Fim do jornal impresso?



A Folha de S. Paulo vai dar continuidade a um processo inevitável de mudanças que ocorre em todo mundo, sem, contudo, haver segurança quanto ao futuro do jornal impresso.

JORNALISMO - A direção do jornal Folha de S. Paulo, anunciou em sua edição desta quarta-feira (24) que vai mudar seu projeto visual, tornando-se um veículo mais próximo da população, com texto mais coloquial e próximo do leitor. Na realidade, trata-se, no fundo, de se adequar aos novos tempos de novas tecnologias da informação, com jornalismo on-line, com grande fluxo de informação e com preço acessível e geralmente mais atualização mais rápida.

A rigor, em tempos de concorrência acirrada, os meios impressos vêm perdendo lucratividade, sendo que muitas empresas fecharam suas redações ou migram para a internet, como anuncia o jornal estadunidense New York Times, o qual tem milhares de acessos em sua página na internet e quedas freqüentes de audiência em seu veículo impresso. Afinal, o que ocorre com os tradicionais meios de comunicação? Numa análise apressada! Perdem espaço na concorrência com as novas mídias, entretanto, deve-se avaliar as mudanças de comportamento da própria sociedade moderna, que a cada dia faz uso do tempo momentâneo ou da falta dele.

Outros pontos precisam também ser analisados: a informação se faz um artigo importante o suficiente para sinalizar os fatos que dizem respeito a vida do usuário, para que ele faça parte de uma sociedade complexa. Em segundo lugar, os jornais impressos continuam com a comunicação de mão-única e pesada (material), ou seja, não oferece condições das trocas de informações, com participação do leitor, diferentemente do que ocorrem nos leves (imateriais) jornais on-line. Finalmente, há uma grande falta de identidade e credibilidade dos grandes jornais (grandes empresas de comunicação para as massas), que ainda continuam insistindo na competência acima dos mortais. A rigor, as novas tecnologias impingiram mudanças de hábitos na sociedade, o debate está mais próximo da comunidade e a sociedade descobriu que pode ser mais participativa.

Nem mesmo do diretor do jornal paulista deixa dúvidas: Frias Filho afirma que, "o esforço para didatizar o noticiário, decodificar os assuntos em linguagem corrente e se fazer compreender significa, paradoxalmente, elevar o nível do jornal - e é isso o que estamos buscando". O novo editor-executivo da Folha, jornalista Sérgio Dávila, diz que o novo projeto é um "instrumento para caminhar na direção da síntese analítica e da opção por textos mais curtos e, ao mesmo tempo, mais interpretativos".

A Folha de S. Paulo vai dar continuidade a um processo inevitável de mudanças que ocorre em todo mundo, sem, contudo, haver segurança quanto ao futuro do jornal impresso. Ações que devem chegar aos cursos de jornalismo, sendo que os acadêmicos desta área de conhecimento devem acompanhar atentamente as mudanças no jornalismo "pós-moderno", sob pena de se tornar arcaico e pesado, diante da imaterialidade.

Escândalos democratas

A política, de uma forma ou de outra, reverbera os anseios de uma opinião pública, mesmo considerando sua forma instável para apontar rumos.


POLÍTICA - Se analisadas as mudanças ocorridas no cenário político brasileiro, chega-se a conclusão que os partidos de direita, conservadores e resistentes às mudanças na ordem social, com manutenção do status quo, vêm perdendo terreno ano após ano. Como exemplo, o DEM, ex-PFL (que teve origem na antiga Arena - Aliança Renovadora Nacional, base de o governo militar), com sucessiva perda de nomes de seus quadros partidários, é o resultado do desinteresse dos eleitores da formação de uma política hermética para uma sociedade que convive com maior fluxo de informação, e participação na esfera pública.

O escândalo de Brasília, envolvendo o único governador eleito pelo partido, José Roberto Arruda, nessa gestão, e as ameaças de cassação de Gilberto Kassab, prefeito da cidade de São Paulo, somente atesta um momento de decadência dos políticos, que mantêm pensamento reacionário para as inevitáveis mudanças nas relações sociais, principalmente na emergência de uma democracia, a qual tornam uma maioria marginalizada em cidadãos participativos na esfera pública.

A política, de uma forma ou de outra, reverbera os anseios de uma opinião pública, mesmo considerando sua forma instável para apontar rumos. Entretanto, nas últimas décadas o homem comum surpreende aqueles que acreditavam em uma sociedade apenas massificada, uma multidão, que se movimentaria por estímulo e não pela capacidade de escolha.

Em tempos de mudanças sociais, apesar da busca da modernidade, os democratas ainda não conseguiram modificar a sua essência, e ainda parecem não esconder a imagem dos velhos coronéis.

Um elefante branco!

CULTURA - A situação do Centro Cultural Oscar Niemeyer, apresentada pela Revista Carta Capital (edição 16/2), realmente traz preocupações pelos valores gastos na obra, sem, no entanto, oferecer qualquer benefício para a comunidade, executada com dinheiro público.
O projeto em si é importante para a população goianiense, entretanto, torna-se indispensável avaliar as prioridades do estado e município, antes dos interesses eleitorais, que de fato, não ocorre somente em Goiás, infelizmente.

O mais estranho neste imbróglio é o fato da tematização do assunto, apesar do conhecimento da opinião pública local, feita pelos meios de comunicação fora do estado. O que se percebe em vários momentos é que assuntos polêmicos sobre a política goiana aparecem na mídia carioca e paulista, para somente depois, de maneira muito rápida, ser agendados nos veículos locais.

Sem apontar o dedo para qualquer um dos responsáveis pelo dinheiro gasto para a construção abandonada, portanto, até agora de um elefante branco, cabe apurar os problemas apresentados, solucioná-los e punir os culpas, sem excluir personalidade política. Caso contrário, surgirão outras obras públicas sem função social, com recursos da população, contudo, a mesma que escolhe os seus representantes.

Link - matéria publicada pela Revista Carta Capital:
Um Monumento ao desperdício

EUA em crise!

A condição de império mundial dos Estados Unidos vem sendo questionada nos últimos anos devido à crise que atormenta o país. Desta forma, torna-se casa vez mais importante Barack Obama apresentar força e discurso de poder, no sentido de evitar a perda de controle.

A pressão dos falcões americanos deve ser grande, dada a possibilidade de perda de visibilidade para a China, Comunista. Em matéria publica nesta terça-feira de carnaval(16), o jornal Folha de S. Paulo, em seu editorial, destaca a preocupação com o nação que detém a ordem mundial.

Desafio americano

POR QUANTO tempo o maior devedor do mundo poderá continuar sendo a maior potência do mundo? Esta pergunta direta, formulada há algum tempo pelo assessor da Casa Branca Lawrence Summers resume os desafios que enfrentarão os EUA nos próximos anos.
Até antes da crise de 2008, a deterioração das contas externas -o deficit em conta corrente atingiu 6% do PIB em 2007- era o grande fator de preocupação entre as autoridades americanas. Não poderia ser diferente, pois a relação entre dívida externa crescente e perda de status internacional é clara, ainda mais quando o grande credor é o principal rival estratégico, a China.

A queda da demanda privada de consumo e investimento decorrente da crise financeira permitiu alguma redução nestes desequilíbrios externos. Mas, como contrapartida, ampliou o outro grande furo: o das contas públicas, que fecharam 2009 com um deficit de US$ 1,4 trilhão, valor equivalente a 10% do PIB.

Neste mês, o governo Obama apresentou o Orçamento para 2010, e os números não são melhores. As projeções apontam para um buraco de US$ 1,5 trilhão em 2010, 11% do PIB. São cifras assustadoras, que comprometem seriamente a capacidade financeira dos EUA.
Para piorar, o Orçamento americano é cada vez mais engessado. A parte discricionária já equivale a menos de 15% do total. O presidente Obama afirmou que a prosperidade é a base da posição e da influência dos EUA no mundo. A questão orçamentária é hoje o grande desafio para mantê-las nas décadas vindouras.

Em breve, os americanos serão confrontados com a realidade de cortes drásticos no Orçamento e com a necessidade de reformas ainda mais profundas na área da saúde. O aperto fiscal complicará ainda mais o cenário de crescimento para os próximos anos.

MASSA PENSANTE

A rigor, não é possível dizer que a maioria é uma massa homogênia, e que alienada não conhece seus interesses e necessidades.

POLÍTICA - Por muito tempo se defendeu a tese de que a massa formada por pessoas alienadas na engrenagem do sistema social, apenas acompanha os interesses de uma elite responsável pela formação cultural, numa realidade disseminada por todo mundo, cujo domínio estaria a cargo dos países com grande poder econômico. Na atualidade o comportamento dos atores se faz outra, pois a concorrência pela busca da audiência nos diferentes meios de comunicação parece acirrada. O discurso de uma elite midiática não parece gerar resultados no se refere ao convencimento da opinião de uma maioria, cada vez mais enigmática.

Podia se imaginar que qualquer veículo de comunicação seria essencial na definição de uma campanha eleitoral, pois quanto mais mensagens favoráveis a um candidato, mais chance este teria para vencer as eleições. No caso brasileiro, o sonho dos conglomerados de mídias seria um governo à semelhança do intelectual e sociólogo Fernando Henrique Cardoso, ex-presidente da República. Além da competência com os verbos, se apresenta como um liberal que acredita no desenvolvimento globalizado a partir do consenso das grandes potências mundiais, como foi o caso, da experiência abraçada pelo seu governo das definições do chamado consenso de Washington, que resultou em empobrecimento dos eternos periféricos, então mais endividados, agora até a medula.

O crescimento nas pesquisas de Dilma Rousseff não significa a capacidade da candidata desconhecida do público de enfrentar políticos como Serra, e com chances de vitória. O que está por detrás disso são, exatamente, os interesses particulares dos brasileiros, em sua maioria alijada deste processo econômicos, em escolher alguém que possa apresentar algum retorno para os seus propósitos de sobrevivência. Neste contexto, o posicionamento de um único discurso – o do consenso - em torno de interesses econômicos, reverberados por lógicas políticas conservadoras e da ordem, não conseguem demover uma maioria distante da ficção midiática.

A rigor, não é possível dizer que a maioria é uma massa homogênia, e que alienada não conhece seus interesses e necessidades. As novas tecnologias interferem nestas mudanças? Sem dúvidas, a sociedade recebe informações rapidamente e em mais quantidade a todo instante.

Brasileiros globais.

A rigor, matéria-prima não eleva ganhos, mas sim, tecnologia.

ECONOMIA - A cada dia aumenta a reprovação da imprensa paulista e carioca com as iniciativas do governo federal em defender seus interesses brasileiros na esfera global. A compra dos aviões franceses é um exemplo, pois afinal na contemporaneidade as questões políticas contam muito neste jogo de hegemonia. O econômico, embora seja prioridade, na busca pelo poder, as estratégias políticas e econômicas, em muitos momentos, contam mais que os resultados financeiros, apenas imediato. Assim, tecnologia é mais importante do que simplesmente ter o produto final, a independência nos projetos define ganhos futuros e crescimento econômico. A rigor, matéria-prima não eleva ganhos, mas sim, a tecnologia.

O que chama a atenção nos enunciados midiáticos é sempre o discurso negativo sobre a aproximação do país das nações periféricas ao centro global (leia-se Inglaterra e Estados Unidos), como, por exemplo, à China, à África e países da América Latina, como Venezuela, Equador, Argentina e Bolívia. Ora, as relações econômicas com os Estados Unidos são, de fato, importantes, mas por que não explorar outras potencialidades externas que, notoriamente, fazem uso o país Norte-americano?

Sendo que uma nação é feita por pessoas, significa que os brasileiros também merecem se desenvolver, se relacionar com diversos países, os quais permitam além de trocas econômicas, relações culturais e parcerias. A submissão não teve persistir eternamente, mesmo que este seja o gosto de uma minoria globalizada, que usufrui de sua condição privilegiada no atual território das fronteiras que atingem a maioria e não o capital.

Discurso e ordem Global

No fundo, as medidas resultam em mais discurso mídiático, numa guerra simbólica para a estabilidade sistêmica, do que exatamente, medidas que visem à democracia.

ORDEM GLOBAL - O ano de 2010 começa com uma retomada do discurso imperialista e financista no sentido de impedir os avanços da convicção de um mundo sem ordem global, mas dirigido pelos países independentes. A consequência seria o enfraquecimento do capitalismo globalizado em base apenas monetária, distante da realidade social. A retomada dos enunciados positivos sobre a economia, ainda em crise, evidencia o status dos países centrais e detrimento da força tímida dos países emergentes, que defendem a importância da solidez do estado do bem-estar.

Além da exposição maior dos temas relativos à Casa Branca, pela mídia, no que concerne a determinação de retomar o estado de guerra contra "o eixo do mal", as críticas são duras contra nações com discursos desestabilizadores do sistema monetário mundial. Como não é possível viver um lugar de liderança, os Estados Unidos representa bem o papel com movimentos publicizados, como por exemplo, suas ações em Honduras, no Haiti, na Ásia e no Golfo Pérsico.

Os Haitianos que esperavam ajuda humanitária, na verdade recebeu receberam os soldados estadunidenses que têm como prioridade a estabilidade, ou seja, a manutenção da passividade diante do caos, mesmo considerando a exploração que a população do país sempre foi submetida, desde sua busca pela independência.

Na Ásia, com a China nos calcanhares, o mundo financeiro global contra-ataca, com enfrentamentos mediatizado, envolvendo a bilionária empresa Google e o governo comunista - que apresenta uma nova ordem – com direito a participação do discurso de repúdio dos Estados Unidos, que defendem a "democracia" capitalista. Até mesmo a ilha de Taiwan, com domínio reclamado pelos chineses, entra no espaço de contenda e mais mídia, pois com venda de armas pelos norte-americanos à ilha, a China se vê obrigada a entrar no discurso mundial, de maneira agressiva.

Com a instalação de mísseis de defesa dos Estados Unidos, enunciados pelos meios de comunicação, retoma mais um ponto de "democracia" e defesa dos interesses globais, pois o objetivo da medida é impedir que o Irã ataque os o mundo com armas nucleares.

No fundo, as medidas resultam em mais discurso midiático, numa guerra simbólica para a estabilidade sistêmica, do que exatamente, medidas que visem à democracia. O que está em jogo é a ordem global, com base financeira, e não exatamente o bem estar de um mundo sempre em conflitos, cujos resultados não chegam a todos democraticamente. Exemplos não faltam. Qual será o final?

Destaque da Mídia

A Agência Brasil informa que:

Justiça condena ex-diretores da Avestruz Master a indenizar investidores prejudicados
Carolina Pimentel
Repórter da Agência Brasil

Brasília - Depois de quase quatro anos, a Justiça Federal de Goiás condenou dois filhos e o genro do dono da Avestruz Master a indenizar em R$ 100 milhões os investidores prejudicados pelo golpe aplicado pela empresa. O Ministério Público Federal no estado, autor da ação, estima que mais de 50 mil pessoas foram lesadas em várias partes do país, com prejuízo superior a R$ 1 bilhão.


O juiz Paulo Augusto Moreira Lima, da 11ª Vara Federal de Goiás, decretou pena de 13 anos e 6 meses de prisão para Patrícia Áurea da Silva Maciel, diretora financeira, e de 12 anos e 45 dias para o diretor comercial Jerson Maciel da Silva Júnior, ambos filhos de Jerson Maciel da Silva, presidente da empresa, que morreu há dois anos vítima de um câncer no fígado. O marido de Patrícia, Emerson Ramos Correa, que era diretor da empresa, foi condenado a 12 anos e 10 meses prisão.

Eles foram condenados pelos crimes contra as relações de consumo, a economia popular e o sistema financeiro – oferta de títulos mobiliários sem autorização da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e prestar informações falsas a investidores. Os três ainda podem recorrer da sentença.

Destaque da mídia

Matéria publicada pelo Jornal O Estado de S. Paulo (28/01):


Gravação indica compra de apoio político por Perillo

Senador tucano afirma que conversas se referem a doações legais para a sua campanha em 2006

Rodrigo Rangel(foto)


RESPOSTA - "Minha defesa está 95% pronta", diz Perillo. "E no momento apropriado a apresentaremos"


BRASÍLIA
Gravações inéditas em poder do Supremo Tribunal Federal (STF) indicam que o vice-presidente do Senado, Marconi Perillo (PSDB-GO), montou esquema de compra de apoio político para garantir sua eleição, em 2006. Os diálogos, aos quais o Estado teve acesso, foram gravados pela Polícia Federal com autorização da Justiça. Perillo, que antes da campanha havia deixado o cargo de governador de Goiás, é alvo de inquérito no STF para apurar suposto caixa 2 e suspeitas de uso da máquina pública durante a eleição.

Nos relatórios, investigadores afirmam que os diálogos "demonstram a movimentação do alvo (Perillo) para obter dinheiro, visando o pagamento de dívidas de campanha e compra de apoio político". A lista dos que teriam garantido apoio ao tucano em troca de dinheiro inclui vereadores e deputados federais e estaduais de Goiás.

As conversas sobre pendências financeiras prosseguiram após a eleição. De acordo com a investigação, o senador teve de recorrer a empréstimos para cumprir as promessas. Passado o pleito, telefonemas para cobrar pagamentos eram frequentes. Num deles, Francisco Sobrinho de Oliveira, que perdera a disputa por uma cadeira de deputado federal pelo PSDB, reclama dizendo que estava endividado.

"O "trem" seu todo dá uns quatrocentos?", pergunta Perillo, segundo o relatório. Oliveira responde que suas dívidas já somavam R$ 750 mil. Perillo, então, diz que tem uma pessoa que vai "arrumar" parte do dinheiro. Em outra ligação, o senador diz ter conseguido R$ 100 mil emprestados, e avisa que não poderia dar mais porque precisava cumprir promessas feitas a outros políticos: "Eu posso ajudar mais se você arrumar quem queira ajudar."

Ao ex-deputado Nédio Leite, que também lhe telefonara cobrando valores prometidos na campanha, Perillo garante que tentaria "resolver a totalidade ao invés de ser só aquela parte". Ele pergunta se Nédio Leite, à época no PP, não sabia de alguém que pudesse lhe emprestar dinheiro e diz que poderia dar um cheque como garantia.

As cobranças se estendiam ao tesoureiro da campanha de Perillo, Lúcio Fiúza. Num telefonema, de acordo com o relatório da PF, o então deputado federal Pedro Canedo (PP), candidato à reeleição, cobra de Lúcio um "caminhão de arroz" . Em outro, Canedo reclama do atraso no pagamento e diz que o próprio Marconi lhe havia dito que "ontem ou hoje ia me passar".

O então presidente da União de Vereadores de Goiás, Wolmer Tadeu Arraes, também ligou para cobrar. Usando o telefone do comitê de Perillo, o tesoureiro Fiúza fala com um pastor evangélico, identificado como César. Diz que precisava marcar encontro para "encomendar umas orações". Em seguida, deixa de falar em código. "Metade agora e metade na outra semana", afirma o tesoureiro ao pastor.

O senador foi gravado em conversas com juízes pedindo favores e recebendo pedidos. Uma juíza pede que Perillo interceda para evitar a transferência do marido, funcionário do governo. Em outro diálogo, é Perillo quem repassa a uma desembargadora pedido que recebera de uma prefeita.

A investigação detalha o que a PF classificou como uso da máquina pública na campanha. Assessores reservam aviões e helicópteros do governo para viagens de Perillo pelo interior goiano. Há registro, ainda, de voos para buscar Perillo em Búzios e Cabo Frio (RJ). As viagens eram tão frequentes que Perillo diz que pararia de usar aeronaves do Estado: "Podem usar isso no futuro." A PF também acusa o tucano de utilizar policiais militares, pagos pelo Estado, para fazer sua segurança pessoal. As gravações foram autorizadas por uma juíza do Tribunal Regional Eleitoral (TRE) de Goiás e, depois, pela ministra Ellen Gracie, do STF.

OUTRO LADO

Ao Estado, Perillo disse ter resposta para todas as suspeitas lançadas pela PF e chanceladas pela Procuradoria Geral da República, que já ajuizou denúncia contra ele no STF. "Minha defesa está 95% pronta e no momento apropriado a apresentaremos", afirmou. O senador diz que as conversas com políticos sobre dinheiro referem-se a doações legais. "Pedi a empresas doações para vários candidatos, algumas viabilizaram, outras não, e por isso que eles ligavam cobrando". Ele nega o uso da máquina. "Se usei aviões do Estado depois que deixei o governo, foi a convite do governador."

O ex-deputado Nédio Leite, nega ter vendido apoio político a Perillo em 2006 e diz não lembrar de conversas sobre dinheiro com o senador. "Tenho muita afinidade com ele", afirmou. Wolmer Arraes e Francisco Sobrinho não foram localizados. O ex-deputado Pedro Canedo, hoje presidente da estatal Indústria Química de Goiás (Iquego), não deu retorno ao contato.

Se a moda pega!

REUTERS/Edgard Garr
Os tempos modernos repetem a modernidade de eras passadas, agora com mais discursos, tecnologia e astúcias.


HONDURAS - A democracia, de fato, está longe de ser realidade, na chamada pós-modernidade, em uma sociedade cujo sistema mistura ficção com realidade, prevalecendo o primeiro, mesmo considerando o sofrimento e alienação de milhares de pessoas. Exemplar é o caso de Honduras, que tem o seu presidente empoçado hoje, Porfírio Lobo, democraticamente, depois da guerra que se travou na política do país, com participação de diversos governos do mundo. Com sempre no final prevaleceu os interesses dos Estados Unidos em apoiar Roberto Micheletti, e o golpe.

O mais inusitado, assunto dos jornais pelo mundo, é que o presidente eleito e deposto Manuel Zelaya foi contemplado pelo congresso do país com anistia política, que se mudará para a República Dominicana. Ou seja, os congressistas locais entendem que o ex-presidente pode deixar Honduras sem ser preso, com tranquilidade, absolvido dos crimes políticos, qual seja, o de tentar promover mudanças na constituição para permanecer no cargo, indefinidamente. Se a moda pega.

Quanto aos militares do golpe contra o presidente, dia 28 de junho, não havia dúvida, estão livres de qualquer punição, afinal, trata-se de uma ação em beneficio do povo, uma necessidade democrática.

Na realidade, o que ocorre em Honduras é a manutenção das forças de grandes potências mundiais que a cada dia passam a definir quais os presidentes podem exercer o poder, que contarão com seu fundamental apoio, ou sofreram impedimento no menor desejo de burlar a ordem estabelecida. Os tempos modernos repetem a modernidade de eras passadas, agora com mais discursos, tecnologia e astúcias.

Educação paulista em crise

Educação - Difícil entender porque o estado mais rico do Brasil, São Paulo, tem tantos problemas com a educação. Conforme o editorial do jornal Folha de S. Paulo, desta quarta (27), 40 % dos professores temporários paulistas, num universo de 80 mil, não atingiram nota 5 em exame, e podem deixar alunos da rede de ensino sem aulas, se não voltarem às salas. Uma situação no mínimo estranha dada a condição financeira da região, que é sinônimo de orçamento de grandes proporções, que deveriam dar conta de jovens bens formados e professores bem pagos, interessados e qualificados.

Parece lugar comum no mundo empresarial dizer que somente é possível desenvolvimento com educação, entretanto, parece que não é a realidade vivida pelos paulistas, que amarga dificuldades para formar os estudantes da rede pública de ensino como se exige, com qualidade. Sem dúvida há no estado uma classe que consegue desembolsar recursos para pagar altos custos nas escolas particulares, mas e os jovens da classe baixa e pobre? As oportunidades serão diferentes numa sociedade bravamente competitiva.

Não se deve esquecer que duas universidades de destaque na América Latina estão em São Paulo: Universidade Paulista (USP) - sempre em conflitos com o governo Serra - e a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Instituições que levam pessoas do Brasil de diversas regiões na busca de estudos em na graduação e pós-graduação. Evidentemente que são instituições, diante do quadro, inacessível por grande parte dos estudantes do ensino básico e médio gratuito do estado.

O Haiti não é aqui

Fotos extraidas de diferentes medios.
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Pensar o todo, ou seja, a política global é uma forma de entender os problemas locais





POLÍTICA GLOBAL - Com a catástrofe que assola os haitianos, um dos países mais pobres do mundo, propagou-se na mídia a frase: "o Haiti é Aqui", o que não passa de frase de efeito, sem o menor sentido. Verdade que o Brasil tem milhares de problemas que precisam de solução, entretanto, não se deve pensar no próprio umbigo. A crise que afeta o país, que faz parte da ilha de São Domingos, não surgiu com a catástrofe natural (terremoto), mas faz parte da história da escravatura e busca pela liberdade, que afinal sucumbiu aos interesses econômicos das grandes potências.

A ajuda humanitária ao país é justa e necessária, entretanto, movimentos políticos no sentido de proporcionar a sonhada liberdade da nação já deveria ter sido iniciada há tempos, mas não o foi por razões óbvias, afinal, trata-se de uma nação já espoliada e pobre. Pensar o todo, ou seja, a política global é uma forma de entender os problemas locais e buscar a sonhada justiça social e, por conseqüência, individual.

Se os jornalistas e articulistas estão corretos seria justo até mesmo os cidadãos estadunidenses repetir a mesma frase, apesar de ser a maior potência mundial, afinal, o país vive numa grave crise economia, com incertezas sobre os resultados sobre a providência que exclui os pobres e idosos doentes. Além dos problemas que faz parte de todas as nações do mundo.

Agindo assim, não haverá civilidade, os interesses individuais se sobrepõem as lógicas sociais, e estamos todos em guerra permanentemente, valendo apenas dos interesses imediatos e particulares. Talvez seja isto que realmente ocorre, e a frase sintetiza bem o momento da dita sociedade pós-moderna.

Somente democracia



A cada dia, a democracia propalada não passa de ficção
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A democracia mundial, de fato, somente existe como forma de discurso daqueles que comandam a economia e política mundial, de maneira centralizada - leia-se Europa e Estados Unidos. A mídia em todo o mundo destaca hoje (22) a saída do governo de Roberto Micheletti (foto), de Honduras. Conforme o seu relato, a medida contribui para os trabalhos de Porfirio Lobo, recém-eleito para a presidência do país, que toma posse quarta-feira. A questão é inusitada, pois o atual presidente nem sequer foi eleito e deixa o cargo a seu bel prazer. Contestações pelo mundo não faltaram em favor de Manuel Zelaya ( o presidente eleito), mas pesou a força das potências mundiais interessadas em manter a ordem na região.

Considerando o que ocorre em várias partes do mundo é possível crer que a cada dia a democracia propalada não passa de ficção, sem qualquer contato com a realidade. Um mundo globalizado, com economia que viaja instantaneamente pelos quatro cantos, com uma população presa aos interesses de alguns nações responsáveis pela chamada ordem global.

A imprensa, de maneira direta, contribui para o discurso, pois reproduz claramente os interesses dos países centrais, em detrimento de uma sociedade que reclama os seus territórios e direitos políticos e humanos. As tecnologias da informação, que permitem a difusão de mensagens, ligando pessoas de diversas partes, parece não surtir o resultado esperado para que seja possível a percepção e ações na resolução de questões de injustiças repetitivas e eternas.

Destaque da Mídia

O Jornal Folha de S. Paulo destaca hoje (21/01):

Prefeito é alvo de ação pública por improbidade

DA AGÊNCIA FOLHA

O Ministério Público de Goiás entrou com uma ação civil pública por ato de improbidade administrativa contra o prefeito de Goiânia, Íris Rezende (PMDB), por suposta irregularidade em um contrato de R$ 360 milhões feito sem licitação.

O contrato, firmado pela Agência Municipal de Trânsito, cede à Câmara de Dirigentes Lojistas de Goiânia a administração das vagas de estacionamento nas ruas da capital.

A CDL, porém, subcontratou a empresa Enatech, criada 20 dias antes. Segundo o Ministério Público, a Enatech ficaria com 60% do valor do contrato.

Por meio de sua assessoria, Rezende disse que só se manifestará após ser notificado oficialmente.



Chile e Brasil

Imagem Agência Estado

As eleições se avizinham e aumenta o tom dos ataques entre os principais concorrentes: José Serra e Dilma Rousseff, que, de fato, deverão ser os candidatos com mais visibilidade e condições de pleitear a cadeira presidencial. A rigor, a missão do PSDB não será fácil, pois terá de enfrentar a máquina federal, as artimanhas de um presidente popular, a falta de um discurso convincente do partido e de carisma de Serra com a população pobre.

Rousseff, por seu lado, precisa se desvencilhar de ser apenas a candidata do presidente e se apresentar como capaz de administrar um país de grandes complexidades como é o Brasil. Embora, ainda não seja conhecida pelo grosso da população vem ganhando musculatura, o que não significa vitória, embora esteja sentada numa estrutura de peso.

Nos últimos dias, a vitória da oposição no Chile, diante de uma Michelle Bachelet com mais de 80% de aprovação, levanta o otimismo dos tucanos que terá que enfrentar a retórica de Luiz Inácio Lula da Silva, um dos presidentes mais populares do mundo atualmente. Cabe aqui, uma ressalva importante: há diferenças substanciais entre a realidade vivida pelo Chile e o Brasil, no que se refere, ao momento atual da economia, a governabilidade e a própria cultural local.

Militar e antisocial

Imagem Site R7

Esperar que Obama tivesse comportamento contrário ao dos falcões americanos e mundiais, sobretudo na economia, seria fugir a realidade.


Poder global - Muita ingenuidade imaginar que o Presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, realizasse um governo voltado para o social, abrindo os cofres para beneficiar o países pobres do mundo. A nação do norte considerada líder mantém sua postura de domínio na ordem global. Desta forma, nem sempre um presidente tem iniciativas próprias, sendo pressionado por grupos hegemônicos nacionais, que mantém poder econômico e político, principalmente em tempos de instabilidade econômica.

Desta maneira, esperar que Obama tivesse comportamento contrário ao dos falcões americanos e mundiais, sobretudo na economia, seria fugir a realidade, em um mundo que possui um centro e o presidente faz parte de organização centralizada, regida por uma minoria, cada vez mais sob pressão de uma sociedade que a cada dia reclama os seus direitos mundo afora.

As guerras continuam, a rigor servem aos propósitos de não perder o controle estabelecido, com manutenção da dependência dos países conquistados e do comércio de armas que se alastra aos quatro cantos. A rigor, governar os Estados Unidos significa negociação permanente com grandes organizações globais, interesses diversos, que quase sempre não leva em consideração os interesses sociais, a não ser que rendam dividendos financeiros.

Embora, menos arrogante que George W. Bush, Obama não mudou muito a realidade de ojeriza que o país continua a disseminar ao espalhar seus tentáculos pelo mundo, sem considerar as identidades e peculiaridades das diferentes nações periféricas. A força bélica da principal potência mundial chega com força na América Latina, por exemplo (mais próximo), sem oferecer uma diálogo aberto com os dirigentes locais, provocando sentimento de impotencialidade e submissão, possível devido o poder de coerção.

No Haiti, o país norte-americano, define bem sua posição: primeiro a ordem, com o envio de tropas militares para a "segurança" de uma nação aos frangalhos e carente de ajuda humanitária, e não bélica. Assim, Obama, a exemplo dos governos anteriores, privilegia a ordem em detrimento do humano. O econômico antes do social. Até quando?

Além das informações!

A máxima cartesiana “Penso, logo existo” na perspectiva de uma educação libertadora, revolucionária inverte a máxima: “Existo, logo penso!”

As férias certamente são o momento mais importante para se pensar sobre a educação. Se a internet aumenta o fluxo de informação, porém, não se deve entender que resolva a formação de conhecimento, para a liberdade e democracia social.

Neste sentido, abaixo reproduzimos um texto de um excelente educador, o qual temos estima e consideramos um grande amigo.Vale a pena ler e analisá-lo, embora seja um texto publicado, há alguns anos, em jornal da cidade de Uberaba, mas uma discussão atual .

"Já é senso comum de que não é bom, ou ótimo, ou excelente professor que transmite conhecimentos, mas é o que proporciona, causa, propicia aos estudantes a busca, a conquista do conhecimento. Em outras palavras, é o provocador! O desequilibrador! O estimulador. Assim, professor é quem coloca o processo de aprendizagem em ação. É quem corre primeiro numa corrida de revezamento! Quem cruza a linha de chegada não é o professor! Nessa corrida, todas as condições emocionais, cognitivas, corporais têm de ser ou estar favoráveis, num esforço individual e coletivo, contínuo e dinâmico, constante e motivado. A sala de aula é o ponto de partida! A realidade é o ponto de chegada!

O conhecimento sem sabedoria é inútil. É um simples acúmulo, agrupamento e conjunto de dados. A sabedoria organiza os dados e lhes dá significados, sentidos, valores. Essa é a razão por que muitos estudantes falam assim: “Aquele professor sabe muito, sabe tudo, mas não consegue comunicar-nos o que sabe!” falta-lhe sabedoria! Mais ou menos a mesma coisa acontece com a memória dos computadores, na Internet... Tem todas as informações e dados, mas computador continua “burro”. Cheio de informações vazias!

É função/missão do professor ser o trampolim para os estudantes darem salto da informação para o conhecimento, do conhecimento para a sabedoria, da sabedoria para o futuro! Isso é o que se chama “salto de qualidade.”

A máxima cartesiana “Penso, logo existo” na perspectiva de uma educação libertadora, revolucionária inverte a máxima: “Existo, logo penso!” no fundo, a existência determina o pensamento, a consciência. A escola é a única instituição capaz de inverter essa máxima cartesiana, porque é a única capaz de informar, formar e transformar.

Uma escola racionalista e, por extensão, uma sociedade racionalista – privilégio da razão – só agravam o individualismo, destroem a natureza subjetiva do homem, talvez a usa maior riqueza. Para Habermas, “o intersubjetivismo compartilhado é que cria a base da ação comunicativa.” E a comunicação é ato da vontade e não conseqüência de conhecimentos. E como ato da vontade passa, perpassa, transpassa, repassa pelo jogo de interesses e intenções, desejos e necessidades, valores e ética.

O fato é que o racionalismo tem meios de unificar comportamentos e atitudes – o que é um grande mal! Os contrários, os adversários, os contrários, as discordâncias... é que alimentam as idéias e os ideais. Sem a discordância, não há crescimento, porque coloca fim na reflexão. Nesse sentido, uma escola tem de ser a harmonização dos contrários, dos opositores, como pensava Carl Marx em relação à política: “A política é uma atividade provocada pelo conflito.”

Uma revolução nas escolas, todos sabemos, não é fácil, porque as escolas e as universidades são resultados das relações sociais de produção, portanto dependentes da economia e da política. Cortar o cordão umbilical da economia e da política é doloroso, dolorosíssimo e sem esse corte, essa ruptura não haverá também novos caminhos na busca do eqüidade social.

Muitos desafios estão sendo postos diante dos olhos das universidades, libertas da economia e da política, para produzirem saberes por excelência; aplicarem os conhecimentos para o bem comum, para o bem social; manterem vínculos com a cultura universal; ajudarem a construir o cidadão regional, nacional e planetário; formarem homens e mulheres eticamente preparados para aplicarem tecnologias sem causar danos às pessoas, a todos os seres da natureza; estimularem a participação de todos na sociedade de informação, nas redes de intercâmbio e interação; proporem ações que promovam as pessoas, diminuindo as distâncias entre elas..."

• Décio Bragança Silva é professor da Universidade de Uberaba.

O QUE FAZER?

Imagem do Jornal ELPAIS.COM

A razão de uma grande maioria pobre que vive em um país rico está na essência equivocada deste pensamento dos homens públicos e na falta de percepção do homem comum.


POLÍTICA - Nos últimos dias a imprensa agenda em suas páginas o escândalo de Brasília, que envolve o Governador democrata do Distrito Federal, José Roberto Arruda – que antes passou pelo PSDB e agora é o ilustre representante do DEM. O grande problema das coberturas midiático é exatamente focar em um único lugar, sem estrategicamente (acredito) observar a estrutura como um todo. A sensação que se tem é a do bode expiatório, ou seja, se este alguém for retirado do poder o problema está resolvido. Entretanto, com esta visão não haverá avanço na política e o sistema - político, econômico e social - continuará do mesmo jeito.

O Jornal Estado de São Paulo, desde domingo (6/12) destaca em sua matéria principal, o título: “Patrimônio de Arruda cresceu mais de 1.000%”. Certamente esta é a condição de muitos representantes brasileiros há séculos, e possivelmente continuará sendo até que a sociedade tenha consciência dos seus direitos e necessidade de participação. Pois, conforme o diário paulista: "Acossado por denúncias de corrupção e filmado recebendo dinheiro vivo no escândalo do "mensalão do DEM", o governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda, tem hoje um patrimônio que, em apenas sete anos, cresceu 1.060%. Nas declarações apresentadas à Justiça Eleitoral, em 2002 e 2006, a soma dos bens do governador não passava de R$ 600 mil. Agora, o patrimônio real da família Arruda, só em imóveis, em Brasília, acumulou um valor de mais de R$ 7 milhões."

Exemplos como estes são vistos muito perto, não precisa ir à Brasília. Comum, afinal, imaginar que alguém ficará rico quando entrar para a política, se acaso ascender ao poder e obtiver o resultado apregoado faltou-lhe inteligente, não poderia ser sequer um verdadeiro representante popular. Em resumo, política se torna um lugar de poder e riqueza, o que não é verdade, absolutamente. A razão de uma grande maioria pobre que vive em um país rico está na essência equivocada deste pensamento dos homens públicos e na falta de percepção do homem comum. Entretanto, como venho insistindo há mudanças ocorrendo nesta estrutura, devido aos movimentos na base da pirâmide. Se vai demorar ou não é está é outra conversa.

TROCAS PERIGOSAS


JORNALISMO - A utopia de uma sociedade participativa ao que parece vai se materializando mundialmente, com reflexos nos países em desenvolvimento como o Brasil. Entretanto, se o próprio sistema capitalista permite o aumento de percepção do homem sobre a realidade, ao torná-lo consumidor de bens para a informação, há uma força contrária, no sentido de estruturar o espaço social para não fugir de um controle determinante. O fim da obrigatoriedade do diploma de jornalismo vem nesta direção.

Como o Supremo Tribunal Federal entendeu de forma equivocada que o documento poria em perigo a liberdade de imprensa, cabe agora ao parlamento brasileiro analisar e votar a retomada do direito a expressão pela sociedade. A rigor, não há dúvida de que se os donos das grandes empresas de comunicação passam a definir os critérios de escolha de quem é jornalista, evidentemente que a informação será privatizada sem o posicionamento daqueles profissionais formados nos espaços universitários, o qual cabe zelar pela ética e conhecimentos das relações sociais, espaços culturais e democracia, de fato.

Visível, no entanto, a definição política de alguns parlamentares que se posicionam em favor dos proprietários dos grandes conglomerados de informação, como foi o caso de senador que defendeu a manutenção do fim da obrigatoriedade do diploma em votação de PEC no Senado Federal. Atitude que pressupõe interesse de visibilidade nos grandes jornais e revistas brasileiras, num processo de negociação que visa atender interesse destas corporações. Assim, em resumo, determinados políticos de direita ortodoxa, defensor de uma sociedade individualista em detrimento do coletivo, reage à participação efetiva da sociedade nos espaços públicos, estrutura pelo qual, acredita, o manterá no poder de maneira perene.

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Correio Braziliense

DEM, EIS O EFEITO BORBOLETA

A rigor, mexer na base da pirâmide, possível com o avanço capitalista, pode significar efeitos na estrutura global.

POLÍTICA DO ESCÂNDALO - A crise que ocorre no setor econômico mundial, de alguma forma, se instalou no sistema de representação social de maneira geral. Na realidade, numa sociedade em que a economia é a vedete e protagonista do palco em que os atores se movimentam, a sua instabilidade gera abalo em todo universo com reflexos prolongados. Entretanto, estas rupturas não ocorrem por acaso, se há mudanças nas lógicas de negociações, principalmente, na base da pirâmide, formada pelo grosso da sociedade, inevitavelmente, o efeito será sentido no topo, com graves consequências. No Brasil, por exemplo, os partidos políticos que sustentam ideologicamente o pensamento liberal, de fato, parecem perder a hegemonia e sentem abalos na sua estrutura.

A vitória de Barack Obama, nos Estados Unidos, a intransigência de países como Irã e Coréia do Norte aos interesses de nações hegemônicas mundiais, além do crescimento econômico da China, um país com modelo socialista, revelam um processo de negociação em que não se pode apostar em vencedores e vencidos. A globalização virou uma faca que corta dos dois lados: permite as muitas classes socais se dialogarem para movimentos muito rápidos. Em contrapartida, Estados ricos ganham agilidade na difusão de conhecimento nas periferias. Uma guerra de discursos e com reflexos na manutenção da ordem.

A América Latina, serve como análise, pois, continua formando governos populares, embora haja reações, aqui e ali, de enfrentamentos institucionais e manutenção temporária da estrutura. O Brasil, a exemplo, do que vem ocorrendo na região, promove mudanças substanciais no espaço político, com queda de partidos tradicionalmente de direita. Como saída tentam negociações e fazem junções com agremiações de esquerda. Com isso a ideologia partidária perde seus relatos e uma nova paginação se estabelece. Assim a adequação se efetiva com base nos interesses econômicos, com linguagem que se aproxima do popular. Aqueles que tentaram evitar o diálogo e persiste no poder de decisão autoritária perderam, ao longo do tempo, a capacidade para o enfrentamento e simbolicamente o poder.

Neste instante, no cenário da política brasileira, os Democratas (antigo PFL), partido de direita ortodoxo, desloca-se do centro em virtude das dificuldades de mudanças de modelo, que paradoxalmente o faz existir. O escândalo envolvendo o governador do Distrito Federal complica mais ainda a frágil situação do partido, que nem sempre esteve preocupado com escândalos.

O PSDB que nasceu com a proposta da social democracia, sendo que no governo defendeu os interesses da hegemonia econômica global, passa por dificuldades em virtude do pragmatismo que não serve ao momento, depois de sucessivas crises do modelo financeiro. Mudar o discurso, seria muito complicado, arriscaria perder a própria identidade.

Além destes partidos, que se fazem representativos e à frente da política brasileira, restam o PMDB - que se mostra um misto de todos os matizes, portanto, inatingível, pois qualquer bandeira lhe cai bem - e o PT do presidente da República, com popularidade histórica, com direito a papel principal em filme, o qual provoca filas nas grandes salas de cinema.

A pergunta que sobressai é: será que os petistas entenderam os anseios da opinião da maioria ou descobriram uma nova artimanha para estar no poder? A rigor, mexer na base da pirâmide, possível com o avanço capitalista, pode significar efeitos na estrutura global.