios estrangeiros) trouxe um emblemático texto de Francis Fukuyama sobre o futuro do capitalismo, em tempos de dúvidas e incertezas, com os movimentos sociais, diante da aceitação da concentração de riquezas, que deixou de ser local para fazer parte de um sistema global.

Fukuyama que se mostra como um intelectual defensor da formação de uma sociedade com base nos atuais princípios econômicos, aos moldes da industrialismo global. Por outro lado, se insurge contra os ideais socialistas, evidenciando a certeza de um mundo separado pelas diferenças inevitáveis entre as classes sociais, independentemente das relações sistêmicas, embora a manutenção da ordem de desenvolvimento se condiciona as definições político-econômicas.

Se num primeiro momento foi possível acreditar que o capitalismo global seria o único lugar para a existência social, neste artigo esclarece que a economia mundial pode entrar em colapso, ante uma classe média empobrecida. Portanto, a salvaguarda do sistema estaria na condição, da política dos países centrais de levarem em conta os desejos dos trabalhadores, aqueles com razoável renda e pequenos empresários.

Em resumo, com o advento das novas tecnologias, que geram desemprego e, portanto, centralização econômica, haverá, conforme o pensador, uma crise social que atingirá as bases capitalista neste século. A solução estaria em distribuir renda com esta classe em específico, pois sendo conservadora, beneficiada pelo atual sistema, não abriria trincheiras contra a economia global. Mas sem vislumbrar resultados, diante da concentração econômica em torno de algumas famílias globais, a atual política global estará em risco.

A visão de Fukuyama se estende aos intelectuais de esquerda, ao afirmar que não conseguem defender bandeiras, promovendo mudanças sociais pragmáticas, com resultados para a sociedade contemporânea; sempre dependentes de teorias ultrapassadas como o marxismo, da era da revolução da massa operária. Sem discurso e apoio da classe média, sobra desconfiança sobre os acadêmicos socialistas, então fora do tempo da história.

A China, por sua vez, seria apenas um modelo político impossível de ser copiado por outras nações, devido sua cultura milenar e peculiar, de um Estado de grupos fortes no poder (comunismo), que permite a ascensão de grande números de pessoas, que querem se inserir no capitalismo ocidental.

Não seria justo e ético desqualificar o intelectual norte americano, que apresenta pontos importantes para discussão. Primeiro, a rigor, até mesmo os pensadores conservadores, defensores de um sistema econômico global, concordam com a fragilidade do capitalismo global na atuaidade, que cada vez mais se concentra e põe em risco seu modelo atual – baseado nas especulações financeiras e não produtivas.

Depois, analisar com precisão as diferentes culturas globais pode levar a erros catastróficos. Difícil encontrar acadêmicos sérios capazes de análises responsáveis sobre a cultura das populações, que sobrevivem fora dos limites dos grandes centros financeiros, cuja qualidade de vida se deteriora, mas não ao nível vivido por milhares de indivíduos em regiões como América Latina e África, para ficarmos em apenas dois exemplos.

O autor revela muito mais pelo que não diz, ao invés daquilo que joga luzes, de modo a tornar mais evidente a preocupação da academia dos países líderes (e até mesmo de nações periféricas), cuja base dá fluxo a ordem política atual.

Longe do fim da história, avaliada anteriormente por Fukuyama, a história que se desenrola tem muitas rupturas a serem construídas. Como diz o próprio autor, as erupções estão ocorrendo.

Cidades da informação!

No final, a simples reprodução da mídia dos grandes centros econômicos, não atende os anseios daqueles que passam a conhecer o Brasil globalizado
Surpreende a dificuldade de acesso à informação em várias cidades do interior do Brasil. Mesmo sem uma pesquisa é possível perceber que a população, em determinadas comunidades, ficam a mercê da televisão metropolitana, com alguns programas regionais, e das emissoras de rádios locais, as quais reproduzem programas nacionais de sucesso, sem investimento em material próprio, na maioria das vezes. A internet é um artigo de luxo, cuja velocidade ainda não chegou ao primórdio da chamada banda larga, mas com preços aviltantes, se considerados salários praticados e serviço oferecidos. Uma realidade pouco vista, em um país urbano de grandes metrópoles globais.

O interesse financeiro das empresas de tecnologia, como TV a cabo, artigo de luxo, não serve ao propósito de atender sequer a elite local, pois a falta de informações das operadoras sobre seus produtos é impensada. O sistema de atendimento ao cliente está longe de um país que cuida do bem-estar da população – o qual testamos pessoalmente e nos decepcionamos.

O computador, embora atenda número pequeno de pessoas, se reduz a um equipamento sem necessidade, afinal é preciso conhecer os seus códigos, ainda confuso na sua interação social, para grande número de pessoas. A juventude desfruta do fluxo cibernético de informações, mas com paciência, sem condições de acessar produtos da chamada indústria cultural – imagine os alternativos! -, devido à impossibilidade de downloads eternos.

Para quem vive nas capitais ou cidades polos, talvez não se atente para a falta de assistência de serviço público nas pequenos e até médios municípios deste país. Na era da tecnologia, a ideia de milhares de pessoas em rede ainda é apenas um sonho, que levará décadas para se materializar. Como se tudo conspirasse para a manutenção de um mundo sem transformações interiores, mas de determinações de fora para dentro.

A cultura própria extrapola os muros locais, e se disseminam pelos contatos físicos, na maioria das vezes. Mesmo sem condições para afirmações pontuais é possível avaliar que a desigualdade ainda persistirá por mais tempo, se considerar a perspectiva da informação. No final, a simples reprodução da mídia dos grandes centros econômicos, não atende os anseios daqueles que passam a conhecer o Brasil globalizado. Talvez esta seja uma das explicações para a perda de moradores de municípios brasileiros, principalmente os jovens, obrigados a inserirem-se ao moderno. Pois é.

A direita da esquerda

A direita dos partidos de esquerda é cada vez mais conservadora do que a esquerda dos partidos de direita. Vale a pena a observação

Visão política – Ao observar do início das campanhas eleitorais para 2012 há uma constatação possível, que olhada mais detidamente se mostra factível: as ideologias partidárias se desfazem rapidamente. Os partidos conhecidos como de esquerda abrigam lideranças tradicionalmente de direita, sendo que o contrário pouco ocorre, justamente pela participação mais efetiva do coletivo social nas relações políticas, na busca do que lhe favoreça. Há uma mistura entre comunista, capitalista, ruralista, num embaralhar com vistas aos resultados de poder (sobretudo, com base no econômico).

Em cidades do interior o candidato a prefeito surge das bases empresariais, da construção civil ou até mesmo de ruralistas, que assume candidatura em nome do partido dos trabalhadores, ou em legenda na teoria defende uma esfera pública popular ou socialista. As filiações de conhecidos nomes de organizações empresariais, ao se filiarem a este tipo de partido, se fazem merecedores de afortunadas festas de marketing, com participação de tradicionais lideranças, que se diziam de pensamento comunista. Um paradoxo, mas nem tanto.

Logo surge a certeza, não existe mais ideologia e os partidos pouco importam, pois a população vota em nomes (de sua representação), simplesmente. Na realidade, não é assim que se resolve. Os candidatos sempre se legitimam somente através dos partidos, sendo que as agremiações se sobrepõem aos nomes – numa estratégia sistêmica. Tanto é verdade que o cargo eletivo é do partido e não do candidato eleito, como se sabe, ratificado em lei. A existência de uma liderança sem partido inexiste, o qual está submetido as suas lógicas de pensamento, seja de direita ou de esquerda – ou centro.

Efetivamente, fora das aparências há uma disputa pelo poder que não passa pela legitimação dos eleitores (social), mas dos partidos e de suas lideranças e relações de poder, o que envolve sobremaneira o econômico. A satisfação dos membros dos partidos da esquerda, na contemporaneidade, está na condição de sua inserção aos valores de uma sociedade das trocas capitalistas, e não sociais.

Assim, no Brasil (especialmente no interior), parafraseando Fukuyama (defensor do fim da história, com a globalização do capitalismo): a direita dos partidos de esquerda é cada vez mais conservadora do que a esquerda dos partidos de direita. Vale a pena a observação.

2012, chegou

Final de ano é, de fato, tempo de balanço das atividades realizadas no período, com o propósito de novos ideais e definição de caminhos. Seja na política, na comunicação, nas relações pessoais, na economia. Pensar nossas ações e participação na sociedade torna-se, assim, um ato de responsabilidade e compromisso coletivo.

Embora, haja uma pausa para descanso e observações, aproveitamos para desejar aos leitores deste espaço muita vitalidade e energia, com vistas a 2012. Uma sociedade complexa exige reflexões permanentes e com diversidade de ideias.

Assim, cumprimentos sinceros. Brevemente  retornaremos com nossos  comentários no Debate.

OBS. Desejo de mais realizações em 2012. Ainda vale lembrar que será mais um ano de políticas efetivas para os cargos de representação pública.

Pessimismo e evolução

Reflexões



Intrigante entender o sistema social capitalista, quando se observa a sociedade e o conhecimento. Nas trocas de informações há um limite de observações que não vai além das lógicas vividas localmente no cotidiano, mesmo considerando os veículos de comunicação. No rigor das análises é possível avaliar que existe uma quantidade de imagens que se vê diariamente, não sendo possíveis outros contatos que não estejam neste quadro. Seria como se a felicidade existisse (na superficialidade) em compasso com a profundidade do que se pensa.

Neste sentido, deve-se aceitar que a passividade é sinônimo de alegria, enquanto o conhecer é razão para a perplexidade e pessimismo. Uma inversão, certamente – como querem aqueles que organizam os status sociais. Usando deste conhecimento, a difusão dos usos de bens torna a vida de milhares de pessoas melhores e “evoluídas”, sensivelmente – pelo que se apresenta. O possuir passa a ser a razão da existência, mesmo que sejam apenas aparelhos que servem como meros instrumentos para se viver plenamente, deste modo, a alegria do pouco conhecer, puro regozijo.

A aceitação se revela no ter o que está altura de um nível social, cujas classes sociais se formam conforme padrão estabelecido. Assim, cada qual se realiza no modo consensualmente aceito. A novela, o filme, o fantástico se revelam efetivando modelos e elevando o sonho de outros mundos, mesmo que impossíveis, mas existentes. Como se observasse o reflexo de uma imagem no fundo de uma caverna, embora real, mas impossível de chegar a ela, concretamente.

A construção da realidade, portanto, estaria na condição de oferecer conhecimento sobre diversos lugares, que na prática são reais, não apenas ficção de um sonho. A educação, mesmo burguesa seria uma forma a permitir fugir de um quadro e alcançar a plenitude da vida, mesmo que pessimista, a qual percebe a evolução e certamente a igualdade.

As novas tecnologias transformam as gerações que chegam, sendo mais próximas da educação formal, que induz observações mais amplas. As novas formas de comunicação, menos centralizadas, também poderão levar a outros caminhos. O capitalismo deverá se renovar para atender ao conhecimento complexo, ainda que tardio.

Núcleo da notícia mundial

O repórter tornou-se uma espécie de ser virtual, mas os interesses políticos são bem centralizados e localizados, talvez diga respeito à força de grandes impérios econômicos

 















Imprensa – Nos últimos anos houve uma clara mudança na quantidade de informações de diversos países do mundo, que passaram a ser jogadores políticos e econômicos, numa sociedade globalizada. Então, se os movimentos que ocorrem em grande número de nações dizem respeito à população espalhada em diferentes lugares – como é o caso das eleições na Rússia -, a notícia sobre esses assuntos pontuais passa a ser fundamental. Entretanto, numa análise rápida vai se perceber que existe um centro para a divulgação dos acontecimentos, formado por duas cidades – ambas de língua inglesa: Washington e Londres. O que torna a confiabilidade sobre o rigor da noticia questionável.

Quem assiste o Jornal Nacional, da Rede Globo – até mesmo lê os chamados jornalões como Folha e Estadão, nas matérias internacionais -, TV de maior audiência no Brasil, pode observar que a participação ao vivo do repórter dificilmente está no local dos fatos, mesmo considerando que a crise seja na Rússia, Irã, Iraque, Afeganistão ou China. As imagens trabalhadas são de grandes veículos de comunicação do país norte americano, em grande número, já transmitidas ou disponibilizadas compulsoriamente por agências.

Embora haja tecnologia suficiente para permitir colher detalhes dos acontecimentos há interferência da política do país em que se localiza o jornalista, ou mesmo a seleção do ângulo da notícia feita pelas próprias agências. Logo, pode-se entender que há um centro gerar de informação.

O repórter tornou-se uma espécie de ser virtual, mas os interesses políticos são bem centralizados e localizados, talvez diga respeito à força de grandes impérios econômicos. O que não quer dizer que os profissionais reproduzam tudo que vem das fontes oficiais ou de agências ligadas aos governos dos Estados Unidos e Inglaterra, especialmente, mas a seleção fica precária no sentido de comparar o que diz, de fato, um e outro agente, nos diferentes governos.

Como se vê, o mundo financeiro e político interferem na definição do que se fala na mídia, sobre os assuntos de países periféricos aos grandes centros econômicos. O Brasil não ficaria fora destas interferências. Talvez até mesmo haja a intenção de um pensamento comum global. Felizmente na sua vida prática e local está o telespectador, conhecedor das estratégias de poder e conhecimento.

Jornal Nacional da família brasileira

Os programas da ainda principal TV brasileira, uma das maiores do mundo, precisam estar à altura dos novos tempos da democracia e participação de uma nação latino-americana globalizada

 

Jornalismo – A visão que a direção do Jornal Nacional da Rede Globo tem da sociedade brasileira é muito parecida como uma grande família, na qual a TV carioca se torna um ente querido, seguida por todos. Uma espécie guia espiritual, responsável por influenciar a consciência de todos. De fato, esta atitude não seria exagerada se pensada há três décadas, mas com o desenvolvimento da educação, novas formas de se comunicar, não se pode duvidar que a nação tivesse outras referências para estabelecer suas relações no espaço social. O zelo com as despedidas de Fátima Bernardes, no telejornal dos Marinhos, demonstra como seus comunicadores veem o Brasil e os brasileiros.

A influência do jornalismo sobre a vida das pessoas é notória, entretanto, não pode desconhecer a capacidade de discernimento de uma sociedade já no século XXI, que não vive dependente de governos autoritários, como ocorreu nos anos de surgimento do JN. Aliás, somente pela audiência do programa aponta para outros lugares, diferentemente da época de chumbo. Talvez o editor chefe do jornal devesse observar a notícia tendo como espelho a realidade social, não como uma grande escola que deve evitar os maus exemplos que vai  perverter os telespectadores inocentes, colaborando com o caos. Verdade que a diferença de renda dos brasileiros permanece, entretanto, numa sociedade dinâmica.

Com as novas tecnologias da informação, que permitem mais agentes no processo de informação, o que se espera de um programa como o Jornal Nacional é mais jornalismo, com interpretações dos fatos, percebendo o espaço da ética e mais objetividade e menos partidarismo político. Os programas da ainda principal TV brasileira, uma das maiores do mundo, precisam estar à altura dos novos tempos da democracia e participação de uma nação latino-americana globalizada.

Enfim, Fátima Bernardes será sempre lembrada como grande profissional que noticiou acontecimentos importantes, ao lado do marido William Bonner. O Publicitário-jornalista que será sempre lembrado como aquele que vê o brasileiro com perfil de Homer Simpson, como fez questão de afirmar em entrevista; observa o telespectador como um indivíduo de consciência mediana, inserido na massa.