Crise da política global

Política - Diante da atual crise, parece estranha a discussão sôfrega que se efetiva na mídia sobre quando haverá o começo de uma retomada da estabilidade. Ora, o descontrole da economia não começou ontem, o capitalismo viveu de depressões, portanto, esta também não será a última. Entretanto, ocorre numa condição social distinta das demais. Há, de fato, um espaço de atrito entre os interesses do homem comum, trabalhador e os interesses do mercado. Uma luta pela sobrevivência e qualidade de vida, possível em uma sociedade mais consciente de seu espaço, em meio a uma rede de comunicação que a perpassa a todos insistentemente. O mercado, por sua vez, inicia uma guerra, diante da condição de instabilidade financeira, no sentido de manter o seu status quo que perdura deste o erguimento deste sistema de poder – com uso da pressão política. Assim, as medidas tomadas pelos governos serão criticadas por agentes econômicos na mídia, devido a sua timidez no sentido do esperado alívio financeiro de um mercado em apuros.

Não é possível imaginar que o popular governo dos Estados Unidos, liderado por Barack Obama, iria, no dia seguinte a sua posse, resolver os problemas da principal potencia mundial, mesmo considerando a sua relação com as comunidades de classe média e marginalizadas, o que o permitiria tomar medidas impopulares. A resolução do problema financeiro não irá se resolver com a simples derrama de dólares no mercado financeiro, antes é preciso resolver os estragos causados ao longo do tempo no próprio sistema, que, de fato, foi e continuará sendo centralizador político e economicamente. Evidentemente que o excesso de desemprego pode causar crises que vai atingir o lugar comum da política, a reboque dos interesses financistas. Possivelmente devido o olhar atento dos movimentos sociais, certamente mais conscientes. Neste sentido, a preocupação do governo estadunidense e de outros países, inclusive no Brasil – e a perda de poder de partidos chamados de neoliberais ou de direita.

No fundo, a crise econômica é também uma crise na estrutura da própria sociedade, e, por isso, os resultados não está efetivamente na resolução das questões meramente econômicas, efetivamente importantes, mas na condução das crises das relações de poder e interesses. As lideranças mundiais devem reconhecer que guerras sempre existiram, mas desta vez, se trata de uma que está na esfera global.

Imprensa que torce

Futebol - Infelizmente, no Brasil vivemos sob o domínio cultural e midiático do que vem dos centros, São Paulo e Rio de janeiro, onde estão as matrizes das principais redes de comunicação de massa do país. Desta forma, o que passa na periferia não tem tanto importância, a não ser quando se trata de um fato catastrófico e envolve vidas de um grande número de pessoas. O mesmo ocorre no futebol, pois é comum encontrar em diversos lugares brasileiros pessoas com camisas de times cariocas e paulistas. Desta forma, o torcedor possui dois amores: um local, em segundo plano, muitas vezes, e outro do referido centro. Em Goiás a mesma onda da torcida que caminha junto com os interesses das redes comunicação. No campeonato regional, há, de fato, uma clara distinção para as transmissões futebolísticas.

Os profissionais do esporte não escondem o desejos pela boa atuação do time que leva o nome do estado e outras tradicionais, considerando as outras equipes como de segunda classe, mesmo diante das atuações e resultados dos times do interior e alguns da capital que vencem campeonatos e têm boa atuação em partidas nacionais. Preciso, no entanto, ressaltar que o avanço do futebol em qualquer região depende da empolgação do torcedor e o trabalho da mídia, entretanto, torna-se desconfortável o envolvimento explicitamente dos profissionais de imprensa na torcida pelo seu time preferido, mesmo considerando que há outras equipes que tem torcedores e sociedade que representam. A ligação entre empresa de comunicação e diretoria de grandes clubes torna-se um mal que atinge as quadra linhas e o respeito ao torcedor.

Não é possível imaginar um profissional do esporte sem suas preferências, no entanto, precisa ter a clara idéia do número da audiência e os interesses dos espectadores-torcedores. Afinal, grandes equipes se tornaram pequenas numa sucessão de erros e excessos.

Dívida, quem paga?

Economia - O governo federal e o governador do estado de Goiás realizam negociações para livrar a Celg de dívida o que parece resultar numa parceria política. O valor do empréstimo é acima de R$ 1 bilhão de Reais, cujo pagamento certamente será facilitado pelo governo, que espera o apoio de Alcides para as eleições de 2010. No que se refere ao âmbito partidário, nada mais justo o acordo, entretanto, sobre a dívida cabe análise. Conforme informações do jornal O Popular, Rodrigues afirma que a conta aumentou ao longo de 10 anos, maior parte deste período sob a administração do Senador Marconi Perillo, tendo o pepista como vice, embora pouco atuante, mais um figurante político.

Mas resta uma dúvida, como uma instituição pública como a Celg - e também Saneago – possui dívidas tão altas, considerando a sua rentabilidade? Afinal, é um setor que tem pouca inadimplência, com faturamento alto em função do alto consumo de energia, cada vez mais necessário devido às novas tecnologias e em um país carente de investimento no setor elétrico.

Com a lei de responsabilidade fiscal, os administradores públicos, que gastam sem ter onde buscar recursos para pagar as despesas, deveriam ser chamados a responder ao processo de endividamento do setor. Pelo que se vê não ocorre, e, muitas vezes, passam incólume pela opinião pública, passiva e, exatamente, quem paga a conta, no final.

Um dos pontos difíceis de serem analisados em qualquer administração pública são os gastos com agências de publicidade. No Brasil, inclusive no governo federal, algumas instituições servem aos propósitos do homem político no sentido de repassar verbas para os meios de comunicação, com o objetivo de manter boa vizinhança e obter apoio das empresas midiáticas. Um instrumento no trato com a opinião pública.

Assim, Banco do Brasil, Caixa Econômica, Celg, Saneago aparecem na mídia com vultuosas peças publicitárias, muitas vezes, desnecessárias. O dinheiro gastos pela estatal deverá ser pago em algum momento. Certamente, no próximo governo com dinheiro dos cofres públicos, cada vez mais minguados, a custa das dificuldades de milhares de trabalhadores, que lutam pela sobrevivência em uma sociedade da desigualdade e oportunidades.

Poítica e império com castelo

Política - Se não bastasse a condição do Brasil de pior país em distribuição de renda, nesta semana surgiu um castelo encravado no congresso nacional - Claro que alguns parlamentares, nem todos, não se preocupam com uma mínima igualdade social. O Deputado Mineiro, Edmar Moreira (DEM), como um monarca do século XXI decidiu construir um castelo, mesmo considerando que é um homem público e como tal deveria zelar pelo bem da sociedade. Construir um castelo já significa ostentação exagerada, ainda mais em um lugar que nem sequer a família real conseguir edificar o seu e, quando permaneceu no Brasil, foi obrigada a viver em espaços apertados, o que não diferia muito de uma casa, ainda assim, doada por traficantes de escravos.
O parlamentar que faz parte da nobreza atual, cheio de dívidas, tomando dinheiro de agências públicas, como o Banco do Brasil, sem pagá-las posteriormente, mora numa ampla área dos sonhos imperiais, no interior do Estado de Minas Gerais.

O pior, o nobre deputado assumiria a cadeira de corregedor da Câmara, numa parceria com Michel Temer (PMDB), eleito mais uma vez para presidência da casa de leis. Moreira seria o responsável pelo acompanhamento dos parlamentares no se refere a cumprimento da ética. Seria o mesmo que o lobo tomar conta do galinheiro. No primeiro ato no cargo afirmou categoricamente que os pares não podem punir os seus companheiros que saem da linha, o que seria uma missão para a polícia. Contudo, uma ressalva: o democrata foi eleito, ou seja, recebeu apoio para "vigiar" o bem público por uma parcela da sociedade. Sem dúvida, uma pergunta: a sociedade tem dificuldades para conhecer os candidatos que muitas vezes investem milhões em campanhas?
Afinal, Moreira somente se tornou conhecido pela mídia depois que foi indicado para assumir um cargo importante no Congresso, caso contrário seria um nobre deputado responsável também pela aprovação de leis no Brasil. Este não é o primeiro escândalo e nem será o último na política brasileira.

Entretanto, não se deve acreditar que o congresso brasileiro seja formado de pessoas sem caráter e ética. Há, de fato, deputados e senadores com plena capacidade de participar da construção de uma democracia, que inclua a todos com igualdade social. Verdade, que há aqueles que usam o parlamento como um lugar apenas de privilégios e resultados econômicos.

Por que Lula é popular?

Política - A crise econômica global vem sendo alardeada há muito tempo. Sempre um perigo que ronda os países periféricos - numa visão das principais potências econômicas - que de fato não chega com a intensidade divulgada, geralmente por economistas. A cada dia a mídia traz várias informações que o Brasil está na rota do tsunami, com queda de emprego, fechamento de empresas e, por isso, inevitável perda de popularidade do atual governo brasileiro. Mas as pesquisas sucessivas apontam o contrário, cada vez mais há aumento nos índices de aceitação do chefe do executivo, o petista Luiz Inácio Lula da Silva.
Afinal, qual é o segredo? Deve ser a pergunta de vários analistas econômicos, políticos e adversários do petista.

A princípio o Brasil a crise não surgiu por aqui, portanto, o causador são os países ricos que sempre exploraram os mais pobres, e continuamente contaram com o apoio dos diversos presidentes brasileiros, mesmo considerando as perdas para a população na margem. Num primeiro momento, Lula afirmou que a crise seria apenas uma marolinha e não teria a força apregoada, depois mudou de idéia e disse que a solução para a quebradeira global seria do governo Bush, de onde emergiu o tsunami, então no poder. Ou seja, a crise não é nossa, fizeram resolva, afirma o presidente brasileiro, espertamente. Numa clara demonstração de enfrentamento e resistência ao presidente do império global, com baixa popularidade, e elite européia.

Evidentemente, que os investimentos do governo em obras que atendam a classe popular resultam em apoio, principalmente numa região, como o nordeste, que sempre esteve à margem dos avanços econômicos brasileiros. A imprensa repetiu muitas vezes a migração dos nordestinos para o sudeste em busca de emprego, sendo que as mulheres ficavam sem o chefe da casa por muitos meses, numa situação de sofrimento. As ações de ajuda de assistência social, com os diversos programas estatais, minimizam esta condição de marginalidade. Além do que, o nordeste está em todo Brasil, com pessoas mergulhadas na pobreza, resultado de uma economia que sempre foi perversa com milhares de cidadãos.

Outro ponto, fundamental, para a popularidade do governo está, exatamente, na sua linguagem, ou seja, a comunicação do presidente vai ao encontro do espaço simbólico da população de baixa renda, que, com facilidade pode entender o seu discurso, eivado de exemplos que envolvem o futebol, a família, a vida no campo. Diferente do que ocorria com os diversos governos militares, sem comunicação com o público, dependente da mídia para um possível diálogo, criticada muitas vezes pela dissimulação de acontecimentos e falência do país. Sarney com jeito de literato, Collor desacreditado e fanfarrão, Itamar com topete alto e Fernando Henrique Cardoso, com distanciamento intelectual do brasileiro médio, servem como exemplo de falta de contato com mundo exterior ao poder.

Apesar da crise, o governo continua popular e, mesmo deixando o seu partido de lado, vem trabalhando para fazer o seu sucessor. Dilma Rousseff poderá ser a agraciada com esta popularidade, para a tristeza do amigo de FHC, o tucano José Serra.

Política e amizade

Eleições - A história política do estado de Goiás tem entre os seus personagens o Senador Marconi Perillo que, ainda jovem, esteve no PMDB de Íris Resende e, hoje, é tucano de alta plumagem, adversário do peemedebista, e com transito na cúpula do partido em Brasília. Na vice-presidência do Senado, inicia sua jornada eleitoral no sentido de se cacifar para as eleições de 2010, sendo candidato ao governo do estado desde que deixou o governo para entrada de Alcides Rodrigues (PP). No entanto, ao longo destes dois últimos anos, o goiano viu o seu espaço político reduzido na região, e com dúvidas sobre o apoio do atual governador, cada vez mais próximo do governo federal e do PMDB goiano, além da oposição ferrenha do governo federal.

Diante do quadro, Perillo começa o seu caminho de retomada do poder político em Goiás, neste momento em desvantagem sobre os seus adversários PT, PMDB. Também não possui o apoio de parte da cúpula do DEM (ex-aliado), liderado por Ronaldo Caiado. A aproximação do ex-governador dos adversários, demonstra, além de amadurecimento, sua condição de dificuldade de organizar uma base que lhe dê sustentação efetiva para o pleito de 2010.

Com uma aprovação de mais de 70% quando deixou o governo estadual, com forte apelo midiático, devido a investimento de sua gestão nos meios de comunicação, o tucano tem a sua frente o crescimento do PMDB no estado. Sendo que Íris Resende não esconde o seu desejo de encerrar a carreira política como governador goiano e superar a derrota de 1998 para o desconhecido Marconi Perillo. O PT que hoje tem a vice-prefeitura, portanto, deverá estar com Resende no próximo ano e contra o tucano. Há ainda outro caminho para os petistas goianos: apoiar Henrique Meirelles que também se apresenta como candidato ao estado, que poderá ser o candidato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva no estado, conforme negociação do Íris Resende.

As eleições de 2010 começa a ser decidida agora, haverá muitas discussões, mas de alguma forma os competidores já estão em campo. Os acertos de apoio tornam-se fundamentais. Embora em política não há nada certo, os relacionamentos do passado podem representar muito no presente.

Começa 2010

Política - Definitivamente as tramas para as eleições de 2010 começaram. As eleições do presidente da Câmara Michel Temer e do senado José Sarney sinalizam como serão as articulações partidárias para o pleito que se aproxima. Afinal, a política está em movimento contínuo, mas há momentos em que se percebe como se desenvolve as artimanhas dos partidos e políticos. De fato, o PMDB será o grande partido enamorado por todos, neste contexto PSDB e PT, para a Presidência da República. Nesta última jogada o governo conseguiu o seu propósito que é o de fortalecer suas parcerias, principalmente no senado, onde sempre esteve em situação delicada, muitas vezes sofrendo derrotas. Sarney – político experiente -, parceiro do atual governo e que não transita no ninho tucano, será importante para o popular presidente Luiz Inácio Lula da Silva, mais que Tião Viana, o qual na última hora recebeu apoio da oposição ao governo.

No Brasil a política se mostra um emaranhado de interesses e poucos destaques, pois, hoje a figura notória é o próprio presidente que dispara na aceitação popular com mais de 80% de aprovação, o que é histórico, a rigor, trata-se de um presidente com características diferentes dos interesses de uma elite conservadora e reacionária brasileira. O Adversário dos petistas, José Serra (PSDB), apesar da experiência, continua um incógnita para 2010, num partido que não tem a mesmas forças de alguns anos atrás. O atual prefeito paulista, nas campanhas nacionais em que participou não se mostrou "íntimo" da sociedade brasileira, sem muito sucesso, principalmente na região nordestina. Num possível enfrentamento com Dilma Rousseff ninguém apostaria efetivamente em grandes vantagens para o tucano, considerando o perfil e a estrutura a disposição de cada um, apesar dos números das últimas pesquisas. A política é o acaso das circunstâncias, muitas vezes políticos inexperientes ganharam eleições no Brasil.

O atual presidente do Banco central, Henrique Meirelles também sinaliza que deixará o cargo burocrático em Brasília para ser candidato ao governo do Estado de Goiás, enfrentando Íris Resende (PMDB) - que tem o PT em sua base de apoio - e Marconi Perillo (PSDB). O presidente do BC que, na última terça-feira (4), esteve em Goiânia para um ato público - leia-se ato político -, quando a comunidade esteve sensibilizada para trazer jogos da copa do mundo de 2014 para a capital.

Conforme tem sido dito nos bastidores o ideal do governo federal é uma chapa com Meirelles como candidato ao governo do estado e Íris Senador da República. Perillo não faz parte dos planos dos petistas, afinal, tornou-se um grande adversário, mas deverá estar no páreo.

Indubitavelmente, muitas negociações ainda serão feitas. Certamente, haverá muitos lances neste emblemático jogo pelo poder. Importante acompanhar.

Ensino dos números

Educação - O início do ano sempre é um bom momento para discutir a educação brasileira, pois passa a ser um tema recorrente. Entretanto, com pouca análise que mereça muita atenção. Comumente, as informações são de quantidade de alunos que ingressam no ensino superior, o número de estudantes iniciantes nas escolas de ensino infantil. Aparecem diretores-políticos para darem informações sobre o interesse do estado em investir no ensino de qualidade. Sobre as faculdades os reitores se arvoram de possuir um grande volume de pessoas em suas salas de aula. No entanto, deve haver mais a se discutir sobre o tema, que vai da formação e remuneração do professor, estrutura física das salas de aula, pesquisa, etc.

De fato, as faculdades e universidades privadas permitiram a partir dos anos 80 aumento considerável de estudantes no ensino de graduação, o que era possível somente para filhos de famílias com alto poder aquisitivo, a chamada elite brasileira. Em essência, a classe privilegiada continua com status quo, como por exemplo, ocupando as melhores vagas nas universidades públicas brasileiras, como nos cursos de medicina e engenharia. Pois, tem condições financeiras pagar escolas particulares no ensino básico e médio, embora também com qualidade de educação criticável, mas com mais condições de formação do estudante do que as precárias, salvo exceção, das instituições públicas tanto municipais como estaduais.

O governo federal, cujo presidente é criticado pela falta de formação educacional, vem, ao longo dos últimos anos, investindo no aumento do número de alunos nas universidades públicas. Mas, a cada dia fica mais visível a falta de incentivo à pesquisa que perpassam todos os governos, inclusive ex-professores e intelectuais, como Fernando Henrique Cardoso. Nas últimas semanas oportunamente emergiu a grande discussão nacional, envolvendo os poucos pesquisadores brasileiros, sobre a redução da verba para pesquisa, cortada pelos parlamentares brasileiros, sem muito destaque pela mídia.

As universidades públicas que, teoricamente deveria ser responsável pelo trabalho em pesquisa, base para a qualidade da educação - pois levariam os alunos ao contato com o espaço empírico das descobertas - muitas delas estão muito enroladas com grupos de intelectuais que defendem com intransigências, em lutas políticas, suas castas e pouco se dedicam a pesquisa - e até mesmo em mudanças internas necessárias. Verdade que, não se pode generalizar, há instituições públicas de ensino superior no Brasil com avanços importantes na área da pesquisa. Mas infelizmente, os bastiões de egoísmo particulares existem, o que faz emperrar o avanço no conhecimento científico, a base para o desenvolvimento de uma sociedade que se acredita moderna.

As faculdades privadas, notoriamente, também com exceções, vêem somente o grande número e desconhece a qualidade como norte imprescindível para a área da educação brasileira. Neste sentido, há necessidades urgentes no país de um debate sério e honesto sobre a nossa educação. Sobremaneira, a quantidade de estudantes deve ser um avanço para uma nação que foi colonizada por uma metrópole pouca afeita à educação, e submersa a burocracia e privilégios.

A Arte da Guerra Midiática

Mídia - Nesta semana, discussões paralelas sobre um mesmo tema colocou em lados opostos duas formas de avaliar o futuro do capitalismo. De um lado as autoridades do mercado financeiro em Davos (Suíça) e de outro o Fórum Social Mundial (FSM) em Belém do Pára. Na Europa o pessimismo sobre uma economia em frangalhos e sem solução, pelo menos a curto prazo. Portanto, há a incerteza quanto à forma de tratar o mercado sempre onipresente em todos os debates mundiais, indiferente ao assunto abordado - afinal, a Indústria Cultural esteve sempre presente nas últimas décadas, sem dar descanso. Na região amazônica as afirmações comuns são a de que o capitalismo precisa passar por mudanças, visão peculiar aos intelectuais de esquerda que ao longo dos anos vêem perdendo terreno para a "verdade" do mercado global. Neste ínterim a cobertura da mídia, que evidentemente dá fluxo as informações e afirmações advindas da região européia, com ênfase.

Seria simplicidade imaginar uma atitude diferente da grande mídia que chega em todos os rincões brasileiros. Entretanto, fica claro a dificuldade dos meios de comunicação de tratar com os problemas que se apresentam, quando se trata de mudar um discurso que se mostra caquético e repetitivo. Há diversos problemas com os intelectuais na contemporaneidade, pois muitos deles, seguem a cartilha do socialista, tratado por Karl Marx, há muito fora da realidade tecnológica e complexa atual, mas não se joga idéias na lata de lixo como se nunca existiram. Ainda mais considerando que há uma repetição dos acontecimentos, discutidos ao longo da história.

Indubitavelmente, que os meios de comunicação globalizados, com informações difundidas pelos grandes centros de poder políticos e econômico, deveriam ser vistos pela mídia brasileira, por exemplo, com desconfiança sobre a sua possível isenção e espírito ético. Na realidade a comunicação se apresenta com uma grande arma de domínio econômico e cultural. Reproduzir idéias, neste contexto, significa simplesmente manter um as verdades que trouxeram prejuízos e instabilidade para várias nações que vivem - e se assim continuar viverá - na periferia desta aldeia global.

Governo do PT elege PMDB?

Política - A eleição do Senado e da Câmara marcada para esta segunda-feira (2) se mostra um jogo político inusitado, pois, o apoio do PSDB - e vários políticos que mostram diferenças com o governo - ao Candidato petista Tião Viana para o Senado, torna a vitória do peemedebista José Sarney importante para a presidência da república. Embora, seja consenso a vantagem do candidato do PMDB, as últimas jogadas tornam a eleição indefinida antes do pleito, as quais, de fato, iniciam as negociações partidárias para 2010.

O governo de Luiz Inácio Lula da Silva, ao longo do último mandato, se apresenta cada vez mais distante das prerrogativas do partido e com certa independência nas suas decisões políticas e administrativas. Desta forma, resta saber qual é o peso da legenda para suporte e eleição de candidatos no Brasil. Há de fatos pontos complexos que envolvem a política, entretanto, a militância ainda tem seu peso em qualquer agremiação. O PMDB sairá fortalecido da disputa no congresso com Michel Temer e José Sarney, e o governo submetido ao revigorado partido das divisões internas.

Crise particular de todos

Economia - A crise mundial continua alarmando as principais organizações mundiais, como o FMI, que fazem previsões pessimistas quanto ao futuro do mercado. Na verdade os países desenvolvidos são, teoricamente, os que mais deverão sofrer com a redução da atividade econômica, sendo que as nações em desenvolvimento terão drástica redução na economia, analisam. A rigor, no final, quem vai ser penalizado é o homem comum, que no seu dia-a-dia vive distante das grandes aventuras financeira. Resta a ele o sofrimento para se adequar as retrações no seu poder de compra, com a perda de emprego rondando sua vida, diariamente. Os projetos familiares precisam ser refeitos. Mas há que questionar, quais são os responsáveis por essa avassaladora crise? A sociedade (todos nós), alguns aventureiros do mercado financeiro, ou o próprio capitalismo, cuja liderança tenta manter estrategicamente o seu conservadorismo?

Não há dúvidas que a conta será socializada, enquanto que os ganhos em grande volume tornaram pessoas pobres em mais pobres, que continuará na penúria, mesmo depois da crise – não se sabe quando. O rendimento particular deveria gerar prejuízos particulares e não ser diferente. O Estado quando assume as dívidas do mercado estaria somente socializando o pagamento de uma conta, que não beneficiou a todos em nos momentos de rendimentos fartos.

A mídia que todos os dias destaca nas páginas dos jornais um ano acinzentado esquece de informar, com mais detalhes, os problemas estruturais que a base para a grande depressão econômica, como se uma crise viesse dos céus. Como vai atingir a todos, então, cabe a sociedade apresentar solução. Ao governo caber a responsabilidade de liberar linhas de créditos subsidiadas e outras soluções que vão direto aos cofres públicos. Uma prática que remonta o governo do português D. João VI, ainda na primeira década dos anos de 1800.

A rigor, o capitalismo está em crise, não somente o mercado, e é exatamente desta questão é que precisa ser discutida para que soluções sejam tomadas na sua base. Análise esta que ficou esclarecida na dúvida das grandes autoridades financeiras que estiveram em Davos (Suíça). Possível que o capitalismo vive de crise, mas que os responsáveis pelas aventuras assumam responsabilidade e não somente tenham lucros.

OS BANQUEIROS DA CRISE

Economia - No Brasil algumas questões continuam sem soluções, sendo que muitas delas atingem diretamente os brasileiros, vivendo na marginalização do poder político, o qual deveria se posicionar quanto às relações econômicas desonestas. Uma delas, que já é senso comum é o spread (diferença entre os juros pagos pelos bancos na captação de recursos e a taxa aplicada por eles nos empréstimos que concedem) bancário que explora os tomadores de empréstimo e, evidentemente, os poupadores que recebem muito menos do que deveria pelo capital deixado nas agências.

Conforme matéria publicada pelo Jornal Folha de S. Paulo “o spread no Brasil é o maior do mundo e 11 vezes o dos países desenvolvidos", e complementa: "O abismo [em relação aos demais países] é tão grande que, mesmo considerando eventuais disparidades de cálculo, a conclusão não muda: nossos juros são altos demais", afirma Rogério César Souza, economista do instituto (Iedi -Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial)."

Não é por acaso o interesse por grandes bancos pelo país, afinal aqui é o paraíso para este tipo de negócio, mais rentável do que a produção industrial que exige a mão-de-obra, investimento em tecnologia, matéria prima, etc. Um retorno que ocorre, geralmente, a médio e longo prazo.
Desta forma, discutir e chegar a um termo sobre a atitude dos bancos é inevitável, entretanto, há um ponto que não pode ser esquecido: muitos de nossos representantes – há exceções, sem dúvida - dependem do dinheiro para campanha captado bondosamente nas agências bancárias.

Por seu lado, o governo também tem responsabilidade pelas altas taxas cobradas pelos bancos, pois detém o comando de duas grandes agências: o Banco do Brasil e Caixa Econômica - e se pretende ações neste sentido, por que tanta demora? Na concorrência, a redução do spread nas estatais vai obrigar os grandes bancos privados a tomar a atitude honesta de avaliar o seu comportamento de usura. Evidentemente, que há amarras as mais diversas quando se trata de enfrentar lobistas e financiadores de campanha e grandes investidores na mídia, mas de fato há caminhos para se resolver a questão. Afinal, quem paga a conta é uma sociedade acomodada ao vários séculos de exploração.

Editorial conservador

Jornalismo - O jornal paulista no seu editorial do dia 31 de janeiro (http://www1.folha.uol.com.br/fsp/opiniao/fz3101200901.htm) não deixa dúvida sobre o seu posicionamento sobre a estrutura social: um conservadorismo que foge a realidade de uma sociedade que passou muitos anos convivendo com as diferenças sociais gritantes, com exclusão e corrupção em várias esferas institucionais. O Brasil, deve pensar o seu lugar neste sistema global e se organizar no sentido de se defender de um sistema bancário que levou a bancarrota países muito mais estruturados, como os Estados Unidos e nações européias.

Não dá para afirmar que as reuniões de Davos e de Belém do Pará são exatamente pessimistas, mas realmente chegou a hora das lideranças sociais pensarem em alternativa para o modelo vigente que realmente chegou no seu limite. A continuação deste sistema em pleno século XXI, com o avanço das novas tecnologias da informação e redução das distancias entre pessoas nesta aldeia global seria a aceitação da ignorância. A rigor, as mudanças estruturais são inevitáveis, e transformações de discurso devem também perpassar os veículos de comunicação que há muito insistem na sociedade do espetáculo, como se vê na televisão e se estende para os demais meios como as revistas e jornais.

O debate, portanto, não é somente necessário, mas deve apresentar resultados em ações, no sentido de promover alterações nos governos e mercado que vêem pela frente somente recursos econômicos, sem se importar com a realidade de milhões de pessoas no mundo. Preciso lembrar que a fome continua uma realidade, a falta de educação ainda assola homens e mulheres. Uma economia centralizada possivelmente não será possível, considerando as crises que surgiram e levam a todos, mesmo aqueles que vivem em lugares distantes.

À Folha de S. Paulo, cabe ressaltar, deveria ser menos conservadora e valorizar os interesses de seus leitores, seres que vivem em meio ao imbróglio do mercado especulativo, sem alma e coração.

Estados Unidos e a raça negra

Internacional - Os negros em estão em alta nos Estados Unidos, pois desta vez o Partido Republicano de George W. Bush elegeu como presidente do partido Michael Steele. Ele será responsável, de fato, por amenizar a força dos democratas que tem Barack Obama como figura ilustre.

A grande questão a saber é exatamente se esta estratégia de valorizar notoriamente o negro serve aos propósitos de liberdades raciais no país americano, ou por trás disto está apenas interesses políticos e econômicos. A rigor, a participação efetiva da sociedade vem promovendo transformações importantes no cenário político mundial, o que poderá levar a mais reflexos nas instituições conservadoras e excludentes no mundo.

Salário mais que mínimo

Economia - O aumento do salário mínimo que passa a valer R$465,00 a partir de fevereiro sempre gera debates. De um lado o trabalhador que não se conforma com uma diferença de renda tão grande no Brasil, e com razão. Para tanto basta lembrar o faturamento de alguns bancos brasileiros que chega a casa dos 6 bilhões de reais líquidos (lucros) ao ano, algo em torno de meio bilhão ao mês.

Por outro lado, os empresários sempre preocupados com a folha de pagamento que vai onerar o seu caixa. Entretanto, o aumento nem é tão satisfatório assim, cabe lembrar que são apenas R$50,00 a mais, talvez nem dê para ir a uma pizzaria com os amigos. A crise brasileira, sempre lembrada neste momento como argumento, não serve como referência, pois o brasileiro-trabalhador vem pagando a conta da gastança deste país desde a sua descoberta.

Na realidade, a distribuição de renda no Brasil deve ser pensada com seriedade, afinal, não é possível uma nação em que uma minoria, iluminada, tenha milhões, enquanto que o restante, ignorante, padeça na miséria. O salário mínimo, nesta conjuntura, está para lá de mínimo, embora tenha melhorado substancialmente nos últimos anos.

Eleições no Senado

Política - A discussão em torno da eleição da presidência do Senado sinaliza para a redução de importância do partido, que fica em segundo plano, sendo que as estratégias políticas superam as ideologias partidárias. O governo não quer interferir nesta eleição em razão de entender que o peemedebista José Sarney será uma autoridade que serve aos interesses do governo federal. Com a sua eleição, Luiz Inácio Lula da Silva poderá transitar com mais facilidade no PMDB, com lastros em todo país. Diga se de passagem que Lula se apresenta desvencilhado das indicações petistas em suas decisões políticas.

Tião Viana (PT) - o outro candidato -, por sua vez, carrega o peso partidário dos petistas, sempre reivindicando do governo mudança de posicionamento político e fortalecimento do partido. Portanto, o presidente sofreria mais pressão do PT, o que será diferente com os peemedebistas, que passam a aliado, efetivamente, com Sarney na liderança. Afinal, o PT é governo e deve agir como tal.

A atitude do PSDB de se aliar ao petista Tião Viana vem no sentido de descer do muro, atitude sempre criticada pela sociedade. Entretanto, no fundo, a negociação com a Sarney não serviu aos interesses do partido que vê à sua frente apenas as eleições de 2010, com José Serra como candidato. Lula continua dizendo que Dilma Rousseff será a candidata do governo.

As eleições do ano que vem já começam a se definir a partir da eleição da Câmara e Senado. Todo movimento político serve para marcar território e ganhar terreno numa disputa com muitos lances, em um lugar onde não há santo.

RESUMO

Polícia - O fechamento de bares em Goiânia gera uma discussão acirrada que de alguma forma vem sendo feita na imprensa e sociedade. O resultado é que a administração municipal resolveu participar da questão que é, de fato, de sua responsabilidade. Contudo, alguma perguntas ficam no ar: será que o fechamento destes estabelecimentos vai realmente reduzir a criminalidade a médio e longo prazos? As pessoas ditas violentas e "marginais" somente freqüentam determinados tipos de lugares, conforme crê o estado, nas regiões periféricas?

Sem respostas convincentes, o que resta a sensação de poder da política e que nos faz relembrar, inevitavelmente, o tristes tempos da ditadura militar. A responsabilidade da sociedade - leia-se estado - é zelar pelo seu bem-estar, mas não pode discriminar pessoas conforme a região que mora e aparência física. A violência é causada pela própria sociedade que, com o uso da força, sem condições de resolver os seus efeitos, prefere a sua invisibilidade.

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Contraste - Os jornais estampam esta semana a greve dos sindicatos na França, um país que promoveu uma mudança política ao eleger o conservador Nicolas Sarkozy. Um governo que se aproximou das potências econômicas, no sentido de promover mudanças substanciais na estrutura de uma nação que promoveu por muitos décadas política voltada para os interesses sociais - o que resultou em tempos liberais em perda econômicas.

Esta não é a primeira revolta francesa nos últimos anos. A primeira, que envolvia jovens com idade de iniciar sua vida profissional, quis chamar a atenção para a falta de trabalho e a discriminação contra os imigrantes.

Mas o que chama mais a atenção é o rouba das jóias da ex-mulher de Sarkozy, avaliadas em R$1,5 milhões, retiradas de seu apartamento. Na verdade um constraste entre as duas informações: a greve dos trabalhadores por melhores condições de trabalho em meio a uma crise que atinge milhões de pessoas pelo mundo e a notícia sobre o assalto a ex-primeira dama francesa. De um lado trabalhadores em busca de melhores condições de vida, o tostão, de outro as jóias da ex-Senhora Sarkozy, o milhão.

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FSM - Esta semana foi marcada pelo Fórum Social Mundial realizado em Belém, reunião que traz discussões sobre a crise mundial que causou desemprego e fechamento de várias instituições financeiras, algumas famosas, sempre em evidência na mídia. Um dos pontos importantes em debate é a participação efetiva do Estado na economia, pois nas últimas décadas, com o ascendente liberalismo, apregou-se que o setor público seria maléfico para os interesses dos mercados, fundamentais para o desenvolvimento social.

A contradição veio exatamento com a crise imobiliária nos Estados Unidos e se espalhou por todo mundo, o que deixou transparente a incapacidade do mercado de se auto-regulamentar. Assim, o Estado passa a ganhar importância no sentido de evitar catastrofes maiores na sociedade. Contudo, o ponto a ser analisado é qual será esta participação estatal? Afinal, nem sempre o Estado esteve do lado simplesmente do bem-estar-social, mas aliado ao sistema financeiro numa econômia globalizada e sem regulamentação efetiva. O homem comum sabe onde, no final, a corda arrebenta.

ORDEM SEM PROGRESSO

Aumentar juros na contramão dos interesses da sociedade significa demonstrar como funciona um sistema que se apresenta sólido na injustiça e na forma de tratar a coletividade.

As transformações no modelo sociais são necessárias no sentido de adequar o sistema ao espaço de vida das pessoas – o espaço vivido. O socialismo/comunismo teve papel importante para a polarização de idéias e ideais entre dois sistemas com grandes diferenças de percepção do homem. O capitalismo triunfou pelas lógicas da força intrínseca dos pequenos grupos organizados, com estratégias que vai além da força intelectual particulares, a rigor, perpassa os meio de comunicação e educação. A princípio, se mostrou mais eficiente com efeito de igualdade , no entanto, não pôde esconder a desigualdade social, a centralização econômica exacerbada. A injustiça econômica reluz de maneira que ficam claras as diferenças entre aqueles detentores do capital e os marginalizados em guetos, em meio à pobreza financeira e de conhecimento.

Se um dia houve esperanças de mudanças a partir de cima para baixo, ou seja, um sistema que se transformasse para a inclusão parece que não ocorreu, de fato. Contudo, há algumas transformações emergindo na base deste sistema, devido à ineficiência na gerência do capital sem concorrência ideológica e da participação do próprio homem da margem no cenário político.

Numa análise simples é possível perceber que o acúmulo imensurado dos grupos econômicos levou a uma crise no próprio capitalismo, pois a bolha imobiliária nos Estados Unidos refletiu o anseio exagerado pelo resultado financeiro a qualquer custo, mesmo considerando levar a reboque um mundo inteiro, a bancarrota. Não é possível dizer que governo e investidores não conheciam os lastros de seus negócios e o resultado de seu fracasso, mesmo numa visão a longo prazo. Atitude que demonstra a segurança de especuladores em um sistema que os apóiam intransigentemente.

As discussões que surgem nas diversas mídias, na realidade, não passam de teatro, ao considerar que além da perda de bens de alguns, ninguém sofreu penalidades e ainda os especuladores espertos mantêm-se donos de grandes e vultuosas somas de recursos. Muitos ainda contam com apoio financeiro do Estado americano e dos vários países atingidos, inclusive no Brasil. A dívida chega a dois trilhões de dólares somente nos Estados Unidos, epicentro da crise, que será paga indubitavelmente pela população que não participou da farra especulativa.

No entanto, apesar do interesse de mudanças na forma de se organizar o sistema de poder político e econômico, há movimentos que continuam se posicionando contra as alternativas a um modelo que não serviu a algum propósito de liberdade e igualdade. Neste sentido, dois exemplos. O primeiro, a Bolívia de Evo Morales vem sendo criticada nos últimos dias justamente porque aprovou uma nova constituição que valoriza a cultura indígena em detrimento das regiões ricas, que, evidentemente, votou contra a aprovação as mudanças constitucionais – afinal, a mudança significa perda de poder das minorias. Estranho imaginar que o discurso hegemônico revela que a maioria não tem competência de propor mudanças, por considerar que as regiões que desaprovam a carta magna são habitadas por pessoas de alto padrão econômico, portanto, deve prevalecer a sua vontade em relação a da maioria, teoricamente incompetente para tomar decisões legítimas.

Um segundo exemplo vem do Brasil. Pois no país há uma grande discussão sobre a redução da taxa de juros por parte do governo - a Selic - e o aumento da cobrança de juros dos bancos particulares. Ressalta aos olhos a injustiça com a sociedade brasileira que a cada dia vê o aumento do índice de desemprego e deve conviver com os interesses mercantis dos bancos de aumentar seus rendimentos com altas taxas de juros, mesmo considerando o esforço da sociedade em se organizar no sentido de minimizar a crise vinda exatamente dos países ricos – Estados Unidos e Inglaterra, Japão principalmente.

Ora, onde está o bom senso? A chamada inadimplência é responsabilidade também da ordem financeira que fez quebrar grandes bancos que exploraram com ganância o mercado imobiliário, sobremaneira. Aumentar juros na contramão dos interesses da sociedade significa demonstrar como funciona um sistema que se apresenta sólido na injustiça e na forma de tratar a coletividade.

Apesar de tudo, a discussão, embora inevitável, se revela tímida, e quando se apresenta sobre estes temas o destaque é no sentido de consolidar uma prática que interessa a ordem, mesmo considerando que o modelo precisa sofrer mudanças em sua estrutura. O que deverá ocorrer mais cedo ou mais tarde, conforme se vê na participação mais efetiva do homem social, principalmente na política de Estado. Como exemplo a existência do Fórum Social Mundial, realizado este ano em Belém - diante das belezas da Amazônia- , num confronto de idéias com a reunião de Davos, na Europa. O debate ainda é tímido, mas sem dúvida já é um começo.

ESTRATÉGIAS PÓS-MOERNAS

O salto aos olhos neste momento o grande apoio popular dado a Barack Obama, conforme relato da imprensa, cerca de 80%. Assim, o país-império atinge um de seus ideais: não ser odiado como na, impopular, era Bush, o que poderá render uma relação menos conflituosa com o mundo.


A data da posse do novo presidente dos Estados Unidos se transformou numa grande apoteose, com transmissão que atingiu o mundo todo, ao vivo, sem deixar nenhum detalhe dos momentos da grande festa. Cabe no entanto não deixa de lado o racional e avaliar sem emoção as grandes questões que envolvem o momento atual do país-império nesta pós-modernidade. A princípio não se pode esquecer das estratégias econômicas, políticas e culturais que estão por trás das mudanças que envolvem a condução do sistema social mundial. De fato, não se pode afirmar que George Bush seja o grande culpado pela decadência do país americano e Barack Hussein Obama o grande salvador da pátria.

Escolher pode expiatório e deuses parece ser um lugar comum quando se quer evitar discutir a estrutura de um sistema que tem na sua formação instituições hegemônicas. Sobretudo, as grandes empresas, bancos, poder militar, organizações sociais. Os Estados Unidos, como todo país que se vê como império, têm seu tempo de prosperidade e decadência, como ocorreu com a Inglaterra, por exemplo. Os excessos cometidos na formação desta estrutura devem ser avaliados, afinal, não é possível imaginar um presidente ser eleito simplesmente pelo desejo dos cidadãos, sendo negros ou brancos. Por detrás da formação de um grupo dirigente há pessoas de poder financeiro que movimenta o espaço político. Não será diferente com nenhum presidente dos países mundiais capitalistas. Verdade é que Obama conta com apoio de grandes empresas, políticos e organizações que deram base para sua vitória, o que culminou no final com a aceitação da sociedade, formada por pessoas saturadas com um sistema imperialista criticado e odiado globalmente – um erro para uma economia imperialista.

Neste sentido é preciso analisar as estratégias, que muitas vezes, simplesmente, servem ao propósito de permitir mudanças para, no fim, manter a estrutura ou evitarem grandes perdas. A rigor, a decadência financeira dos Estados Unidos vem sendo formada ao longo dos últimos anos, com sucessivas crises do capitalismo, invitáveis, diga-se de passagem, devido à complexidade do próprio sistema conduzido por interesses de grupos, que, mesmo agindo no “coletivo” na defesa de um modelo, paradoxalmente, de maneira particular, cada um, busca enriquecimento egoisticamente.

O salto aos olhos neste momento o grande apoio popular dado a Barack Obama, conforme relato da imprensa, cerca de 80%. Assim, o país-império atinge um de seus ideais: não ser odiado como na, impopular, era Bush, o que poderá render uma relação menos conflituosa com o mundo. Mas será que com a troca de poder político o capital centralizador será menos hostil com os países pobres? Haverá mudanças no tratamento com os parceiros mundiais tidos estrategicamente como “eixo do mal”? As trocas econômicas envolvendo Estados Unidos e o resto do mundo não serão de imposição, algumas vezes com apoio militar – como é o caso do Iraque, Coréia do Norte, palestina e Cuba?

A torcida pelo sucesso social de Obama é claro nos quatro cantos do planeta. Inteligência e perfil de uma grande liderança são expressivos no novo presidente, entretanto, é preciso entender a dinâmica do capitalismo que de crise em crise vai construindo sua base para superar os entraves e manter-se na direção de mentes e corações. O que não se sabe é até quando a reação as mudanças vai ocorrer, pode ser este o momento de o mundo conhecer nova alternativa de sistema social. É aguardar para ver.

Em resumo, todavia, um império para continuar hegemônico precisa mudar suas estratégias de domínio e o seu discurso para manutenção de um sistema. Contudo, cabe aos leitores e debatedores procurar entender o que está por trás dos movimentos – verdade é que muitos intelectuais conhecem as nuances do poder, mas evitam a dissonância discursiva aparente. De fato, embarcar nas análises simplistas significa fazer parte de uma massa ainda passiva diante da realidade contemporânea, paradoxalmente, na era da informação.

FIM DA HISTÓRIA E DO NEOLIBERALISMO?

A sociedade pode não estar simplesmente mais bem informada, entretanto, sente mais rapidamente o descontrole de um sistema que exige passividade diante da necessária atividade produtiva constante – num ritmo alucinante.

A vitória de Barack Obama gerou uma discussão na imprensa brasileira e internacional sobre a sua capacidade ou não de mudar a ordem mundial, estabelecida a partir das ênfases econômicas e beligerantes. A rigor o grande debate que se apresenta é se haverá alterações na estrutura social e financeira do mundo, globalizado. Para esta questão os enunciados nem precisam de verbo simplesmente, pois está explícito: o resultado das eleições do país mais rico do mundo leva a alguma mudança. Não exatamente porque determinados grupos hegemônicos tenham este tipo de desejo, mas simplesmente em função de atitudes políticas que não mais se sustentam numa realidade que atemoriza pessoas pelo mundo. A rigor, uma nação isolada, com discurso único, em período de globalização possivelmente põe fim a qualquer grande império. Desta forma, eis uma questão difícil de analisar e não deve ser percebida a partir apenas de visões pragmáticas, como se a realidade fosse uma conta exata. Os defensores da ordem capitalista ortodoxa precisam buscar novas estratégias de condução do espaço social, que se movimenta numa dinamicidade, decidida a partir da própria mediatização.

Para aqueles que olharem para trás vai perceber referências importantes das mudanças, afinal, na história as mudanças de paradigmas (modelos políticos e econômicos) sempre existiram, todavia, as rupturas passam a ser esquecidas exatamente como forma de fazer surgir a imagem de uma história dinâmica. Entretanto, perder de vista os momentos importantes das rupturas, torna-se ponto de alienação, ou melhor, perda de identidade, pois se esquecemos o passado nos tornamos sem origem. Com efeito, a esfera social vem sofrendo alterações em sua estrutura, a começar das duas grandes guerras que promoveram reorganização do sistema, com inserção de novas tecnologias com mais investimento na ciência, principalmente na área bélica, além do recrudescimento das políticas de determinados países que gerou a chamada guerra fria envolvendo duas poderosas nações – teoricamente, de um lado capitalismo e de outro socialismo. O Brasil vive de rupturas, ainda mais na política. Poderíamos dizer que há permanentemente uma luta entre grupos hegemônicos e classe desprivilegiada que com muita mágica passa despercebida do imaginário social. Estratégias para este fim não faltam.

O fim da história não se efetivou como muitos pensaram, ao contrário, a história continua sendo contada, que neste fluxo de comunicação contínuo aumentou sua dinâmica. A sociedade pode não estar simplesmente mais bem informada, entretanto, sente mais rapidamente o descontrole de um sistema que exige passividade diante da necessária atividade produtiva constante – num ritmo alucinante. As trocas informacionais são inevitáveis e inexoráveis no sentido de promover alavancas nas relações entre o desejo e o permitido, no seio da sociedade. A rigor, o efeito latente forma no homem globalizado o sentimento de pertencimento e participação – mesmo que seja apenas um simulacro - num mundo que muitas vezes não lhe diz respeito. Como não é possível construir uma estrutura única, as alterações promovidas lentamente levam a todos para rumos antes desconhecidos e não esperados. Eis a essência.

A eleição nos Estados Unidos ressalta essa dinâmica, de uma sociedade pertencente ao espaço global público mediatizado submetido às práticas locais com suas identidades. Logo, vale dizer, o que menos importa neste momento é saber se Barack Obama vai ou não ser eficiente, pois neste sentido, cabe uma análise pragmática complexa. Possivelmente vai repetir fórmulas anteriores e arriscar alterações na ordem estabelecida. O que importante, entretanto, é perceber a resposta da sociedade as negociações na esfera pública. Afinal, como poderia se imaginar um negro na Casa Branca, cosmopolita, de origem Africana? E mais, um intelectual, com carisma e capacidade de convencimento, o que vai contra determinados princípios norteadores de exclusões que apregoavam questões genéticas para definir os melhores, com a palavra os positivistas.

Se alguém pensou o fim da história equivocadamente, não cabe aos exaltados imaginar o fim do neoliberalismo, entretanto, cabe ressaltar a necessidade de repensá-lo, pois, na sua essência há fissuras, se não vistas rapidamente haverá sua implosão e novos paradigmas serão inevitáveis. O que de fato não será negativo, pois, os excessos contaminaram a única fórmula de pensamento existente. As estratégicas são disfuncionais, as engrenagens estão bambas, que em alta velocidade ganha estabilidade, mas não há nada que se equilibra sem “reparar” algumas peças vitais, uma delas é a razão humana.