Os fichas sujas

Se há espaço para fichas sujas na estrutura do poder, talvez seja o momento de avaliar o sistema como um todo.

POLÍTICA - Na atualidade alguns líderes políticos puseram em discussão o impedimento dos políticos fichas sujas, ou seja, aqueles com pendências na justiça, de participarem do pleito eleitoral, com votação adiada na Câmara dos Deputados. A rigor, seria uma medida que iria moralizar o território político brasileiro? A justiça reuniria condições de ser a balança entre o bem e o mal? Uma coisa é certa, a decisão de escolha não seria mais do cidadão, visto como incompetente, mas haveria outros parâmetros sistêmicos para definição de quem está apto para exercer um cargo político.

Nada contra a capacidade da justiça brasileira de estabelecer a ordem do sistema social, conforme julgamentos em tribunais, na tentativa de ser isenta e imparcial. Entretanto, torna-se necessário entender que a sociedade deve ter a competência para realizar sua própria escolha, de maneira soberana, ainda com o apoio dos homens que resguardam a lei. Deste modo, ao contrário, conforme o que se propõe, os operadores do direito fazem uma escolha prévia, a partir de seus instrumentos (nem sempre isento, não distante do universo político) para depois a sociedade dar o seu voto, decidir.

Além do mais, no Brasil há diferenças culturais em cada Estado, no qual a comunidade deverá ter os seus parâmetros de escolha conforme particularidades e entendimento. O homem do século XXI não pode ser considerando incapaz diante das grandes transformações tecnológicas e de conhecimento. Será que o sistema é tão complexo que os pobres mortais não pode entendê-lo, com clareza e necessita de mediadores?

A política certamente não é lugar de marginais, mas é a rigor um lugar de participação da sociedade, apesar de suas diferenças e interesses. Talvez a justiça não esteja ainda em condições de escolha, neste campo, em lugar da maioria. Ademais, por detrás de determinadas ações há quase sempre estratégias de manutenção de status quo. Se há espaço para fichas sujas na estrutura do poder, talvez seja o momento de avaliar o sistema como um todo.

A MAIORIA E O ECONÔMICO













As pesquisas eleitorais para a sucessão de Lula ao Palácio do Planalto fazem parte desse jogo duro, concernente à definição da política que norteará o país a partir do ano que vem.


POLÍTICA
- A cada dia a América Latina ganha destaque nesta ordem global como uma região que pode mudar a dependência dos países centrais (Inglaterra e Estados Unidos, principalmente) e seguir o seu caminho, conforme identidade de uma sociedade marginalizada das grandes discussões e de uma maioria sem voz. Neste sentido, torna-se fundamental a definição dos presidentes desses países. No Brasil - importante neste processo -, a eleição presidencial não movimenta somente os brasileiros que defendem seu partido e candidato, mas a decisão vai além. O movimento dos grandes grupos financeiros, inclusive a mídia, não deixa dúvida.

Embora o governo Lula não trilhar os grandes dogmas da esquerda, evidentemente, que Dilma Rousseff está mais concernente com esta lógica do que o candidato tucano José Serra, por herança, defensor de uma ordem liberal, voltada para redução do estado do bem-estar-social e mais individualista. Certamente, se estas afirmações estiverem corretas, o PSDB estaria mais alinhado ao perfil de um consenso econômico e não prioritariamente social. Como se vê o debate está acima de uma visão apenas pontual, mas envolve interesses os mais diversos e mexe com estruturas globais. Talvez seja a mesma condição que envolve países como Argentina, Venezuela, Equador, Bolívia em período eleitoral.

As pesquisas eleitorais para a sucessão de Lula ao Palácio do Planalto fazem parte desse jogo duro, concernente à definição da política que norteará o país a partir do ano que vem. Como veremos durante as eleições, muitas pesquisas serão publicadas, com números diferentes conforme metodologia disponibilizada, que se alinham às datas de escândalos e ritmo das denúncias do jornalismo, em diferentes veículos. Não se trata de apenas um enfrentamento eleitoral, voltamos a repetir, mas uma luta que relaciona grupos sociais e interesses empresariais.

Dois pontos a serem analisados, entretanto: deve se atentar para uma sociedade com mais condições de participar das discussões sociais, sem a submissão aos meios de comunicação tradicionais, substancialmente. Além disso, vive-se em tempos de mais esclarecimento, com pessoas/eleitores que reúnem condições nos embates para defender interesses, conhecedores de sua realidade cotidiana. Por outro, lado os meios de comunicação de massa têm grande poder em uma sociedade moderna, capaz de difundir em várias mídias o mesmo discurso, principalmente àqueles ligados aos grandes grupos financeiros mundiais. Desta forma, têm-se de um lado a força do poder econômico local e global, alinhados, de outro a participação da grande maioria, eleitores.

Boaventura Sousa Santos, em entrevista a Revista Caros Amigos, desta semana, nesta análise, traz uma visão complicadora: "a esquerda nas duas últimas décadas comprou as teses neoliberais. Aquela esquerda que tem a pretensão de chegar ao governo em muitos países – com exceção de alguns países do continente, como Equador, Bolívia ou Venezuela – acabou por aceitar que o mercado é um princípio de eficiência fundamental, que é melhor que o Estado, que a desregulação é importante, que a iniciativa privada é importante. Ou seja, a esquerda ficou desarmada.”

Finalmente, desse cabo de guerra fazem parte os partidos políticos e candidatos. Conforme o resultado desse embate será o caminho a ser seguido tanto por Dilma, quanto por Serra. Um lado e outro deverão ser contemplados, a proporção vai depender da força das diferentes tendências. Que vença o social e o interesse da maioria.

Guerra e educação

Às vezes uma foto consegue descrever melhor um fato do que as palavras. Em meio uma guerra entre professores e policiais militares em São Paulo, momento em que há a força de coerção do Estado contra reivindicações dos docentes para melhoria dos espaço educacional, surge o ato de solidariedade de um educador com o seu agressor, este atendendo às ordens institucional.

Contestações a parte, não resta dúvida que o universo da escola é também político, pelo bem da sociedade, pois certamente é o único lugar que se pode teorizar e entender os fundamentos de uma civilização complexa.

Leandro: professor carrega policial ferido. O mundo bizarro de José Serra

Foto e texto retirados do site "Conversa Afiada" do jornalista Paulo Henrique Amorim. Publicada em 27/março/2010.

O nosso Putin faz coisas incríveis

Muito ainda se falará dessa foto de Clayton de Souza, da Agência Estado, por tudo que ela significa e dignifica, apesar do imenso paradoxo que encerra. A insolvência moral da política paulista gerou esse instantâneo estupendo, repleto de um simbolismo extremamente caro à natureza humana, cheio de amor e dor. Este professor que carrega o PM ferido é um quadro da arte absurda em que se transformou um governo sustentado artificialmente pela mídia e por coronéis do capital. É um mural multifacetado de significados, tudo resumido numa imagem inesquecível eternizada por um fotojornalista num momento solitário de glória. Ao desprezar o movimento grevista dos professores, ao debochar dos movimentos sociais e autorizar sua polícia a descer o cacete no corpo docente, José Serra conseguiu produzir, ao mesmo tempo, uma obra prima fotográfica, uma elegia à solidariedade humana e uma peça de campanha para Dilma Rousseff.

Inesquecível, Serra, inesquecível.

Mídia, política e poder

Imagem Wikipédia - Vista da cidade na perspectiva do Zoológico
Goiânia, assim como qualquer cidade brasileira não está solitária no universo, faz parte de um sistema global e visível. O turismo não é o único fator de interesse da sociedade moderna.

MÍDIA - Um fato que deveria gerar algum desconforto à sociedade goianiense, na verdade não mereceu nenhuma discussão a mais, somente análises muito rápidas, dos principais jornais locais, com falas de alguns intelectuais e o chefe do executivo municipal. Uma maneira linear de tratar um tema tão caro a muitas pessoas que vivem à margem da cidadania, que talvez devessem ser ouvidas ou conhecidas. O levantamento divulgado pela ONU de que Goiânia é uma das capitais que tem maior desigualdade de renda do mundo deveria gerar um debate que pudesse elucidar as razões que levam a esta conclusão. A princípio basta desconsiderar os números da pesquisa e está tudo resolvido. Ninguém se lembra e continua-se como antes, ou seja, o esquecimento é o melhor remédio para o que não se “pode” resolver.

Uma cidade que não consegue solucionar os seus problemas certamente não terá um futuro de desenvolvimento e prosperidade que chegue à maioria da população, neste caso mantendo apenas o status quo daqueles que possivelmente sejam de fato os responsáveis pela disfunção social, os quais evidentemente promovem mais fissuras no sistema, que deveria ser igual. O ciclo continua, os jornais continuarão repetindo as informações da violência, dos crimes, da insegurança e com belas fotos de miséria que insiste a fazer parte da cidade, que a quer invisível a todo custo.

A política que se preocupa com a cultura, o esporte, o bem-estar da população reproduz uma realidade inexistente, entretanto eivada de escândalos que persistem nas desavenças eleitorais, mas que se resolverá logo que há uma acomodação dos interesses. Assim vai vivendo com o que se quer mostrar e precisa ser visto por todos. Ocorre então, o distanciamento daquilo que na aparência denuncia a falta de responsabilidade das lideranças, que se acomodaram no poder econômico e político.

A mídia tem um papel importante neste cenário, a agenda diária das notícias talvez não esteja em conformidade com a informação que vai resultar numa sociedade do conhecimento sobre a sua própria realidade, o que impede o desenvolvimento econômico e social. Ao contrário dá-se a manutenção de um sistema que deve ter problema com tantas diferenças sociais. Goiânia, assim como qualquer cidade brasileira não está solitária no universo, faz parte de um sistema global e visível. O turismo não é o único fator de interesse da sociedade moderna.

GOIÂNIA TEM POBREZA E DESIGUALDADE SOCIAL

Imagem Wikipédia
Monumento da Praça Cívica de Goiânia que faz alusão as três raças: branco, negro e índio.


Os mutirões de casas próprias feitos pelo atual prefeito no passado possivelmente seja signo de uma realidade que se arrasta por anos a fio, passando por movimentos sociais que sofreram com a força pesada da mão coercitiva do Estado.



SOCIEDADE - A notícia publicada nos jornais brasileiros, nesta quinta e sexta-feira(20) sobre a desigualdade social de Goiânia, apontada pela ONU em relatório que ainda será divulgado, causa, por um lado desconforto e por outro uma grande dúvida: por que esta disfunção social não é aparente para a comunidade? A defesa do prefeito, Íris Rezende, contestando o relatório da entidade, destacado pelos jornais locais com ênfase, não resolve o problema e possivelmente responde a pergunta, pois é preferível divulgar para todos que aqui é uma cidade em que todos vivem harmoniosamente, mesmo que os dados apontem para outras análises. Talvez fosse o caso de levantar a discussão para encontrar soluções.

A princípio pode-se dizer que os números apresentados pela organização internacional estejam errados e têm um viés político, mas nos últimos meses a prefeitura vem tomando medidas que de alguma forma deixa aparente a realidade da pobreza no município, como é o caso da campanha de retirada dos catadores de lixo do centro e a demolição de prédios abandonados do centro da capital, onde haviam os chamados “muquifos”. Talvez seja mesmo apenas uma medida de tornar invisível aos olhos exigentes de uma sociedade privilegiada sem resolver, de fato, os problemas sociais que existem.

Uma pergunta que deveria ser feita: derrubar edificações onde vivem meninos e meninas sem família resolve o problema dos muitos menores que vivem esquecidos pela coletividade? Evidentemente, que seria o mesmo que jogar a sujeira para debaixo do tapete, o qual vai ficar ali causando desconforto, apesar da estética de limpeza. Certamente este não seja um problema da prefeitura, do Estado, mas de partes da comunidade, grupos formadores de opinião, que reverberam esta realidade na própria mídia, que trata a diferença social como inexistente, com uma visão que distorce o olhar para evitar agendamentos que causariam questionamentos e buscas de mudanças sociais. Assim, a realidade percebida empiricamente seria uma e a mediada seria outra.

Os mutirões de casas próprias feitos pelo atual prefeito no passado possivelmente seja signo de uma realidade que se arrasta por anos a fio, passando por movimentos sociais que sofreram com a força pesada da mão coercitiva do Estado responsável pela ordem, o silêncio de grupos do poder político, como foi o caso mal resolvido do "parque oeste industrial", quando cerca de 12 mil pessoas foram retiradas à força de um terreno esquecido pelos donos e com dívidas com o erário público. Um momento de tensão para aqueles que desejam a invisibilidade da disfunção e descontrole da concentração de renda e educação básica pública desigual. Naquele caso em particular houve uma cobertura isenta dos meios de comunicação locais? Para trabalhos acadêmicos feitos por estudantes de diferentes faculdades não foi o que ocorreu.

Talvez, diante do exposto por um órgão internacional, seja chegada momento de discutir os problemas sociais, que evidentemente não é somente de Goiânia, mas que faz parte de uma cidade que emergiu convivendo com inúmeras invasões, diferentes tratamentos políticos para ricos e pobres e certamente continua escondendo a realidade que alijam muitos dos encantos de uma comunidade próspera e feliz.

Educação e política


No sistema capitalista, o professor também precisa de salários para sobreviver e se qualificar, base para a existência de uma sociedade, como a do discurso.



EDUCAÇÃO
- Lugar comum dizer que o Brasil não valoriza a educação e que uma sociedade mal educada se transforma em massa de manobra. Entretanto, torna-se razoável dizer que a sociedade brasileira se importa com a educação, afinal há transformações substanciais na evolução do conhecimento escolar entre as duas últimas gerações, com pais analfabetos e filhos bacharéis. O que de alguma forma nega a segunda afirmação, pois há comunidades, na contemporaneidade, que tentam participar da esfera pública por canais mais diversos graças, sobretudo, ao conhecimento adquirido nos bancos escolares. Mas há uma verdade: os professores nesta nação continuam recebendo tratamento aquém de sua importância. A começar pelo salário.

No editorial desta quinta-feira (18) o Jornal Folha de S. Paulo destaca que " Lei sancionada em 2008 fixou um piso salarial nacional para docentes, hoje no valor de R$ 1.024,67 (inferior até à renda média do Brasil, R$ 1.117,95). No entanto, seis Estados (GO, TO, RO, CE, PE e RS) ainda pagam salários aquém disso. Sobre as escolas municipais não há dados, mas se presume que a situação seja ainda mais grave".

Embora a política faça parte da educação, esta não conseguiu educar boa parte dos homens públicos que, quando eleitos pelas comunidades, se preocupassem com a formação da grande maioria da população brasileira. Neste sentido, é comum encontrar escolas que caem sobre os alunos, sem infra-estrutura que permita estudantes se sentirem cidadãos. Universidades em que alunos sentam no chão para assistir aula, porque o governo não atinou pela necessidade de adquirir carteiras, mas usa o número de alunos para fazer politicagem no passado e presente. Muitas vezes a educação se transforma em lugar para aumentar a quantidade de cabos eleitorais, com pessoas que sequer entendem a especificidade da área, mas ocupam cargos de direção.

Apesar disso tudo pelo menos o piso salarial aprovado pelos "homens públicos" deveriam valer para os professores. A rigor, dinheiro ao que parece não falta, diante de tantos escândalos que envolvem altas somas de dinheiro, que atravessa o país. Muitas deles, entretanto, ausentes do agendamento dos noticiários das empresas de comunicação.

Em resumo, é chegada a hora de atentar para a importância do docente para a formação de uma sociedade desenvolvida e efetivamente cidadã. No sistema capitalista, o professor também precisa de salários para sobreviver e se qualificar, base para a existência de uma sociedade, como a do discurso.

Cotas para ricos!

A universidade deve ser um lugar para todos, sem privilégios. Os homens da justiça deveriam saber disso.

EDUCAÇÃO - O debate em torno das cotas nas universidades federais que envolvem o Supremo Tribunal Federal, política e sociedade nem chega a ser polêmico, diante da hegemonia de grupo com força para movimentar a justiça e partidos políticos. Levantar debate sobre a injustiça social brasileira traz a idéia de que há um movimento importante vindo das classes menos favorecidas, o que causa resistência em todos os setores, advinda de instituições que durante séculos privilegiam alguns em detrimento de muitos. As cotas no ensino superior no Brasil são legítimas e permite justiça social, em um país que relegou a marginalidade aqueles que não têm educação e voz.

A matéria publicada pelo jornal O Popular desta quarta-feira (10) sobre o assunto é um exemplo desta análise, pois o aluno que conseguiu na justiça a sua matrícula, de acordo com o jornal, "não acredita ser correto corrigir uma injustiça social com outra, se referindo à falta de oportunidades aos estudantes carentes". Para o estudante "isso não se aplica só a mim, mas também aos outros 22 excluídos do curso de medicina". O que sobressai é sua condição de pobreza que sofre com injustiça por ver seu lugar tomado por outra pessoa, o que seria um preconceito. Entretanto, logo abaixo aparece a fala da mãe do garoto, uma bióloga, de acordo com o diário goiano, que defende a meritocracia, pois "a entrada na faculdade tem de ocorrer por mérito do aluno".

Notório que há investimentos altos de famílias para que o filho reúna condições e passe em uma universidade pública, entretanto, possivelmente muitas lares brasileiros não tem condições para tais gastos, que de alguma forma já define uma sociedade que privilegia grupos pelo poder aquisitivo que possui e não, como alega a bióloga, pela capacidade de pensar e o direito da busca de igualdade. Pensar em mérito seria muito complicado, ao analisar pessoas em condições diferentes lutando por um espaço no qual estão estabelecidos os requisitos para a seleção.

O Brasil tem sim uma conta com a população que foi historicamente marginalizada, que deve exigir sua condição de igualdade, sem preconceitos, mas com justiça e respeito à igualdade, de condições e humana. A universidade deve ser um lugar para todos, sem privilégios. Os homens da justiça deveriam saber disso.

Não é de estranhar, todavia, que partidos que defenderam e defendem determinados grupos continue lutando para a manutenção do status quo social. Contudo, fica nítida a reprovação por parte dos eleitores e sua decadência.

Desinformação!

Talvez até mesmo o vizinho, ainda, seja uma boa oportunidade para se buscar informação.

MÍDIA - A cobertura nas eleições deste ano aponta para uma guerra de nervos entre os diversos meios de comunicação que decidiram seguir a lógica, segundo a qual a imparcialidade não existe, e cada empresa jornalística deve ser transparente quanto as suas opções partidárias. Uma discussão e tanto, pois o leitor com dificuldade para fazer comparações em diversos meios deverá realizar escolhas na grande mídia e nas comunidades eletrônicas. Talvez até mesmo o vizinho, ainda, seja uma boa oportunidade para se buscar informação. Como exemplo do problema: em Goiânia a festa promovida pelo candidato ao governo do Estado Marconi Perillo (PSDB) tem números desencontrados entre o Jornal Diário da Manhã que deu destaque para 40 mil pessoas no evento, enquanto o Jornal Opção enumera 16 mil, menos da metade. Quem fez corretamente a contagem?

O Jornal o Popular preferiu recorrer às fontes: “O senador (Marconi Perillo) disse que não tinha conta do número de presentes. O secretário-geral do PSDB, Sérgio Cardoso, falou em 30 mil pessoas. Segundo militares, havia entre 10 e 15 mil. O salão, que ficou lotado, tem capacidade para 7 mil pessoas, segundo a assessoria do Atlanta Music Hall. Desta forma, o número pode ainda mais reduzido, menos de 10 mil?

Num país conservador como o Brasil, cuja estrutura precisa ser mantida tem os veículos de comunicação como mediador para manutenção de uma ordem estabelecida que privilegie grupos sociais, os quais, a rigor, perduram no poder político e econômico. Desta forma, deverá haver um discurso muito concentrado sobre a lei e a ordem, as quais precisam existir desde que não avilta as diferenças sociais e a proposta de democracia, a partir do interesse do público. Não resta dúvida da importância dos meios de comunicação para sociedade moderna, entretanto, deve-se considerar o respeito com a audiência, os seus valores e direito a informação, no mínimo, isenta de interesses, principalmente, econômicos.

A falta de informação que leve a reflexão, e no final traz desinformação, possivelmente seja o motivo pela perda da audiência das tradicionais mídias, pois a construção de um mundo descontextualizado da realidade pode, às vezes, ser percebido por uma sociedade que tem o cotidiano como referência. Além do mais o que não falta no universo das tecnologias é contato virtual que pode resvalar num real, o que talvez minimize a dependência das informações institucionais, e talvez sirva como mais um lugar para saber dos acontecimentos diários numa sociedade complexa.

Importância de ser José


No Brasil, o eleitor não deixa dúvida que está cada vez mais informado e quer participar, o que é muito importante para a democracia e justiça social.



ELEIÇÕES - Os meios de comunicação se mostram liberais, no sentido que "discursar" em favor da importância do avanço do mercado, o qual é fundamental para o desenvolvimento humano e social, ponto. Mas ao que parece não é a visão do eleitor, que vive no seu cotidiano as agruras de uma vida real. As poucas condições que o governo atual oferece para a sociedade brasileira - que pode ser considerando assistencialismo - torna um recurso a mais para a sua sobrevivência e dignidade. No final, o modelo com base no econômico não recebe o apoio social, na sua maioria. Uma má notícia para o PSDB e José Serra.

O candidato tucano se revela o único capaz de polarizar com possibilidade de vitória o atual governo nas próximas eleições, entretanto, o peso de história e comportamento político pesa para sua aceitação, considerando que carrega consigo a força e grandes fraquezas de um partido que rompeu, no passado, com o PMDB – peemedebistas que continuam sem unidade partidária -, mas não definiu com clareza suas bandeiras, o eterno “estar em cima do muro”.

Fernando Henrique Cardoso, um importante intelectual brasileiro, esqueceu de afirmar na política as propostas apresentadas no seu texto acadêmico sobre o desenvolvimento social. No final, se revelou competente para liderar o Plano Real, mas não desvencilhou, a princípio, de grupos atrasados, seguindo a cartilha da manutenção do status quo de uma elite. Na sequência apoiou as propostas econômicas das ricas nações mundiais, em um período de grande debate sobre a pobreza das nações periféricas e desenvolvimento dos centros financeiros mundiais. O consenso de Washington não deu certo, e em conseqüência disso, as prioridades de privatização das empresas públicas continuam arranhando sua imagem.

José Serra tem, portanto, uma missão difícil: sinalizar para a sociedade a ruptura privatista, diante de um empresariado que aposta num governo favorável apenas ao mercado, o qual participa do processo eleitoral de maneira efetiva, fonte de investimento nas campanhas. Mais uma vez o país se divide entre interesses de uma classe privilegiada e outra que acredito que é possível uma vida mais digna. Difícil equação para aquele que não definiu os rumos, assim, o que fica entendido é a manutenção do projeto anterior: o de priorizar quem já recebeu benefício demais. Além do que os empreendedores brasileiros recebem gordos dividendos neste governo, dito de esquerda.

Se assim, continuar na próxima pesquisa, a candidata de Lula, Dilma Rousseff estará na frente, nas pesquisas eleitorais, para um Serra que prefere ser visto como José. Exatamente, da forma como a sociedade o tem visto há muito tempo. No Brasil, o eleitor não deixa dúvida que está cada vez mais informado e quer participar, o que é muito importante para a democracia e justiça social.

Economia, mídia e estado

Bom senso e espírito de justiça não fazem mal a ninguém, principalmente aqueles, reles mortais, que seguem cegamente o discurso hegemônico.

ECONOMIA - Após a crise mundial, notoriamente, mais intensamente, se trava uma discussão que se arrasta há séculos: qual o papel do Estado, num sistema capitalista. Sua função seria de servir ao mercado, para que este pudesse gerar o desenvolvimento econômico, igualitário e justo? Claro, as respostas demarcam as linhas de pensamento entre os liberais e socialistas, entretanto, torna-se fundamental entender que o sistema capitalista sofre, nos últimos anos, sucessivas derrotas em função da falta de regulamentação econômica pela sociedade, o que traz graves consequências para a população e enriquecimento de grupos minoritários, que fazem apostas controladas (no sentido de transferir para o público as possíveis perdas) no mercado financeiro.

Esta discussão, afinal, deverá nortear as discussões eleitorais no Brasil este ano, entre Dilma Rousseff, que propõe um Estado forte e regulador, e José Serra, que sinaliza para a liberdade de mercado, a exemplo do que fez o seu amigo de partido e ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, que foi responsável, durante os seus dois governos, por privatização de grandes estatais, seguindo consenso de agências econômicas globais.

Sobre este assunto, em resumo, a decisão será da sociedade, entretanto, cabem algumas análises, pois é comum ler, ouvir ou assistir na grande mídia brasileira a defesa intransigente de um mercado, o qual de fato, não trouxe a igualdade e democracia tão sonhada pelo homem comum, desde a revolução capitalista. O fim do estado não se materializou, pois se tornou fundamental até mesmo para as grandes empresas que necessitam de regulamentação em diferentes países para funcionar. Caso contrário, não haveria a segurança de uma instituição que resguarda o direito à propriedade, mesmo considerando as aviltantes diferenças econômicas, entre os que possuem e aqueles marginalizados neste processo, seja localmente ou globalmente.

Desta maneira, a existência do Estado torna-se fundamental para os donos de conglomerados, e para a sociedade que se quer estabelecer níveis de igualdades entre os atores sociais. No entanto, cabe uma ressalva, este Estado precisa ser estruturado de maneira a fazer prevalecer os interesses públicos, numa perspectiva da formação de instituições que regulamente a partir do público, e não simplesmente ser uma instituição pública com interesse privado. Há diferenças. Pois, neste contexto estão Estados Unidos, com um presidente que tenta, esporadicamente, fazer valer o poder do Estado público democrático que sofre as intervenções dos falcões da economia, que o obriga a recuar de suas atitudes pontuais voltadas para o interesse público.

Em síntese, fica claro que o Estado interessa ao mercado, e faz sua defesa, entretanto, com a ressalva de estar submetido às leis que resguardam de maneira intransigente liberdade financeira, o que de fato não promove a igualdade e reduz a marginalidade de uma sociedade distante da capacidade de ser cidadã. A rigor, a cada dia, grande parte das mídias defende interesses liberais, com um discurso que menos esclarece e mais define um jogo que mantém uma estrutura que serve de base para crises em todo mundo. Bom senso e espírito de justiça não fazem mal a ninguém, principalmente aqueles, reles mortais, que seguem cegamente o discurso hegemônico.

Política e democracia


Charge publicada pelo jornal Folha de S. Paulo - 25/2/2010

O que está em tela nem sempre retrata a realidade e o jogo de interesses, afinal, num sistema social complexo há disputas que não são conhecidas nas aparências.


POLÍTICA - Com os últimos escândalos a sensação popular é de que a política se tornou (se é que já foi um lugar sério, atestado por muitos) um espaço de corrupção e roubos contra os cofres públicos. Não é para menos o sentimento de falta de representatividade, diante das informações constantes dos diversos acontecimentos, envolvendo figuras históricas, principalmente nas Câmaras Legislativas, Congresso Nacional e Poder Executivo. Entretanto, cabe uma análise: como pensar uma sociedade democrática sem representação em nação capitalista?
Possivelmente, o descrédito dos eleitos resulte em decisões tomadas por aqueles que se apresentem com representativos, mesmo sem receber o voto da sociedade. No final, perpetuará a falta de democracia para uma sociedade com grandes injustiças e diferenças sociais, que se fazem eternas.

A defesa da política em tempos atuais torna-se uma missão difícil diante do cenário que se descortina, em meio a prática de corrupção, formação de caixa dois, dinheiro que viaja em lugares os mais exóticos possíveis. Contudo, a representação da sociedade se materializa através da representação por eleições, na qual a população pode fazer suas escolhas, e depois manifestas seu descontentamento e cobrança. Evidentemente, que em muitos momentos os eleitores se enganam pelo excesso de propaganda que, posteriormente, se mostra enganosa e serve aos propósitos de grupos que permanecem com as chaves dos cofres públicos.

Na política as artimanhas e estratégias para a vitória passa pelo eficiente uso de intelectuais e pessoas competentes para a construção de imagens, diante de uma mídia que está longe da isenção na difusão de conhecimento sobre os espaços sociais. Todavia, é possível dizer que há pessoas sérias e honestas ocupando cargos públicos, e que habilmente representam o interesse público. Não se deve imaginar que com a desmoralização da política, como ocorre na atualidade, teremos um Brasil melhor no futuro. O que está em tela nem sempre retrata a realidade e o jogo de interesses, afinal, num sistema social complexo há disputas que não são conhecidas nas aparências.

A rigor, o Estado continua tendo importância na condução de uma sociedade com potencialidade para a democracia, com sinônimo de igualdade e justiça. Todavia, há pedras no meio do caminho.

Fim do jornal impresso?



A Folha de S. Paulo vai dar continuidade a um processo inevitável de mudanças que ocorre em todo mundo, sem, contudo, haver segurança quanto ao futuro do jornal impresso.

JORNALISMO - A direção do jornal Folha de S. Paulo, anunciou em sua edição desta quarta-feira (24) que vai mudar seu projeto visual, tornando-se um veículo mais próximo da população, com texto mais coloquial e próximo do leitor. Na realidade, trata-se, no fundo, de se adequar aos novos tempos de novas tecnologias da informação, com jornalismo on-line, com grande fluxo de informação e com preço acessível e geralmente mais atualização mais rápida.

A rigor, em tempos de concorrência acirrada, os meios impressos vêm perdendo lucratividade, sendo que muitas empresas fecharam suas redações ou migram para a internet, como anuncia o jornal estadunidense New York Times, o qual tem milhares de acessos em sua página na internet e quedas freqüentes de audiência em seu veículo impresso. Afinal, o que ocorre com os tradicionais meios de comunicação? Numa análise apressada! Perdem espaço na concorrência com as novas mídias, entretanto, deve-se avaliar as mudanças de comportamento da própria sociedade moderna, que a cada dia faz uso do tempo momentâneo ou da falta dele.

Outros pontos precisam também ser analisados: a informação se faz um artigo importante o suficiente para sinalizar os fatos que dizem respeito a vida do usuário, para que ele faça parte de uma sociedade complexa. Em segundo lugar, os jornais impressos continuam com a comunicação de mão-única e pesada (material), ou seja, não oferece condições das trocas de informações, com participação do leitor, diferentemente do que ocorrem nos leves (imateriais) jornais on-line. Finalmente, há uma grande falta de identidade e credibilidade dos grandes jornais (grandes empresas de comunicação para as massas), que ainda continuam insistindo na competência acima dos mortais. A rigor, as novas tecnologias impingiram mudanças de hábitos na sociedade, o debate está mais próximo da comunidade e a sociedade descobriu que pode ser mais participativa.

Nem mesmo do diretor do jornal paulista deixa dúvidas: Frias Filho afirma que, "o esforço para didatizar o noticiário, decodificar os assuntos em linguagem corrente e se fazer compreender significa, paradoxalmente, elevar o nível do jornal - e é isso o que estamos buscando". O novo editor-executivo da Folha, jornalista Sérgio Dávila, diz que o novo projeto é um "instrumento para caminhar na direção da síntese analítica e da opção por textos mais curtos e, ao mesmo tempo, mais interpretativos".

A Folha de S. Paulo vai dar continuidade a um processo inevitável de mudanças que ocorre em todo mundo, sem, contudo, haver segurança quanto ao futuro do jornal impresso. Ações que devem chegar aos cursos de jornalismo, sendo que os acadêmicos desta área de conhecimento devem acompanhar atentamente as mudanças no jornalismo "pós-moderno", sob pena de se tornar arcaico e pesado, diante da imaterialidade.

Escândalos democratas

A política, de uma forma ou de outra, reverbera os anseios de uma opinião pública, mesmo considerando sua forma instável para apontar rumos.


POLÍTICA - Se analisadas as mudanças ocorridas no cenário político brasileiro, chega-se a conclusão que os partidos de direita, conservadores e resistentes às mudanças na ordem social, com manutenção do status quo, vêm perdendo terreno ano após ano. Como exemplo, o DEM, ex-PFL (que teve origem na antiga Arena - Aliança Renovadora Nacional, base de o governo militar), com sucessiva perda de nomes de seus quadros partidários, é o resultado do desinteresse dos eleitores da formação de uma política hermética para uma sociedade que convive com maior fluxo de informação, e participação na esfera pública.

O escândalo de Brasília, envolvendo o único governador eleito pelo partido, José Roberto Arruda, nessa gestão, e as ameaças de cassação de Gilberto Kassab, prefeito da cidade de São Paulo, somente atesta um momento de decadência dos políticos, que mantêm pensamento reacionário para as inevitáveis mudanças nas relações sociais, principalmente na emergência de uma democracia, a qual tornam uma maioria marginalizada em cidadãos participativos na esfera pública.

A política, de uma forma ou de outra, reverbera os anseios de uma opinião pública, mesmo considerando sua forma instável para apontar rumos. Entretanto, nas últimas décadas o homem comum surpreende aqueles que acreditavam em uma sociedade apenas massificada, uma multidão, que se movimentaria por estímulo e não pela capacidade de escolha.

Em tempos de mudanças sociais, apesar da busca da modernidade, os democratas ainda não conseguiram modificar a sua essência, e ainda parecem não esconder a imagem dos velhos coronéis.

Um elefante branco!

CULTURA - A situação do Centro Cultural Oscar Niemeyer, apresentada pela Revista Carta Capital (edição 16/2), realmente traz preocupações pelos valores gastos na obra, sem, no entanto, oferecer qualquer benefício para a comunidade, executada com dinheiro público.
O projeto em si é importante para a população goianiense, entretanto, torna-se indispensável avaliar as prioridades do estado e município, antes dos interesses eleitorais, que de fato, não ocorre somente em Goiás, infelizmente.

O mais estranho neste imbróglio é o fato da tematização do assunto, apesar do conhecimento da opinião pública local, feita pelos meios de comunicação fora do estado. O que se percebe em vários momentos é que assuntos polêmicos sobre a política goiana aparecem na mídia carioca e paulista, para somente depois, de maneira muito rápida, ser agendados nos veículos locais.

Sem apontar o dedo para qualquer um dos responsáveis pelo dinheiro gasto para a construção abandonada, portanto, até agora de um elefante branco, cabe apurar os problemas apresentados, solucioná-los e punir os culpas, sem excluir personalidade política. Caso contrário, surgirão outras obras públicas sem função social, com recursos da população, contudo, a mesma que escolhe os seus representantes.

Link - matéria publicada pela Revista Carta Capital:
Um Monumento ao desperdício

EUA em crise!

A condição de império mundial dos Estados Unidos vem sendo questionada nos últimos anos devido à crise que atormenta o país. Desta forma, torna-se casa vez mais importante Barack Obama apresentar força e discurso de poder, no sentido de evitar a perda de controle.

A pressão dos falcões americanos deve ser grande, dada a possibilidade de perda de visibilidade para a China, Comunista. Em matéria publica nesta terça-feira de carnaval(16), o jornal Folha de S. Paulo, em seu editorial, destaca a preocupação com o nação que detém a ordem mundial.

Desafio americano

POR QUANTO tempo o maior devedor do mundo poderá continuar sendo a maior potência do mundo? Esta pergunta direta, formulada há algum tempo pelo assessor da Casa Branca Lawrence Summers resume os desafios que enfrentarão os EUA nos próximos anos.
Até antes da crise de 2008, a deterioração das contas externas -o deficit em conta corrente atingiu 6% do PIB em 2007- era o grande fator de preocupação entre as autoridades americanas. Não poderia ser diferente, pois a relação entre dívida externa crescente e perda de status internacional é clara, ainda mais quando o grande credor é o principal rival estratégico, a China.

A queda da demanda privada de consumo e investimento decorrente da crise financeira permitiu alguma redução nestes desequilíbrios externos. Mas, como contrapartida, ampliou o outro grande furo: o das contas públicas, que fecharam 2009 com um deficit de US$ 1,4 trilhão, valor equivalente a 10% do PIB.

Neste mês, o governo Obama apresentou o Orçamento para 2010, e os números não são melhores. As projeções apontam para um buraco de US$ 1,5 trilhão em 2010, 11% do PIB. São cifras assustadoras, que comprometem seriamente a capacidade financeira dos EUA.
Para piorar, o Orçamento americano é cada vez mais engessado. A parte discricionária já equivale a menos de 15% do total. O presidente Obama afirmou que a prosperidade é a base da posição e da influência dos EUA no mundo. A questão orçamentária é hoje o grande desafio para mantê-las nas décadas vindouras.

Em breve, os americanos serão confrontados com a realidade de cortes drásticos no Orçamento e com a necessidade de reformas ainda mais profundas na área da saúde. O aperto fiscal complicará ainda mais o cenário de crescimento para os próximos anos.

MASSA PENSANTE

A rigor, não é possível dizer que a maioria é uma massa homogênia, e que alienada não conhece seus interesses e necessidades.

POLÍTICA - Por muito tempo se defendeu a tese de que a massa formada por pessoas alienadas na engrenagem do sistema social, apenas acompanha os interesses de uma elite responsável pela formação cultural, numa realidade disseminada por todo mundo, cujo domínio estaria a cargo dos países com grande poder econômico. Na atualidade o comportamento dos atores se faz outra, pois a concorrência pela busca da audiência nos diferentes meios de comunicação parece acirrada. O discurso de uma elite midiática não parece gerar resultados no se refere ao convencimento da opinião de uma maioria, cada vez mais enigmática.

Podia se imaginar que qualquer veículo de comunicação seria essencial na definição de uma campanha eleitoral, pois quanto mais mensagens favoráveis a um candidato, mais chance este teria para vencer as eleições. No caso brasileiro, o sonho dos conglomerados de mídias seria um governo à semelhança do intelectual e sociólogo Fernando Henrique Cardoso, ex-presidente da República. Além da competência com os verbos, se apresenta como um liberal que acredita no desenvolvimento globalizado a partir do consenso das grandes potências mundiais, como foi o caso, da experiência abraçada pelo seu governo das definições do chamado consenso de Washington, que resultou em empobrecimento dos eternos periféricos, então mais endividados, agora até a medula.

O crescimento nas pesquisas de Dilma Rousseff não significa a capacidade da candidata desconhecida do público de enfrentar políticos como Serra, e com chances de vitória. O que está por detrás disso são, exatamente, os interesses particulares dos brasileiros, em sua maioria alijada deste processo econômicos, em escolher alguém que possa apresentar algum retorno para os seus propósitos de sobrevivência. Neste contexto, o posicionamento de um único discurso – o do consenso - em torno de interesses econômicos, reverberados por lógicas políticas conservadoras e da ordem, não conseguem demover uma maioria distante da ficção midiática.

A rigor, não é possível dizer que a maioria é uma massa homogênia, e que alienada não conhece seus interesses e necessidades. As novas tecnologias interferem nestas mudanças? Sem dúvidas, a sociedade recebe informações rapidamente e em mais quantidade a todo instante.

Brasileiros globais.

A rigor, matéria-prima não eleva ganhos, mas sim, tecnologia.

ECONOMIA - A cada dia aumenta a reprovação da imprensa paulista e carioca com as iniciativas do governo federal em defender seus interesses brasileiros na esfera global. A compra dos aviões franceses é um exemplo, pois afinal na contemporaneidade as questões políticas contam muito neste jogo de hegemonia. O econômico, embora seja prioridade, na busca pelo poder, as estratégias políticas e econômicas, em muitos momentos, contam mais que os resultados financeiros, apenas imediato. Assim, tecnologia é mais importante do que simplesmente ter o produto final, a independência nos projetos define ganhos futuros e crescimento econômico. A rigor, matéria-prima não eleva ganhos, mas sim, a tecnologia.

O que chama a atenção nos enunciados midiáticos é sempre o discurso negativo sobre a aproximação do país das nações periféricas ao centro global (leia-se Inglaterra e Estados Unidos), como, por exemplo, à China, à África e países da América Latina, como Venezuela, Equador, Argentina e Bolívia. Ora, as relações econômicas com os Estados Unidos são, de fato, importantes, mas por que não explorar outras potencialidades externas que, notoriamente, fazem uso o país Norte-americano?

Sendo que uma nação é feita por pessoas, significa que os brasileiros também merecem se desenvolver, se relacionar com diversos países, os quais permitam além de trocas econômicas, relações culturais e parcerias. A submissão não teve persistir eternamente, mesmo que este seja o gosto de uma minoria globalizada, que usufrui de sua condição privilegiada no atual território das fronteiras que atingem a maioria e não o capital.

Discurso e ordem Global

No fundo, as medidas resultam em mais discurso mídiático, numa guerra simbólica para a estabilidade sistêmica, do que exatamente, medidas que visem à democracia.

ORDEM GLOBAL - O ano de 2010 começa com uma retomada do discurso imperialista e financista no sentido de impedir os avanços da convicção de um mundo sem ordem global, mas dirigido pelos países independentes. A consequência seria o enfraquecimento do capitalismo globalizado em base apenas monetária, distante da realidade social. A retomada dos enunciados positivos sobre a economia, ainda em crise, evidencia o status dos países centrais e detrimento da força tímida dos países emergentes, que defendem a importância da solidez do estado do bem-estar.

Além da exposição maior dos temas relativos à Casa Branca, pela mídia, no que concerne a determinação de retomar o estado de guerra contra "o eixo do mal", as críticas são duras contra nações com discursos desestabilizadores do sistema monetário mundial. Como não é possível viver um lugar de liderança, os Estados Unidos representa bem o papel com movimentos publicizados, como por exemplo, suas ações em Honduras, no Haiti, na Ásia e no Golfo Pérsico.

Os Haitianos que esperavam ajuda humanitária, na verdade recebeu receberam os soldados estadunidenses que têm como prioridade a estabilidade, ou seja, a manutenção da passividade diante do caos, mesmo considerando a exploração que a população do país sempre foi submetida, desde sua busca pela independência.

Na Ásia, com a China nos calcanhares, o mundo financeiro global contra-ataca, com enfrentamentos mediatizado, envolvendo a bilionária empresa Google e o governo comunista - que apresenta uma nova ordem – com direito a participação do discurso de repúdio dos Estados Unidos, que defendem a "democracia" capitalista. Até mesmo a ilha de Taiwan, com domínio reclamado pelos chineses, entra no espaço de contenda e mais mídia, pois com venda de armas pelos norte-americanos à ilha, a China se vê obrigada a entrar no discurso mundial, de maneira agressiva.

Com a instalação de mísseis de defesa dos Estados Unidos, enunciados pelos meios de comunicação, retoma mais um ponto de "democracia" e defesa dos interesses globais, pois o objetivo da medida é impedir que o Irã ataque os o mundo com armas nucleares.

No fundo, as medidas resultam em mais discurso midiático, numa guerra simbólica para a estabilidade sistêmica, do que exatamente, medidas que visem à democracia. O que está em jogo é a ordem global, com base financeira, e não exatamente o bem estar de um mundo sempre em conflitos, cujos resultados não chegam a todos democraticamente. Exemplos não faltam. Qual será o final?

Destaque da Mídia

A Agência Brasil informa que:

Justiça condena ex-diretores da Avestruz Master a indenizar investidores prejudicados
Carolina Pimentel
Repórter da Agência Brasil

Brasília - Depois de quase quatro anos, a Justiça Federal de Goiás condenou dois filhos e o genro do dono da Avestruz Master a indenizar em R$ 100 milhões os investidores prejudicados pelo golpe aplicado pela empresa. O Ministério Público Federal no estado, autor da ação, estima que mais de 50 mil pessoas foram lesadas em várias partes do país, com prejuízo superior a R$ 1 bilhão.


O juiz Paulo Augusto Moreira Lima, da 11ª Vara Federal de Goiás, decretou pena de 13 anos e 6 meses de prisão para Patrícia Áurea da Silva Maciel, diretora financeira, e de 12 anos e 45 dias para o diretor comercial Jerson Maciel da Silva Júnior, ambos filhos de Jerson Maciel da Silva, presidente da empresa, que morreu há dois anos vítima de um câncer no fígado. O marido de Patrícia, Emerson Ramos Correa, que era diretor da empresa, foi condenado a 12 anos e 10 meses prisão.

Eles foram condenados pelos crimes contra as relações de consumo, a economia popular e o sistema financeiro – oferta de títulos mobiliários sem autorização da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e prestar informações falsas a investidores. Os três ainda podem recorrer da sentença.

Destaque da mídia

Matéria publicada pelo Jornal O Estado de S. Paulo (28/01):


Gravação indica compra de apoio político por Perillo

Senador tucano afirma que conversas se referem a doações legais para a sua campanha em 2006

Rodrigo Rangel(foto)


RESPOSTA - "Minha defesa está 95% pronta", diz Perillo. "E no momento apropriado a apresentaremos"


BRASÍLIA
Gravações inéditas em poder do Supremo Tribunal Federal (STF) indicam que o vice-presidente do Senado, Marconi Perillo (PSDB-GO), montou esquema de compra de apoio político para garantir sua eleição, em 2006. Os diálogos, aos quais o Estado teve acesso, foram gravados pela Polícia Federal com autorização da Justiça. Perillo, que antes da campanha havia deixado o cargo de governador de Goiás, é alvo de inquérito no STF para apurar suposto caixa 2 e suspeitas de uso da máquina pública durante a eleição.

Nos relatórios, investigadores afirmam que os diálogos "demonstram a movimentação do alvo (Perillo) para obter dinheiro, visando o pagamento de dívidas de campanha e compra de apoio político". A lista dos que teriam garantido apoio ao tucano em troca de dinheiro inclui vereadores e deputados federais e estaduais de Goiás.

As conversas sobre pendências financeiras prosseguiram após a eleição. De acordo com a investigação, o senador teve de recorrer a empréstimos para cumprir as promessas. Passado o pleito, telefonemas para cobrar pagamentos eram frequentes. Num deles, Francisco Sobrinho de Oliveira, que perdera a disputa por uma cadeira de deputado federal pelo PSDB, reclama dizendo que estava endividado.

"O "trem" seu todo dá uns quatrocentos?", pergunta Perillo, segundo o relatório. Oliveira responde que suas dívidas já somavam R$ 750 mil. Perillo, então, diz que tem uma pessoa que vai "arrumar" parte do dinheiro. Em outra ligação, o senador diz ter conseguido R$ 100 mil emprestados, e avisa que não poderia dar mais porque precisava cumprir promessas feitas a outros políticos: "Eu posso ajudar mais se você arrumar quem queira ajudar."

Ao ex-deputado Nédio Leite, que também lhe telefonara cobrando valores prometidos na campanha, Perillo garante que tentaria "resolver a totalidade ao invés de ser só aquela parte". Ele pergunta se Nédio Leite, à época no PP, não sabia de alguém que pudesse lhe emprestar dinheiro e diz que poderia dar um cheque como garantia.

As cobranças se estendiam ao tesoureiro da campanha de Perillo, Lúcio Fiúza. Num telefonema, de acordo com o relatório da PF, o então deputado federal Pedro Canedo (PP), candidato à reeleição, cobra de Lúcio um "caminhão de arroz" . Em outro, Canedo reclama do atraso no pagamento e diz que o próprio Marconi lhe havia dito que "ontem ou hoje ia me passar".

O então presidente da União de Vereadores de Goiás, Wolmer Tadeu Arraes, também ligou para cobrar. Usando o telefone do comitê de Perillo, o tesoureiro Fiúza fala com um pastor evangélico, identificado como César. Diz que precisava marcar encontro para "encomendar umas orações". Em seguida, deixa de falar em código. "Metade agora e metade na outra semana", afirma o tesoureiro ao pastor.

O senador foi gravado em conversas com juízes pedindo favores e recebendo pedidos. Uma juíza pede que Perillo interceda para evitar a transferência do marido, funcionário do governo. Em outro diálogo, é Perillo quem repassa a uma desembargadora pedido que recebera de uma prefeita.

A investigação detalha o que a PF classificou como uso da máquina pública na campanha. Assessores reservam aviões e helicópteros do governo para viagens de Perillo pelo interior goiano. Há registro, ainda, de voos para buscar Perillo em Búzios e Cabo Frio (RJ). As viagens eram tão frequentes que Perillo diz que pararia de usar aeronaves do Estado: "Podem usar isso no futuro." A PF também acusa o tucano de utilizar policiais militares, pagos pelo Estado, para fazer sua segurança pessoal. As gravações foram autorizadas por uma juíza do Tribunal Regional Eleitoral (TRE) de Goiás e, depois, pela ministra Ellen Gracie, do STF.

OUTRO LADO

Ao Estado, Perillo disse ter resposta para todas as suspeitas lançadas pela PF e chanceladas pela Procuradoria Geral da República, que já ajuizou denúncia contra ele no STF. "Minha defesa está 95% pronta e no momento apropriado a apresentaremos", afirmou. O senador diz que as conversas com políticos sobre dinheiro referem-se a doações legais. "Pedi a empresas doações para vários candidatos, algumas viabilizaram, outras não, e por isso que eles ligavam cobrando". Ele nega o uso da máquina. "Se usei aviões do Estado depois que deixei o governo, foi a convite do governador."

O ex-deputado Nédio Leite, nega ter vendido apoio político a Perillo em 2006 e diz não lembrar de conversas sobre dinheiro com o senador. "Tenho muita afinidade com ele", afirmou. Wolmer Arraes e Francisco Sobrinho não foram localizados. O ex-deputado Pedro Canedo, hoje presidente da estatal Indústria Química de Goiás (Iquego), não deu retorno ao contato.