POLÍTICA: FAZER E SER

Certamente, este não será o tempo novo e sequer o tempo velho. Em jogo a capacidade de fazer e principalmente ser.

POLÍTICA - O universo da política está sempre em movimento, quando se termina uma eleição a preparação para a próxima já começa. Desta forma, as estratégias são permanentes com vistas no que deverá ser no futuro. Em função disso as ligações partidárias, a aproximação com grupos formadores de opinião e classe empresarial são fundamentais num processo de negociação permanente. Além do que há homens políticos que não desistem nunca da vida pública, mesmo diante da insistência do tempo e das fragilidades da alma. Em Goiânia, a rigor, despontam dois nomes que, com braço de ferro, controlam a emergência de novos nomes no imaginário social. No final, a disputa se torna polarizada, com refrão que se repete insistentemente. Como tudo que persiste envelhece com o tempo, a novidade não mais existe.

O que surge neste espaço da redundância é exatamente a reputação com a conquista de capital simbólico, o qual pode se perder ou aumentar conforme as circunstâncias e causas sociais. Afinal, a roda não para nunca e nada está no mesmo lugar por muito tempo. Neste sentido, Marconi Perillo e Íris Rezende não tem muitas novidades a apresentar a não ser a afirmação do caráter e competência, condizente com a percepção da sociedade, formada ao longo dos anos. Se no final houver desgaste de ambos os critérios uma terceira via ganha notoriedade e passa a ter condições de vitória, mesmo considerando a midiatização favorável a polarização entre dois candidatos, o que assegura mais audiência.

A propaganda no período eleitoral não é suficiente para resolver as demandas sociais conforme causas e circunstâncias, ou seja, o que pensa a sociedade não se efetiva a partir de apenas um momento, depende das forças políticas vigentes. Neste quesito Perillo leva enorme desvantagem em relação a Rezende, pelo simples fato de romper abruptamente com o governo federal, o que desencadeou a perda, por influência do planalto, do ex-amigo e governador Alcides Rodrigues. O ex-prefeito, certamente, nunca este tão bem em sua história neste critério: apoios.

O slogan do PSDB de oposição não gera o efeito desejado, pois quem esteve no poder e elegeu o seu sucesso, que foi o seu vice por dois mandatos, para o comando do executivo, não pode se dizer claramente de oposição, afinal na base está a própria obra. Nem sequer pensar em mudanças, pois como a reputação de caráter é fundamental neste momento, a denúncia exagerada pode inviabilizar as afirmações de novos rumos, tempo novo. Evidentemente, que o PMDB tem pontos fracos e que devem ser explorados pela oposição, o que no final levará a luta para o campo das denúncias, apoios e recursos.

A rigor, neste momento a situação é mais complicada para os tucanos que precisam se preocupar com o capital de confiança da população, sem contar com amigos importantes que os acompanharam em longas jornadas, e agora faz críticas duras de um lugar privilegiado capazes de sensibilizar a população. Certamente, este não será o tempo novo e sequer o tempo velho. Em jogo a capacidade de fazer e principalmente ser.

DISCURSO EVIDENTE

O enfrentamento envolve a maioria versus a minoria, e no meio a velha e perigosa palavra globalizante.

POLÍTICA - As eleições que começam oficialmente em junho, apesar das campanhas já estarem em pleno vapor, será atípica no que se refere aos candidatos, pois entre os principais nomes sobressai José Serra (PSDB), um veterano nos pleitos eleitorais; Dilma Rousseff (PT), novata neste processo; e Marina Silva (PV), com experiência no legislativo, fora do seu ninho de origem o PT. Duas candidatas que se apresentam carregando a bandeira da esquerda, e o tucano que sinaliza representar uma proposta liberal, com a formação de um Estado que abre espaços para as grandes empresas e economia global. Mesmo com a presença de uma terceira via haverá um plebiscito, conforme pleitea estrategicamente o presidente.

Será, de fato, uma decisão da sociedade em definir os caminhos da política e estrutura social brasileira. A aposta está, portanto, entre um país aberto para o mundo, cujo princípio que nortea a realidade será o sistema financeiro e as grandes conglomerados empresariais. Por outro lado, Rousseff se apresenta aparentemente bem relacionada com interesses do grande empresário que quer ver seus empreendimentos livres, com menos controle estatal, inclusive partícipe de primeira hora dos desígnios sociais – menos liberal. No universo intelectual, hoje mais que no passado e não muito distante, o capitalismo em expansão e sem controle atrai muitos pensadores, que de alguma forma estão silenciosos em função da falta de coerência de sua história. Em resumo, analisam a globalização (mercadológica) como sem retorno, mesmo considerando a perda de identidade e características culturais de inúmeras comunidades, e atrasos daqueles que não podem competir na roleta russa econômica.

A crise global, entretanto, demonstrou que a liberdade plena para os empresários inescrupulosos significa a falta de lisura e honestidade com a coisa pública. O resultado é a crítica veemente contra o governo de Fernando Henrique Cardoso, que se mostrou muito próximos dos democratas estadunidenses, em especial a família Clinton, durante seu governo. Neste imbróglio, de consenso de bancos mundiais pouco divulgados, as grandes nações movidas pelos monopólios, que movem a economia mundial, perderam recursos e se viram perdidos em meio a um mar de dívidas em apostas perigosas. Evidentemente, que o Estado norte-americano saiu a campo na defesa dos interesses das instituições econômicas, a rigor, fundamentais para manter a estrutura financeira em pé. Neste espaço nem mesmo o novo presidente conseguiu se impor, conforme os interesses populares. Sobressaem os falcões.

O Brasil, segue a sua caminhada de crescimento numa sociedade global em que há grupos ávidos por transformações, embaladas pelo mercado sem fronteiras. Entretanto, do outro lado a grande maioria da sociedade convive com os novos tempos, apesar da aparência de complexidade, conhecedora na prática de sua realidade, mas entretanto, em meio aos discursos eloquentes, de candidatos que reproduzem palavras em discurso ensaiados. Neste momento, não estará em jogo à competência ou experiência, simplesmente, mas quem é quem e qual a representatividade que propõe. Evidentemente, que numa campanha eleitoral os discursos nem sempre são inteiramente ocultos. O que não se sabe quais são os lances de convencimentos que serão apresentados.

Em suma, sem dúvida um país precisa ser pensado a partir da sociedade, com inclusão e igualdade social. Difícil saber o que pensa o homem das finanças globais sobre os humildes homens locais. O enfrentamento envolve a maioria versus a minoria, e no meio a velha e perigosa palavra globalizante.

FUTEBOL DE PRIMEIRA


Com a vitória do Atlético Goianiense contra o Palmeiras, com placar de 1 a 0 no tempo normal e 2 a 1 nas penalidades, o Estado passa, de fato, a ter mais uma equipe para representar suas cores no Brasil. Como sempre à mídia define com único lugar de prestígio o centro brasileiro: São Paulo e Rio de Janeiro. Desta vez, entretanto, a propaganda se mostrou falsa, apesar de uma partida tensa e com momentos de apreensão.

A convicção é de que a equipe rubro negra continue brilhando na copa do Brasil na semi-final, quem sabe chegar a final com boas perspectivas para ser campeão. Ademais, um fato fica comprovado, a apresentação de futebol que convence, o público comparece ao estádio para prestigiar ou até mesmo para torcer contra.

Como neste final semana vai começar os campeonatos brasileiros importantes é torcer pelas demais equipes goianas, como Vila Nova e Goiás que estréiam.
Apesar do bombardeio das imagens das grandes equipes do centro do país, Talvez seja este um bom momento para o torcedor de Goiás defender as cores do Estado, afinal comprovadamente tem grandes representantes no futebol.

TRANSPORTE PARA AS MASSAS!

Há soluções, o que de fato gera mudanças, que são necessárias hoje e sempre.

COMUNIDADE - O transporte coletivo não é um problema apenas de Goiânia, é bem verdade, pois a falta de respeito com uma sociedade, sempre considerada massa, invade as grandes cidades brasileiras. Entretanto, no final as empresas de ônibus urbano sofrem com a redução de usuários e aqueles que persistem continuam corretamente a gritar pelos direitos inequívocos. O caos resulta em uma equação simples: falta de respeito com o cidadão e interesses econômicos acima da eficiência. Em Goiânia a situação se repete e sem soluções adequadas, que se arrasta por décadas, sem solução a vista. Disso tudo cabe um questionamento: a situação ficou complexa demais nos tempos atuais ou os líderes políticos se tornaram simples demais, incompetentes para encontrar alternativas viáveis.

As reclamações com o transporte da região metropolitana atingem passageiros e motoristas que sem mostram irritados, para um trânsito cada vez mais confuso e caótico. Enquanto, não se resolve a qualidade do serviço aumenta-se dia a dia a quantidade de carros nas ruas cada vez mais intransitáveis. Na realidade, uma forma democrática, pois a voz rouca das pessoas em alto e bom som brada que o espaço é público, que não podem continuar em ônibus entupidos, de maneira desrespeitosa, enquanto os grandes carros ocupam as ruas e avenidas.

Infelizmente, a greve dos motoristas se soma ao sentimento da população que convive com as incertezas e demoras do transporte coletivo, além disso, com valores cobrados que contradiz com o serviço prestado. Diante das medidas do governo, com política de redução de impostos e juro estável, leva obrigatoriamente o trabalhador corretamente a optar muitas vezes pela motocicleta, apesar dos riscos que corre diariamente.

Notório ainda a persistência com a manutenção de uma estrutura administrativa que não resolve os problemas que surgem, mesmo considerando a eternidade. Alternância de departamentos faz parte da competência política. Não basta chegar à conclusão que a greve é ilegal, diante da briga dos sindicatos, ou que os usuários são exigentes excessivamente, pois a grave situação continua e continuará. Como quebrar o termômetro para resolver o quadro febril, sem ignorância e uma forma de jogar a sujeira para debaixo do tapete.

Considerando que a exploração do serviço é uma concessão pública, cabe aos representantes eleitos tomar ações que faça valer os interesses da coletividade e não somente dos donos de grandes empresas de transporte, que persistem a defender apenas particularidades e ganhos econômicos. Há soluções, o que de fato gera mudanças, que são necessárias hoje e sempre.

PT NO PODER

Prefeito petista Paulo Garcia(a esquerda) ao lado de Íris Rezende (PMDB)




Chegou à hora de saber se o PT em Goiás tem condições de assumir a liderança do município ou até mesmo do Estado, ou trata-se de uma gestão provisória, puxada pelo bom momento de um presidente popular.


POLÍTICA
- Goiânia sinaliza para alternância de poder no jogo político que se apresenta, pois, com a saída de Irís Rezende(PMDB) e entrada no paço municipal de Paulo Garcia(PT) há uma retomada do Partido dos Trabalhadores na sua luta por mais espaço na capital. Entretanto, o petista não terá facilidades e deverá usar de estratégia para formar uma base sólida, sem a presença de Luiz Inácio Lula da Silva na presidência da República e com os novos agentes da política em atividade local, a partir de 2011.

Em virtude da campanha a presidência e governador que se avizinham certamente a administração municipal receberá cobranças, temporariamente em conformidade com o pleito eleitoral. Entretanto, passada esta fase as comparações com a administração do PMDB será permanente, o que obriga a atual gestão buscar estratégias no sentido de assegurar o apoio da população local. Talvez seja uma tarefa realmente complexa, pois é notório o conservadorismo, principalmente das lideranças sociais da cidade, formadas por autoridades que resistem as alternativas administrativas, a qual tradicionalmente é governada por conhecidos políticos.

Além de uma forte retórica, o partido dos trabalhadores precisará de unidade, apesar das diferenças de grupos que compõem o partido na região. Sobretudo, muitas ações no sentido de atender pragmaticamente a comunidade, sem o zelo acadêmico que faz parte de alguns nomes do partido, que trazem excesso de debates, os quais, no final, desagradam o cidadão fora das lógicas partidárias. Certamente a conciliação entre a retórica e o universo pragmático será fundamental, sem esquecer-se dos resultados esperados por uma população acostumada com os tocadores de obras.

A partir do ano que vem os adversários, que por ora se mostram preocupados com o pleito eleitoral, evidentemente irão buscar espaços e importância na vida política local. Desta forma, as estratégias traçadas hoje poderão ser importantes no futuro próximo, sem as quais esta será apenas uma fase transitória. Não cabe ao atual prefeito seguir simplesmente o perfil do chefe do executivo anterior, mas apresentar sua forma de governo que o ultrapasse uma administração que está no poder faz longos anos, e tem raízes.
Chegou à hora de saber se o PT em Goiás tem condições de assumir a liderança do município ou até mesmo do Estado, ou trata-se de uma gestão provisória, puxada pelo bom momento de um presidente popular.

BASTIDORES DO JORNALISMO

Em essência, uma obra que deve ser lida por jornalista, estudantes e professores que pretendam formar uma juventude que queira conhecer os bastidores da informação mediada.

RESENHA - A comunicação cada vez mais se torna fundamental na sociedade moderna, a qual é responsável pela formação cultural e de identidade, conforme as transformações ocorram, de maneira rápida, nos tempos atuais. Desta maneira, o jornalismo e a comunicação on-line se destacam como forma potencial para a existência de um homem consciente e livre para tomar decisões. Imprensa que é responsável pelas narrativas da história que se desenrola no dia a dia. Desta maneira, o livro "Caminhos da Reportagem: o jornalismo e seus bastidores" torna-se muito importante no sentido de narrar momentos vividos pelos goianos e formar o imaginário social, conforme a emergência dos acontecimentos.

Como toda obra também merece elogios e críticas, comuns para em texto do gênero. Desta maneira, o trabalho feito por três jornalistas (Deire Assis, Rogério Borges e Vinicius J. Sassine) deixou infelizmente de lado os fatos políticos, que em Goiás gera discussão, e nem sempre traz à superfície os bastidores, debate caro para alguns representantes mal intencionados com a coisa pública, principalmente que usurpam os cofres da viúva. Muitas vezes a sociedade fica a mercê dos agendamentos de interesse dos grandes ícones do estado, sem na verdade fazer emergir debates e movimentos de representantes importantes na composição do cenário. No final, os escândalos e interesses, muitas vezes, contraditórios com suas propostas e espúrios, surgem tempos depois de ocorridos. Uma pena, um redundante modo de domínio da consciência do eleitor. De fato, não era esta a proposta dos textos, possivelmente uma área sensível para qualquer grande empresa de comunicação.

O que chama a atenção na obra é a busca de produzir matérias que estejam sendo discutidas pela mídia nacional (o que os autores reconhecem, em alguns momentos, ser o atendimento ao agendamento - agenda setting). Desta forma, o local passa distante do conhecimento da sociedade, que cada vez mais necessita das relações pessoais para saber de acontecimentos próximos, como é caso da política, cultura e até mesmo da literatura. Talvez seja um problema de formação de uma sociedade que sempre foi bombardeada pelos diversos veículos estrangeiros, os quais serviram e permanecem atuantes para estruturação da mídia nativa.

No que se refere ao caderno de cultura de qualquer jornal, não recebe prioridade e tem pouco destaque, inclusive o que primeiro é concluído na edição, muitas vezes com assuntos de lugares tão distantes de nossa realidade que mais parece um guia turístico ou algo que o valha. Sobretudo é importante destacar que antes de um bom texto, que se escreva de maneira diferente da regra do jornalismo tradicional é estabelecer um discurso, cuja profundidade e informação não sejam conservadoras ao ponto de impedir a percepção de realidades que passam despercebidas pela falta de visibilidade. Mais vale a comunicação em profundidade do que uma forma inusitada de contar uma história.

Num texto jornalístico não é fundamental simplesmente a descoberta de um tema que vá ao encontro dos interesses dos leitores ávidos por resultados imediatos, que é legítimo, mas que também faça emergir de um tema análises profundas que permitam a reflexão e formação do espírito critico, de pessoas capazes de pensar e debater. Possivelmente, a prostituição seja uma realidade brasileira e uma vergonha goiana, mas afinal, a ramificação desta questão não chega ao campo político, econômico? Talvez fosse um lugar importante para entender a resistência de uma realidade que incomoda e preocupa localmente.

Um dos importantes textos do livro é exatamente o caso "Parque Oeste Industrial" que se transformou em manchetes na imprensa nacional e tristeza, devido à ineficiência da política local, entretanto, questão pouco enfatizado pela reportagem. Muito estranho o jornalismo se voltar, imediatamente, contra os excluídos, pois exatamente é isso que ocorre em um país de diferenças aviltantes de renda. Quatro mil famílias que invadem uma área com dívidas que causam danos ao erário público não podem ser tratadas como simplesmente invasoras. Pior ainda como uma maioria formada por indivíduos que promovem especulação imobiliária. A propósito, Goiânia é um lugar complexo para discutir este tema, em função de sua história de movimentos de ocupação de terrenos, tanto por trabalhadores, quanto pela classe alta, no período de construção da nova capital. Vale lembrar: alguns políticos se tornaram eleitos em função de suas ações neste terreno, promovendo mutirões.

A própria jornalista reconhece a dificuldade de tratar tais assuntos no jornalismo local, pois, "A ação do jornal exercera um papel importante na forma como a ocupação passou a ser vista pela sociedade especialmente pelos agentes públicos". E complementa, "A ação da polícia foi absurda, de uma violência extrema e desnecessária. Eu precisava me convencer de que isso era o que estava errado, não o trabalho de investigação desencadeado pela reportagem".

Sem dúvida o jornalismo é um espaço fundamental para a formação da esfera pública, embora não seja o único nesta tarefa. A comunicação, sendo social, ultrapassa a competência dos temas mediatizados, entretanto, os meios de comunicação ganham notoriedade para a formação do imaginário social, que resulta na estruturação da realidade social.

A obra em questão merece ser reconhecida pela sua importância na luta dos jornalistas em narrar a história a partir do local, permitindo os leitores, sempre críticos, contato com textos que seriam esquecidos. A rigor, não somente os autores são avaliados, mas o jornal enquanto empresa também passa pelo crivo das análises, com sua linha editorial, a qual não está isenta de parcialidade no universo complexo das notícias. Em essência, uma obra que deve ser lida por jornalista, estudantes e professores (especialmente goianos) que pretendam formar uma juventude que queira conhecer os bastidores da informação mediada.

AS PESQUISAS MENTEM?

Imagem de Revista Carta Capital em18/04/2010
Desta forma, as batalhas, nos bastidores existem e continuam. Os meios de comunicação expõem os seus interesses enquanto empresas e os adversários usam das novas tecnologias para difundir informação e desconstruir as "verdades" dos opositores.

ELEIÇÃO - Afinal de contas, nesta corrida presidencial qual a verdadeira situação dos postulantes: há empate técnico entre os candidatos (Census e Vox Populi), o que demonstra o crescimento da petista, sem destaque na grande mídia, ou Serra está à frente com 10% de vantagem (Datafolha), conforme faz questão de destacar os grandes jornais brasileiros. Evidentemente, que, assim com no universo da notícia, no da pesquisa não existe a imparcialidade, que somente aparece nos manuais de redação. A objetividade serve, muitas vezes para vender jornais para um público eclético, sem criar discordância com os minguados leitores dos impressos.

Durante as últimas semanas o debate em torno das pesquisas resultou no agendamento do distanciamento tímido do tucano José Serra em primeiro lugar, em relação à candidata do PT, Dilma Rousseff, em detrimento dos números que apontam empate técnico, cuja metodologia de pesquisa foi deveras questionada por algumas empresas de comunicação – e pelo PSDB. Afinal, quem está com a razão? Uma pergunta difícil de responder, pois de acordo com o método empregado, certamente haverá mudanças de resultados. Basta o Datafolha, por exemplo, dar mais ênfase aos questionários aplicados em São Paulo, para ocorrer vantagem para Serra. Por sua vez, caso os institutos Census e Vox Populi faça questionários que indague primeiramente a figura do Presidente Lula, depois, então, questionar o eleitor para se ter um resultado que não condiz com a realidade confiável. Desta forma, se estabelece uma guerra de números, a qual tem como objetivo tão somente defender as legendas de preferência. Os jornais desta forma terão material à vontade para orientar o eleitor, conforme sua audiência, o que não condiz com a verdade, pois dissimuladamente tenta influenciar a opinião pública.

Mais uma vez surge à certeza que a imparcialidade e isenção se definem como um lugar reservado resguardar a busca de resultados para empresas de comunicação, partidos políticos e de empresários de setores estratégicos, dentro do sistema econômico social. Diante da dúvida e transparência a esquerda passa a ter motivos para reclamar. Emir Sader, jornalista que escreva para Carta Maior destaca: "Por isso a FOLHA MENTE, MENTE, MENTE, DESESPERADAMENTE. Mentirá no fim de semana com nova pesquisa, em que tratará de rebater, com cifras manipuladas – por exemplo, como sempre faz, dando um peso desproporcional a São Paulo em relação aos outros estados -, a irresistível ascensão de Dilma, que tratará de esconder até onde possa e demonstrar que o pífio lançamento de Serra o teria catapultado às alturas. Ou bastaria manter o seu candidato na frente, para fortalecer as posições do partido que dirigem".

O Jornal Folha de S. Paulo usa de suas fontes (tucanas) para contestar as pesquisas dos concorrentes: "O deputado José Aníbal (PSDB-SP), apoiador de Serra, disse que a pesquisa Datafolha "repôs a verdade", referindo-se à última pesquisa do instituto Sensus, de Minas Gerais. Divulgada na terça, apontou um empate técnico (32,7% para Serra e 32,4% para Dilma). "Serra tem uma vantagem expressiva. Aquela pesquisa estava distorcida, deve ser desconsiderada." Sem dúvida que o jornal paulista vem, nesse espaço de disputa, delimitando seu posicionamento em favor dos tucanos, de maneira explícita, o que é corroborado pelo seu quadro de profissionais, com exceções. Como exemplo, a articulista e editora do jornal em Brasília, Eliane Cantanhêde afirma em um dos seus artigos, no dia seguinte ao lançamento da campanha de Serra: "Pode nem ser, mas o PSDB evidentemente se esforçou para parecer um partido de massas. Para não deixar dúvidas, porém, um velho assessor ironizou: "Mas de massas cheirosas..." De fato, até os ônibus que carregaram a militância eram novinhos em folha. "

Desta forma, as batalhas, nos bastidores existem e continuam. Os meios de comunicação expõem os seus interesses enquanto empresas e os adversários usam das novas tecnologias para difundir informação e desconstruir as "verdades" dos opositores.

Bem, a ética na informação está de acordo com as normas estabelecidas por aqueles que tem o discurso. Mas quem decide é o eleitor.

NÚMEROS QUE NÃO MUDAM

Em resumo, a campanha segue previsível, lances midiáticos devem acontecer, não somente dos postulantes, suas assessorias e grupos econômicos, mas da sociedade com suas intenções.

ELEIÇÕES - A campanha eleitoral para a presidência da República continua seguindo sem sustos, conforme previsto. Dados da pesquisa Datafolha realizada entre os dias 15 e 16 em todo país e publicada hoje (17) aponta: Serra com 38%, Dilma 28%, Marina 10% e Ciro 9%. No caso da espontânea a candidata petista leva vantagem de um ponto, tem 13% contra 12% do tucano. Entretanto duas análises importantes: apesar da grande visibilidade do ex-governador de São que lançou sua campanha em Brasília com grande cobertura da grande mídia, não avançou na pesquisa. Ciro, por sua vez perde o terceiro lugar para Marina Silva, que continua como a terceira via num processo que deverá continuar polarizado entre os dois primeiros da corrida.

Contudo, em essência, é forçoso admitir que há um interesse maior da mídia pelos aspectos positivos do José Serra e negativos no que diz respeito à candidata petista, que em alguns momentos sinaliza não satisfazer inteiramente os interesses dos grandes empresários brasileiros. Desta forma, o tucano herda o discurso hegemônico, o qual não pode contrariar os homens do poder econômico sob pena de perder o seu maior apoio, que de fato tem peso numa eleição. Se fundamental na definição do vencedor não é possível saber. A rigor, neste sentido, podem-se avaliar alguns pontos importantes: a sociedade está mais bem informada e em condições de definir suas preferências independentemente das escolhas (agendamento) da grande mídia, de tendência liberal, obviamente.

Há de fato uma polarização não somente entre dois candidatos de partidos diferentes, mas a eleição se mostra dividida entre os interesses dos homens do setor econômico - ávidos pela redução do Estado e predomínio do mercado - e as milhares de pessoas comuns que necessitam do aparelho do governo para viver condignamente, mesmo considerando as críticas dos programas sociais.

Se for verdade que a população brasileira depende de si própria para definir o seu voto, certamente, haverá ao longo dos próximos meses uma mudança de posição entre os dois candidatos. Caso o consenso da maioria seja definido pelos formadores de opinião ligados a hegemonia econômica haverá manutenção da ordem, e o resultado será a alternância da filosofia do governo para a volta ao liberalismo, em essência.

Em resumo, a campanha segue previsível, lances midiáticos devem acontecer, não somente dos postulantes, suas assessorias e grupos econômicos, mas da sociedade com suas intenções.

UMA DÚVIDA

Imagem de capa Folha de S. Paulo (7 de abril).
Como entender o sofrimento das inúmeras famílias no Rio de Janeiro, se não pelo excesso de pessoas excluídas que vivem as margens? A chuva "democraticamente" inundou a todos, desvelando uma gritante diferença entre homens do centro e da periferia. Há condições e interesse de construir estrutura para abrigar a todos harmoniosamente? A culpa é do governador, do prefeito, da política, simplesmente?

Os fichas sujas

Se há espaço para fichas sujas na estrutura do poder, talvez seja o momento de avaliar o sistema como um todo.

POLÍTICA - Na atualidade alguns líderes políticos puseram em discussão o impedimento dos políticos fichas sujas, ou seja, aqueles com pendências na justiça, de participarem do pleito eleitoral, com votação adiada na Câmara dos Deputados. A rigor, seria uma medida que iria moralizar o território político brasileiro? A justiça reuniria condições de ser a balança entre o bem e o mal? Uma coisa é certa, a decisão de escolha não seria mais do cidadão, visto como incompetente, mas haveria outros parâmetros sistêmicos para definição de quem está apto para exercer um cargo político.

Nada contra a capacidade da justiça brasileira de estabelecer a ordem do sistema social, conforme julgamentos em tribunais, na tentativa de ser isenta e imparcial. Entretanto, torna-se necessário entender que a sociedade deve ter a competência para realizar sua própria escolha, de maneira soberana, ainda com o apoio dos homens que resguardam a lei. Deste modo, ao contrário, conforme o que se propõe, os operadores do direito fazem uma escolha prévia, a partir de seus instrumentos (nem sempre isento, não distante do universo político) para depois a sociedade dar o seu voto, decidir.

Além do mais, no Brasil há diferenças culturais em cada Estado, no qual a comunidade deverá ter os seus parâmetros de escolha conforme particularidades e entendimento. O homem do século XXI não pode ser considerando incapaz diante das grandes transformações tecnológicas e de conhecimento. Será que o sistema é tão complexo que os pobres mortais não pode entendê-lo, com clareza e necessita de mediadores?

A política certamente não é lugar de marginais, mas é a rigor um lugar de participação da sociedade, apesar de suas diferenças e interesses. Talvez a justiça não esteja ainda em condições de escolha, neste campo, em lugar da maioria. Ademais, por detrás de determinadas ações há quase sempre estratégias de manutenção de status quo. Se há espaço para fichas sujas na estrutura do poder, talvez seja o momento de avaliar o sistema como um todo.

A MAIORIA E O ECONÔMICO













As pesquisas eleitorais para a sucessão de Lula ao Palácio do Planalto fazem parte desse jogo duro, concernente à definição da política que norteará o país a partir do ano que vem.


POLÍTICA
- A cada dia a América Latina ganha destaque nesta ordem global como uma região que pode mudar a dependência dos países centrais (Inglaterra e Estados Unidos, principalmente) e seguir o seu caminho, conforme identidade de uma sociedade marginalizada das grandes discussões e de uma maioria sem voz. Neste sentido, torna-se fundamental a definição dos presidentes desses países. No Brasil - importante neste processo -, a eleição presidencial não movimenta somente os brasileiros que defendem seu partido e candidato, mas a decisão vai além. O movimento dos grandes grupos financeiros, inclusive a mídia, não deixa dúvida.

Embora o governo Lula não trilhar os grandes dogmas da esquerda, evidentemente, que Dilma Rousseff está mais concernente com esta lógica do que o candidato tucano José Serra, por herança, defensor de uma ordem liberal, voltada para redução do estado do bem-estar-social e mais individualista. Certamente, se estas afirmações estiverem corretas, o PSDB estaria mais alinhado ao perfil de um consenso econômico e não prioritariamente social. Como se vê o debate está acima de uma visão apenas pontual, mas envolve interesses os mais diversos e mexe com estruturas globais. Talvez seja a mesma condição que envolve países como Argentina, Venezuela, Equador, Bolívia em período eleitoral.

As pesquisas eleitorais para a sucessão de Lula ao Palácio do Planalto fazem parte desse jogo duro, concernente à definição da política que norteará o país a partir do ano que vem. Como veremos durante as eleições, muitas pesquisas serão publicadas, com números diferentes conforme metodologia disponibilizada, que se alinham às datas de escândalos e ritmo das denúncias do jornalismo, em diferentes veículos. Não se trata de apenas um enfrentamento eleitoral, voltamos a repetir, mas uma luta que relaciona grupos sociais e interesses empresariais.

Dois pontos a serem analisados, entretanto: deve se atentar para uma sociedade com mais condições de participar das discussões sociais, sem a submissão aos meios de comunicação tradicionais, substancialmente. Além disso, vive-se em tempos de mais esclarecimento, com pessoas/eleitores que reúnem condições nos embates para defender interesses, conhecedores de sua realidade cotidiana. Por outro, lado os meios de comunicação de massa têm grande poder em uma sociedade moderna, capaz de difundir em várias mídias o mesmo discurso, principalmente àqueles ligados aos grandes grupos financeiros mundiais. Desta forma, têm-se de um lado a força do poder econômico local e global, alinhados, de outro a participação da grande maioria, eleitores.

Boaventura Sousa Santos, em entrevista a Revista Caros Amigos, desta semana, nesta análise, traz uma visão complicadora: "a esquerda nas duas últimas décadas comprou as teses neoliberais. Aquela esquerda que tem a pretensão de chegar ao governo em muitos países – com exceção de alguns países do continente, como Equador, Bolívia ou Venezuela – acabou por aceitar que o mercado é um princípio de eficiência fundamental, que é melhor que o Estado, que a desregulação é importante, que a iniciativa privada é importante. Ou seja, a esquerda ficou desarmada.”

Finalmente, desse cabo de guerra fazem parte os partidos políticos e candidatos. Conforme o resultado desse embate será o caminho a ser seguido tanto por Dilma, quanto por Serra. Um lado e outro deverão ser contemplados, a proporção vai depender da força das diferentes tendências. Que vença o social e o interesse da maioria.

Guerra e educação

Às vezes uma foto consegue descrever melhor um fato do que as palavras. Em meio uma guerra entre professores e policiais militares em São Paulo, momento em que há a força de coerção do Estado contra reivindicações dos docentes para melhoria dos espaço educacional, surge o ato de solidariedade de um educador com o seu agressor, este atendendo às ordens institucional.

Contestações a parte, não resta dúvida que o universo da escola é também político, pelo bem da sociedade, pois certamente é o único lugar que se pode teorizar e entender os fundamentos de uma civilização complexa.

Leandro: professor carrega policial ferido. O mundo bizarro de José Serra

Foto e texto retirados do site "Conversa Afiada" do jornalista Paulo Henrique Amorim. Publicada em 27/março/2010.

O nosso Putin faz coisas incríveis

Muito ainda se falará dessa foto de Clayton de Souza, da Agência Estado, por tudo que ela significa e dignifica, apesar do imenso paradoxo que encerra. A insolvência moral da política paulista gerou esse instantâneo estupendo, repleto de um simbolismo extremamente caro à natureza humana, cheio de amor e dor. Este professor que carrega o PM ferido é um quadro da arte absurda em que se transformou um governo sustentado artificialmente pela mídia e por coronéis do capital. É um mural multifacetado de significados, tudo resumido numa imagem inesquecível eternizada por um fotojornalista num momento solitário de glória. Ao desprezar o movimento grevista dos professores, ao debochar dos movimentos sociais e autorizar sua polícia a descer o cacete no corpo docente, José Serra conseguiu produzir, ao mesmo tempo, uma obra prima fotográfica, uma elegia à solidariedade humana e uma peça de campanha para Dilma Rousseff.

Inesquecível, Serra, inesquecível.

Mídia, política e poder

Imagem Wikipédia - Vista da cidade na perspectiva do Zoológico
Goiânia, assim como qualquer cidade brasileira não está solitária no universo, faz parte de um sistema global e visível. O turismo não é o único fator de interesse da sociedade moderna.

MÍDIA - Um fato que deveria gerar algum desconforto à sociedade goianiense, na verdade não mereceu nenhuma discussão a mais, somente análises muito rápidas, dos principais jornais locais, com falas de alguns intelectuais e o chefe do executivo municipal. Uma maneira linear de tratar um tema tão caro a muitas pessoas que vivem à margem da cidadania, que talvez devessem ser ouvidas ou conhecidas. O levantamento divulgado pela ONU de que Goiânia é uma das capitais que tem maior desigualdade de renda do mundo deveria gerar um debate que pudesse elucidar as razões que levam a esta conclusão. A princípio basta desconsiderar os números da pesquisa e está tudo resolvido. Ninguém se lembra e continua-se como antes, ou seja, o esquecimento é o melhor remédio para o que não se “pode” resolver.

Uma cidade que não consegue solucionar os seus problemas certamente não terá um futuro de desenvolvimento e prosperidade que chegue à maioria da população, neste caso mantendo apenas o status quo daqueles que possivelmente sejam de fato os responsáveis pela disfunção social, os quais evidentemente promovem mais fissuras no sistema, que deveria ser igual. O ciclo continua, os jornais continuarão repetindo as informações da violência, dos crimes, da insegurança e com belas fotos de miséria que insiste a fazer parte da cidade, que a quer invisível a todo custo.

A política que se preocupa com a cultura, o esporte, o bem-estar da população reproduz uma realidade inexistente, entretanto eivada de escândalos que persistem nas desavenças eleitorais, mas que se resolverá logo que há uma acomodação dos interesses. Assim vai vivendo com o que se quer mostrar e precisa ser visto por todos. Ocorre então, o distanciamento daquilo que na aparência denuncia a falta de responsabilidade das lideranças, que se acomodaram no poder econômico e político.

A mídia tem um papel importante neste cenário, a agenda diária das notícias talvez não esteja em conformidade com a informação que vai resultar numa sociedade do conhecimento sobre a sua própria realidade, o que impede o desenvolvimento econômico e social. Ao contrário dá-se a manutenção de um sistema que deve ter problema com tantas diferenças sociais. Goiânia, assim como qualquer cidade brasileira não está solitária no universo, faz parte de um sistema global e visível. O turismo não é o único fator de interesse da sociedade moderna.

GOIÂNIA TEM POBREZA E DESIGUALDADE SOCIAL

Imagem Wikipédia
Monumento da Praça Cívica de Goiânia que faz alusão as três raças: branco, negro e índio.


Os mutirões de casas próprias feitos pelo atual prefeito no passado possivelmente seja signo de uma realidade que se arrasta por anos a fio, passando por movimentos sociais que sofreram com a força pesada da mão coercitiva do Estado.



SOCIEDADE - A notícia publicada nos jornais brasileiros, nesta quinta e sexta-feira(20) sobre a desigualdade social de Goiânia, apontada pela ONU em relatório que ainda será divulgado, causa, por um lado desconforto e por outro uma grande dúvida: por que esta disfunção social não é aparente para a comunidade? A defesa do prefeito, Íris Rezende, contestando o relatório da entidade, destacado pelos jornais locais com ênfase, não resolve o problema e possivelmente responde a pergunta, pois é preferível divulgar para todos que aqui é uma cidade em que todos vivem harmoniosamente, mesmo que os dados apontem para outras análises. Talvez fosse o caso de levantar a discussão para encontrar soluções.

A princípio pode-se dizer que os números apresentados pela organização internacional estejam errados e têm um viés político, mas nos últimos meses a prefeitura vem tomando medidas que de alguma forma deixa aparente a realidade da pobreza no município, como é o caso da campanha de retirada dos catadores de lixo do centro e a demolição de prédios abandonados do centro da capital, onde haviam os chamados “muquifos”. Talvez seja mesmo apenas uma medida de tornar invisível aos olhos exigentes de uma sociedade privilegiada sem resolver, de fato, os problemas sociais que existem.

Uma pergunta que deveria ser feita: derrubar edificações onde vivem meninos e meninas sem família resolve o problema dos muitos menores que vivem esquecidos pela coletividade? Evidentemente, que seria o mesmo que jogar a sujeira para debaixo do tapete, o qual vai ficar ali causando desconforto, apesar da estética de limpeza. Certamente este não seja um problema da prefeitura, do Estado, mas de partes da comunidade, grupos formadores de opinião, que reverberam esta realidade na própria mídia, que trata a diferença social como inexistente, com uma visão que distorce o olhar para evitar agendamentos que causariam questionamentos e buscas de mudanças sociais. Assim, a realidade percebida empiricamente seria uma e a mediada seria outra.

Os mutirões de casas próprias feitos pelo atual prefeito no passado possivelmente seja signo de uma realidade que se arrasta por anos a fio, passando por movimentos sociais que sofreram com a força pesada da mão coercitiva do Estado responsável pela ordem, o silêncio de grupos do poder político, como foi o caso mal resolvido do "parque oeste industrial", quando cerca de 12 mil pessoas foram retiradas à força de um terreno esquecido pelos donos e com dívidas com o erário público. Um momento de tensão para aqueles que desejam a invisibilidade da disfunção e descontrole da concentração de renda e educação básica pública desigual. Naquele caso em particular houve uma cobertura isenta dos meios de comunicação locais? Para trabalhos acadêmicos feitos por estudantes de diferentes faculdades não foi o que ocorreu.

Talvez, diante do exposto por um órgão internacional, seja chegada momento de discutir os problemas sociais, que evidentemente não é somente de Goiânia, mas que faz parte de uma cidade que emergiu convivendo com inúmeras invasões, diferentes tratamentos políticos para ricos e pobres e certamente continua escondendo a realidade que alijam muitos dos encantos de uma comunidade próspera e feliz.

Educação e política


No sistema capitalista, o professor também precisa de salários para sobreviver e se qualificar, base para a existência de uma sociedade, como a do discurso.



EDUCAÇÃO
- Lugar comum dizer que o Brasil não valoriza a educação e que uma sociedade mal educada se transforma em massa de manobra. Entretanto, torna-se razoável dizer que a sociedade brasileira se importa com a educação, afinal há transformações substanciais na evolução do conhecimento escolar entre as duas últimas gerações, com pais analfabetos e filhos bacharéis. O que de alguma forma nega a segunda afirmação, pois há comunidades, na contemporaneidade, que tentam participar da esfera pública por canais mais diversos graças, sobretudo, ao conhecimento adquirido nos bancos escolares. Mas há uma verdade: os professores nesta nação continuam recebendo tratamento aquém de sua importância. A começar pelo salário.

No editorial desta quinta-feira (18) o Jornal Folha de S. Paulo destaca que " Lei sancionada em 2008 fixou um piso salarial nacional para docentes, hoje no valor de R$ 1.024,67 (inferior até à renda média do Brasil, R$ 1.117,95). No entanto, seis Estados (GO, TO, RO, CE, PE e RS) ainda pagam salários aquém disso. Sobre as escolas municipais não há dados, mas se presume que a situação seja ainda mais grave".

Embora a política faça parte da educação, esta não conseguiu educar boa parte dos homens públicos que, quando eleitos pelas comunidades, se preocupassem com a formação da grande maioria da população brasileira. Neste sentido, é comum encontrar escolas que caem sobre os alunos, sem infra-estrutura que permita estudantes se sentirem cidadãos. Universidades em que alunos sentam no chão para assistir aula, porque o governo não atinou pela necessidade de adquirir carteiras, mas usa o número de alunos para fazer politicagem no passado e presente. Muitas vezes a educação se transforma em lugar para aumentar a quantidade de cabos eleitorais, com pessoas que sequer entendem a especificidade da área, mas ocupam cargos de direção.

Apesar disso tudo pelo menos o piso salarial aprovado pelos "homens públicos" deveriam valer para os professores. A rigor, dinheiro ao que parece não falta, diante de tantos escândalos que envolvem altas somas de dinheiro, que atravessa o país. Muitas deles, entretanto, ausentes do agendamento dos noticiários das empresas de comunicação.

Em resumo, é chegada a hora de atentar para a importância do docente para a formação de uma sociedade desenvolvida e efetivamente cidadã. No sistema capitalista, o professor também precisa de salários para sobreviver e se qualificar, base para a existência de uma sociedade, como a do discurso.

Cotas para ricos!

A universidade deve ser um lugar para todos, sem privilégios. Os homens da justiça deveriam saber disso.

EDUCAÇÃO - O debate em torno das cotas nas universidades federais que envolvem o Supremo Tribunal Federal, política e sociedade nem chega a ser polêmico, diante da hegemonia de grupo com força para movimentar a justiça e partidos políticos. Levantar debate sobre a injustiça social brasileira traz a idéia de que há um movimento importante vindo das classes menos favorecidas, o que causa resistência em todos os setores, advinda de instituições que durante séculos privilegiam alguns em detrimento de muitos. As cotas no ensino superior no Brasil são legítimas e permite justiça social, em um país que relegou a marginalidade aqueles que não têm educação e voz.

A matéria publicada pelo jornal O Popular desta quarta-feira (10) sobre o assunto é um exemplo desta análise, pois o aluno que conseguiu na justiça a sua matrícula, de acordo com o jornal, "não acredita ser correto corrigir uma injustiça social com outra, se referindo à falta de oportunidades aos estudantes carentes". Para o estudante "isso não se aplica só a mim, mas também aos outros 22 excluídos do curso de medicina". O que sobressai é sua condição de pobreza que sofre com injustiça por ver seu lugar tomado por outra pessoa, o que seria um preconceito. Entretanto, logo abaixo aparece a fala da mãe do garoto, uma bióloga, de acordo com o diário goiano, que defende a meritocracia, pois "a entrada na faculdade tem de ocorrer por mérito do aluno".

Notório que há investimentos altos de famílias para que o filho reúna condições e passe em uma universidade pública, entretanto, possivelmente muitas lares brasileiros não tem condições para tais gastos, que de alguma forma já define uma sociedade que privilegia grupos pelo poder aquisitivo que possui e não, como alega a bióloga, pela capacidade de pensar e o direito da busca de igualdade. Pensar em mérito seria muito complicado, ao analisar pessoas em condições diferentes lutando por um espaço no qual estão estabelecidos os requisitos para a seleção.

O Brasil tem sim uma conta com a população que foi historicamente marginalizada, que deve exigir sua condição de igualdade, sem preconceitos, mas com justiça e respeito à igualdade, de condições e humana. A universidade deve ser um lugar para todos, sem privilégios. Os homens da justiça deveriam saber disso.

Não é de estranhar, todavia, que partidos que defenderam e defendem determinados grupos continue lutando para a manutenção do status quo social. Contudo, fica nítida a reprovação por parte dos eleitores e sua decadência.

Desinformação!

Talvez até mesmo o vizinho, ainda, seja uma boa oportunidade para se buscar informação.

MÍDIA - A cobertura nas eleições deste ano aponta para uma guerra de nervos entre os diversos meios de comunicação que decidiram seguir a lógica, segundo a qual a imparcialidade não existe, e cada empresa jornalística deve ser transparente quanto as suas opções partidárias. Uma discussão e tanto, pois o leitor com dificuldade para fazer comparações em diversos meios deverá realizar escolhas na grande mídia e nas comunidades eletrônicas. Talvez até mesmo o vizinho, ainda, seja uma boa oportunidade para se buscar informação. Como exemplo do problema: em Goiânia a festa promovida pelo candidato ao governo do Estado Marconi Perillo (PSDB) tem números desencontrados entre o Jornal Diário da Manhã que deu destaque para 40 mil pessoas no evento, enquanto o Jornal Opção enumera 16 mil, menos da metade. Quem fez corretamente a contagem?

O Jornal o Popular preferiu recorrer às fontes: “O senador (Marconi Perillo) disse que não tinha conta do número de presentes. O secretário-geral do PSDB, Sérgio Cardoso, falou em 30 mil pessoas. Segundo militares, havia entre 10 e 15 mil. O salão, que ficou lotado, tem capacidade para 7 mil pessoas, segundo a assessoria do Atlanta Music Hall. Desta forma, o número pode ainda mais reduzido, menos de 10 mil?

Num país conservador como o Brasil, cuja estrutura precisa ser mantida tem os veículos de comunicação como mediador para manutenção de uma ordem estabelecida que privilegie grupos sociais, os quais, a rigor, perduram no poder político e econômico. Desta forma, deverá haver um discurso muito concentrado sobre a lei e a ordem, as quais precisam existir desde que não avilta as diferenças sociais e a proposta de democracia, a partir do interesse do público. Não resta dúvida da importância dos meios de comunicação para sociedade moderna, entretanto, deve-se considerar o respeito com a audiência, os seus valores e direito a informação, no mínimo, isenta de interesses, principalmente, econômicos.

A falta de informação que leve a reflexão, e no final traz desinformação, possivelmente seja o motivo pela perda da audiência das tradicionais mídias, pois a construção de um mundo descontextualizado da realidade pode, às vezes, ser percebido por uma sociedade que tem o cotidiano como referência. Além do mais o que não falta no universo das tecnologias é contato virtual que pode resvalar num real, o que talvez minimize a dependência das informações institucionais, e talvez sirva como mais um lugar para saber dos acontecimentos diários numa sociedade complexa.

Importância de ser José


No Brasil, o eleitor não deixa dúvida que está cada vez mais informado e quer participar, o que é muito importante para a democracia e justiça social.



ELEIÇÕES - Os meios de comunicação se mostram liberais, no sentido que "discursar" em favor da importância do avanço do mercado, o qual é fundamental para o desenvolvimento humano e social, ponto. Mas ao que parece não é a visão do eleitor, que vive no seu cotidiano as agruras de uma vida real. As poucas condições que o governo atual oferece para a sociedade brasileira - que pode ser considerando assistencialismo - torna um recurso a mais para a sua sobrevivência e dignidade. No final, o modelo com base no econômico não recebe o apoio social, na sua maioria. Uma má notícia para o PSDB e José Serra.

O candidato tucano se revela o único capaz de polarizar com possibilidade de vitória o atual governo nas próximas eleições, entretanto, o peso de história e comportamento político pesa para sua aceitação, considerando que carrega consigo a força e grandes fraquezas de um partido que rompeu, no passado, com o PMDB – peemedebistas que continuam sem unidade partidária -, mas não definiu com clareza suas bandeiras, o eterno “estar em cima do muro”.

Fernando Henrique Cardoso, um importante intelectual brasileiro, esqueceu de afirmar na política as propostas apresentadas no seu texto acadêmico sobre o desenvolvimento social. No final, se revelou competente para liderar o Plano Real, mas não desvencilhou, a princípio, de grupos atrasados, seguindo a cartilha da manutenção do status quo de uma elite. Na sequência apoiou as propostas econômicas das ricas nações mundiais, em um período de grande debate sobre a pobreza das nações periféricas e desenvolvimento dos centros financeiros mundiais. O consenso de Washington não deu certo, e em conseqüência disso, as prioridades de privatização das empresas públicas continuam arranhando sua imagem.

José Serra tem, portanto, uma missão difícil: sinalizar para a sociedade a ruptura privatista, diante de um empresariado que aposta num governo favorável apenas ao mercado, o qual participa do processo eleitoral de maneira efetiva, fonte de investimento nas campanhas. Mais uma vez o país se divide entre interesses de uma classe privilegiada e outra que acredito que é possível uma vida mais digna. Difícil equação para aquele que não definiu os rumos, assim, o que fica entendido é a manutenção do projeto anterior: o de priorizar quem já recebeu benefício demais. Além do que os empreendedores brasileiros recebem gordos dividendos neste governo, dito de esquerda.

Se assim, continuar na próxima pesquisa, a candidata de Lula, Dilma Rousseff estará na frente, nas pesquisas eleitorais, para um Serra que prefere ser visto como José. Exatamente, da forma como a sociedade o tem visto há muito tempo. No Brasil, o eleitor não deixa dúvida que está cada vez mais informado e quer participar, o que é muito importante para a democracia e justiça social.

Economia, mídia e estado

Bom senso e espírito de justiça não fazem mal a ninguém, principalmente aqueles, reles mortais, que seguem cegamente o discurso hegemônico.

ECONOMIA - Após a crise mundial, notoriamente, mais intensamente, se trava uma discussão que se arrasta há séculos: qual o papel do Estado, num sistema capitalista. Sua função seria de servir ao mercado, para que este pudesse gerar o desenvolvimento econômico, igualitário e justo? Claro, as respostas demarcam as linhas de pensamento entre os liberais e socialistas, entretanto, torna-se fundamental entender que o sistema capitalista sofre, nos últimos anos, sucessivas derrotas em função da falta de regulamentação econômica pela sociedade, o que traz graves consequências para a população e enriquecimento de grupos minoritários, que fazem apostas controladas (no sentido de transferir para o público as possíveis perdas) no mercado financeiro.

Esta discussão, afinal, deverá nortear as discussões eleitorais no Brasil este ano, entre Dilma Rousseff, que propõe um Estado forte e regulador, e José Serra, que sinaliza para a liberdade de mercado, a exemplo do que fez o seu amigo de partido e ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, que foi responsável, durante os seus dois governos, por privatização de grandes estatais, seguindo consenso de agências econômicas globais.

Sobre este assunto, em resumo, a decisão será da sociedade, entretanto, cabem algumas análises, pois é comum ler, ouvir ou assistir na grande mídia brasileira a defesa intransigente de um mercado, o qual de fato, não trouxe a igualdade e democracia tão sonhada pelo homem comum, desde a revolução capitalista. O fim do estado não se materializou, pois se tornou fundamental até mesmo para as grandes empresas que necessitam de regulamentação em diferentes países para funcionar. Caso contrário, não haveria a segurança de uma instituição que resguarda o direito à propriedade, mesmo considerando as aviltantes diferenças econômicas, entre os que possuem e aqueles marginalizados neste processo, seja localmente ou globalmente.

Desta maneira, a existência do Estado torna-se fundamental para os donos de conglomerados, e para a sociedade que se quer estabelecer níveis de igualdades entre os atores sociais. No entanto, cabe uma ressalva, este Estado precisa ser estruturado de maneira a fazer prevalecer os interesses públicos, numa perspectiva da formação de instituições que regulamente a partir do público, e não simplesmente ser uma instituição pública com interesse privado. Há diferenças. Pois, neste contexto estão Estados Unidos, com um presidente que tenta, esporadicamente, fazer valer o poder do Estado público democrático que sofre as intervenções dos falcões da economia, que o obriga a recuar de suas atitudes pontuais voltadas para o interesse público.

Em síntese, fica claro que o Estado interessa ao mercado, e faz sua defesa, entretanto, com a ressalva de estar submetido às leis que resguardam de maneira intransigente liberdade financeira, o que de fato não promove a igualdade e reduz a marginalidade de uma sociedade distante da capacidade de ser cidadã. A rigor, a cada dia, grande parte das mídias defende interesses liberais, com um discurso que menos esclarece e mais define um jogo que mantém uma estrutura que serve de base para crises em todo mundo. Bom senso e espírito de justiça não fazem mal a ninguém, principalmente aqueles, reles mortais, que seguem cegamente o discurso hegemônico.

Política e democracia


Charge publicada pelo jornal Folha de S. Paulo - 25/2/2010

O que está em tela nem sempre retrata a realidade e o jogo de interesses, afinal, num sistema social complexo há disputas que não são conhecidas nas aparências.


POLÍTICA - Com os últimos escândalos a sensação popular é de que a política se tornou (se é que já foi um lugar sério, atestado por muitos) um espaço de corrupção e roubos contra os cofres públicos. Não é para menos o sentimento de falta de representatividade, diante das informações constantes dos diversos acontecimentos, envolvendo figuras históricas, principalmente nas Câmaras Legislativas, Congresso Nacional e Poder Executivo. Entretanto, cabe uma análise: como pensar uma sociedade democrática sem representação em nação capitalista?
Possivelmente, o descrédito dos eleitos resulte em decisões tomadas por aqueles que se apresentem com representativos, mesmo sem receber o voto da sociedade. No final, perpetuará a falta de democracia para uma sociedade com grandes injustiças e diferenças sociais, que se fazem eternas.

A defesa da política em tempos atuais torna-se uma missão difícil diante do cenário que se descortina, em meio a prática de corrupção, formação de caixa dois, dinheiro que viaja em lugares os mais exóticos possíveis. Contudo, a representação da sociedade se materializa através da representação por eleições, na qual a população pode fazer suas escolhas, e depois manifestas seu descontentamento e cobrança. Evidentemente, que em muitos momentos os eleitores se enganam pelo excesso de propaganda que, posteriormente, se mostra enganosa e serve aos propósitos de grupos que permanecem com as chaves dos cofres públicos.

Na política as artimanhas e estratégias para a vitória passa pelo eficiente uso de intelectuais e pessoas competentes para a construção de imagens, diante de uma mídia que está longe da isenção na difusão de conhecimento sobre os espaços sociais. Todavia, é possível dizer que há pessoas sérias e honestas ocupando cargos públicos, e que habilmente representam o interesse público. Não se deve imaginar que com a desmoralização da política, como ocorre na atualidade, teremos um Brasil melhor no futuro. O que está em tela nem sempre retrata a realidade e o jogo de interesses, afinal, num sistema social complexo há disputas que não são conhecidas nas aparências.

A rigor, o Estado continua tendo importância na condução de uma sociedade com potencialidade para a democracia, com sinônimo de igualdade e justiça. Todavia, há pedras no meio do caminho.