Se a moda pega!

REUTERS/Edgard Garr
Os tempos modernos repetem a modernidade de eras passadas, agora com mais discursos, tecnologia e astúcias.


HONDURAS - A democracia, de fato, está longe de ser realidade, na chamada pós-modernidade, em uma sociedade cujo sistema mistura ficção com realidade, prevalecendo o primeiro, mesmo considerando o sofrimento e alienação de milhares de pessoas. Exemplar é o caso de Honduras, que tem o seu presidente empoçado hoje, Porfírio Lobo, democraticamente, depois da guerra que se travou na política do país, com participação de diversos governos do mundo. Com sempre no final prevaleceu os interesses dos Estados Unidos em apoiar Roberto Micheletti, e o golpe.

O mais inusitado, assunto dos jornais pelo mundo, é que o presidente eleito e deposto Manuel Zelaya foi contemplado pelo congresso do país com anistia política, que se mudará para a República Dominicana. Ou seja, os congressistas locais entendem que o ex-presidente pode deixar Honduras sem ser preso, com tranquilidade, absolvido dos crimes políticos, qual seja, o de tentar promover mudanças na constituição para permanecer no cargo, indefinidamente. Se a moda pega.

Quanto aos militares do golpe contra o presidente, dia 28 de junho, não havia dúvida, estão livres de qualquer punição, afinal, trata-se de uma ação em beneficio do povo, uma necessidade democrática.

Na realidade, o que ocorre em Honduras é a manutenção das forças de grandes potências mundiais que a cada dia passam a definir quais os presidentes podem exercer o poder, que contarão com seu fundamental apoio, ou sofreram impedimento no menor desejo de burlar a ordem estabelecida. Os tempos modernos repetem a modernidade de eras passadas, agora com mais discursos, tecnologia e astúcias.

Educação paulista em crise

Educação - Difícil entender porque o estado mais rico do Brasil, São Paulo, tem tantos problemas com a educação. Conforme o editorial do jornal Folha de S. Paulo, desta quarta (27), 40 % dos professores temporários paulistas, num universo de 80 mil, não atingiram nota 5 em exame, e podem deixar alunos da rede de ensino sem aulas, se não voltarem às salas. Uma situação no mínimo estranha dada a condição financeira da região, que é sinônimo de orçamento de grandes proporções, que deveriam dar conta de jovens bens formados e professores bem pagos, interessados e qualificados.

Parece lugar comum no mundo empresarial dizer que somente é possível desenvolvimento com educação, entretanto, parece que não é a realidade vivida pelos paulistas, que amarga dificuldades para formar os estudantes da rede pública de ensino como se exige, com qualidade. Sem dúvida há no estado uma classe que consegue desembolsar recursos para pagar altos custos nas escolas particulares, mas e os jovens da classe baixa e pobre? As oportunidades serão diferentes numa sociedade bravamente competitiva.

Não se deve esquecer que duas universidades de destaque na América Latina estão em São Paulo: Universidade Paulista (USP) - sempre em conflitos com o governo Serra - e a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Instituições que levam pessoas do Brasil de diversas regiões na busca de estudos em na graduação e pós-graduação. Evidentemente que são instituições, diante do quadro, inacessível por grande parte dos estudantes do ensino básico e médio gratuito do estado.

O Haiti não é aqui

Fotos extraidas de diferentes medios.
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Pensar o todo, ou seja, a política global é uma forma de entender os problemas locais





POLÍTICA GLOBAL - Com a catástrofe que assola os haitianos, um dos países mais pobres do mundo, propagou-se na mídia a frase: "o Haiti é Aqui", o que não passa de frase de efeito, sem o menor sentido. Verdade que o Brasil tem milhares de problemas que precisam de solução, entretanto, não se deve pensar no próprio umbigo. A crise que afeta o país, que faz parte da ilha de São Domingos, não surgiu com a catástrofe natural (terremoto), mas faz parte da história da escravatura e busca pela liberdade, que afinal sucumbiu aos interesses econômicos das grandes potências.

A ajuda humanitária ao país é justa e necessária, entretanto, movimentos políticos no sentido de proporcionar a sonhada liberdade da nação já deveria ter sido iniciada há tempos, mas não o foi por razões óbvias, afinal, trata-se de uma nação já espoliada e pobre. Pensar o todo, ou seja, a política global é uma forma de entender os problemas locais e buscar a sonhada justiça social e, por conseqüência, individual.

Se os jornalistas e articulistas estão corretos seria justo até mesmo os cidadãos estadunidenses repetir a mesma frase, apesar de ser a maior potência mundial, afinal, o país vive numa grave crise economia, com incertezas sobre os resultados sobre a providência que exclui os pobres e idosos doentes. Além dos problemas que faz parte de todas as nações do mundo.

Agindo assim, não haverá civilidade, os interesses individuais se sobrepõem as lógicas sociais, e estamos todos em guerra permanentemente, valendo apenas dos interesses imediatos e particulares. Talvez seja isto que realmente ocorre, e a frase sintetiza bem o momento da dita sociedade pós-moderna.

Somente democracia



A cada dia, a democracia propalada não passa de ficção
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A democracia mundial, de fato, somente existe como forma de discurso daqueles que comandam a economia e política mundial, de maneira centralizada - leia-se Europa e Estados Unidos. A mídia em todo o mundo destaca hoje (22) a saída do governo de Roberto Micheletti (foto), de Honduras. Conforme o seu relato, a medida contribui para os trabalhos de Porfirio Lobo, recém-eleito para a presidência do país, que toma posse quarta-feira. A questão é inusitada, pois o atual presidente nem sequer foi eleito e deixa o cargo a seu bel prazer. Contestações pelo mundo não faltaram em favor de Manuel Zelaya ( o presidente eleito), mas pesou a força das potências mundiais interessadas em manter a ordem na região.

Considerando o que ocorre em várias partes do mundo é possível crer que a cada dia a democracia propalada não passa de ficção, sem qualquer contato com a realidade. Um mundo globalizado, com economia que viaja instantaneamente pelos quatro cantos, com uma população presa aos interesses de alguns nações responsáveis pela chamada ordem global.

A imprensa, de maneira direta, contribui para o discurso, pois reproduz claramente os interesses dos países centrais, em detrimento de uma sociedade que reclama os seus territórios e direitos políticos e humanos. As tecnologias da informação, que permitem a difusão de mensagens, ligando pessoas de diversas partes, parece não surtir o resultado esperado para que seja possível a percepção e ações na resolução de questões de injustiças repetitivas e eternas.

Destaque da Mídia

O Jornal Folha de S. Paulo destaca hoje (21/01):

Prefeito é alvo de ação pública por improbidade

DA AGÊNCIA FOLHA

O Ministério Público de Goiás entrou com uma ação civil pública por ato de improbidade administrativa contra o prefeito de Goiânia, Íris Rezende (PMDB), por suposta irregularidade em um contrato de R$ 360 milhões feito sem licitação.

O contrato, firmado pela Agência Municipal de Trânsito, cede à Câmara de Dirigentes Lojistas de Goiânia a administração das vagas de estacionamento nas ruas da capital.

A CDL, porém, subcontratou a empresa Enatech, criada 20 dias antes. Segundo o Ministério Público, a Enatech ficaria com 60% do valor do contrato.

Por meio de sua assessoria, Rezende disse que só se manifestará após ser notificado oficialmente.



Chile e Brasil

Imagem Agência Estado

As eleições se avizinham e aumenta o tom dos ataques entre os principais concorrentes: José Serra e Dilma Rousseff, que, de fato, deverão ser os candidatos com mais visibilidade e condições de pleitear a cadeira presidencial. A rigor, a missão do PSDB não será fácil, pois terá de enfrentar a máquina federal, as artimanhas de um presidente popular, a falta de um discurso convincente do partido e de carisma de Serra com a população pobre.

Rousseff, por seu lado, precisa se desvencilhar de ser apenas a candidata do presidente e se apresentar como capaz de administrar um país de grandes complexidades como é o Brasil. Embora, ainda não seja conhecida pelo grosso da população vem ganhando musculatura, o que não significa vitória, embora esteja sentada numa estrutura de peso.

Nos últimos dias, a vitória da oposição no Chile, diante de uma Michelle Bachelet com mais de 80% de aprovação, levanta o otimismo dos tucanos que terá que enfrentar a retórica de Luiz Inácio Lula da Silva, um dos presidentes mais populares do mundo atualmente. Cabe aqui, uma ressalva importante: há diferenças substanciais entre a realidade vivida pelo Chile e o Brasil, no que se refere, ao momento atual da economia, a governabilidade e a própria cultural local.

Militar e antisocial

Imagem Site R7

Esperar que Obama tivesse comportamento contrário ao dos falcões americanos e mundiais, sobretudo na economia, seria fugir a realidade.


Poder global - Muita ingenuidade imaginar que o Presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, realizasse um governo voltado para o social, abrindo os cofres para beneficiar o países pobres do mundo. A nação do norte considerada líder mantém sua postura de domínio na ordem global. Desta forma, nem sempre um presidente tem iniciativas próprias, sendo pressionado por grupos hegemônicos nacionais, que mantém poder econômico e político, principalmente em tempos de instabilidade econômica.

Desta maneira, esperar que Obama tivesse comportamento contrário ao dos falcões americanos e mundiais, sobretudo na economia, seria fugir a realidade, em um mundo que possui um centro e o presidente faz parte de organização centralizada, regida por uma minoria, cada vez mais sob pressão de uma sociedade que a cada dia reclama os seus direitos mundo afora.

As guerras continuam, a rigor servem aos propósitos de não perder o controle estabelecido, com manutenção da dependência dos países conquistados e do comércio de armas que se alastra aos quatro cantos. A rigor, governar os Estados Unidos significa negociação permanente com grandes organizações globais, interesses diversos, que quase sempre não leva em consideração os interesses sociais, a não ser que rendam dividendos financeiros.

Embora, menos arrogante que George W. Bush, Obama não mudou muito a realidade de ojeriza que o país continua a disseminar ao espalhar seus tentáculos pelo mundo, sem considerar as identidades e peculiaridades das diferentes nações periféricas. A força bélica da principal potência mundial chega com força na América Latina, por exemplo (mais próximo), sem oferecer uma diálogo aberto com os dirigentes locais, provocando sentimento de impotencialidade e submissão, possível devido o poder de coerção.

No Haiti, o país norte-americano, define bem sua posição: primeiro a ordem, com o envio de tropas militares para a "segurança" de uma nação aos frangalhos e carente de ajuda humanitária, e não bélica. Assim, Obama, a exemplo dos governos anteriores, privilegia a ordem em detrimento do humano. O econômico antes do social. Até quando?

Além das informações!

A máxima cartesiana “Penso, logo existo” na perspectiva de uma educação libertadora, revolucionária inverte a máxima: “Existo, logo penso!”

As férias certamente são o momento mais importante para se pensar sobre a educação. Se a internet aumenta o fluxo de informação, porém, não se deve entender que resolva a formação de conhecimento, para a liberdade e democracia social.

Neste sentido, abaixo reproduzimos um texto de um excelente educador, o qual temos estima e consideramos um grande amigo.Vale a pena ler e analisá-lo, embora seja um texto publicado, há alguns anos, em jornal da cidade de Uberaba, mas uma discussão atual .

"Já é senso comum de que não é bom, ou ótimo, ou excelente professor que transmite conhecimentos, mas é o que proporciona, causa, propicia aos estudantes a busca, a conquista do conhecimento. Em outras palavras, é o provocador! O desequilibrador! O estimulador. Assim, professor é quem coloca o processo de aprendizagem em ação. É quem corre primeiro numa corrida de revezamento! Quem cruza a linha de chegada não é o professor! Nessa corrida, todas as condições emocionais, cognitivas, corporais têm de ser ou estar favoráveis, num esforço individual e coletivo, contínuo e dinâmico, constante e motivado. A sala de aula é o ponto de partida! A realidade é o ponto de chegada!

O conhecimento sem sabedoria é inútil. É um simples acúmulo, agrupamento e conjunto de dados. A sabedoria organiza os dados e lhes dá significados, sentidos, valores. Essa é a razão por que muitos estudantes falam assim: “Aquele professor sabe muito, sabe tudo, mas não consegue comunicar-nos o que sabe!” falta-lhe sabedoria! Mais ou menos a mesma coisa acontece com a memória dos computadores, na Internet... Tem todas as informações e dados, mas computador continua “burro”. Cheio de informações vazias!

É função/missão do professor ser o trampolim para os estudantes darem salto da informação para o conhecimento, do conhecimento para a sabedoria, da sabedoria para o futuro! Isso é o que se chama “salto de qualidade.”

A máxima cartesiana “Penso, logo existo” na perspectiva de uma educação libertadora, revolucionária inverte a máxima: “Existo, logo penso!” no fundo, a existência determina o pensamento, a consciência. A escola é a única instituição capaz de inverter essa máxima cartesiana, porque é a única capaz de informar, formar e transformar.

Uma escola racionalista e, por extensão, uma sociedade racionalista – privilégio da razão – só agravam o individualismo, destroem a natureza subjetiva do homem, talvez a usa maior riqueza. Para Habermas, “o intersubjetivismo compartilhado é que cria a base da ação comunicativa.” E a comunicação é ato da vontade e não conseqüência de conhecimentos. E como ato da vontade passa, perpassa, transpassa, repassa pelo jogo de interesses e intenções, desejos e necessidades, valores e ética.

O fato é que o racionalismo tem meios de unificar comportamentos e atitudes – o que é um grande mal! Os contrários, os adversários, os contrários, as discordâncias... é que alimentam as idéias e os ideais. Sem a discordância, não há crescimento, porque coloca fim na reflexão. Nesse sentido, uma escola tem de ser a harmonização dos contrários, dos opositores, como pensava Carl Marx em relação à política: “A política é uma atividade provocada pelo conflito.”

Uma revolução nas escolas, todos sabemos, não é fácil, porque as escolas e as universidades são resultados das relações sociais de produção, portanto dependentes da economia e da política. Cortar o cordão umbilical da economia e da política é doloroso, dolorosíssimo e sem esse corte, essa ruptura não haverá também novos caminhos na busca do eqüidade social.

Muitos desafios estão sendo postos diante dos olhos das universidades, libertas da economia e da política, para produzirem saberes por excelência; aplicarem os conhecimentos para o bem comum, para o bem social; manterem vínculos com a cultura universal; ajudarem a construir o cidadão regional, nacional e planetário; formarem homens e mulheres eticamente preparados para aplicarem tecnologias sem causar danos às pessoas, a todos os seres da natureza; estimularem a participação de todos na sociedade de informação, nas redes de intercâmbio e interação; proporem ações que promovam as pessoas, diminuindo as distâncias entre elas..."

• Décio Bragança Silva é professor da Universidade de Uberaba.

O QUE FAZER?

Imagem do Jornal ELPAIS.COM

A razão de uma grande maioria pobre que vive em um país rico está na essência equivocada deste pensamento dos homens públicos e na falta de percepção do homem comum.


POLÍTICA - Nos últimos dias a imprensa agenda em suas páginas o escândalo de Brasília, que envolve o Governador democrata do Distrito Federal, José Roberto Arruda – que antes passou pelo PSDB e agora é o ilustre representante do DEM. O grande problema das coberturas midiático é exatamente focar em um único lugar, sem estrategicamente (acredito) observar a estrutura como um todo. A sensação que se tem é a do bode expiatório, ou seja, se este alguém for retirado do poder o problema está resolvido. Entretanto, com esta visão não haverá avanço na política e o sistema - político, econômico e social - continuará do mesmo jeito.

O Jornal Estado de São Paulo, desde domingo (6/12) destaca em sua matéria principal, o título: “Patrimônio de Arruda cresceu mais de 1.000%”. Certamente esta é a condição de muitos representantes brasileiros há séculos, e possivelmente continuará sendo até que a sociedade tenha consciência dos seus direitos e necessidade de participação. Pois, conforme o diário paulista: "Acossado por denúncias de corrupção e filmado recebendo dinheiro vivo no escândalo do "mensalão do DEM", o governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda, tem hoje um patrimônio que, em apenas sete anos, cresceu 1.060%. Nas declarações apresentadas à Justiça Eleitoral, em 2002 e 2006, a soma dos bens do governador não passava de R$ 600 mil. Agora, o patrimônio real da família Arruda, só em imóveis, em Brasília, acumulou um valor de mais de R$ 7 milhões."

Exemplos como estes são vistos muito perto, não precisa ir à Brasília. Comum, afinal, imaginar que alguém ficará rico quando entrar para a política, se acaso ascender ao poder e obtiver o resultado apregoado faltou-lhe inteligente, não poderia ser sequer um verdadeiro representante popular. Em resumo, política se torna um lugar de poder e riqueza, o que não é verdade, absolutamente. A razão de uma grande maioria pobre que vive em um país rico está na essência equivocada deste pensamento dos homens públicos e na falta de percepção do homem comum. Entretanto, como venho insistindo há mudanças ocorrendo nesta estrutura, devido aos movimentos na base da pirâmide. Se vai demorar ou não é está é outra conversa.

TROCAS PERIGOSAS


JORNALISMO - A utopia de uma sociedade participativa ao que parece vai se materializando mundialmente, com reflexos nos países em desenvolvimento como o Brasil. Entretanto, se o próprio sistema capitalista permite o aumento de percepção do homem sobre a realidade, ao torná-lo consumidor de bens para a informação, há uma força contrária, no sentido de estruturar o espaço social para não fugir de um controle determinante. O fim da obrigatoriedade do diploma de jornalismo vem nesta direção.

Como o Supremo Tribunal Federal entendeu de forma equivocada que o documento poria em perigo a liberdade de imprensa, cabe agora ao parlamento brasileiro analisar e votar a retomada do direito a expressão pela sociedade. A rigor, não há dúvida de que se os donos das grandes empresas de comunicação passam a definir os critérios de escolha de quem é jornalista, evidentemente que a informação será privatizada sem o posicionamento daqueles profissionais formados nos espaços universitários, o qual cabe zelar pela ética e conhecimentos das relações sociais, espaços culturais e democracia, de fato.

Visível, no entanto, a definição política de alguns parlamentares que se posicionam em favor dos proprietários dos grandes conglomerados de informação, como foi o caso de senador que defendeu a manutenção do fim da obrigatoriedade do diploma em votação de PEC no Senado Federal. Atitude que pressupõe interesse de visibilidade nos grandes jornais e revistas brasileiras, num processo de negociação que visa atender interesse destas corporações. Assim, em resumo, determinados políticos de direita ortodoxa, defensor de uma sociedade individualista em detrimento do coletivo, reage à participação efetiva da sociedade nos espaços públicos, estrutura pelo qual, acredita, o manterá no poder de maneira perene.

Leia mais:

noticias.terra.com.br
Correio Braziliense

DEM, EIS O EFEITO BORBOLETA

A rigor, mexer na base da pirâmide, possível com o avanço capitalista, pode significar efeitos na estrutura global.

POLÍTICA DO ESCÂNDALO - A crise que ocorre no setor econômico mundial, de alguma forma, se instalou no sistema de representação social de maneira geral. Na realidade, numa sociedade em que a economia é a vedete e protagonista do palco em que os atores se movimentam, a sua instabilidade gera abalo em todo universo com reflexos prolongados. Entretanto, estas rupturas não ocorrem por acaso, se há mudanças nas lógicas de negociações, principalmente, na base da pirâmide, formada pelo grosso da sociedade, inevitavelmente, o efeito será sentido no topo, com graves consequências. No Brasil, por exemplo, os partidos políticos que sustentam ideologicamente o pensamento liberal, de fato, parecem perder a hegemonia e sentem abalos na sua estrutura.

A vitória de Barack Obama, nos Estados Unidos, a intransigência de países como Irã e Coréia do Norte aos interesses de nações hegemônicas mundiais, além do crescimento econômico da China, um país com modelo socialista, revelam um processo de negociação em que não se pode apostar em vencedores e vencidos. A globalização virou uma faca que corta dos dois lados: permite as muitas classes socais se dialogarem para movimentos muito rápidos. Em contrapartida, Estados ricos ganham agilidade na difusão de conhecimento nas periferias. Uma guerra de discursos e com reflexos na manutenção da ordem.

A América Latina, serve como análise, pois, continua formando governos populares, embora haja reações, aqui e ali, de enfrentamentos institucionais e manutenção temporária da estrutura. O Brasil, a exemplo, do que vem ocorrendo na região, promove mudanças substanciais no espaço político, com queda de partidos tradicionalmente de direita. Como saída tentam negociações e fazem junções com agremiações de esquerda. Com isso a ideologia partidária perde seus relatos e uma nova paginação se estabelece. Assim a adequação se efetiva com base nos interesses econômicos, com linguagem que se aproxima do popular. Aqueles que tentaram evitar o diálogo e persiste no poder de decisão autoritária perderam, ao longo do tempo, a capacidade para o enfrentamento e simbolicamente o poder.

Neste instante, no cenário da política brasileira, os Democratas (antigo PFL), partido de direita ortodoxo, desloca-se do centro em virtude das dificuldades de mudanças de modelo, que paradoxalmente o faz existir. O escândalo envolvendo o governador do Distrito Federal complica mais ainda a frágil situação do partido, que nem sempre esteve preocupado com escândalos.

O PSDB que nasceu com a proposta da social democracia, sendo que no governo defendeu os interesses da hegemonia econômica global, passa por dificuldades em virtude do pragmatismo que não serve ao momento, depois de sucessivas crises do modelo financeiro. Mudar o discurso, seria muito complicado, arriscaria perder a própria identidade.

Além destes partidos, que se fazem representativos e à frente da política brasileira, restam o PMDB - que se mostra um misto de todos os matizes, portanto, inatingível, pois qualquer bandeira lhe cai bem - e o PT do presidente da República, com popularidade histórica, com direito a papel principal em filme, o qual provoca filas nas grandes salas de cinema.

A pergunta que sobressai é: será que os petistas entenderam os anseios da opinião da maioria ou descobriram uma nova artimanha para estar no poder? A rigor, mexer na base da pirâmide, possível com o avanço capitalista, pode significar efeitos na estrutura global.


Aos navegantes PUCantes

A sociedade da tecnologia e o sonho de liberdade*

Um ponto precisa ser destacado neste mundo da tecnologia: as ferramentas que permitem estender as informações aos mais longínquos territórios, potencialmente, poderão servir de base para formação da capacidade de pensamento e participação social. Desta forma, este blog PUCantes se mostra fundamental neste sentido, pois deverá ser um lugar de trocas de informações, momentâneas, para despertar do espírito crítico, que, de alguma forma, está sem lugar nesta sociedade do consumo e interesses apenas individuais.

Se um dia todos nós estivemos a mercê das grandes empresas de comunicação, monopolizadas, entretanto, na atualidade as novas tecnologias da informação permite – embora haja severa exclusão - a liberdade da busca de novas mediações para as trocas de conhecimento e discussões, para a inserção na esfera pública. A ilusão de um mundo distante das mazelas, devido ao novo formato de comunicação, seria uma maneira muito otimista de ver as coisas. Afinal, vivemos em um sistema que há disputas num campo de lutas, cujas estratégias de poder hegemônico servem a interesses particulares. Mas nada mais importante do que o uso da comunicação on-line para relações ubíquas para uma sociedade mais livre e democrática.

Com a certeza que espaços como este será uma tônica da juventude nestes tempos chamados de pós-modernos nos leva a imaginar alternativas para mundo melhor, com igualdade, solidariedade, fraternidade, justiça e paz. Além do que as transformações podem e devem ser idealizada a partir da força dos estudantes, cheio de energia e força para querer um mundo melhor.

Suceeeeeeeeeeeso ao blog e parabéns à turma de jornalismo. Serei também leitor freqüente e colaborar.

* Texto publicado no Blog PUCantes dos estudantes de Jornalismo da PUC/GO, no endereço: http://pucantes.spaceblog.com.br/

Derrubaram o muro?

O muro foi ao chão, mas paradoxalmente seus limites não desapareceram, a crise continua. Como derrubá-lo de fato? Eis a questão.


Política - Definitivamente é exagerada a publicidade midiática sobre a queda do muro de Berlim, na Alemanha, o qual dividia a parte ocidental capitalista e oriental socialista. O fato é gerador de notícias, pois se trata de uma data que trouxe transformações sociais e marcou a política mundial. Entretanto, o exagero e o ângulo tratado certamente distorcem os fatos e ocasiona a perda de memória em uma sociedade carente de informação, que se afaste dos interesses econômicos, simplesmente. O muro do comunismo caiu, mas isto que não quer dizer que a sociedade rompeu obstáculos que põem de lados opostos vidas em condições diferentes de sobrevivência. Não cabem comemorações, mas reflexões profundas.

Há muros entre Estados Unidos e México, primeiro mundo e outros mundos. Educação e analfabetismo continuam dividindo milhões de seres humanos que pouco discernem a realidade em se que vivem, de maneira profunda, pois são alvejados por uma formação somente da imagem centralizada. Fartura e miséria continuam sendo a pedra de toque de uma sociedade que vive na mitologia positivista da natureza, sem se dar conta que a falta de alimento passa pelas lógicas políticas e econômicas, sobretudo. Infelizmente, o capitalismo, quase sempre em crise, não pode dispor de um momento para sua reflexão – com olhar nas pequenas fendas - sobre a necessidade de igualdade e democracia, que resultem em qualidade educacional, formação de identidade e desenvolvimento econômico para os diversos países do mundo, seja no Iraque ou na Iugoslávia.

Como comemorar um evento que não ofereceu exatamente o que se esperava: um mundo melhor? O que há de fato é um único sistema que por isso entrou em crise, levando ao colapso de sua própria realidade apregoada, a solidez. Cabe lembrar-se da necessidade de reparo de um muro constantemente, ou senão ele vai ao chão. Os limites precisam fazer sentido, ou então a fazê-lo entender.

O muro de Berlim perpassa a realidade social como um todo, não se trata de uma definição imposta de um sistema político e econômico centralizado. O socialismo é também social, que se foi desastroso para a civilização se fez uma maneira da busca de milhares de pessoas por alternativa, embora não encontrada. As conseqüências são inevitáveis, como bem sabe os alemães. A derrota é de toda uma sociedade que não conseguiu chegar a alternativas para uma realidade que agrada nem sempre a todos.

Um muro não pode separar o mundo, mas das formas de pensar e ser. A sua queda leva a crises, que traz novas buscas e novos enfrentamentos, permanentemente. As guerras continuam como se vê seus reflexos todos os dias. A notícia torna-se fundamental para se conhecer e entender a história, mas não se deve confundir informação com interesses ideológicos e propaganda. O muro foi ao chão, mas paradoxalmente seus limites não desapareceram, a crise continua. Como derrubá-lo de fato? Eis a questão.

O Limite do Público

Será que o espaço em público significa outra coisa que liberdade e diferenças? O privado tudo e o público o limite.

Comportamento
- Polêmica a parte, o caso do princípio de linchamento da aluna da Universidade Bandeirantes de São Paulo evidencia os limites intransponíveis de mudanças nas estrutura da sociedade na contemporaneidade. Ora, o fato de uma aluna ir a aula de roupa provocante não deveria causar transtornos a uma sociedade que deveria estar acostumada com a lógica moderna de publicidade. A rigor, todos os dias somos bombardeados com mulheres semi-nuas ou peladas no vídeo. Evidentemente que na academia não se trata do mesmo espaço do comércio de produtos, quase sempre com imagens apelativas. Entretanto, a sala de aula passa pelas imbricado mundo sociedade extra-classe.

Em resumo, os muros continuam intransponíveis nas relações sociais, a partir de uma elite cultural. Talvez na rua a moça passasse despercebida, o que não ocorre em uma universidade particular paulista, de uma cidade vista como comospolita e avançada cultural e economicamente. A mulher, desta forma, somente para citar um ponto deste mundo dirigido pelas lógica dominantes se especializa em preconceitos que definem de cima para baixo uma sociedade conservadora e moralizadora. Uma realidade não vista, porém existente não somente no Brasil, portanto, uma globalização que reage contra as diferenças. Mas cabe uma análise de onde vem tais definições? Pois o comportamento da juventude Uniban extra-classe deve ser distoante desta realidade. Será que o espaço em público significa outra coisa que liberdade e diferenças? O privado tudo e o público o limite.

Apostas políticas

Na política, é bem verdade, nada está resolvido até que se conheça o vencedor, após a abertura das urnas. Mesmo assim, persistem as dúvidas.

POLÍTICA - As eleições de 2010 definitivamente chegaram e o embate se dá na mídia, nos outdoors, na calada da noite, com aproximação de grupos políticos e nos bastidores. Efetivamente, as pedras estão sendo lançadas com os jogadores apostos. Entretanto, há algumas ressalvas, José Serra não demonstra condições para aglutinar o partido em torno de si, além de suscitar dúvidas em seus partidários. Os caciques do PSDB e Dem. parecem não confiar na capacidade do governo paulista em desbancar a máquina do governo federal que apóia, e faz campanha para Dilma Rousseff.

A dúvida faz com que Aécio Neves, governador popular e midiático de Minas Gerais, apareça nos jornais pressionando a alta cúpula tucana pela vaga do partido às eleições a presidência. A rigor as ações dos peessedebistas não são aparentes, afinal, o liberalismo tem muitos adeptos no Brasil, entre a classe empresarial, incluindo os donos de meios de comunicação, o que torna difícil uma leitura clara da realidade, se usando os veículos de comunicação. Será que ainda haverá mudanças no cenário político, apesar do jogo em andamento? Na política, é bem verdade, nada está resolvido até que se conheça o vencedor, após a abertura das urnas. Mesmo assim, persistem as dúvidas.

Em Goiás, continua a discussão em torno de Henriques Meirelles, que poderá ser o candidato ao governo do estado, apesar da candidatura demarcada por Íris Rezende. Se em algum momento havia certeza dos postulantes ao cargo, de fato, o quadro não se mostra evidente. Os jogadores estão aí e exercendo sua capacidade para fazer política e reunir votos. Mas nada parece resolvido.

A moralidade e a ordem

Estranho o não repúdio pelas propagandas de cervejas, pelas apresentadoras de programas infantis, de humor, que estão todos os dias na tela da TV, e "no meio deste povo".

COMPORTAMENTO
- Um mundo pós-moderno, uma sociedade que avilta o preconceito e a ordem, a partir dos valores conservadores e com sentimento de multidão. Certamente são pontos que surgem no caso do quase linchamento da uma estudante de turismo da Universidade Bandeirante de São Paulo (Uniban), na região do ABC. Ao trajar roupas muito curtas gerou "movimento" dos universitários que avançaram em ataque contra a moça, a qual somente com a proteção da polícia pôde sair do lugar.

Se fosse em uma praça pública, sem dúvida seria uma ação que mereceria análise detida (talvez nem ocorresse o caso), mas considerando se tratar de um espaço universitário torna a questão mais complexa, devido à formação de uma comunidade que deveria conhecer o direito das pessoas a liberdade de escolhas, de comportamento. Evidentemente, sem invadir o espaço ao que o outro tem direito. Certamente este não foi o caso.
Neste sentido, notoriamente o mundo da moda está cada vez mais levando a mulher a ousar em seus trajes, que as tornam sexualmente mais provocativas e com partes do corpo à mostra. Algumas vezes exageradas outras apenas ressaltam a beleza que possuem. Todavia, vivemos em uma sociedade em que há dúvidas sobre os limites, pois a regra midiática significa ousadia.

O mundo fechado dos velhos tempos de outrora perdeu espaço para uma nova realidade em que se expor tornou-se um lugar permitido, se não na rua de maneira visível, na internet, nas revistas, mesmo naquelas ditas sérias. As crianças e adolescentes convivem com sexualidade muito prematuramente, e o início da sexualidade começa muito cedo. As mudanças é o reflexo da ruptura de uma sociedade que avança contra os limites com mudanças de valores eternizados e ideologizados. Mas no caso de São Paulo parece que houve uma regressão no tempo, as roupas transparentes levaram ao desejo, a ofensa, ao repúdio e a perseguição que resultou em quase linchamento daquele representante do se vê nas mídias e é objeto de desejo. Estranho o não repúdio pelas propagandas de cervejas, pelas apresentadoras de programas infantis, de humor, que estão todos os dias na tela da TV, e "no meio deste povo".

Um caso como este que reúne jovens estudantes, de uma universidade da maior cidade do país, que aparecem na mídia com a intenção de linchamento de uma mulher sexy, a qual usa roupas sumárias, em pleno século da chamada pós-modernidade, chama a atenção e leva a dúvidas. A rigor, os estudantes que um dia foram revolucionários resolveram buscar a ordem de tempos dos limites conservadores? Afinal, de onde vem a nova ordem?

Não deveria dizer!

Indubitavelmente, determinados grupos têm mais condições de negociação que outros, mesmo considerando a força da opinião pública.

Política - A entrevista de Lula à Folha de S. Paulo causou comoção em todo país, devido às metáforas peculiares ao presidente. Afinal, qual a novidade para os homens que militam na vida política deste país sobre as negociações partidárias? A rigor, muitas delas vão contra os interesses públicos. Embora para o público o fato não seja publicizado, mas parece senso comum na sociedade as trocas de "gentilezas" que se tornam necessárias para a governabilidade no Brasil. Foge a ética, sem dúvida. homem comum sofre as conseqüências sobre este processo? Lógico. O que estanha é o barulho que se faz em torno de algo que se mostra transparente. Talvez a revelação assuste aqueles que não haviam se dado conta dos seus atos.

Disse Lula: “Qualquer um que ganhar as eleições, pode ser o maior xiita deste País ou o maior direitista, não conseguirá montar o governo fora da realidade política. Entre o que se quer e o que se pode fazer tem uma diferença do tamanho do Oceano Atlântico. Se Jesus Cristo viesse para cá, e Judas tivesse a votação num partido qualquer, Jesus teria de chamar Judas para fazer coalizão.” A metáfora denuncia a necessidade de trocas espúrias nas jogatinas políticas, o que certamente desagrada boa parte dos políticos brasileiros, mas desta análise não se pode descartar outros grupos que fazem usos da política para concentrar poder e obter benefícios particulares. Afinal, estado, economia e política são inseparáveis na formação da base de uma sociedade. Portanto, o assunto não se esgota na religiosidade brasileira.

Numa das últimas entrevistas concedidas o importante pensador Octávio Ianni afirmou que os presidentes se tornaram fantoches do poder econômico em todo mundo. Uma frase emblemática que nos leva a pensar sobre a discussão em torno deste assunto, certamente mais complexa, pois, indubitavelmente, determinados grupos têm mais condições de negociação que outros, mesmo considerando a força da opinião pública a exigir alternativas políticas – ou será isto apenas um sonho?

Afinal, a afirmação do presidente causa polêmica somente por desvelar uma realidade que, para alguns, não seria interessante ser discutido pela população eficientemente midiatizada.

ENERGIA DAS EMPRESAS

Soa estranha a afirmação de que a culpa é do governo na regulação das empresas toda vez que descobre algum rombo no bolso dos brasileiros. Afinal, onde está o respeito dos empreendedores com o cidadão? Caso que chama a atenção é a taxação a mais do consumidor feita pelas distribuidoras de energia elétrica. Segundo o jornal Folha de S. Paulo o valor cobrado indevidamente praticado desde 2002 chega a 7 Bilhões de Reais.

A questão a avaliar é: como os economistas e políticos liberais querem a redução do estado se os donos de empresas não conseguem entender ou fazer valer o honesto e legal? Evidentemente que não dá para generalizar, mas basta algum exemplo para imaginar que há um grande número de empreendedores que buscam brechas para somar faturamento com ganhos ilegais e obter lucros, mesmo que isto gere prejuízo para o homem desprovido de capital.

Sem dúvida cabe ao governo a regulação e punição. A omissão também leva a corroboração para o crime. Entretanto, precisa se avaliar que há falta de respeito pelo cidadão em várias instituições. Caso seja assim, será um salve-se quem puder. O crime torna-se banal, mas alguns se tornam criminosos e marginais.

Há dúvidas na política de Goiás

O que há, de fato, é o interesse do governo federal em impedir o avanço do tucano Marconi Perillo na política goiana.

POLÍTICA - Uma pergunta: as candidaturas ao governo do estado estão realmente decididas, mais uma vez polarizada entre Marconi Perillo e Iris Rezende? Diante dos movimentos de agentes políticos nas últimas semanas, algo deve estar sendo negociado para o surgimento de novidades, que podem levar a mudanças de cenário. Considerando que a política é dinâmica e nomes que aparecem na esfera regional se relacionam com outras instâncias, nada parece resolvido até aqui.

Importante lembrar que a grande proposta do PSDB, ao eleger o sucessor de Perillo, era exatamente formar palanque para 2010, entretanto, no movimento das pedras no tabuleiro, ocorreu um racha inevitável em função das dificuldades financeiras do estado, que ficou a mercê do governo federal, o qual usa os recursos econômicos como moeda de troca política. A entrada de Henrique Meireles para o PMDB não o tira inteiramente do páreo. A candidatura do presidente do banco central, neste momento parece improvável para alguns analistas, entretanto, não deve ser descartada rapidamente. O que há de fato é o interesse do governo federal, na pessoa do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em impedir o avanço do tucano Marconi Perillo na política goiana.

Por outro lado, a relação de Rezende com o governo federal vai além da aparência, pois a rigor, o PMDB está na base do governo e em dívida com Lula em função dos episódios envolvendo Sarney e Renan Calheiros, figura do alto clero da política e do partido, que obteve apoio do Palácio do Planalto, de maneira impopular. Se assim for há espaço para mudanças e novidades até as eleições em Goiás.

O PSDB precisa desbravar um território muito complexo diante da popularidade do presidente e idéias pouco conhecidas pela população brasileira na sua maioria, sobre um projeto liberal, o qual foi investido pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, que de alguma forma continua apregoando estes ideais em seus textos publicados pela imprensa. Diga-se de passagem, que gera dúvida de sua eficácia neste momento econômico global. José Serra continua alojado confortavelmente em São Paulo, e as próximas eleições dependem dos brasileiros de todos os estados, sobretudo, for do eixo Rio-São Paulo, que se tornam estratégicos.

Para os inimigos a imprensa

Caso contrário se confirmaria a velha máxima: para os amigos tudo e para os inimigos a imprensa

America Latina - A candidatura ao terceiro mandato de Álvaro Uribe, presidente da Colômbia, levanta uma questão complicada para a imprensa brasileira. Afinal, ao longo das semanas a imprensa não se mobilizou com criticas contra a intenção do colombiano em permanecer no poder de maneira perene, como foi o caso o caso quando outros presidentes latinos americanos apresentaram a mesma proposta.

Hugo Chaves recebeu uma saraivada de críticas todas as vezes que se pronunciava a respeito do assunto e agia nesta direção, a mesma, hoje, de Uribe. Ideologias a parte, trata-se de dois pesos e duas medidas, que demonstram claramente um projeto de sociedade estabelecido pelas empresas de comunicação, que, na contemporaneidade assume compromissos apenas econômicos sem levar em consideração os interesses sociais, a democracia e a liberdade de expressão fora das mídias.

Se há condenação sobre o rompimento democrático, quando um político assume o governo e quer se perpetuar indefinidamente no poder, o procedimento deveria ser o mesmo para todos os casos semelhantes. Caso contrário se confirmaria a velha máxima: para os amigos tudo e para os inimigos a imprensa.

As palavras ética, democracia e liberdade de expressão passam a ter um único significado: que tem mais condições de dizer aos outros o que é correto, sem na verdade, buscar entender as relações sociais, de maneira pragmática, e, de fato, honesta.