Proclamação da república?

Temas que, se tratados em roda de grupo, direcionam para a seguinte resposta: são questões utópicas, ou seja, a desigualdade está inerente ao espaço social.

SOCIEDADE - Quando se propõe participar do debate, mesmo quando há pressão de prioridades não dá para furtar de assuntos importantes. Mesmo sendo agendado pelos meios de comunicação três temas saltam aos olhos nesta segunda-feira (15), a proclamação da República que não se materializa no Brasil, cujo governo emana do povo, ou da maioria. Como exemplo disso, o segundo assunto, a universidade brasileira é elitista, de acordo com O Popular de Goiás, e “não encontra meios” para a inclusão de pessoas pobres ao ensino superior público, gratuito; e finalmente, no país de Monteiro Lobato, 30 milhões de brasileiros ganham R$140 por mês, conforme matéria publicada pelo jornal Folha de S. Paulo.

Em reportagem da jornalista Patrícia Drummond do diário goiano, o prof. João Ferreira da faculdade de Educação da UFG destaca que "O sistema de acesso à universidade é muito elitizado socialmente. A desigualdade é de origem econômica, social e cultural e se reflete no ensino superior". Mais adiante afirma o educador: "Hoje, 85% dos jovens brasileiros de 15 a 17 anos estão matriculados na rede pública e só 15% na rede privada. O ideal seria manter, nos sistemas de cotas, essa mesma proporção, o que acabaria gerando uma grande e polêmica discussão".

O Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM), sem dúvida é uma boa saída, mas há uma grande resistência de grupos elitizados que exigem a manutenção do status quo publicamente. O que não está equivocado, se olhado do prisma de uma minoria em detrimento da justiça social, que se inicia na educação. Ponto. Neste contexto, as universidades e faculdades particulares são fundamentais para a formação e conhecimento acadêmico.

Ademais, como conviver com uma sociedade que marginaliza, no espectro econômico, milhões de pessoas, colocando-as à margem do sistema social, cultural, educacional, ao receberem apenas R$140 ao mês? O colunista da Folha de S. Paulo, Fernando Barros da Silva, embora muitas vezes se mostra conservador em seus textos, diz: "Um tanque de gasolina. O preço de dois ou três livros. Um jantar razoável para duas pessoas. Tudo isso pode custar R$ 140. Pense no quanto você gastou nesses dias de feriado. Mais de 30 milhões de pessoas (15,5% da população) ainda vivem com menos de R$ 140 por mês no Brasil".

Não se pode esquecer também daqueles que ganham menos do que este valor. A rigor, ao todo quantos são? Ora. Sem dúvida, por outro lado, deve se comemorar a melhoria da qualidade de vida de outras tantas que conseguiram ascender da classe "D" para "C", pois há dez anos o número chegava a 57 milhões.

Como avaliar a República, que nasce com a proposta de levar em conta a participação popular. Certamente, considerando à marginalidade forçada social, os governos que sucedem no país reproduzem os interesses específicos e deixam de avaliar a importância da igualdade e democracia social. Temas que, se tratados em roda de grupo, direcionam para a seguinte resposta: são questões utópicas, ou seja, a desigualdade está inerente ao espaço social. O forte vencerá o fraco eternamente, como se vê no mundo selvagem.

Possivelmente, a diferença entre o animal e homem está na sua capacidade latente, de racionalmente ir se construindo. Nem tudo que apresenta, manifesta uma realidade eterna, caso contrário não existiria a república e suas potencialidades. O feudalismo faria parte de nossa realidade.

União histórica entre MDB e PFL

Todavia, nada pode ocorrer, mas para a existência do partido, os democratas precisam pensar o momento histórico.

Em debate a reestruturação do DEM
PARTIDOS - Normalmente os assuntos tratados pelos meios de comunicação momentaneamente carecem de análises históricas, as quais permitiriam conhecer melhor os agentes políticos. Neste contexto a junção entre DEM e PMDB, no mínimo, exigiria entender o processo de existência dos dois partidos e suas diferenças. Afinal, os democratas tem uma ramificação da Arena, partido oficial dos governos militares. O PMDB, por sua vez, seria a oposição à ditadura, ou uma forma que tinham os oficiais de, aparentemente, demonstrarem interesse no bipartidarismo. Na atualidade, a união das duas siglas levaria os DEM (ex-PFL) para o apoio ao governo petista, partido que, conforme o presidente Lula, deveria ser retirado da cena política brasileira - o desejo contrário também seria verdadeiro.

Numa pesquisa sobre as eleições de Fernando Henrique Cardoso para o seu primeiro mandado, o professor de política da UnB, Luis Felipe Miguel, em seu livro "Mito e Discurso Político", ressalta que: "o principal aliado de Fernando Henrique, o PFL, possuía uma trajetória oposta. Suas raízes estavam na Arena e no PDS, do qual se separou para apoiar a Aliança Democrática que elegeu Tancredo Neves no Colégio Eleitoral da ditadura. Forte nas regiões mais atrasadas do país, experiente no uso dos instrumentos da política tradicional (a troca de favores, o clientelismo, o empreguismo, o mandonismo local), o PFL comemorava, em 1994, trinta anos ininterruptos de governo: foi situação na ditadura, ainda dentro da Arena; foi um dos pilares do governo Sarney; apoiou Collor do início ao fim e logo integrou também o governo de Itamar Franco".

Evidente que são muitos pontos a serem entendidos desta análise, entretanto, cabe destacar o fato de o partido encontrar sua força nas regiões mais atrasadas do Brasil. Se a visão é econômica, o que resvala nos interesses políticos, geralmente com votos nos chamados currais eleitorais, seria interessante pensar qual a razão da perda de poder do partido nestes locais. Afinal, Dilma Rousseff conseguiu se distanciar de José Serra (PSDB) com o apoio da população que antes vivia sobre o cabresto eleitoral. O que teria permitido este fenômeno, a perda de força do partido conservador de direita no nordeste brasileiro e a participação popular nas votações para candidatos de esquerda?

Não basta apenas avaliar o fim ou transformação dos partidos no espectro à direita, conservadores e voltados para a lógica "ordem e progresso", mas torna-se importante saber o que tem levado comunidades inteiras selarem o fim de uma era de dominação política forçada. Evidentemente, que na tentativa de apontar alguns rumos seria importante ressaltar o fluxo de comunicação, que agora chega às diversas famílias de regiões, antes distanciadas da realidade social, e passa a conhecer o Brasil que parecia uma miragem. Desta forma, mais do que nunca discutir as novas mídias é fundamental para a consolidação destes movimentos de mudanças e participação popular. As frases raivosas nas redes sociais, talvez tenham sua explicação nesta reflexão, pois há perda de poder de grupos criados para eternizar com poder econômico e político.

Um segundo ponto, seria o entendimento dos moradores destas regiões da obrigação do Estado de cuidar de seu bem-estar, o que os livrariam dos coronéis, mal-intencionados, e “salvadores”. Com exemplo, a perda de hegemonia de Antônio Carlos Magalhães (nome inesquecível, liderança forte do PFL na Bahia) que não conseguiu manter sua herança no estado, hoje comandado por Jaques Wagner (PT). Desta forma, a assistência do governo desperta a população para a concretização de seus interesses de qualidade vida, exigindo de Brasília intervenções que resultem na democracia política na região. Esta é a proposta do Partido dos Trabalhadores?

Todavia, nada pode ocorrer, mas para a existência do partido, os democratas precisam pensar o momento histórico.

Outro ponto a destacar: caso os integrantes do DEM se associem ao PMDB, qual seria sua relação com o governo de Dilma Rousseff, que terá o PSDB como oposição? Uma situação que teve ter reflexo em Goiás, pois Marconi Perillo (PSDB) tem em sua base de apoio os democratas.

Decoreba e o Enem

A escola é fundamental para a justiça social, em que todos tenham condições de acesso à educação de qualidade.

EDUCAÇÃO - Não é nova a análise, segundo a qual a classe com poder aquisitivo brasileira quando se vê diante de perda de status quo logo sai a campo, numa guerra para manter os tradicionais privilégios. Exatamente o que ocorre com o Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM) neste momento, pois, como há uma divisão social no Brasil que coloca de um lado quem estuda em caros cursinhos preparatórios, uma minoria, e aqueles, a maioria, que fazem sua preparação para as provas de ingresso nas universidades em combalidas escolas públicas brasileiras, em cursos de destaque como medicina, odontologia, engenharias.

Como o exame não parte do decoreba, tanto criticado pelos pedagogos, mas sim a memorização de textos acadêmicos, torna-se desnecessário as aulas sofríveis de caras escolas particulares, cujo resultado serve apenas para a aprovação nas cobiçadas instituições públicas do ensino superior.

Não se deve minimizar a responsabilidade do MEC em realizar provas sem falhas, mas por trás de tanta discussão está à busca de manutenção de um modelo de ensino que ofereça privilégio para castas em detrimento da igualdade social, que inicia na educação inclusiva. Não é possível admitir que a qualidade do ensino universitário brasileira perca qualidade no momento em que o acesso à sala de aula seja para todas as classes. Difícil imaginar que ainda se pensa na diferença das pessoas pela cor sanguínea, como ocorria no período das monarquias, que hoje apenas representam um período da história, que redunda apenas em símbolo sem representação, de fato.

Sem dúvida, as escolas públicas brasileiras precisam passar por mudanças que privilegie a qualidade e deem condições à formação estruturada de jovens deste país, que carecem de boa formação. Se o decoreba dispensável perder espaço, certamente haverá avanços importantes para estudantes que se preparam em busca do conhecimento, daí a formação de pessoas críticas, capazes de participar de uma sociedade cada vez mais complexa, em que a guerra que se estabelece, na contemporaneidade, no campo simbólico, das idéias.

Não se pode analisar a sociedade simplesmente pelo privilégio, economia e capacidade intelectual a altura de alguns. A escola é fundamental para a justiça social, em que todos tenham condições de acesso à educação de qualidade.

Erros e acertos

Contudo, as eleições de 2010 já envelheceram. Agora o que conta são os movimentos para 2012, que já começou.

PESQUISAS - Após as eleições inicia-se a discussão sobre as pesquisas, na tentativa de avaliar quem mais acertou no processo eleitoral. Se analisar a partir do candidato eleito não será difícil apontar aqueles que foram mais eficientes, afinal, mantemos a cultura dos vencedores, desconsiderando a importância dos perdedores. A rigor, os benefícios virão de quem estará no poder, e no final é isto o que conta.

Entretanto, o que não se pode fazer, numa análise de qualquer assunto, é simplesmente observar atentamente o que se mostra mais visível. Assim, se alarga o campo de visualização alguns institutos de pesquisa realmente não conseguiram expressar o sentimento dos eleitores, com números muito distantes da realidade, o que certamente foi visto pelo eleitor. Caso contrário, Marconi Perillo (PSDB) teria vencido as eleições ainda no primeiro turno. Não foi o que ocorreu. Desta maneira, o Ibope foi mais eficiente neste momento ao apontar a virada para uma segunda etapa das eleições, embora com larga vantagem tucana. O Serpes, no geral apontava grande margem para a conclusão das eleições em Goiás em 3 de outubro.

No segundo turno, os analistas políticos já imaginavam embate tenso e difícil para Perillo que enfrentaria as duas máquinas públicas, Estado e União, daí se avaliar o crescimento de Íris Rezende (PMDB) e aproximação do adversário, e foi exatamente o que ocorreu. No entanto, as pesquisas se mostram diferentes nos números, pois o Serpes continuou descrevendo reduzida queda de Perillo e o Ibope crescimento e empate de Rezende. Nesta perspectivas o Serpes foi mais eficiente, contudo, em todos os momentos indicou vantagens para os tucanos, considerando a margem de erro, mas favoravelmente, se atentar para a diferença de 5,98% do resultado final das urnas.

O instituto goiano apresentou na última rodada de pesquisa uma diferença entre os candidatos de 8,3%, no geral. Sendo que, relativo aos votos válidos, foram apresentados 54,3% para o tucano e 45,4% para o peemedebista. Ou seja, no final, Perillo teve menos e Rezende mais votos que apontou a empresa de pesquisa – claro, não se esquecendo a margem de erro em torno de 3%, o que é muito alta.

A questão nem é seriedade, pois são empresas reconhecidas, o que sobressai inicialmente é a condição isenta de se observar os anseios populares e, muitas vezes, o posicionamento político que, de alguma forma, faz parte do trabalho do profissional de mídia. Além do que há a necessidade do eleitor de perceber que nem sempre as pesquisas conseguem registrar a sensibilidade da população. Trata-se, portanto, da aferição de um momento, que pode ter sido mudado e "não visto" pelos pesquisadores ao longo das disputas.

Contudo, as eleições de 2010 já envelheceram. Agora o que conta são os movimentos para 2012, que já começou.

Finalmente os vencedores

No final, a sinalização de que a sociedade está mobilizada pelos interesses sociais, e que há diferenças de interesses nas regiões, conforme a percepção das diversas comunidades.

ELEIÇÕES - Os resultados das eleições, com as novas tecnologias, permitiram se conhecer os vencedores quase em tempo real, como se viu nestas eleições que se encerradas ontem(31). Com disputas acirradas na maioria dos estados, naqueles que tiveram segundo turno e para a presidência da república. Conforme já se vinha desenhando o quadro, a petista Dilma Rousseff (PT) se tornou a primeira presidente do Brasil, com 56% dos votos contra 44% de José Serra (PSDB), o que de alguma forma muda o perfil do chefe do executivo, permitindo a quebra do paradigma do preconceito contra a mulher na política.

Em Goiás Marconi Perillo (PSDB), não foi surpreendido por Íris Rezende (PMDB), apesar dos muitos e expressivos apoios à campanha do ex-prefeito de Goiânia. No final Perillo chega ao terceiro mandato de governador, com 1.551.132 votos, com 52,99%, contra 47,01% de Iris Rezende, que recebeu 1.376.188 votos. Embora houvesse a indicação de vitória ainda no primeiro turno, apontada por institutos de pesquisa, foi necessário uma segunda etapa para confirmar a sua eleição, a qual foi obtida com diferença 5,98%, suficiente para organizar em torno de si apoios e uma estrutura de governo com plena capacidade de gestão.

Entretanto, terá que negociar com o governo federal que lhe fez oposição durante a campanha. Sem dúvida, não há razão para o jogo político ser punitivo com os cidadãos por diferenças políticas no processo eleitoral. Além do mais, mesmo que o Perillo tenha maioria na Assembléia deverá contar com oposição de algumas prefeituras de cidades importantes do estado, que não fazem parte de partidos aliados. As conversas em torno da governabilidade deverão se iniciadas, e o que se espera são acordos, os quais girem em torno do interesses da sociedade goiana.

Em essência, a política brasileira mostrou maturidade, com participação dos eleitores que fizeram suas escolhas, e definiram seus representantes, muitas vezes, independentemente das pressões de discursos calorosos de parte dos meios de comunicação de massa partidarizados e grupos de poder eternos no poder. No final, a sinalização de que a sociedade está mobilizada pelos interesses sociais, e que há diferenças de interesses nas regiões, conforme a percepção das diversas comunidades. Neste pleito os nordestinos receberam grande atenção e apresentaram sua visão de Brasil.

Voto pela igualdade

Desta forma, cada qual com suas convicções devem ir às urnas e depositar sua confiança na manutenção ou mudança política regional e nacional. Mas de fato o germe do debate sobre a injusta distribuição de renda no Brasil estará vivo, ainda depois das eleições.

ELEIÇÕES - Finalmente chegou-se o dia da decisão de quem será o futuro presidente da república e governador de alguns estados que passam indecisos para o segundo turno. No Brasil, Dilma Rousseff (PT) deverá ser eleita presidente, conforme pesquisas eleitorais. Em Goiás a indefinição persiste antes de abrir as urnas - quando este texto é escrito, pois houve na reta final da campanha crescimento de Íris Rezende (PMDB) e perda de força de Marconi Perillo (PSDB), portanto, a dúvida se sobressai.

O importante a notar que depois de vários meses de confrontos de ideias e discursos em todo país, envolvendo aliados e oposição, é que o Brasil inicia um processo de debates mais fervorosos sobre os interesses sociais. Com olhos nas pesquisas, se no sul há a manutenção de um conservadorismo social, com preocupações mais voltadas para as lógicas sociais, que vê em José Serra (PSDB), mais perspectiva de manutenção de ordem vigente, nas regiões sudeste e norte mantem-se o perfil de um embate, no qual prevalece a característica de eleitores que veem, no Estado forte, uma saída para a qualidade de vida dos brasileiros. Contudo, as lógicas de emergências econômicas estão vivas no sentido de impedir grandes avanços da esquerda menos globalizante e liberal.

O que diferencia do resto do país realmente é a região nordestina, que tem uma história de marginalidade social dentro de um país rico em economia e produtividade, mas com muita concentração de renda. Um lugar que já fez campanha para formar um estado separado do resto da nação, de tamanho descaso das políticas públicas nacionais. Com população formada por maioria longe dos prazeres do consumo por falta de recursos financeiros, aposta que o Estado deverá conseguir mudar esta realidade. Desta forma, a candidata que carrega a herança do lulismo, o qual investiu no favorecimento das classes baixas, recebe uma grande margem de aceitação. A região faz a balança pender definitivamente para as prováveis mudanças sociais.

Em essência, quem está por baixo no processo de desenvolvimento social e econômico, ou seja, não consegue participar nos benefícios de um mundo moderno e tecnológico, quer, com justiça, a mudança. Quem usufrui das lógicas de um mundo de riquezas quer a manutenção de uma ordem que os mantem com status quo. Olhado por este prisma, nada mais justo ouvir a voz de milhares de brasileiros que vivem marginalizados neste processo político, o qual se arrasta há séculos.

Desta forma, cada qual com suas convicções devem ir às urnas e depositar sua confiança na manutenção ou mudança política regional e nacional. Mas de fato o germe do debate sobre a injusta distribuição de renda no Brasil estará vivo, ainda depois das eleições. Análises feitas pelas ricas campanhas eleitorais que tentaram seduzir este grande número de cidadãos de segunda classe, os quais fazem valer o seu desejo inelutável para igualdade social.

Pesquisas em questão

Devemos pontuar que ao longo destas eleições as pesquisas apresentaram resultados muito estranhos numa análise objetiva, pois não é possível empresas chegarem a números tão díspares, considerando o mesmo lugar de amostras, mesmo avaliando as metodologias de cada empresa.

Charge publicada hoje pelo jornal FSP
ELEIÇÕES - Faltando um dia para as eleições, o instituto goiano, em matéria publicada pelo Jornal O Popular, aponta grande vantagem de Marconi Perillo (51,9%) contra Íris Rezende (43,6%), ou seja, uma margem de 8,3% à frente quase na hora do voto. Mas o que chama a atenção é que a pesquisa não consegue motivação para análises interna do diário, sequer os jornalistas da empresa faz qualquer menção aos números que são, teoricamente, definidores de quem será o governador do Estado. Chega-se a pensar que há confusão entre editores e jornalistas que não querem se arriscar em abarcar dados que não corresponderiam a realidade eleitoral.

No jornalismo existe um termo que define bem propostas mirabolantes de determinadas pessoas na política, o chamado balão de ensaio. Assim, quando alguém quer entender ou mudar as convicções da sociedade, sobre algum tema, faz algum jornalista amigo publicar uma matéria, que tenha repercussão e agende as outras mídias. Ou seja, coloca em debate um assunto. No caso da pesquisa, pode levar, aqueles que têm um pensamento formado na definição de seu voto, a ficar em dúvida sobre a diferença que separam dois postulantes a um cargo público. Em muitas circunstâncias alguns eleitores podem se decidir em acompanhar o consenso, ou seja a maioria, o chamado efeito do voto útil. Considerando a seriedade do Serpes este último levantamento não retrata esta análise aqui aventada.

Entretanto, numa comparação com os demais institutos, os números se mostram destoantes, pois na quarta-feira o Jornal O Popular publicou pesquisa do IBOPE que apresentava literalmente empate técnico: 46% Marconi e 45% Íris. Como as amostras são de apenas três dias de diferença os levantamentos apontam para posicionamentos diferenciados. Em essência o IBOPE percebeu crescimento de Rezende e queda de Perillo, enquanto que no Serpes a queda do tucano está na margem de erro, que é 3,1 pontos percentuais. É preciso cautela nestas horas, principalmente para aqueles que são formadores de opinião.

Devemos pontuar que ao longo destas eleições as pesquisas apresentaram resultados muito estranhos numa análise objetiva, pois não é possível empresas chegarem a números tão díspares, considerando o mesmo lugar de amostras, com atenção nas metodologias de cada empresa. No final, depois da apuração das urnas, a realidade aparecerá, com o devido questionamento, e a população saberá qual instituto tratou a opinião pública com respeito. Talvez a credibilidade valha mais do que interesses ideológicos e financeiros.

Mídia em debate

Volta o debate social sobre a formação dos conselhos de comunicação que será responsável pela acompanhamento dos meios de comunicação, com iniciativa de alguns estados brasileiros. A idéia não é nova, pois apesar da resistência da empresas, a discussão está em voga por longo período, entretanto, sempre impedido de tramitar no congresso nacional.

A conferência de Nacional de Comunicação (Confecom), a qual em reuniu pessoas ligadas a sociedade civil, profissionais e empresas entenderam a necessidade trabalhar para a qualidade da informação do país, concentrada nas mãos de poucos empresários que mantém conglomerado de mídias.

Leia em PUBLICADO

Valor do voto dos pobres

Com muito tempo de atraso. Mas um bom texto deve ser preservado por tempo suficiente para fazer lembrar determinados debates que são importantes na sociedade. Ainda mais que os casos de injustiça no Brasil perduram por séculos e precisam ser, no mínimo, discutidos.

Abaixo o artigo da Psicanalista Maria Rita Khel, que faz dura crítica a exclusão social, o qual rendeu-lhe demissão do Jornal Estado de São Paulo que, em editorial, defendeu apoio da empresa ao candidato do PSDB José Serra, ainda no primeiro turno.

Leia em PUBLICADO

SERPES OPONTA DIFERENÇA TUCANA

Na realidade, a publicação de pesquisas deve ocorrer nos próximos dias, quando será possível aferir com mais precisão a condição dos dois candidatos.

PESQUISA ELEITORAL - As pesquisas eleitorais geram enormes desconfianças entre os eleitores e críticas as mais diversas entre os postulantes ao governo do estado. Em Goiás o mais tradicional instituto de pesquisa, o Serpes, vem sendo alvejado por denuncias da campanha de Íris Rezende (PMDB), por afirmar que a empresa presta serviços a Marconi Perillo (PSDB) e, por isso, não teria isenção o suficiente para realizar e divulgar intenção de votos neste segundo turno. Por outro lado, os tucanos a cada rodada, comemoram os números publicados pelo jornal O Popular, com diferença que se mantém, com vantagem para o senador.

Na publicação deste sábado, com amostras colhidas entre os dias 19 e 22, mais uma vez Perillo permanece na dianteira na corrida ao governo do estado com 9,9% dos votos, faltando apenas nove dias para as eleições. Contudo, o resultado indica crescimento do peemedebista e queda do tucano. A diferença na pesquisa anterior era de 11,5%, portanto, uma redução de 1,6%, com margem de erro de 3,1%.

Os números são divergentes dos institutos de pesquisa IBOPE e Vox Populis que asseguram uma diferença de 4%, com empate técnico, sendo todas divulgadas na semana passada. O que demonstrava transferência de votos de Vanderlan Cardoso (PR) para Rezende, com reflexo na campanha presidencial. Como o Serpes é mais "conservador" em sua metodologia é possível que a medição destas empresas também demonstrem uma redução ainda maior, nas próximas publicações.

Conforme a empresa de pesquisa goiana, o peemedebista avançou na capital, aumentando sua diferença de 4% para 9,9%; e no entorno de Brasília Rezende consegue reduzir a distância de Perillo, caindo pela metade, de 30% para 17,6%. Lugares com grande densidade eleitoral. Com exceção de Goiânia, o tucano leva vantagem em todas as regiões, conforme o Serpes, embora com oscilações.

Na realidade, a publicação de pesquisas deve ocorrer nos próximos dias, quando será possível aferir com mais precisão a condição dos dois candidatos neste momento crucial para se decidir qual será o próximo governo dos goianos.

Despedida

A semana esteve movimentada com o caso Paulo Beringhs e TBC, cuja despedida ao vivo do jornalista de seu programa de entrevistas, se espalhou por todo país, sendo reproduzido pelas novas mídias e tradicionais, capitalizado pela campanha de Marconi Perillo. Um jogada arriscada do apresentador que afirma ter dignidade diante do interesse do colega de empresa que prefere manter o emprego.

A disposição para a integridade de um profissional de imprensa deve ser preservada, mas não deve atingir a honra de outro jornalista, sem direito ao uso da palavra, com resposta inaudível e ausência de imagem.

Sobre o fato da censura da entrevista de Perillo vale questionamento e discussão, mas a despedida tão radical, ao lado de Demóstenes Torres (DEM), pode levar a desconfiança da população e imprensa dos interesses reais de Beringhs ao ser informado pelo Jornal Folha de S. Paulo, como membro do PSDB.

SEMANAS DECISIVAS EM GOIÁS

O que se deve fazer é esperar ou agir. O jogo não terminou e somente se encerra depois do fechamento das urnas.

POLÍTICA - As eleições em Goiás entram nas últimas semanas com acentuada indefinição de quem será o próximo governador, pois conforme apontam os institutos de pesquisas, neste momento, há uma redução da diferença entre Marconi Perillo (PSDB) e Íris Rezende (PMDB). Hoje a diferença pode estar entre 12% a 4% em favor do tucano, dependendo da metodologia trabalhada pelos pesquisadores, o que indica, de qualquer forma, crescimento do ex-prefeito e queda do senador, se verificada a tendência dos números do primeiro turno.

Importante ressaltar que as pesquisas registram um momento de posicionamento social, sem descartar a sinalização política de cada levantamento, conforme aproximação com determinado partido. Não há, de fato, isenção neste território da política. Feitas as ressalvas dois pontos a serem analisados. Primeiro que a campanha a presidência deverá ter reflexos no estado.

Desta forma, o crescimento de José Serra (PSDB) e Dilma Rousseff (PT) poderá fazer oscilar os números das pesquisas em Goiás. Afinal, o eleitor sabe que muitos recursos que chegam aos municípios vêm da União. Os projetos propalados podem não sair do papel caso ( como metrô, por exemplo) não consiga passar pelos trâmites políticos de Brasília.

Em segundo, para alguns analistas políticos seria impensada a transferência de votos tanto do governo federal, quanto de Vanderlan Cardoso (PR), terceiro colocado no primeiro turno. Será? A rigor, o olhar sobre a sociedade carece de fórmula menos simples, como se os reflexos se repetissem a cada eleição.

Em essência, o Brasil não conheceu um presidente com tanto carisma e com grande aceitação entre a maioria da população de baixo poder aquisitivo como Lula, além do mais, qual seria a aposta em Dilma Rousseff sem o apoio do presidente? Alguns tucanos de altas plumagens imaginaram, antes do início da campanha que o teto para a petista com os símbolos do governo seria de 40%. Faz muito tempo que ultrapassou este patamar.

O discurso (em tom de crítica) de Alcides Rodrigues, sendo vice governador e parceiro de Perillo por dois mandatos, não pode ser descartado. Afinal, o candidato apoiado por ele conseguiu fazer pesar a balança para a realização de segundo turno. Simbolicamente Cardoso pode carrear votos.

Neste momento, José Serra admite que sua campanha está sem fôlego (e discurso), não consegue fatos novos que o mantenham no imaginário coletivo. Por outro lado, pode-se perceber crescimento de Rousseff, a qual passou por momentos difíceis para desvencilhar da agenda aborto, que vai rondá-la até o último dia das eleições. Quem ganha com o avanço da candidata de Lula é Íris Rezende que aparece ao lado da petista desde o primeiro turno. Marconi Perillo, por seu turno, depois de esconder Serra, agora usa sua imagem para sucesso e insucesso, conforme o desenrolar das eleições.

Se por um lado pesa contra Íris Rezende a sua idade já avançada e a imagem de indiferente ao moderno, Marconi Perillo não conseguiu mudar a pecha de autoritário e concentrador, o que de alguma forma assusta lideranças políticas e eleitores. Nas entrevistas nos veículos audiovisuais deixa transparecer dificuldade de diálogo com jornalistas. Talvez seja um problema, em especial, dos tucanos e democratas ao lidar com a imprensa, apesar do forte apoio que recebem dos donos das empresas de comunicação, em grande parte.

A rigor, chegou a hora de os eleitores se posicionarem, apesar das incertezas. Mesmo aqueles que já se decidiram, podem na última hora mudar de comportamento, como ocorreu no primeiro turno para governo de Goiás e presidência. Desta maneira, o que se deve fazer é esperar ou agir. O jogo não terminou e somente se encerra depois do fechamento das urnas.

No Vox Populis Dilma Aumenta Vantagem

Pesquisa do instituto Vox Populis publicada pelo jornal O Estado de Minas aponta que Dilma Rousseff (PT) aumentou sua vantagem na corrida eleitoral em 12% em relação a José Serra (PSDB). Agora a petista tem 51% contra 39% do tucano.

Considerados apenas os votos válidos, ou seja, sem os brancos, nulos e indecisos, a petista, que tinha 54% alcançou 57% neste novo levantamento, ao passo que Serra caiu de 46% para 43%. A margem de erro é de 1,8 ponto percentual para mais ou para menos.

Na última pesquisa, realizada nos dias 10 e 11 de outubro, a vantagem era de oito pontos: Dilma tinha 48% e Serra 40%. Os votos brancos e nulos permaneceram em 6% e os indecisos passaram de 6% para 4%.

DECISÃO POLÍTICA DOS VERDES

A política não é um lugar de compadres, há os embates e os discursos construídos de parte a parte, cujo objetivo de determinados acenos, muitas vezes, é de obter resultados, mesmo que no final haja perdas de ideias e valores de partidos e pessoas.

ELEIÇÕES - O anúncio de independência de Marina Silva e o PV, oficializado hoje (18) já era esperado pelos analistas políticos e imprensa de todo o país, pois a senadora encontrou abrigo em um partido, cuja cúpula construiu nestas eleições relações fortes com o PSDB, afinal, um dos símbolos do partido o ex-petista Fernando Gabeira disputou o governo do Rio de Janeiro com apoio também de José Serra (PSDB). Aliás, uma situação desconfortável para a base que carrega ideologias partidárias, com visão de um partido que defende a preservação do meio ambiente, que não tem uma simbiose perfeita com o liberalismo tucano, colocando no mesmo espaço capitalismo, consumo e recursos naturais.

Numa análise simples é possível chegar à conclusão que os votos da candidata do PV, com quase 20 milhões, na sua maioria foram transferidos para os tucanos neste segundo turno, que saiu dos 30% para mais de 40%. Como neste contexto a imagem de Marina teria importância como representatividade, sua ausência no palco manterá os índices de Serra. Uma estratégia pensada pelo "novo" Gabeira, que saiu da campanha fluminense com reprovação dos eleitores, já no primeiro turno, o qual apóia publicamente a decisão do partido e ratifica parceria com os tucanos.

A política não é um lugar de compadres, há os embates e os discursos construídos de parte a parte, cujo objetivo de determinados acenos, muitas vezes, é de obter resultados, mesmo que no final haja perdas de ideias e valores de partidos e pessoas. O que não deve ser tratado como regra geral, mas as simulações e propostas absolutamente vazias estão na boca de grupos políticas no cotidiano, sem consistência. Neste sentido, Marina Silva pode ter errado na sua decisão, pois o que a mantém com condições de enfrentar uma nova eleição com condições de vitória seria o seu posicionamento em defesa da ética e ideais que resultem no bem-estar da sociedade, ou seja, resguardar sua força de liderança, perante um público de competência intelectual e religiosa.

Por outro lado, o crescimento inesperado da senadora no final do primeiro turno, deve-se fortemente à campanha religiosa que gerou incertezas sobre a posição de Dilma Rousseff (PT) no que se referem a suas crenças, o que se soma as críticas da oposição insistente de partes dos meios de comunicação brasileiros em rede fomentados pela mídia paulista. O maior beneficiado foi José Serra que conseguiu um segundo tempo, mesmo sem avançar nos números já percebidos pelas pesquisas.

CURTAS

Política em rede

POLÍTICA - Na política a semana começo quente na rede on-line, são milhares de emails enviados para eleitores plugados na internet. Há, entretanto, aumento considerável do número de mensagens de partidários, que apoia Dilma Rosseff (PT) inclusive com participação de intelectuais.

No que se refere ao movimento religioso, nos últimos dias os textos enviados muitos são desfavorável ao candidato José Serra (PSDB), em virtude da tomada de posição de partes de igreja que se posiciona contra ala religiosa que tentam não deixar sair do imaginário social o tema descriminalização do aborto.

A semana deverá render na internet, em especial, meio do qual não deve ser marginalizado neste processo, com o discurso de atender apenas uma pequena classe social. Não se pode esquecer que a informação é sistêmica e além de sugerir pautas para a grande mídia tem difusão na sociedade. Então é acompanhar e saber separar informação de denúncias infundadas.


Dois pesos e duas medidas

ESPORTE- A vitória do Atlético-GO o credencia a primeira página de esportes, com destaques nos jornais locais. Pois, diante de uma grande equipe brasileira, o Vasco da Gama, hoje (17) o time goiano não se intimidou e venceu por 2 a 0, no Serra Dourada, deixando a zona de rebaixamento.

Diferentemente, o Goiás não conseguiu o mesmo intento contra o Atlético-PR na sábado, quando foi derrotado por 2 a 1, fora de casa. Resultado que torna sua permanência na série A comprometida.

Sem dúvida o bairrismo no esporte - na defesa dos clubes e atletas regionais- seria uma maneira de valorizar os interesses da população do estado. Desta forma, cabe aos veículos a valorização das equipes de maneira equânime, entretanto, há editores que conseguem focar apenas uma equipe da capital, quando não times "estrangeiros".

INDEFINIÇÃO EM GOIÁS

Portanto, não há dúvida que é necessário esperar novas pesquisas e fatos que possam interferir no quadro de Goiás, mas longe de estar definido, como aponta a pesquisa Serpes.


 ELEIÇÃO REGIONAL - Em Goiás, conforme os números apresentados pelo instituto Serpes, publicados pelo jornal O Popular neste sábado (16) aponta vitória do candidato tucano Marconi Perillo com 56,1% dos votos válidos contra 43,9% de Íris Rezende. Entretanto, diante dos números do primeiro turno, é necessário ter cautela e esperar novos levantamentos para análise do processo eleitoral com mais clareza - importante resguardar a seriedade do instituto, mas as eleições levam suspeição a todos os quadrantes. Outro fato, que se deve considerar é o que se percebe na capital, com tendência para o peemedebista, talvez maior do que os dados mostrados pela empresa, entretanto, no interior tornam-se difícil a observação por falta de instrumentos.

Nesta reta final do processo, simbolicamente a adesão de Vanderlan Cardoso (PR) e Alcides Rodrigues (PP) à campanha de Rezende pode render uma melhor performance para os peemedebistas, entretanto, como se vê a base dos partidos Republica e Progressista, não na totalidade, aderiram à base tucana. Evidente que no Brasil a agremiação em si não tem grande importância na decisão do voto, mas sim o candidato. Se assim for Cardoso poderá fazer a balança pesar para Rezende. Mas será o suficiente para mudar os números? Tudo vai depender dos reais dados das pesquisas.

Notório, entretanto, avaliar que o candidato do PMDB tem como tendência movimentar grandes números de eleitores de menor poder aquisitivo e pessoas de mais idade, mas longe do ideal. Isso demonstra que a visibilidade que apresenta Rezende não ataca pontos específicos, os chamados grupos focais. Um erro.

Marconi Perillo tem favoravelmente o acirramento da campanha presidencial, com crescimento de José Serra e imagem de estadista, aquele capaz de mudar o perfil de um estado conservador político e economicamente. Entretanto, nesta briga com o atual governador não atingiu os objetivos traçados no final da campanha passada. Sua imagem foi arranhada e pesa sobre ele a pecha de autoritário e de pouco diálogo nos embates políticos, observação demonstrada até por aliados.

A percepção das empresas de comunicação de um político forte e um homem de marketing, entretanto, leva consigo o apoio estratégico de partes importantes da imprensa local e do interior. Uma ressalva, a imprensa é um espaço que deve ser valorizado com ética pelos governantes, contudo.

Portanto, não há dúvida que é necessário esperar novas pesquisas e fatos que possam interferir no quadro de Goiás, mas longe de estar definido, como aponta a pesquisa Serpes.

ESTABILIDADE PARA A PRESIDÊNCIA

A próxima semana será decisiva, contudo, o sentimento de êxito na campanha entre os populares é maior para Rousseff do que para Serra.

ELEIÇÃO PRESIDENCIAL - A pesquisa do Datafolha publicado neste sábado (16) desenha um quadro de estabilidade para a campanha presidencial, o que indica vitória de Dilma Rousseff (PT) neste segundo turno, com 47% contra 41% do tucano José Serra - importante, entretanto, cuidado com as pesquisas. Apesar de haver eleitores sem saber em quem votar - 8% antes eram 7%, representativo diante do acirramento -, e possibilidade óbvia de mudança de comportamento do eleitorado, mas não há sinal de oscilação significativo.

A rigor, mais uma vez deverá haver muitas abstenções e votos nulos, o que não deveria assustar os analistas políticos. Não havendo empatia com um ou outro candidatado é direito de cidadania não votar em ninguém, um sinal da insatisfação com os nomes postos. Natural e até necessário numa sociedade heterogênea.

Desta forma, a semana será movimentada com fatos novos, certamente, como ocorre numa campanha absolutamente partidarizada pelas empresas de comunicação, agora com a inserção de parte de religiosos, pertencentes aos redutos eleitores de Serra, principalmente São Paulo e região de Minas Gerais, de Aécio Neves (PSDB) – religião tem participação política, bom que se diga. Evidentemente, que os meios de comunicação têm importância neste processo, entretanto, como demonstrou seus interesses abertamente, sua força se reduz neste final de decisão, ficando a mercê de escândalos a serem publicizados e gerar incertezas.

Não há dúvida do intenso trabalho de jornalistas em busca de material a ser veiculado, capaz de vender jornais e jogar foco nas eleições, tanto melhor para as grandes empresas se for contra petistas, o que se mostra a tendência.

Sobre a religiosidade, apesar da valorização da mídia sobre os casos veiculados sobre escândalos, a fé religiosa sempre foi um ponto a ser observado pelos homens e mulheres da política, o que de alguma forma já deu tempo para a população entender o que está por detrás da discussão, os interesses políticos apenas.

A leitura que se faz é que José Serra não tem perfil de um exímio religioso e busca o tema apenas como forma de atrair o eleitor – a rigor Fernando Henrique Cardoso caiu nesta armadilha em 1985 em campanha para a prefeitura paulista, se mostrando cético quanto ao tema – qual seria de fato a posição de Serra na sua vida privada? Exemplo disso está na mudança de comportamento dos grupos de pessoas de alto poder aquisitivo que migrou para Dilma Rousseff, pois houve excessos do tucano no trato com os símbolos sociais, o que deixa perpassar falta de objetividade e discurso vazio.

A próxima semana será decisiva, contudo, o sentimento de êxito na campanha entre os populares é maior para Rousseff do que para Serra. Contudo, atenção será importante nesta reta final do processo eleitoral para a presidência.

PERGUNTAS RELIGIOSAS

Neste momento está em jogo, não exatamente a fé cristã, mas de fato a ordem sistêmica de modelo capitalista que passa pelo processo eleitoral. Não seria este um ato de desinformação?


ELEIÇÕES - A religião ganhou destaque neste momento eleitoral, talvez fazendo relembrar momentos históricos, em que o mundo recebia os primeiros lampejos da ciência derrubando mitos, os quais sustentavam crenças as mais diversas e pouco racionais. As rupturas nem sempre são simples, pois as estruturas assentam comportamentos e pessoas que por milhares de anos repetem os mesmos discursos. Neste momento, porém, a defesa religiosa da não-descriminalização do aborto é legítima e honesta, afinal, a discussão gira em torno da vida. Mas não estaria com o olhar somente para a ponta do iceberg, sendo o problema mais profundo, o qual não se vê com clareza?

Para os autores sistêmicos, a religião foi importante na consolidação do capitalismo, que afinal não pode sobreviver fora da ordem, a rigor, a segurança faz parte da estabilidade econômica, apesar do capitalismo mesmo estar sempre em crise, no sentido de atender as novas necessidades sociais, muitas delas criadas artificialmente. Uma sociedade alegre e feliz, portanto, passiva poderia ser um lugar tranquilo para o desenvolvimento econômico e manutenção da ordem vigente – sem dúvida excludente.

Embora, os homens e mulheres vivem em torno dos mitos, pois fazem parte da nossa realidade, não estão plenamente ordenados, o que gera sempre tensão, e deve ser controlada. Não seria o caso, então de possibilitar mais informações para que se possa, coletivamente, chegar a um posicionamento?

As imagens eleitorais são no mínimo irônicas, pois se tornou comum se deparar com fotografias dos tucanos José Serra, nos grandes jornais, e Marconi Perillo na imprensa local com ar de religiosos, ao lado de símbolos da Igreja. Por outro lado, Dilma Rousseff (PT) distante da crença, com olhar fixo no horizonte, enquanto que Íris Rezende (PMDB), se apresenta preocupado apenas com os movimentos políticos.

A mídia constrói o seu discurso sem trazer informações sobre a estrutura abaixo da superfície (do iceberg), o que poderá ocorrer depois das eleições. Neste momento está em jogo, não exatamente a fé cristã, mas de fato a ordem sistêmica de modelo capitalista que passa pelo processo eleitoral. Não seria este um ato de desinformação? O aborto e casamento gay necessariamente estão ligados as lógicas simplesmente religiosas? E o governo de um país se resume a apenas a estes temas? Não seria o caso de pensar que outros assuntos tem relação com os interesses religiosos, como por exemplo, a exclusão social, a fome, a miséria?

O grande risco que se corre é a valorização do símbolo em função apenas das lógicas de capitalismo que vão contra até mesmo a imagem de um mundo de inclusão. Sobre as questões apresentadas são realmente para serem pensadas e discutidas.

CAMPANHA ACIRRADA EM GOIÁS

Há dois caminhos para o ex-prefeito de Senador Canedo: apoiar Íris Rezende ou Marconi Perillo; ou ainda a alternativa da neutralidade. Sem dúvida, a última opção pode ser arriscada, estar em cima do muro nem sempre é a melhor saída, e os tucanos sabem disso.

POLÍTICA REGIONAL - As eleições em Goiás serão, neste segundo turno, pela imagem que se apresenta, acirrada, pois no final da fase anterior Marconi Perillo (PSDB) visivelmente perdeu fôlego e empolgação, por isso, não conseguiu avançar o suficiente para decidir o pleito antecipadamente. Num processo longo como é uma campanha eleitoral, em que as propostas muito se assemelham, ou seja, todos estão dispostos à bondade, sobressai aquele que apresenta condições para materialização das propostas de convencimento do eleitor. Neste caso os apoios políticos passam a ser fundamentais.

Nesse espaço, Íris Rezende (PMDB) leva vantagens, pois tem o apoio de três prefeituras importantes (Goiânia, Aparecida e Anápolis); mesmo que indiretamente, devido a pressões partidárias, terá o aceno de Alcides Rodrigues (PP) e o governo federal deverá aumentar sua presença no estado, afinal, agora Dilma Rousseff (PT) vai sair a campo em busca de visibilidade para o seu discurso, em todos os estados.

Marconi Perillo não está só evidentemente, a sua campanha terá o peso de boa parte das prefeituras de Goiás e José Serra se fortaleceu ao chegar ao segundo turno. O crescimento nas pesquisas (que continuaram sob as dúvidas do primeiro turno, em que fazem parte de uma estratégia comunicacional) do ex-governador paulista poderá beneficiar o senador, mas conforme o embate federal.

No que se refere à comunicação das campanhas, a vantagem vem sendo do PSDB no estado, e deveria ser uma preocupação dos peemedebistas se desejam sucesso nesta fase de muito embate. Não se comunica na contemporaneidade como se fazia na época das cartas e telégrafo. Informação tem tempo e data de vencimento, as pessoas se acostumaram às mensagens quase em tempo real, isto significa que quem informa primeiro tem mais retorno. Neste caso entram as respostas as acusações e denúncias.

Apoios no estado

Vanderlan Cardoso neste momento faz as contas para saber quais os reflexos de sua decisão agora terão no futuro. O que é uma análise legítima, pois conseguiu atingir o objetivo de se projetar no cenário político regional. Se Perillo é centralizador, Rezende não fez herdeiros políticos, além do que o PT deverá lutar duramente para a reeleição de Paulo Garcia em 2012. Então para que lado vai o PR? O governador Alcides Rodrigues deverá ter peso nesta decisão, afinal, Cardoso se destacou politicamente como resultado da disputa entre Rodrigues e Perillo. As relações partidárias com grupos são fundamentais para existência de um nome viável.

Dito isso, há dois caminhos para o ex-prefeito de Senador Canedo: apoiar Íris Rezende ou Marconi Perillo; ou ainda a alternativa da neutralidade. Sem dúvida, a última opção pode ser arriscada, estar em cima do muro nem sempre é a melhor saída, e os tucanos sabem disso.

ELEIÇÕES, RELIGIÃO E POLÍTICA

A dúvida agora é saber qual a tendência dos eleitores de Marina Silva, os quais podem ser influenciados pela liderança da senadora, embora, não seja uma conta exata – as escolhas também são particulares.

ELEIÇÕES PRESIDENCIAIS - As eleições para a presidência da república não se encerrou no primeiro turno, como se imaginava por grande parte dos formadores de opinião. Houve surpresa de um modo geral, pois na reta final Marina Silva (PV) conseguiu crescimento, que de alguma forma já era esperado em função da perda de energia de Dilma Rousseff (PT). O mar de sites políticos que movimentaram a internet nas últimas semanas sobre a descriminalização do aborto afirmando maldosamente ser apregoado pela petista surtiu efeito, afinal, existem símbolos que se cristalizaram na opinião da sociedade, o que pode incluir neste rol a defesa da tradição da harmonia familiar, a base religiosa. O excesso de informações negativas dos meios de comunicação de massa que em conjunto também gerou incertezas no eleitor da petista na hora da de depositar o voto nas urnas.

Marina Silva, com sua dedicação à campanha com discurso eticamente correto no que se refere ao meio ambiente e com imagem de boa família e religiosa conseguiu arrebanhar votos de parte dos indecisos. José Serra (PSDB), por sua vez, se manteve no seu patamar sem sinalizar mudanças na sua aceitação. A candidata do PV arremessou o ex-governador paulista no jogo, no apagar das luzes. Verdade que alguns estados em que as pesquisas sinalizavam vitória de Dilma, o tucano conseguiu chegar à frente, mas com diferenças pouco significativas, no geral.

A dúvida agora é saber qual a tendência dos eleitores de Marina Silva, os quais podem ser influenciados pela liderança da senadora, embora, não seja uma conta exata – as escolhas também são particulares. Afinal, o PV é um partido que tem com liderança representativa de Fernando Gabeira, que sai derrotado das eleições para o executivo do Rio de Janeiro para Sérgio Cabral (PMDB), de maneira sofrível. Talvez seja o reflexo de suas afirmações de “novo Gabeira” ex-petista, o qual estranhamente esteve em dois barcos apoiando também José Serra. Ou seja, há uma ruptura neste momento, pois não há consenso no partido sobre quem apoiar.

Considerando que na política, alguns nomes definem sua linha ideológica, como parece ser o caso de Marina Silva, alinhar-se aos tucanos pode significar a perda de lideranças dos seus eleitores no futuro, pois, pertenceu aos quatro do PT por longos anos, saudosamente lembrado por ela na campanha, o que torna a sua participação com Serra um risco para sua imagem de defensora do meio ambiente – afinal como relacionar liberalismo econômico e preservação do meio ambiente? - e pessoas excluídas do capital. Terá que se decidir.

Sem dúvida será uma campanha difícil para ambos os lados, pois se Dilma tem ao seu lado o presidente mais popular da história do Brasil, além de grande número de deputados, senadores e governadores eleitos, por outro José Serra tem ao seu lado grande parte dos meios de comunicação de São Paulo e Rio de Janeiro e muitas cidades em rede em outros estados brasileiros, que mais uma vez tentará impor ritmo na campanha presidencial.

Contudo, considerando o processo eleitoral no primeiro turno, o momento social vivido de rupturas de modelo econômico e político, a chance de vitória é da pestista Dilma Rousseff. Entretanto, devem-se aguardar os primeiros movimentos de campanha para se ter uma imagem mais clara do quadro eleitoral nesta fase.

VOTO E CONSCIÊNCIA

O que se espera dos novos representantes é ter competência para gerir a coisa pública, com zelo e justiça, com autoridade e nunca de maneira autoritária, excluindo o cidadão em benefício do homem de posses.

ELEIÇÕES - Finalmente, chegou o dia de o eleitor brasileiro comparecer às urnas e depositar o seu voto no representante que entender conveniente para si e para a sociedade. Em todos os textos tenho insistido na capacidade da comunidade fazer suas escolhas, com inteligência. Não há dúvida da intraquilidade vivida por homens e mulheres deste país, afinal, a abertura política é historicamente recente e conturbada por diversos interesses centralizados por famílias, que passam a definir autoritariamente os desígnios de milhões de pessoas. Contudo, votar significar participar de um processo que nem sempre se apresenta favorável a parte fragilizada no jogo de poder.

Efetivamente, as eleições não terminam neste domingo, pois em alguns estados ocorrerão segundo turno, como parece ser o caso de Goiás. Entretanto, mesmo que houvesse o término nesta data, a sociedade deve estar necessariamente politizada constantemente. De outra forma, a eleição seria apenas uma tarefa realizada de quatro em quatro anos. Nada mais equivocado.

O que se espera dos novos representantes é ter competência para gerir a coisa pública, com zelo e justiça, com autoridade e nunca de maneira autoritária, excluindo o cidadão em benefício do homem de posses. Ademais, os novos meios de comunicação permitem uma participação efetiva nas comunidades e no país. O crescimento econômico deve se iniciar de baixo para cima e não o contrário, pois, se assim fosse, o Brasil seria destaque desde sua descoberta. Um basta a uma nação de maioria pobre e desprovida de tudo e uma elite surfando na onda da riqueza globalizada.

Portanto, o voto deve ser consciente. Vamos lá.

> Números da corrida eleitoral em Goiás

Conforme pesquisa Ibope divulgdo pelo jornal O Popular hoje (2),  Marconi Perillo tem 40% das intenções de voto. Iris Rezende aparece com 35% e Vanderlan Cardoso 13%. A candidata Marta Jane, do PCB, tem 1%, e Washingon Fraga, do PSOL, não pontuou.


No que se refere aos votos válidos, Marconi tem 45% das intenções. Iris Rezende 39% e Vanderlan, 15%. Marta Jane aparece com 1% e Washington não pontuou.
 Indecisos, brancos e nulos somam 11%. A margem de erro da pesquisa é alto de três pontos percentuais para mais ou menos. A consulta foi realizada entre os dias 30 de setembro e 2 de outubro.